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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

WILTON CARVALHO – VITÓRIA-ES

BODE PRA VEREADOR

Saul é mineiro da pequena cidade de Serra dos Aimorés, na divisa entre a Bahia e Minas Gerais, próximo a Nanuque. De família ligada ao meio rural, veio estudar o cientifico em Salvador no Colegio Central.

Dedicado aos estudos passou de primeira no vestibular para Agronomia da UFBA, e largou o velho pensionato onde morou por três anos na rua do Sodré, no largo 2 de julho, e foi morar em Cruz das Almas, mais precisamente na Tabela na pensão de Seu Nelson – cozinheiro da Escola -, juntamente com Bananão, Xexeú, Abilio Quarentão, João Seboso, Camaleão e outros que batiam diariamente canela logo cedo para assistirem as aulas.

Logo que chegou o calouro recebeu a contragosto o apelido de “Bode”, colocado por Reinaldo Carniça, quartanista de agronomia e apelidador-mor.

Como inicialmente não admitiu a alcunha, então o apelido pegou pra valer, e ficou a partir daí, conhecido como animal adorado pelos criadores do semi-arido nordestino.

Era metido a paquerador, embora não fosse nenhum Tom Cruise, conquistou algumas garotas na região da Tabela e Baixinha da Vitória, para desgosto de muitos pais, que não admitiam que suas filhas namorassem com estudantes, não sem razão, porquanto muitos e muitos casos sucederam em perda de tempo, pois alguns malandros eram noivos em suas origens, e em verdade só queriam passar tempo com as nativas.

Nosso personagem não era diferente, porquanto deixou namorada em Minas, e alguns pais prometeram inclusive dar-lhe uma bela coça se insistisse em namorar suas filhas.

No ano das eleições de prefeito e vereador em Cruz – ano de 1972 -, Bananão e Camaleão, não se sabe como, conseguiram uma foto 3 por 4 de Bode, e ao chegarem em Salvador para passar o final de semana, foram a uma gráfica pertencente a um amigo e conseguiram ampliar dita fotografia para tamanho utilizado por pretendentes a cargo eletivo, e candidatando Saul Bode para Vereador.

Mandaram fazer cerca de 500 propagandas deste tipo, e ao chegarem na segunda-feira, sem comunicar a ninguém, esperaram chegar meia noite e com a colaboração de Pneu, um morador vizinho à pensão, saíram a percorrer toda os pontos da cidade, com balde, cola e escada, colocando a propaganda eleitoral de Bode pedindo voto para vereador, no topo dos postes de iluminação publica, nos bares de Tonha Torda, Barrão, Jucelio, na Pérgola, em Antão, enfim em todos os lugares mais visíveis da cidade.

O certo é que no outro dia a cidade acordou com Bode pra vereador, e os cruzalmenses indagando-se quem era aquele personagem, porquanto desconhecido da maioria da população. Outros indagavam a que partido pertencia se Arena 1, Arena 2 ou Arena 3, tendo inclusive o conhecido Carrapeta ido perguntar a Carmelito quem era o tal do Bode, de que qual lado era, se dos Passos ou dos Guerra. Enfim todos se surpreenderam com o aparecimento de dita propaganda antecipada.

Bode sem saber de nada, após as aulas do período vespertino, resolveu ir ao centro da cidade quando então se deparou com o seu retrato em todos os lugares; pretendia ir ver uma galeguinha que estava querendo paquerar, mas diante dos fatos, bateu em retirada, contratou um morador local, e munido de uma vassoura, saiu pela cidade a retirar os panfletos, o que resultou em mais de dois dias de trabalho, porque como dito anteriormente os quatro cantos da cidade estavam infestados com seu retrato de candidato.

Não conseguiu retirar todos, porem teve sucesso nos locais mais visíveis, e após descobrir os responsáveis pela feitura, levou uns bons dias sem dirigir-lhes a palavra.

Portanto foi a viúva Porcina das eleições daquele ano, ou seja, o que foi sem nunca ter sido.

Hoje Saul, é servidor da EBDA, em Itambé, se já não aposentado, e reconhecido como um competente profissional.

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CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

J.R. GUZZO

MILÍCIA DIGITAL

Uma organização de vigilantes digitais que tem origem nos Estados Unidos e age no Brasil de forma anônima, usando como marca as palavras inglesas que significam “Gigantes Adormecidos”, está em guerra aberta contra a liberdade de imprensa. O grupo, cujos responsáveis não se identificam, e com isso não respondem por seus atos perante a Justiça brasileira, pressiona através de sua conta no Twitter empresas privadas que anunciam seus produtos ou serviços em veículos considerados “de direita” – ou, mais exatamente, veículos de cujo conteúdo não gostam.

