CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Meus amigos!!!

Vamos agradecer aos cretinos da revista isto já foi.

Vão ter que aguentar Bolsoringa até 2026.

kkkkkkkkkkkkk

 

DEU NO JORNAL

QUE CAGADA ARRETADA

Em evento online nesta quinta-feira, o Comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, disse que o Brasil não tem recursos suficientes para garantir a soberania do país.

E citou a defesa antiaérea como um dos pontos em que a capacidade do Exército tem de melhorar.

“Pequenos países na Europa têm o número de aeronaves de caça para defender seu espaço aéreo mais do que todo o Brasil, países que são do tamanho ou menores que muitos estados brasileiros. Nós estamos muito aquém do que o Brasil precisa, que é ter Forças Armadas à sua altura para cumprir suas missões constitucionais, muito aquém”, afirmou.

O encarregado da defesa dizer que não condições de fazer a defesa.

A gente já desconfiava disto.

Mas precisava assumir publicamente???!!!

Que declaração irresponsável!!!

Fazia tempos que eu não escutava um pronunciamento tão desastrado quanto este.

Agora só falta a Argentina ou a Venezuela tomar conhecimento deste discurso e mandar invadir o Brasil.

Diz que vai ali obrar e sai, general!!!

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RODRIGO CONSTANTINO

A RETÓRICA DEMOCRATA E OS RESULTADOS REPUBLICANOS

Os Estados Unidos seguem sem um presidente oficialmente definido, já que Donald Trump e os republicanos não concederam a vitória e o Colégio Eleitoral não deu o resultado final. A mídia anunciou o suposto vitorioso com base em projeções, mas a recontagem de votos é um direito legal e, como houve indício de fraudes, a judicialização era um caminho legítimo e natural, que o democrata Al Gore também tomou em 2000.

Enquanto o imbróglio não é resolvido, podemos refletir sobre qual o impacto de uma eventual e talvez provável mudança no comando da nação quanto ao relacionamento com a China. O que mudaria?

Se quisermos dividir a visão geopolítica dos democratas e dos republicanos de forma binária, temos basicamente o seguinte: os primeiros, mais progressistas, acreditam na influência pela retórica, costumam ser mais “suaves”, confiam no soft power, enquanto os últimos seriam menos românticos e mais realistas, pregando uma Realpolitik focada nos resultados concretos.

Essa divisão, um tanto simplista e arbitrária, sem dúvida, acaba servindo para traçar uma linha divisória entre esquerda e direita em geral. A esquerda adota uma visão mais estética, enquanto a direita tende a ser mais pragmática. Materialista, a esquerda normalmente culpa a “desigualdade” até pelo terrorismo, enquanto a direita dá mais peso aos valores morais e culturais.

Os democratas acreditam, em suma, que podem “comprar” aliados e, com isso, disseminar a democracia mundo afora, enquanto os republicanos desconfiam desses atalhos e entendem que os inimigos da liberdade precisam ser contidos com ameaças críveis até de atos militares. Os democratas são dovish, os republicanos são hawkish. Uns desejam solucionar tudo pelo diálogo, como se um chá das 5 pudesse dirimir conflitos, enquanto os outros querem falar grosso com seus adversários.

Esse resumo breve serve para termos uma ideia de como seria um governo democrata no lugar do governo Trump em termos geopolíticos, e como isso afetaria o trato com a China. Historicamente, uma mistura dos dois estilos tem sido útil. É a estratégia do good cop/bad cop, que vemos nos filmes, ou do carrot and stick. Ou seja, abre-se um caminho para a conversa, desde que exista por trás a força dos canhões para “persuadir” melhor. A dissuasão não pode vir só com palavras, eis o ponto que os republicanos entendem melhor.

