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JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Darcy Ribeiro II

Foi autorizado pelo Governo a entrar no Brasil para extrair um pulmão, não para morar. Assim, foi recebido pelas autoridades no aeroporto; foi escoltado até a residência onde ficou e passou a ser vigiado pelo DOPS o tempo todo, onde quer que fosse. Pouco depois da cirurgia, o escritor João Antônio, na condição de repórter, foi entrevistá-lo e quase acabou sendo entrevistado. A matéria, publicada no jornal “Ex”, (nº 15, de out./1975), mostrou Darcy recuperado, exultante e perambulando pelo Rio sempre vigiado de perto por dois policiais à paisana. Passou 6 meses nessa rotina já acostumado com os vigias, mas sofrendo pressões políticas. O Governo Militar deixou que fosse operado aqui, achando que ele ia morrer. Como ficou mais vivo ainda, as pressões aumentaram e ele teve que voltar ao Peru para completar seu 3º exílio.

Ao chegar em Lima, em 1975, encontrou o presidente Alvarado enfermo, vitimado por um aneurisma e sem poder governar. Todo seu trabalho estava sendo desmontado e todos seus amigos e equipe de auxiliares haviam sido trocados. Passou uns meses vendo o que fazer, desmontou o Centro de Estudos da Participação Popular e retornou ao Brasil no ano seguinte. Mas, permaneceu pouco por aqui, ficou viajando pelo mundo “consertando” ou planejando universidades: México, Argélia, Costa Rica etc. e tornou-se romancista com o lançamento de Maíra (1976), seu primeiro romance, traduzido em diversos idiomas. Em 1977 participou da 29ª Reunião da SBPC, em São Paulo, e proferiu uma de suas melhores palestras: “Sobre o óbvio”, tratando do ensino público e que abre seu livro Ensaios insólitos, publicado em 1979. Entre as viagens realizadas, foi ao México, em 1978, a convite da UNAM-Universidad Autónoma de México, para gravar um disco “Voz Viva de América Latina”, Trata-se de um projeto de memória e fixação da voz de grandes personalidades da região. O disco nunca foi divulgado no Brasil, mas o Parlamento Latino-Americano conseguiu uma transcrição do depoimento, traduziu e publicou no livreto “Darcy Ribeiro: América Latina Nação”, em 1998. Na época eu trabalhava lá e tive o prazer coordenar a edição do livreto.

Decretada a Anistia, em 1979, foi reintegrado ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e participou do “Tribunal Bertrand Russel”, em 1980 na Holanda, sobre crimes cometidos contra os índios na América Latina. Passando por Paris, recebeu o título de “doutor honoris causa” da Universidade de Sorbonne. Em seguida, uniu-se a Brizola na organização do PDT-Partido Democrático Trabalhista (PDT) e foi eleito vice-governador do Rio de Janeiro, em 1982. Acumulou o cargo com o de secretário de Ciência e Cultura e ficou encarregado de coordenar o Programa Especial de Educação, cujo objetivo era implantar 500 Centros Integrados de Educação Pública (CIEPs), uma escola em período integral para crianças e adolescentes e foi copiado em outros estados. Para isso, criou uma “Fábrica de Escolas” pré-montadas e ao final de 4 anos conseguiu implantar “apenas” 127 CIEPs. Em sua gestão foram criadas a Biblioteca Pública Estadual, Casa de Cultura Laura Alvim, Centro Infantil de Cultura de Ipanema. e o “Sambódromo”, a passarela das escolas de samba, que hoje leva seu nome, e abriga escolas de 1º e 2º grau.

Nas eleições de 1986 foi candidato à sucessão de Brizola no governo do Rio. Mas foi vencido por Moreira Franco numa ampla coligação partidária. Na ocasião o PDT foi acusado de ser conivente com o “jogo do bicho” e, por tabela com o crime organizado. A polarização esquerda x direita foi acirrada, culminando com sua derrota. Em seguida (maio de 1987) foi convidado pelo governador de Minas Gerais, Newton Cardoso (PMDB), para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social, com a promessa de criar mil CIEPs em todo o Estado. Porém, abandonou o cargo em setembro quando viu que o governador não levava a sério seu projeto. No ano seguinte retomou um sonho antigo: criar em Brasília o Memorial dos Povos Indígenas. Seu amigo Oscar Niemeyer projetou o edifício e o museu-centro cultural e de pesquisa da cultura indígena foi inaugurado no eixo monumental. Com se vê, Darcy foi também um grande museólogo em suas “horas vagas”. Ainda em 1987 foi convidado pelo governador de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB), para ajudar Oscar Niemeyer na parte cultural do Memorial da América Latina, inaugurado em 1989. Mais um museu foi criado: O “Pavilhão da Criatividade” lá instalado leva seu nome.