Querem que elas não anunciem mais nos órgãos de comunicação presentes em sua “lista negra”. A intenção é tirar deles o máximo possível das receitas que faturam com a publicação de anúncios – ou “desmonetizar” os condenados, como diz a organização.

O alvo, no momento, é o centenário jornal Gazeta do Povo, diário com sede em Curitiba, fundado em 1919 e hoje publicado em formato eletrônico. Nem o jornal, nem seus funcionários ou colaboradores praticaram qualquer dos crimes “de imprensa” previstos no Código Penal Brasileiro – calúnia, injúria ou difamação. Não causaram nenhum dano passível de punição. Não fizeram, em suma, nada de errado – a não ser publicar as notícias, opiniões ou comentários que houveram por bem publicar, exatamente como garante o artigo 5 da Constituição Federal para todos os cidadãos. Mas o seu conteúdo não é aprovado pelos vigilantes digitais em ação nas redes – e os anunciantes do jornal foram pressionados a cortar as mensagens comerciais que fazem nele. “Não é bom promover seu anúncio na Gazeta do Povo”, avisam os “gigantes adormecidos”.

Até o fim da semana passada, cerca de 20 anunciantes tinham suprimido seus anúncios, ou prometido suprimir, com medo de começarem a receber ataques da organização no Twitter. Nem sabem a quem estão obedecendo – mas, segundo imaginam, passariam a correr o risco de ver a sua imagem prejudicada junto aos consumidores. Um deles, a Petz, que opera no ramo de produtos para animais de estimação, até agradeceu em público a pressão que acabara de receber. “Agradecida pela sinalização”, disse a empresa em sua conta no Twitter, depois de prometer que vai boicotar o jornal. No caso, porém, a milícia digital não parece contente só com a “desmonetização”. Seus operadores exigem abertamente, também, que a Gazeta demita um dos seus colaboradores, o jornalista Rodrigo Constantino. A resposta que receberam foi: “Não”.

Os “gigantes”, como se vê, querem não apenas legislar sobre o que o diário curitibano pode ou não publicar; querem também escolher quem trabalha lá. Seu lema oficial nessa campanha é “#DemitaConstantinoGazeta”. O jornalista é acusado de ter considerado “normal, num de seus artigos, um episódio de estupro”; a acusação é comprovadamente falsa, mas o veneno não está apenas nisso. Pior ainda é a convicção dessa Polícia da Mídia – apoiada em peso por um grupo de empresas que inclui nomes como Credicard, Renner, Heinz, O Boticário etc. – de que tem o direito de exigir publicamente a demissão de um jornalista que não desobedeceu a nenhuma lei, e cujo julgamento cabe unicamente ao veículo onde escreve e aos seus leitores.

Estamos de volta aos tempos em que bandos de fanáticos anticomunistas cassavam o direito ao trabalho de quem entrava em sua mira repressiva, no mundo cultural dos Estados Unidos dos anos 50. Ou, então, às ditaduras brasileiras de todas as épocas, de Getúlio Vargas ao regime do AI-5 – e das quais O Estado de S. Paulo tem longa experiência, como alvo da violência política, policial e econômica dos “gigantes” da ocasião. Eles estão aí outra vez.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

OS BAITOLAS E SUAS EXPRESSÕES

O cabra que inventou a expressão “distanciamento social” é baitola.

Foi a primeira coisa que me veio à cabeça quando fui votar hoje cedo, aqui bem perto de onde moro.

Chegando ao local, logo na entrada, uma fiscal com cara de macho estava aos berros:

– Respeitem o distanciamento social!

E eu fiquei só cubando o fucinho dela.

O cabra que inventou esta babaquice de “distanciamento social” deve ser o mesmo tabacudo que inventou a expressão “inclusão social”.

Aquele mesmo que gosta de incluir uma pajaraca inteirinha no furico.

Bom, o fato é que votei pra prefeito e pra vereador.

O voto pra vereador foi de cabresto, imposição da minha cunhada, irmã de Aline.

Dei o número da seção eleitoral pra ele conferir que tem pelo menos um voto pro indicado dela lá onde eu apertei os botõeszinhos da urna eletrônica.