Vamos para exemplos concretos. Jimmy Carter era um presidente muito querido por alguns à esquerda, tido como uma referência moral. Mas, na prática, sua gestão na geopolítica foi sofrível e permitiu a revolução dos aiatolás no Irã, que se tornou, desde então, uma enorme ameaça para o Oriente Médio e o mundo. Ronald Reagan, tido como um cowboy beligerante e irresponsável, levaria o mundo a uma guerra nuclear, segundo os progressistas. Na prática, foi um dos grandes responsáveis pela queda do Muro de Berlim e do império soviético.

Durante o governo Obama, os Estados Unidos se aproximaram de Cuba e do Irã e se afastaram do velho aliado Israel. Obama levou o Prêmio Nobel da Paz antes mesmo de começar a governar, e sua gestão, calcada na visão de que não há nada de excepcional na América, que deveria ser modificada “fundamentalmente”, tornou os Estados Unidos mais fracos perante o mundo. Quando o xerife cochila, os bandidos ficam mais ousados. Vimos o avanço do Isis, do Irã e do Foro de São Paulo na América Latina, com a Venezuela virando uma ditadura socialista de vez.

Obama talvez seja o maior ícone dessa visão estética na era moderna. Tinha fala de estadista, enaltecia os órgãos internacionais e a importância da conversa, mas os resultados foram, uma vez mais, lamentáveis. O globalismo, afinal, não funciona. Se o mundo ocidental dependesse da ONU e de sua antecessora, a Liga das Nações, para preservar a liberdade, estaríamos todos falando russo, alemão ou chinês hoje. Tivemos no passado a Pax Romana, mais recentemente, nos séculos 18 e 19, a Pax Britannica, e agora, queiram ou não os antiamericanos, vivemos sob uma Pax Americana.

Cabe ao líder do mundo livre liderar, lutar pela liberdade, e a premissa básica aqui é ter ao menos clareza moral do que está em jogo. Estamos numa espécie de Guerra Fria 2.0, com a China no lugar da União Soviética. Os relativistas morais, incapazes de reconhecer qual lado defende de fato os valores certos, acabam enfraquecendo aqueles que defendem os valores ocidentais e fortalecendo seus inimigos. Para Nikki Haley, embaixadora norte-americana na ONU durante os primeiros anos do governo Trump, a China e a Rússia representam as maiores ameaças geopolíticas hoje. Trump tentava, com seu nacionalismo, fortalecer a musculatura norte-americana na mesa de negociações. Joe Biden, caso confirmado presidente, fará o mesmo?

É verdade que Biden já adotou eventualmente uma retórica mais dura contra a China, mas parece pouco convincente a ideia de que teria, de fato, uma postura mais firme. Trump, por outro lado, é o cara dos resultados. Trouxe até o coreano atômico para a mesa, conseguiu ajudar na costura de importantes acordos no Oriente Médio com Israel, deu golpes severos no regime iraniano e acabou com a política de “pai para filho” de Obama com Cuba e Venezuela.

Aqueles que temiam um confronto mundial em larga escala por conta do estilo de Trump morderam a língua. Uma vez mais, os “belicosos republicanos” entregaram bons resultados, enquanto as “pombas democratas” ficaram com os belos discursos e os prêmios internacionais.

Aqueles que se importam mais com a “imagem” dos Estados Unidos frente ao mundo desejam um presidente democrata. Afinal, os demais países adoram uma América mais fraca, sujeita aos ditames supranacionais, que fale bonito e em linha com a retórica da ONU. Já aqueles que se importam mais com a liberdade de fato, com os resultados, normalmente preferem um presidente republicano, duro na queda, patriota e que fale grosso com os adversários da nação.

A pergunta mais importante para sintetizar tudo o que foi dito é esta: os regimes de Cuba, Venezuela, Irã, Rússia e China torcem para uma vitória de Biden ou de Trump? Acho que a resposta é evidente. E, se o “eixo do mal” prefere um presidente democrata, não resta muita dúvida de que os amantes da liberdade deveriam torcer por Trump. Num governo Biden, os inimigos da liberdade ficarão mais ousados, e isso não pode ser algo positivo.