Na primeira eleição presidencial por via direta, em 1989, após o Golpe de 1964, Brizola foi candidato e Darcy percorreu o Pais organizando grupos de intelectuais, sindicalistas e professores para elaborar o programa de governo. Novamente deu-se uma acirrada polarização ideológica entre Lula (PT) e Collor (PRN) e Brizola apoiou o PT no 2º turno das eleições. O bom senso eleitoral não prevaleceu e Collor foi eleito presidente. Nas eleições de 1990 Brizola foi reconduzido ao governo do Rio e Darcy ao senado federal, seu primeiro e único mandato legislativo. No senado priorizou a educação e conseguiu aprovar a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, lei 9394/96). A nova concede autonomia escolar em todos os níveis e diploma universitário para todos os professores, incluindo os do curso primário. Entre seus tantos projetos de lei, consta uma que se fosse aprovada, estaria resolvido o problema da falta de órgãos para transplantes nos hospitais. A Lei tornava possível usar os órgãos dos mortos para salvar os vivos. A pessoa que não quisesse doar seus órgãos deveria deixar esse desejo manifesto por escrito. Outra proposta defendia uma lei de trânsito mais favorável aos pedestres contra a selvageria dos motoristas. Preocupado com o ambiente e a memória, conseguiu o tombamento de 98 km. de belas praias e encostas, além de mais de mil casas e sobrados do Rio antigo.

Em setembro de 1991 licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria Extraordinária de Programas Especiais do Rio de Janeiro, com a finalidade de retomar a implantação dos CIEPS e coordenar a criação da UENF-Universidade Estadual do Norte Fluminense, em Campos, concebida como um centro gerador de tecnologia avançada. Retornou ao Senado em 1992 e no ano seguinte foi conduzido à Academia Brasileira de Letras. Vaidoso assumido, discursou: “Estou certo de que alguém, neste resto de século, falará de mim, lendo uma página, página e meia. Os seguintes menos e menos. Só espero que nenhum falte ao sacro dever de enunciar meu nome. Nisto consistirá minha imortalidade”. Nas eleições presidenciais de 1994, o PDT lançou novamente a candidatura de Brizola, tendo Darcy como vice. Foi combinado entre os dois, caso vencessem as eleições, que Darcy assumiria o Ministério da Educação para implantar os CIEPs em todo o País. A disputa presidencial se deu entre Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT), onde o primeiro venceu já no 1º turno. Em dezembro do mesmo ano, foi surpreendido com outro câncer na próstata e ficou internado por um mês no Hospital Samaritano, no Rio. Novos e mais graves perrengues lhe atormentam e planeja uma fuga do hospital com ajuda de um amigo. Foi para sua casa em Maricá e justificou a fuga pela necessidade de concluir seu livro O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil (1995), encerrando a série “Estudos de Antropologia da Civilização”. Trata-se de seu livro mais conhecido e visto como sua obra prima.

Em 1995, ao fazer 73 anos, foi surpreendido com uma grande festa num casarão do Jardim Botânico, promovida por 60 mulheres “ex-esposas, ex-namoradas, ex-amantes e amigas”. O aniversariante ficou à vontade: “Foi a festa mais bonita da minha vida. Foi uma beijação só!”. As ex-esposas Berta Ribeiro e Claudia Zarvos ficaram mais próximas. “As outras todas ficaram ao redor, mas sem ciúme. Foi uma coisa linda!”. Depois foi agraciado com uma desejada comenda: o “Prêmio Anísio Teixeira”, concedida pela Presidência da República à pessoas destacadas na área educacional. Premiações e homenagens foram constantes nessa época. No mesmo ano recebeu o “Prêmio Interamericano de Educação Andrés Bello, concedido pela OEA-Organização dos Estados Americanos. Em seguida recebeu da Biblioteca Nacional o “Prêmio Sergio Buarque de Holanda” pela publicação do livro Diários índios (1996). Em janeiro de 1997 recebeu a comenda “Homem de Ideias”, concedida pelo Jornal do Brasil. Esta foi sua última homenagem em vida, cujo título define o agraciado: um homem de ideias e ideais, falecido no mês seguinte, em 17/2/1997. Conforme seu pedido, o corpo foi encomendado pelo teólogo Leonardo Boff, padre proscrito pelo Vaticano, devido a ligações com a “Teologia da Libertação”, e seu amigo pessoal.

