DEU NO JORNAL

O VEXAME ELEITORAL BRASILEIRO

Silvio Navarro

São 22 horas do domingo, 15, agora enquanto escrevo, e o Brasil pode estar diante de sua mais vexatória eleição desde que as cédulas foram trocadas pelo moderno sistema de urnas eletrônicas. A apuração na maior cidade do Brasil registra 0,39% dos votos computados: ou seja, a maioria dos paulistanos que vai acordar cedo para trabalhar dormirá sem saber quem disputará o segundo turno ou se seu candidato a vereador foi eleito.

A mesma coisa deve ocorrer no Rio de Janeiro. Dos quatro grandes colégios eleitorais, apenas em Belo Horizonte (com Alexandre Kalil, do PSD) e Salvador (Bruno Reis, do DEM), o jogo parece estar resolvido dada a vantagem dos que despontam. E o mesmo cenário ocorre em sabe-se lá quantos dos milhares municípios – porque nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, sabe.

Barroso, aliás, teve de conceder duas entrevistas ao longo do dia para explicar que:

1) o tribunal sofreu ataque de um hacker do exterior;

2) o aplicativo lançado pelo tribunal para quem não conseguiu ou por medo da pandemia não votou não funcionou;

3) a Corte eleitoral sofreu outras tentativas de roubos de dados antes, mas ele não sabia precisar quando; e

4) a raiz de todo o problema neste domingo foi um problema num “supercomputador” que totaliza os dados regionais (pela primeira vez, o conteúdo foi centralizado em Brasília).

Ou seja, sobre o item 4, é provável que se o TSE não tivesse decidido centralizar os dados, Santo André (SP), Vitória da Conquista (BA), Ouro Preto (MG), enfim, já conhecessem seus futuros prefeitos e vereadores.

“Tenho expectativa (que o resultado seja divulgado ainda hoje), mas não gostaria de me comprometer, é possível”, afirmou Barroso em sua segunda entrevista coletiva, por volta das 21 horas.

Resta aguardar ainda, além dos resultados, claro, o índice de abstenções, que tende a ultrapassar a média de 20% – em Florianópolis (SC), caso raro de uma capital cujo sistema funcionou perfeitamente, foi de um terço dos eleitores.

Mas, diante de todas essas intercorrências, Barroso fez questão de lançar um anúncio alvissareiro no meio da tarde e produziu manchetes: em 2022, o cidadão vai conseguir votar usando seu próprio celular.

Que Nossa Senhora das Cédulas nos proteja!

DEU NO JORNAL

EMPATAMOS COM SÃO PAULO

O PT só não foi extinto no Nordeste por causa da vitória de Marília Arraes no Recife (PE).

Ela vai disputar o segundo turno contra João Campos (PSB), herdeiro do falecido governador Eduardo Campos.

* * *

Pois é.

O eleitorado de São Paulo, que levou Covas e Boulos pro segundo turno, tá muito feliz com o eleitorado daqui do Recife.

Empatamos com a maior cidade do país na disputa do Campeonato de Votação em Merda.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Nobre Editor:

Envio link de uma postagem no Twitter em anexo.

Foi feita pelo deputado federal Marcos Feliciano, de São Paulo.

Não sei se é possível publicar.

Seria ótimo pra conhecimento dos leitores do nosso jornal.

Bom domingo e uma boa eleição!

R. Eu não me canso de repetir: aqui a gente publicado tudo que vocês leitores mandam pra cá.

A favor do Cão ou contra o Cão.

É só enviar que vai ao ar nesta gazeta escrota.

Quanto mais cacetada e baixaria, maior a avidez dos viciados.

Disponha sempre deste espaço, meu caro.

Tanto você que é bolsonarista, como também os leitores que são contra Bozó.

Repito: é só mandar que a gente pública.

E vamos à postagem que você nos enviou:

DEU NO JORNAL

SE ARROMBOU-SE

Esperança no partido e uma das poucas candidatas do PT que utilizou a imagem de Lula em sua campanha, a ex-prefeita Luzianne Lins sequer chegou ao 2º turno em Fortaleza.

Perdeu para o bolsonarista Capitão Wagner (Pros) e Sarto (PDT), que tem apoio do clã Ciro/Cid Gomes.

* * *

Foi muita coragem desta moça.

Usou a imagem de Lula na sua campanha!!!

Vôte!

Um imprevidência da porra.

Mas teve o retorno merecido: tomou no furico.

Os cotovelos do ex-presidiário Lula são piores que as patas do cavalo de Átila.