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

A GENIALIDADE DE RONALDO CUNHA LIMA

Ronaldo José da Cunha Lima, Guarabira-PB, (1936-2012). Foi advogado, promotor de justiça, professor, poeta e político

* * *

CONVERSANDO COM MEU PAI

Na quietude d’aquela noite densa,
reclamei numa saudade a presença
do meu Pai, que há muito já morreu!…
Sorumbático e só, fiquei na sala,
sem ouvir de ninguém uma só fala:
todos dormiam entregues a Morfeu.

Continuei sozinho na vigília,
Contemplando a placidez da mobília,
num silêncio quase que perfeito;
quebrando apenas com o gemer da rede,
as pancadas do relógio na parede
e o pulsar do coração dentro do peito.

De repente, coberta com um véu,
uma nuvem nascia lá do céu,
na sala onde eu estava, caí…
era algo de espanto realmente
dissipa-se a nuvem lentamente
e vai surgindo a imagem do meu pai.

Boa noite, meu filho! E se assusta?
Tenha mais um pouco de calma, porque custa
novamente voltar por este trilho:
Eu rompi os umbrais da eternidade
para, em braços de amor e de saudade,
conversar com você, filho querido!…

Tenho assistido todos os seus passos,
suas lutas, vitórias e fracassos,
em ânsias que não posso mais contê-las:
eu lhe assisto, meu filho, todo dia,
em suas vitórias choro de alegria
e as lágrimas transformam-se em estrelas.

Tenho visto também seus sofrimentos
suas angústias, dores e tormentos
e esperanças que foram já frustradas;
tenho visto, meu filho, da eternidade,
o desencanto de sua mocidade
e o pranto de suas madrugadas.

Compreendo, também, sua tristeza
ante a ânsia que traz na alma presa
de adejar cortando monte e serra;
sua ânsia de voar, cantando notas,
misturar seu voo ao das gaivotas,
que beijam os céus sem deixar a terra.

Mas, ao lado dos atos de grandeza,
você me causa, filho, também tristeza,
em desgosto minh’alma já flutua:
Ontem, porque não estava pronta a ceia,
pra sua mãe você fez cara feia,
bateu a porta e foi jantar na rua.

Você não soube, meu filho, e no entanto,
Ela caiu prostrada em um pranto
soluçando seu íntimo desgosto.
Nunca mais, meu filho, isto faça,
pois para o filho não há maior desgraça
que em sua mãe deixar rugas no rosto.

Nunca mais a ofenda, nem de leve!…
O seu amor a ela aos céus eleve
e escute sempre, sempre o que ela diz.
Peça a Deus para durar sua existência
e, se assim fizer de consciência,
você, na vida, tem que ser feliz.

Conduza-se na vida com altivez,
fazendo da probidade, da honradez,
para você o seu forte brasão;
aprofunde-se, meu filho, no estudo,
fazendo da justiça o seu escudo,
amando o povo como ao seu irmão.

Continue no trabalho a que se entregas
sem temer obstáculo nem refrega,
pois com a vitória sempre você vai,
e se assim fizer, querido filho,
sua vida há de ser toda de brilho,
e honrará o nome de seu pai.

E nisso a nuvem comoventemente,
aos poucos se junta novamente,
envolvendo meu pai num denso véu;
e num olhar meigo e bem sereno,
dirige para mim um triste aceno
e vai de novo subindo para o céu!

E eu fiquei chorando de saudade,
alimentando aquela ansiedade,
sem poder abrandá-la. Que castigo!
Por isso nunca mais dormi. Vivo na ânsia,
esperando que meu Pai rompa a distância,
pra vir de novo conversar comigo!

* * *

HABEAS PINHUS

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

MUDANÇA DO NOME DESTA GAZETA ESCROTA

Comentário sobre a postagem UM BLOG PUTREFATO E CHEIO DE ÓDIO

Paulo E. Canabrava:

Aproveito a oportunidade neste breve e rasteiro encontro de ex-fubânicos para sugerir uma leve troca de sigla e nome do jornal:

JFB – Jornal da Família Bolsonaro, que um dia, há pouco tempo, rezava no catecismo de Millôr Fernandes:

“Jornalismo é oposição, o resto é balcão de secos e molhados” . .