Darcy conviveu quase 30 anos com a morte iminente. Conforme atestam os amigos, passou desde então a viver intensamente e com urgência todos seus trabalhos, além de uma pulsão autobiográfica expressa nos livros Migo (1988), Testemunho (1990) e Confissões (1997), que escreveu “com medo-pânico de morrer antes de dizer a que vim”, confessou no prólogo e não chegou a vê-lo publicado. Esta pulsão levou-o a criar a FUNDAR-Fundação Darcy Ribeiro. “Tanta gente por aí com fundação, eu também quero uma”. Com recursos próprios, biblioteca e arquivos dele e Berta Ribeiro, foi criada no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 1996. Em seguida foi concebido o Memorial Darcy Ribeiro em parceria com o Ministério da Cultura e a UnB, abrigando a biblioteca (30 mil livros) e arquivos do casal. Trata-se de uma bela edificação, “mistura de oca e disco voador”, aterrissando na praça maior da UnB, inaugurada em 2010. Como foi o criador do “sambódromo”, deu o nome de “beijódromo” ao local, para espairecer a rapaziada. Trata-se de uma “fábrica-escola” com auditório, salas de aula, gabinetes de pesquisa, galeria para exposição, cineclube, centro de documentação, café e livraria e uma representação da FUNDAR.

Darcy vem sendo lembrado em todo o País, com seu nome estampado em logradouros públicos e instituições. Em 1998, a Câmara dos Deputados instituiu o “Prêmio Darcy Ribeiro”, uma comenda anual com diploma e medalha concedida a 3 personalidades destacadas na defesa e promoção da educação brasileira. No Carnaval de 2020, foi tema-enredo da Escola de Samba Império da Uva: “Darcy Ribeiro – O Homem muito além do seu tempo!”. Biografias e ensaios biográficos transbordam na Internet, além de suas autobiografias. Mas, como vaidoso assumido, é suspeito para falar de si mesmo. Os interessados em conhecê-lo melhor podem recorrer à outras fontes, como a biografia realizada por Helena Bomeny – Darcy Ribeiro: um sociólogo indisciplinado – publicada em 2001 pela Editora da UFMG, em 2001, ou a de Toninho Vaz – Darcy Ribeiro: nomes que honram o Senado – publicada em 2005 pela Editora do Senado. Foi um dos brasileiros que mais contribuíram na busca de uma identidade nacional e latino-americana do Brasil.

Leia a primeira parte clicando aqui

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ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

CHILE – A VENEZUELA DE AMANHÃ?

O povo chileno aprovou em plebiscito, por uma avassaladora maioria de 78% a favor, a revogação da constituição legada por Pinochet e que vem vigendo desde 1980, ano da sua aprovação em referendo popular, e a elaboração de uma nova constituição que incorpore mais “Direitos Sociais”.

Esqueceram todas as misérias pelas quais passaram e não aprenderam nada com as amargas experiências do (des) governo Allende! Assim, como os argentinos, veem-se condenados à “Maldição do Eterno Retorno”, de Nietzsche.

Um dos grandes argumentos brandidos contra a atual constituição se baseia na falácia “ad hominem”, ou seja: Seus pecados se devem mais ao fato de ter sido preparada e aprovada na era Pinochet, que às suas qualidades ou defeitos intrínsecos. Porém não é só isso! Apesar do grande desenvolvimento econômico verificado pelo país ao longo do período considerado, muito à frente de seus similares da América Latina, verificou-se a ocorrência de uma brutal concentração de renda que exacerbou sobremaneira a insatisfação popular.

Suportar uma vida modesta e sacrificada, quando todos os seus vizinhos compartilham a mesma situação, torna-se relativamente fácil. Quando, porém, a par com a miséria, deve-se suportar manifestações explícitas de opulência por parte de quem compartilha aquela mesma situação contigo, torna-se realmente terrível.

Com as reformas econômicas realizadas pelos economistas monetaristas de Pinochet, o Chile saltou à frente de todos os seus vizinhos da América Latina, não só em termos econômicos, como também em indicadores sociais. O fato é que essa riqueza não foi devidamente compartilhada por todos. Números mais atualizados já colocam o Chile à frente do Brasil neste campeonato pela odiosa situação de um 2º lugar mundial de pior concentração de renda.

Diversos analistas políticos concordam que, ao limitar a presença do estado somente às funções de Manutenção da Ordem Pública, Segurança, Defesa e Garantia da Justiça, a antiga constituição deixou carentes de maior representação inúmeras funções sociais do estado, tais como Educação, Saúde e Previdência Social.

Na minha maneira de entender, foi justamente esta questão, o fato do estado chileno ter sido limitado às suas funções essenciais, que propiciou o brilhante desempenho econômico daquela nação. Só que parecem ter exagerado na dose! Ou mesmo terem perdido a noção de que o “bolo” deveria ter sido dividido quando crescesse. Só que isto não ocorreu!

A casta dos privilegiados agarrou-se ao bolo e correu com ele. Está aí o caos social como consequência. Serve de excelente lição para que as castas privilegiadas brasileiras ponham as respectivas barbas de molho.

O problema maior, disso tudo, parece ser a constante tendência humana para oscilar entre polos mutuamente excludentes e que se odeiam reciprocamente: Ou o estado abandona à própria sorte todos os desvalidos da sociedade, ou então, segundo a visão de alguns, deve sustentar lhes, qual bezerrões chorões, por toda a vida. Pior ainda é que essa tendência a pular de um polo ao outro, como ocorreu com a Venezuela, parece ser sempre o ato final de uma tragédia humana sem paralelo na história, a não ser em momentos de guerra declarada. A “Crônica de uma Morte Anunciada”, como foi a derrocada daquele país, parece ser um fantasma que ameaça, não só a Europa, como queria o amaldiçoado “Manifesto Comunista”, mas que paira permanentemente sobre os Latino Americanos.

Diante deste quadro, torna-se imensamente interessante comparar as escolhas efetuadas pelos países, com as consequências econômicas daí advindas.

O Brasil, vem tentando reverter a queda, após o “Voo de galinha” propiciado pela administração petista, ao tempo em que o Chile disparava na liderança econômica da América Latina. Enquanto isso, a Venezuela vai mergulhando de cabeça nas opções do “Socialismo Bolivariano” e levando sua população ao inferno, sem escala. Já a Argentina, após se apaixonar pelo “Peronismo”, seja lá o que isso for, fez também a escolha preferencial pela demagogia e pelo desastre econômico. Parece que nos encaminhamos aceleradamente para a consolidação da URSAL.

Só sobramos nós de fora, graças a Bolsonaro. Até quando resistiremos? Quem decide é você!

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

COMERCIAL: SEM CACHÊ

Comentário sobre a postagem REFRIGERANTE ABAITOLANTE

Paulo Terracota:

O proprietário do guaraná Jesus, está feliz como pinto no lixo, pela propaganda gratuita, em rede nacional que seu produto recebeu.

Tem muito” cabras macho” querendo fazer uso da poção milagrosa.

Pelotas e Campinas já entraram na fila para importar o agora famoso guaraná maranhense.

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PERCIVAL PUGGINA

IDEOLOGIA DE GÊNERO: PSOL PEDIU E O STF VAI DELIBRAR

A intromissão não cessa. No próximo dia 11, depois de três anos da apresentação, chega ao plenário do Supremo a ADI 5668 através da qual o PSOL, que felizmente não tem força política para impor seu querer ao país, busca obter da Corte uma alteração no Plano Nacional de Educação. Se você imagina que seja para melhorar a qualidade do ensino, enganou-se. O PSOL quer incluir no PNE a obrigatoriedade de ser combatido nas escolas o bullying por gênero que atinge indivíduos do grupo LGBT.

A notícia foi usada, nestes últimos dias, com diferentes versões, para produção de fake news identificadas como tal por boatos.org. No entanto, assim como há, de fato, boatos em torno do assunto, há também verdades que não foram ditas.

O PSOL quer, com essa medida, reverter uma decisão do Congresso Nacional e demais parlamentos do país que, de modo quase unânime, decidiram não incluir a temática de gênero em seus planos de Educação. O próprio PSOL o reconhece no texto da ADI quando afirma que “parlamentares contrários aos direitos humanos da população LGBT conseguiram retirar dos planos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação menções ao enfrentamento das discriminações por gênero, identidade de gênero e orientação sexual também nas escolas”.

O motivo pelo qual os parlamentos assim decidiram e o STF deveria recusar a pretensão do PSOL é sua efetiva desnecessidade. Os motivos para bullying e discriminação entre crianças e adolescentes são de várias naturezas e motivações. Portanto, está correta a redação dada a essa questão pelo PNE, cujo artigo 2º relaciona, em 10 incisos, as diretrizes do Plano. O inciso III trata da “erradicação de todas as formas de discriminação”.

Criar uma abordagem específica para a temática LGBT é discriminar todas as outras formas de bullying. É priorizar uma em detrimento das demais, para atender ao gosto do PSOL. O que deve ser objeto de defesa é o respeito à dignidade humana, independente de qualquer desigualdade natural ou criada. E o que deve ser objeto de combate e erradicação é toda a forma de assédio moral, psicológico, sexual, entre tantas outras de que possa a maldade humana cogitar. A escola deve ser um farol a iluminar crianças, adolescentes e professores com os valores indispensáveis ao bom convívio em sociedade.

* * *

A temática de gênero é, sim, de natureza ideológica. Desde o início envolveu questões de poder na sociedade a partir da descaracterização do núcleo familiar. Afirma uma ficção como verdade ao dizer que gênero é construção social. É tão ideológica que para ser sustentada e conceber uma realidade descritível precisou criar um vocabulário, inventando palavras não dicionarizadas e alterando todos os pronomes da língua portuguesa que passam a ter ortografia própria para não se identificarem com gênero algum. Daí coisas como “não binário” e “cisgênero”, entre uma infinidade de outras invenções. Ninguém precisa disso para não ser um estúpido preconceituoso e desrespeitoso.

A PALAVRA DO EDITOR

COBRANDO O PIXULECO

Leitor fubânico postou um comentário no último sábado com a seguinte pergunta:

A Besta também está a soldo do governo?

E completou com esta espantosa expressão: 

Meu Deus!

Eu fiquei encucado com esse “também”.

Quem danado, além desta gazeta escrota, também estaria “a soldo do governo“???

A Globo? A Folha? O Estadão? A Veja?

Como nunca recebemos nada dos cofres federais, acabei de enviar mensagem à Tesouraria da Presidência da República cobrando o nosso pagamento, já que, segundo foi insinuado pelo leitor, estamos “a soldo” do governo ditatorial, opressor, fascista, genocida, misógino e homofóbico que nos domina.

Qualquer subornozinho vai aliviar que só a porra a nossa penúria.

Um pixulequinho federal, por menor que seja, vai dar pelo menos pra comprar um pouco de capim pra Polodoro e um lanche pra Chupicleide matar a fome.

A mascote fubânica Xolinha, símbolo da nossa penúria, está com a tabaca tão arrombada quanto nosso cofre.

Ainda bem que as generosas doações dos leitores nos ajudam a manter este jornal safado nos ares.

O pagamento mensal à empresa Bartolomeu Silva, que nos hospeda e nos dá suporte técnico, é sempre coberto com os depósitos dos fubânicos.

O mês de novembro, que hoje começa, já está pago graças aos depósitos dos leitores generosos e de bom coração.

Os pirangueiros, os fominhas, os pães-duros, os miscos, os unhas-de-fome e os miseráveis continuam se fazendo de desentendidos.

Esses insensíveis conseguem arrombar ainda mais a tabaca da nossa cachorra.

Vôte!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

Um conselho asiático para que seja usada a proteção na cabeça certa.

Como o guarda não explicou qual é, a decisão é do motoqueiro.

Alguém acredita que ele tem capacete, camisinha ou uma cabeça capaz de pensar?

J.R. GUZZO

O INIMIGO EM CASA

A França está colhendo o que plantou em matéria de terrorismo. Não é, naturalmente, a única nação da Europa que sofre com os assassinatos cometidos por delinquentes que são apresentados ao público como “muçulmanos fanáticos”. Mas é a que mais está sofrendo – e caiu nessa situação em consequência direta da opção que seu governo e suas elites tomaram diante da barbaridade imposta aos franceses. As forças políticas e sociais que mandam na França decidiram tratar esses horrores como um problema “cultural” – uma inconveniência que vem “da história”, como resultado natural das injustiças que os muçulmanos sofreram no tempo das Cruzadas, 900 anos atrás, ou das épocas em que foram “colonizados”, ou em outros episódios do passado remoto. Por conta disso, têm de ser vistos com “compreensão”, dentro de uma “perspectiva histórica ampla”, quando degolam senhoras que tinham ido rezar na igreja, ou professores à saída das aulas. Querem parecer civilizadas; acabam sendo apenas covardes, e convidando outros homicidas a fazerem a mesma coisa.

Os assassinos não são tratados com delicadeza e muito menos são soltos pelo ministro Marco Aurélio lá deles: ao contrário, em geral levam chumbo grosso da polícia logo no primeiro minuto de confronto e, se são presos, não têm direito à proteção do ministro Fachin para as suas visitas íntimas; aliás, não há visitas íntimas. Não se trata de impunidade, portanto. O veneno está na atitude básica diante do horror – as autoridades, do presidente da República para baixo, a maior parte da mídia e mais muita gente boa estão certas de que a chave mestra para desfazer a calamidade é o diálogo, o entendimento das teologias não cristãs, o conhecimento do Corão, a aceitação da “diversidade” e, no fim das contas, a expiação de pecados cometidos séculos atrás.

A imensa maioria dos muçulmanos, na verdade, não está sentindo falta de nada disso; não quer pedidos de desculpas, nem se acha vítima, nem cobra o acerto de contas incorridas no ano de 1095. Quem usa tudo isso como argumento para matar pessoas indefesas (eles nunca atacam quem pode se defender) são marginais, desajustados mentais e sociopatas que têm prazer em derramar sangue – e inventam motivos religiosos e políticos para fazer isso. Quando matam a velhinha na igreja, não estão sendo “islâmicos”, como acha Macron; estão sendo apenas criminosos. O “islamismo” não tem nada a ver com isso. O que tem tudo a ver, isso sim, é a atitude de aceitar agressões estúpidas à vida e à liberdade de pensamento em nome de uma sociedade “plural”.

Os criminosos não querem saber de pluralidade nenhuma. Exigem o Islã e as mesquitas, apenas; são eles que não admitem a liberdade de religião e as igrejas cristãs. Não é “a direita”, como supõem o governo francês e a esquerda mundial, que “sataniza” os muçulmanos; são os extremistas que se declaram como inimigos abertos da França, das suas leis e dos seus valores nacionais. É um despropósito. Eles são imigrantes, que estão lá por tolerância do governo e da população; deveriam estar agradecidos pela acolhida, e não revoltados contra quem os recebeu. Seria como se a França, durante a última guerra, adotasse um programa de imigração para os invasores nazistas. Vamos trazer os inimigos para casa; viva a diversidade.

O governo francês diz que está sendo democrático. Conversa. Quando manda a polícia expulsar cidadãos sentados à uma mesa de café para cumprir o seu precioso “lockdown” ninguém se lembra de democracia nenhuma. O problema, aqui, se chama covardia. Países que têm medo de defender os seus valores acabam não merecendo a liberdade que querem ter.

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VIADOS, GRELOS E HONESTIDADE

Comentário sobre a postagem PRESIDENTE DESRESPEITA A BOIOLAGEM MARANHENSE

Maurício Assuero:

Pernambuco é a terra do frevo, de Capiba, Nelson Ferreira, uma terra de guerreiros, com uma História digna de dar inveja.

Foi uma das duas capitanias hereditárias que deu certo.

Olinda Patrimônio Cultural da Humanidade.

Turismo sexual? Tem.

Como no Brasil inteiro, mas isso não é culpa nossa. É culpa do marketing que vende o Brasil lá fora como as cariocas de bunda de fora.

As mulatas do Sargentelli não eram pernambucanas, as Lebres do Imperial, não eram pernambucanas.

Lula já disse coisas interessantes e não houve essa frescura:

1) “Político desonesto é melhor do que funcionário público concursado”. Eu sou professor de ensino superior. São 22h40 e parei de trabalhar agora. Preparando aula e escrevendo um relatório de uma pesquisa;

2) “Pelotas é exportadora de viados”.

3) “Cadê as mulheres de grelo duro?”

Teve aquele caso do gari que achou R$ 100 mil, creio, e Lula disse que ele deveria ter ficado com o dinheiro.