Agora é esperar o final do dia e ver o que vai dar.

Quanto  menos zisquerdóides e petelhos nas administrações municipais, melhor para o nosso país.

GUILHERME FIUZA

PROCURA-SE A CIÊNCIA DO LOCKDOWN

A Seita da Terra Parada anunciou a chegada da segunda onda. Ela quer te trancar de novo. Tudo bem, você topa. Mas com uma condição: que te mostrem os laudos comprovando que o lockdown resultou na detenção eficaz do contágio pelo coronavírus e na proteção aos grupos de risco. Pede os laudos agora, tá? Você precisa organizar logo a sua quarentena.

Pediu? Ótimo. E eles? Já te mostraram os laudos com a eficácia do trancamento geral na defesa da população contra a Covid? Não mostraram? Tudo bem, pede de novo. Eles estão muito ocupados espalhando a notícia da segunda onda, é preciso um pouco de paciência. Pediu de novo? Ótimo! Nada ainda? Que estranho.

Liga pro Mandetta. Ele com certeza tem esse atestado científico, porque vivia o dia inteiro na televisão dizendo para ninguém botar o nariz fora de casa que seria fatal. Ok, de fato ele foi filmado se abraçando e dançando com assessores num ambiente aglomerado, mas isso não tem nada a ver. A máscara de um picareta cairá mais cedo ou mais tarde, então ele não tem mesmo como se prevenir. Ligou pro Mandetta? E aí? Não atende? Insiste, que ele deve estar terminando um comício e daqui a pouco te explica tudo.

Enquanto isso vai ligando pro Butantã. Ligou? E aí? Caiu errado? Como assim? Na telefonia não existe mais esse negócio de “foi engano”, você deve ter discado errado. Ou melhor: teclado. Teclou certo? Estranho. Quem atendeu disse o quê? “Comitê do Bruninho”?! Não é possível. Você ligou pro Instituto Butantã e caiu no comitê de campanha do Bruno Covas?! É, então essa telefonia não presta mesmo. Tem que privatizar. Já privatizou? Então tem que estatizar.

Liga pro Dória. Ele deve ter outro telefone do Butantã. Ligou? Ele atendeu de primeira? Maravilha, o Dória é muito solícito mesmo. E aí, ele te deu outro telefone do Butantã? Não?! Por que? Disse que só te dá se você tomar a vacina chinesa? Espera aí, deve ter entrado uma linha cruzada. A vacina nem existe e você só queria um laudo do Butantã sobre a eficácia do lockdown… Por que você não disse isso com todas as letras? Ah, você disse? E aí, o que ele respondeu? A ligação caiu? É, não dá. Tem que privatizar. Ou melhor, estatizar.

Faz o seguinte, dá uma ligada pra Fiocruz. Lá com certeza você consegue o atestado de eficácia do lockdown. Aí pode voltar tranquilo e convicto pro buraco. O que não dá é pra ficar na dúvida, que aí o vírus te pega. Esse vírus é que nem cachorro: se você demonstra insegurança ele te ataca.

Conseguiu falar com a Fiocruz? Maravilha! E aí, te deram os laudos da contenção da Covid pela quarentena horizontal? Não?! O que houve dessa vez? Eles disseram que os laudos existem mas não estão com eles? Ah, menos mal. Hoje em dia tem motoboy pra tudo. Estão com quem, os laudos? Com o Witzel?? A Fiocruz montou um plano de lockdown total com o Witzel e naquela confusão da chegada da polícia os documentos ficaram com ele? Poxa, que azar.

Bom, tenta pegar com ele assim mesmo. Não vai dar? Por que não vai dar? Ele se mudou? A Justiça despejou o Witzel do palácio? O que aconteceu? Não pagou o aluguel? Essa lei do inquilinato é absurda, coisa da ditadura. Por isso é que tem que parar tudo e fazer uma assembleia constituinte. Coitado do Witzel. Por que você não faz uma visita de solidariedade no cafofo novo dele e aproveita pra pegar a papelada científica do lockdown? Não vai dar? Por quê? Foi tudo perdido na mudança?!

Aí fica difícil. Não há ciência que aguente tantos incidentes. Vamos fazer o seguinte: como está a taxa média de letalidade da Covid? Abaixo de 70 anos é inferior à da gripe sazonal? Ok. Então liga pra Seita da Terra Parada, conta isso a eles e avisa para continuarem em lockdown mental, que você vai ficar aqui fora vigiando o perigo.