O que não entendo é essa reclamação por falta de verba, quando os “meninos” filhos do presidente estão doidos para patrocinar qualquer tipo de apoio ao (des) governo do pai.

* * *

Nota do Editor:

Ideia arretada essa do nosso estimado leitor Canabrava!

Pedir verba e patrocínio para os “meninos” filhos do presidente e trocar o nome do jornal.

Ao invés de JBF – Jornal da Besta Fubana, passaria a ser JFB – Jornal da Família Bolsonaro.

Assim:

Gratíssimo pela dica, meu caro leitor.

Vou seguir à risca a irônica dica do meu saudoso guru Millôr e transformar este antro escroto num “balcão de secos e molhados”.

Vamos tirar a barriga da miséria!!!

O dinheiro do governo federal que cortaram da Globo pode muito bem vir cá pra nóis.

Vou mandar agora mesmo uma mensagem pros “meninos” filhos do presidente pedindo patrocínio.

A verba mensal para pagamento da hospedagem desta gazeta escrota na Empresa Bartolomeu Silva – que sai do orçamento pessoal deste editor e das doações de leitores e colunistas -, ficaria por conta dos filhotes bolsonáricos.

Se eles, como diz Canabrava,  estão “doidos pra patrocinar” apoios ao (des) governo do pai, declaro que passaremos a apoiar sem restrições.

Se o governo federal nos der mesmo essa verba, desde já fiquem avisados os leitores e colunistas apoiadores de Bolsonaro que não mais poderão falar mal dele aqui.

O colunista Goiano, cuja centimetragem quadrada na área de comentários esculhambando Bozó atinge um número impressionante, já fica avisado que não mais terá espaço pra fazer isto.

O colunista Cícero, que anteontem publicou aqui uma mensagem metendo a ripa em Jair Messias Bolsonaro – mensagem que recebeu o apoio de vários leitores na área de comentários -, também fique avisado que, se os “meninos” filhos do presidente acatarem a sugestão do leitor Canabrava de nos patrocinar, não mais poderá baixar o cacete no destrambelhado que atualmente desgoverna o Brasil.

Fiquem também os leitores avisados que, se este meu plano der certo, os comentários não mais serão postados automaticamente, logo após o leitor digitar e dar o clique de “publicar”

Se conseguirmos a tal verba, os comentários serão submetidos a moderação e, caso contenham cacetadas em Bozó, não serão publicados de modo algum. Como é feito atualmente.

Gratíssimo por esta excelente sugestão, meu caro Canabrava!!!

E grato também por acessar esta gazeta escrota, participar com comentários e aumentar as nossas estatística de acesso com sua valiosa presença.

Continue postando o que você bem entender, do jeito que quiser, na hora que quiser, sendo contra ou a favor de qualquer um.

As opiniões deste Editor são apenas alguns pingos no imenso mar formado pelas opiniões de leitores e colunistas.

Sugestão: use a seção de cartas e escreva um texto baixando o cacete em Bozó.

Abraços e um excelente final de semana!!!

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

NEWTON SILVA - CALAMUS SCRIBAE

O SONETO DO DIABO

A escassez tira o Diabo de sua toca – Provérbio turco

Como se tivesse saído do soneto do padre Antônio Tomás, uma pobre e desgraçada mulher, ficava todos os dias sentada no chão sobre um papelão. Tremendo em ânsias de fadiga, estendia a mão mirrada a quem passasse, rogando que lhe jogassem uma moeda.

Foi outrora uma belíssima mulher, porém muito mimada. Esnobava sua beleza e partia corações, além de propositalmente humilhar os seus inúmeros e sinceros pretendentes, alucinados por avassaladora paixão não correspondida.