DEU NO TWITTER

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

O POEMA PREFEITURA SEM PREFEITO, DE PATATIVA DO ASSARÉ, CONTINUA ATUALÍSSIMO

Antônio Gonçalves da Silva (1909-2002), mais conhecido por Patativa do Assaré, foi um poeta popular, compositor, cantor e repentista brasileiro. O cearense de Assaré teve sua obra registrada em folhetos de cordel, em discos e livros. Aos 16 anos, comprou sua primeira viola e começou a cantar de improviso. Com uma linguagem simples, porém poética, retratava a vida sofrida e árida do povo do sertão. Projetou-se com a música “Triste Partida” em 1964, uma toada de retirantes, gravada por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. Seus livros, traduzidos em vários idiomas, foram tema de estudos na Sorbonne, na cadeira de Literatura Popular Universal.

Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um dos seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade. Ele não retocava seus versos como os poetas de bancada costumam fazer; cada linha da poesia e rimas eclodia em sua cabeça como as plantas desabrochavam em seu roçado. O poema nascia inteiramente feito, harmônico, sem precisar de reparos.

O poeta Patativa do Assaré fez um dos maiores protestos políticos em poesia de cordel, quando criticou o abandono em que se encontrava a cidade de Assaré, na região do Cariri, no interior do Ceará, onde nasceu e viveu, sem nunca deixar de ser agricultor. Esta poesia cabe muito bem para os dias de hoje, em diversas cidades do Nordeste, bastando trocar o nome de Assaré pelo da sua cidade para alguém enxergar a situação em que vive.

PREFEITURA SEM PREFEITO

Nossa vida atroz e dura
Tudo pode acontecer,
Muito breve há de se ver
Prefeito sem prefeitura;
Vejo que alguém me censura
E não fica satisfeito,
Porém, eu ando sem jeito,
Sem esperança e sem fé,
Por ver no meu Assaré.
Prefeitura sem prefeito.

Por não ter literatura,
Nunca pude discernir
Se poderá existir
Prefeito sem prefeitura.
Porém, mesmo sem leitura,
Sem nenhum curso ter feito,
Eu conheço do direito
E sem lição de ninguém
Descobri onde é que tem
Prefeitura sem prefeito.

Ainda que alguém me diga
Que viu um mudo falando
E um elefante dançando
No lombo de uma formiga,
Não me causará intriga,
Escutarei com respeito,
Não mentiu este sujeito,
Muito mais barbaridade
É haver numa cidade
Prefeitura sem prefeito.

Não vou teimar com quem diz
Que viu ferro dá azeite,
Um avestruz dando leite
E pedra criar raiz,
Ema apanhar de perdiz
E um rio fora do leito,
Um aleijão sem defeito
E um morto declarar guerra,
Porque vejo em minha terra
Prefeitura sem prefeito.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DANYLLO M. M. F. – UBERLÂNDIA-MG

URNA ELETRÔNICA: TEM DE SER MUITO INGÊNUO PARA ACREDITAR NESSA COISA!

O vídeo abaixo é sobre a urna eletrônica brasileira.

Foi publicado em 2018, mas continua atualíssimo, pois nada mudou desde então.

O vídeo explica (na verdade, desenha!) por que a urna eletrônica sem o voto impresso pode funcionar como uma caixinha de fraudes perfeitas, porque tornam impossível a contestação do resultado da votação.

Parabéns ao autor vídeo!

De forma simples e didática, expôs o óbvio!

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

ADELINO MOREIRA, O POETA DOS AMORES SUBURBANOS

Quem vive de ilusão é urubu de curtume – Jessier Quirino.

Capa do LP Encontro com Adelino Moreira (1967)

Nascido em Gondomar, Portugal, em 28 de março de 1918, Adelino Moreira de Castro, nome artístico Adelino Moreira, veio morar no Brasil, Campo Grande, subúrbio do Rio de Janeiro, com apenas um ano de idade. Foi o maior compositor luso-brasileiro interpretado por Nelson Gonçalves. Entre suas obras-primas destacam-se Última Seresta (a primeira a ser gravada), A Volta do Boêmio, A Deusa do Asfalto (reinterpretada magistralmente por Xangai), Boêmia, Negue, Escultura, Flor do Meu Bairro, Fica Comigo Esta Noite, Devolvi (esta gravada por Núbia Lafayette), Ciclone (interpretada por Carlos Nobre), Cinderela, Beijo Roubado, Êxtase, Última Serenata, e tantas outras excelentes composições de amores suburbanos dramáticos gravadas principalmente por Nélson Gonçalves, seu intérprete maior.

Iniciou sua carreira musical a convite do compositor Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, então diretor artístico da Continental, onde gravou, em 1944, os fados Saudades e Olhos d’alma, de Campos e Morais. Em 1945, começou a tocar violão. Nesse mesmo ano, gravou seu segundo disco com as primeiras composições: o samba Mulato Artilheiro e a marcha Nem Cachopa, Nem Comida!. Esta, uma parceria com Carlos Campos. Em 1946, gravou as canções A Minha Oração e Perdoa, de Moreno e Ferreira e as marchas Num Coração, duas Pátrias, de Renato Batista e O Expresso Continua, de sua autoria com Américo Morais. Em 1948, voltou a Portugal, gravando canções brasileiras. Lá, participou como cantor da revista Os Vareiros. Retornando ao Brasil, no início dos anos 1950, abandonou a carreira de cantor, intensificando sua atividade de compositor.

Em 1952, conheceu o cantor Nelson Gonçalves e iniciaram uma intensa parceria. Em geral Adelino compunha e Nelson gravava, mas em algumas músicas como o bolero Fica Comigo Esta Noite, os dois assinaram em dupla. A primeira canção gravada por Nelson foi Última Seresta (1952), seguida de inúmeras outras que passaram a dominar os discos do cantor – normalmente sambas-canções dramáticos – dos quais se destacam o clássico A Volta do Boêmio (que vendeu a astronômica cifra de um milhão de cópias), Meu Dilema, Meu Vício É Você, Doidivana, Flor do Meu Bairro, entre outras.

Durante uma década (1955-1965) Adelino Moreira foi uma máquina de sucessos, provando que era mais forte do que seus intérpretes. Quando se afastou de Nelson Gonçalves, em 1964, num período conturbado da biografia do cantor, Adelino começou a distribuir composições para outros intérpretes. Um dos maiores sucessos de 1959 foi o samba-canção Ciclone que fez para Carlos Nobre, um dos muitos imitadores de Nelson Gonçalves, com quem reataria a amizade dois anos depois. Adelino alegou, na época, que só deu a música para Carlos Nobre para que Nelson Gonçalves entendesse que não era insubstituível.

Foi uma amizade de ótimos resultados financeiros para Adelino Moreira. O sucesso de Argumento, Meu Desejo, Êxtase, Meu Vício é Você e, sobretudo, A Volta do Boêmio, renderam a Adelino Moreira, em 1960, o suficiente para comprar, à vista, um palacete por seis milhões de cruzeiros na Zona Norte carioca, andar de carro importado e deixar de lado os “bicos” (como aprendiz de teatrólogo, sem muito êxito, e radialista).

Sabia como ninguém a fórmula do sucesso e seus limites. Não aderia a modismos. Suas composições eram basicamente do samba-canção (e marchinhas carnavalescas). Em suas letras pintavam cenários suburbanos, habitados por manicures, mariposas (mulheres atraídas pelas luzes das casas noturnas), cinderela e uma fartura de desencontros amorosos.

Em 1962, num programa de TV, sendo entrevistado pelo cultuado e admirado compositor de Aquarela do Brasil, Ary Barroso, este se queixou a Adelino Moreira de não fazer mais sucesso e perguntou se ele poderia lhe explicar o motivo. Mesmo estando de ante de um mito da música popular brasileira, que morreria dali a dois anos, Adelino Moreira não se deixou por rogado, e fulminou naturalmente: “O senhor começou a compor músicas para meia dúzia de criaturas que o endeusam e colocam o senhor no lugar em que o senhor não se encontra. O senhor se esqueceu completamente daquela massa que o elegeu como o maior compositor brasileiro até dez anos atrás. Se o senhor volta a compor para essa massa popular, voltará a fazer o mesmo sucesso.”

O compositor Fernando César, de grandes sucessos no início dos anos 1960, especialistas em versões (fez, por exemplo, a de Marcianita para Sérgio Murilo), definiu com precisão a música de Adelino Moreira: “O Adelino escreve pra gente que toma traçado (coquetel de cachaça com vermute), frequenta botequins, vai ao enterro de todos os amigos, dá cabeçadas nas vitrinas, usa sapato preto com meia branca, diz ‘com o perdão da palavra’ quando fala em suínos, e ‘Deus te ajude’ quando alguém espirra, ou seja, escreve para a grande maioria.”

Adelino Moreira morreu em 2002, com 84 anos, de um infarto, um óbito que ganhou grande cobertura da imprensa. Àquela altura, sua obra tinha sido reavaliada e ele desfrutava o status de mestre da MPB. Artistas de nichos diferentes o regravaram. Maria Bethânia deu uma interpretação definitiva a Negue, trazendo-a de volta às paradas e ao estrelato merecido em 1983 (no álbum Álibi). Em 2001, Negue foi incluída no CD São Vicente di Longe, de Cesária Évora. A banda mineira Pato Fu gravou A Volta do Boêmio, em 1995, no CD Gol de Quem? Sem contar as interpretações feitas pelo grupo Camisa de Vênus, em 1991, Ney Matogrosso e o genial violonista Rafael Rabelo. Em 1980, Ângela Ro Ro fez uma releitura de Fica Comigo Esta Noite – música que foi faixa-título do CD da cantora Simone em 2000 – e, em 1998 as irmãs Alzira e Tete Espíndola reviveram Garota Solitária.

Adelino Moreira não era bem visto pela crítica high society da burguesia metida a bunda da bossa nova, tanto é que o produtor Valter Silva, conhecido como Pica Pau, recusava-se a apresentar as músicas dele no programa que tinha na Rádio Bandeirantes. Mas o grande compositor de ‘Deusa no Asfalto’ e ‘A Volta do Boêmio’ não perdeu a pouse e a classe e o fulminou nos versos do samba-canção ‘Seresta Moderna’ cantada por Nelson Gonçalves: ‘Um gaiato cantando sem voz/um samba sem graça/desafinado que só vendo/e as meninas de copo na mão/fingindo entender/mas na verdade, nada entendendo.’

Deusa do Asfalto, em excelente interpretação de Xangai

DEU NO JORNAL

GANHAMOS DOS ZISTADOS ZUNIDOS

Após um dia sem grandes surpresas, o primeiro turno das eleições deste ano ficou marcado como uma derrota da Justiça Eleitoral e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsáveis pela apuração e divulgação dos resultados das urnas.

A contabilidade enfrentou dificuldades inéditas, com atrasos e suspensões nas divulgações dos resultados, retrocesso que desde 1996 não era registrado numa eleição brasileira.

O sistema da Justiça Eleitoral caiu tantas vezes que o presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, teve até que adiar seu pronunciamento.

O TSE divulgou esclarecimento alegando que a soma dos votos ocorria normalmente, mas a divulgação apresentava problema.

Não esclareceu nada.

* * *

Tem muita gente que tá acreditando que os resultados divulgados pelo TSE são o espelho da verdade.

Minha vizinha, mouca dos dois ouvidos, acredita piamente.

Os zamericanos tão morrendo de inveja da nossa “justiça” eleitoral.

A grande imprensa não chegou a dizer que a “pane” (eu acredito!!!) estava ocorrendo por culpa de Bolsonaro.

Não entendi a razão desta falha dos jornalisteiros.

O fato é que acompanhei o noticiário do final da tarde ontem com o pinico ao lado.

Foi grande a ânsia de vômito.

XICO COM X, BIZERRA COM I

A BENGALA DE FLORISVALDO

Recebi um apelo curioso de um amigo de Salvador. Um Poeta, seu amigo, em passeio no Recife, esqueceu sua inseparável bengala em algum lugar dessa Veneza. A bengala, braço amigo do Florisvaldo, perdeu-se na selva do Recife. Ela esteve, junto com seu amigo, no Seu Boteco, que fica defronte ao Centro de Artesanato, e de lá saiu num táxi até o Recife Praia Hotel, no Pina. Andavam sempre juntos, Florisvaldo e sua bengala, acostumada a acompanhá-lo, seja em Paris, seja em Salvador. Iam sempre se acompanhando, ele e a bengala, no amor de sempre … Pediu-me o amigo que inserisse a bengala do amigo nas redes sociais. Sem bengala, a vida do Poeta Florisvaldo de Mattos fica sem rima e sem verso. Não me acanhei de fazer um apelo via redes sociais (já vi gente apelando por cachorrinho desaparecido). E pedi a quem encontrasse uma bengala por aí, sem dono e chorando a ausência dele, avisasse-me pelo Facebook. Eu, Florisvaldo e a bengala ficaremos gratos. E a Poesia agradecerá. PS: A bengala ainda não apareceu mas ainda acredito na bondade de quem a encontrou, triste e solitária, longe de Florisvaldo.

Toda a obra de Xico Bizerra, Livros e Discos, pode ser adquirida através de seu site Forroboxote, link BODEGA. Entrega para todo o Brasil.