O pai dela, homem muito simples e temente a Deus, advertia-lhe de que a beleza é coisa passageira. Que tivesse cuidado, pois a beleza é fogueira das vaidades! Recitava constantemente o Eclesiastes e admoestar-lhe diariamente:

“…Aplica o teu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e descobrirás que também tudo isto é aflição de espírito”.

Ela porém, gargalhava, blasfemando contra o doce das palavras de sabedoria que o seu pai inutilmente lhe oferecia, maldizendo a Deus, maldizendo os feios, maldizendo os pobres! Dizia que queria mesmo era conhecer um homem rico, um príncipe, nem que fosse o próprio diabo, que a enchesse de muito dinheiro, joias e pedras preciosas, que a levasse a restaurantes caros e hotéis de luxo, que a levasse para conhecer o mundo inteiro em viagens intermináveis. Sua alma fútil tinha escassez de tudo. E a escassez tira o Diabo de sua toca.

Conta-se que, de tanto desejar um príncipe, o desejo realizou-se da forma que ela queria.

Conta-se que certo dia, um anjo caído que andava a rodear a terra e a passear por ela, desencaminhando os soberbos e fracos de juízo, apaixonou-se perdidamente por aquela bela senhorita. Então ascendeu do quinto dos infernos para ouvir os desejos dela, transformado em um belo mancebo, muito rico, bonito e elegante, vestido de roupas brancas, sapatos brancos e gravata branca. Tinha os cabelos louros e reluzentes como o ouro. O belo sorriso branco e a pele pálida, deixava saltar-lhe olhos enigmáticos, da cor esverdeada de uma esmeralda. Quem chegou perto dele o bastante, percebeu que, na verdade, ele tinha os olhos amarelados, tal e qual os olhos de um gato, com as pupilas fixas e inquietantes e um olhar de um vazio profundo.

O casamento aconteceu rápido, a despeito da não aprovação pelos pais da bela moça. O tal moço excêntrico, embora perdidamente apaixonado, não quis se casar na igreja, de branco como ela queria, pois professava outra religião. Dizia ele que só dobrava os joelhos para Melek Tauus, o Anjo Pavão e somente rezava ao Sol, e não à cruz.

Mesmo assim, desafiando a autoridade dos seus genitores, o que já era de se esperar, a beldade se casou com o rico homem de branco. A festa foi inesquecível e ocupou toda a cidade. No mesmo dia em que se casaram, sumiram no mundo em lua-de-mel. Nunca mais se ouviu falar deles, a não ser de vez em quando vinham notícias de que estavam a bordo de cruzeiros luxuosos ao redor do mundo. Os pais dela ficaram sós, lamentando a ausência da filha única, que não se dignava ao menos de enviar sequer uma carta qualquer que fosse. E nunca mais voltou à sua terra, nem mesmo quando soube da morte dos pais.

Tempos depois, ela voltou só, maltrapilha, velha e doente. Ninguém mais a reconhecia, o que não era de estranhar, pois dizia-se que já tinham passado mais de cem anos. Ela então nada mais pôde fazer, a não ser cair na mendicância e viver na rua.

Uma vez, ao passar por ela, pus um par de moedas em sua esquelética mão. Ela me olhou e sorriu-me com a boca desdentada e oca. Pronunciou um mantra qualquer ininteligível.

Apesar da idade já avançada e da condição miserável na qual se encontrava, os olhos dela ainda guardavam um resquício de sua beleza de outrora.

Foi quando ela me disse sem que eu perguntasse, que enganou a todos e a si mesma. Mas não enganou o Diabo. Ele lhe deu tudo: riquezas, dinheiro, joias, viagens, prosperidade, poder, fartura, luxúria, desejos infinitos. A única coisa que ele quis dela foi amá-la como um mortal. Mas ela não era mulher de um homem só.

Em sua cegueira causada pela ganância, ela não se deu conta de que até mesmo nos mais sórdidos pactos celebrados com o Demônio, era possível existir um mínimo de ética e de decência.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA