DEU NO TWITTER

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

OS POEMAS – Mário Quintana

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana, Alegrete-RS, (1906- 1994)

DEU NO TWITTER

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

MALES TERRÍVEIS

Argentina: economia cai e pandemia cresce

* * *

Los hermanos estão fudidos.

Assolados por dois males terríveis: o esquerdismo, que eles mesmos escolheram, e a pandemia, imposta pela ditadura chinesa.

Pelo menos restou esta coisa mágica e magnífica chamada tango.

FRANCISCO ITAERÇO - MEUS RISCOS E RABISCOS

MEUS DESEJOS

Não desejo viver muito
Aspiro muito é viver bem
Não me atrai a riqueza
Mas desejo adquiri-la
Chorar não me envergonha
Quando choro de alegria
Não me mato por lazer
Mas morro por não tê-lo
Não sei se te quero tanto
Mas sei o tanto de te querer
Confesso que não é pouco
Pouco é viver sem você.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FRANCISCO SOBREIRA – NATAL-RN

DÓRIA – MAIS UM EXEMPLO DE COMO NÃO SE DEVE CONFIAR NELE

Há uns cinco anos, mais ou menos, numa entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN Brasil, Jô Soares relatou uma historinha entre ele e o atual governador de São Paulo, João Dória. O cenário foi uma seção eleitoral da capital paulista, onde o humorista e apresentador votava. Não guardei o ano em que ocorreu a eleição, nem se era para prefeito, ou governador. De certo, é que esse Dória ainda não era candidato, mas como filiado ao PSDB, estava no local como cabo eleitoral do seu partido.

Ao avistar Jô percorrendo o corredor que levava à sua seção, Dória se atirou na direção dele. Deu um abraço em Jô – daqueles abraços costumeiros das pessoas falsas, que pouco faltam para sufocar o outro, entremeados do riso escancarado e das palavras que são como veneno para os diabéticos – e entabulou uma conversação que, principalmente, visava a se exibir para os presentes e causar-lhes inveja por mostrar uma familiaridade com uma celebridade.

Sendo uma pessoa pública, além de impedido pela direção da Globo de manifestar a sua preferência eleitoral, Jô fora à seção eleitoral despojado qualquer indício que denunciasse o seu voto. No entanto, depois de se livrar do arrocho dos braços dorianos e das palavras melífluas, talvez até saltadas da boca com poções de cuspe, e avançar alguns passos, Jô sentiu algo nas costas e percebeu o olhar atento das pessoas. Passou a mão nas costas, sentiu a aspereza de um papel; ato contínuo, puxou com força o troço e viu na mão um panfleto contendo a propaganda do candidato do partido de Dória. Com a destreza de um gatuno, este colara nas costas do humorista aquele documento que deveria atestar o seu voto. De tanta raiva, Jô rasgou o papel e atirou os pedacinhos no chão. É de se imaginar a sua reação se reencontrasse ali mesmo o outro.

Pois é. Esse é o pilantra que pretende ser o salvador da pátria. Tibes! como dizia a mamãe, quando algo ou alguém tirava-a do sério.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

AVES PRETAS E POETAS

É grande e justa a fama do poema de Edgar Allan Poe, “O Corvo” (The Raven), de 1845.

Um poema narrativo, cheio de suspense e mistério, que fala de um insólito encontro entre alguém que está sozinho em casa, em uma noite fria de dezembro, e a ave, que chega de surpresa.

Tendo sido vertido para vários idiomas, conta com traduções para a língua portuguesa assinadas por ninguém menos que Fernando Pessoa (clique aqui para ler) e Machado de Assis, em O Corvo

Mais recentemente, na década de 1970, nosso saudoso conterrâneo Belchior juntou Allan Poe com Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga, ao por o Corvo na companhia do Assum Preto, em sua canção “Velha roupa colorida”:

Como Poe, poeta louco americano
Eu pergunto ao passarinho
Black bird, assum preto, o que se faz?
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Assum preto, pássaro preto, black bird, me responde: Tudo já ficou atrás
Raven, never, raven, never, raven, never, raven, never, raven
Black bird, assum preto, pássaro preto, me responde:
O passado nunca mais.

Pois também eu me inspirei no Corvo, ao encontrar, empoleirada no telhado da minha casa, outra ave. Também preta, também misteriosa.

O URUBU

Inspirado no poema “O Corvo” (The Raven), de Edgar Allan Poe

Certo dia, numa tarde ensolarada,
Regressava ao meu lar, minha morada.
Quando, ao chegar à frente do portão,
Surpreendeu-me a insólita visão
De um grande e majestoso ser alado.
Que, ali, postado ao topo do telhado
— a um só tempo, próximo e distante —
Como estátua, das que habitam os portais,
Em silêncio, sério, sóbrio e elegante,
Olhava-me apenas, e nada mais.

Observando a imponente figura,
Com sua plumagem quase toda escura,
Veio-me a ideia de que aquela imagem
Bem poderia ser a de um personagem,
Já conhecido, de outro tempo e lugar.
Lembrava eu, então, do corvo de Edgar.
Que em sua casa, entrou, num certo dia,
De ventos frios, quase glaciais.
E às perguntas do poeta respondia
Sempre a resposta mesma: “Nunca mais!”

Imaginei, mas só por um momento
Fez-me sentido aquele pensamento,
De que a ave sobre o meu telhado
Fosse o corvo em versos retratado
Pelo famoso poeta americano.
Rapidamente, reparei o engano,
Pois que lembrei, olhando o céu azul,
De um detalhe sobre esses animais:
Corvos não há na América do Sul,
Se um dia houve, hoje não há mais.

Assim, ficou, de plano, esclarecido,
Que a ave que houvera ali surgido
Não era corvo. E, de fato, a olho nu,
Bem se via se tratar de um urubu.
Um urubu que, abrindo suas asas,
Sobrevoou, decerto, muitas casas,
Até que veio a pousar na minha,
Muito embora ali houvesse outras tais.
Um urubu, que não se sabe de onde vinha,
Simplesmente estava ali, e nada mais.

Mas, mesmo resolvida essa questão,
De que a ave ali pousada não
Seria o corvo, o corvo tão famoso,
Continuei intimamente desejoso,
De que o ser, de tão escuras penas,
Não fosse um simples urubu, apenas,
Mas uma ave que então respondesse
Minhas perguntas, quem sabe outras mais.
Que eu, depois, em versos escrevesse
Ainda que somente repetindo: “nunca mais”.

Pensando assim, passei a indagar:
Ó, ave misteriosa, podes me falar
Do que tens visto quando estás voando?
Ou do que chega aos teus ouvidos quando
Planas tranquilo em grandes altitudes?
Conta-me, pois, se entre tuas virtudes
Está a generosidade de dizer
Aos que não voam – como nós, pobres mortais –
Coisas que somente hão de saber
Os que alcançam altitudes colossais!

Mas o urubu calado permanecia.
Se tinha algo a dizer, não me dizia.
Talvez guardasse íntimos segredos,
Talvez apenas escondesse medos,
Por estar pousado, e não voando.
Enquanto eu, já me impacientando,
Deixei transparecer que era presa
De um dos sete pecados capitais:
“Fosse eu poeta de maior grandeza,
Tu certamente falarias mais!”.

Mas até o meu insulto foi ignorado.
E o urubu permaneceu calado.
Ao contrário do corvo, em Baltimore,
Que respondia sempre “nevermore”
A cada indagação de Edgar.
Conformei-me, desisti de perguntar.
E, amuado, me calei também.
E, sem dizer sequer um “nunca mais”
Parecendo mesmo demonstrar desdém,
A ave foi-se em ventos termais.

Passou o tempo e esqueci o ocorrido
Até que um dia tudo fez sentido:
Não foi por má educação ou desrespeito
Que o urubu se comportou daquele jeito.
Explico: anos depois fiquei sabendo,
Em obra de ornitologia que andei lendo,
Que, na verdade, por não ter siringe,
– órgão das aves, de funções vocais –
Permanecia a ave, tal qual uma esfinge,
Em seu silêncio, sem falar jamais.

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FRED MONTEIRO – RECIFE-PE

Santidade (muito melhor e mais santa do que o tal do PAPANGU de Roma) !

Para vossa santíssima paciência e “cauboylância” de ouvir se tiver coragem e mostrar aos amigos desta Gazeta da Cacêta, mais um potipurriti de música de bandoleiro das matinês dos domingos no Cine Luan, ou Rex, ou Trianon, São Luiz e Art Palácio da vida.

Mas um dia eu aprendo a tocar esse instrumento que foi o meu primeiro e que fazia 66 anos que não tocava.

Ganhei, como já disse antes, de uma Tia que foi coralista do Coral do Carmo e que andou acreditando nas minhas habilidades musicais.

Coitada de Tia Mary, errou feio !

kkkkk

R. Deixe de modéstia: Tia Mary acertou em cheio.

O sobrinho dela é um músico talentoso.

Ainda bem que você voltou a dar as caras, seu sumido.

Fazia tempo que não aparecias neste antro de escrotidão.

Apareça com mais frequência, sujeito: você faz falta por aqui.

Um ex-colunista e fubânico pioneiro não pode desaparecer assim feito você fez com a gente.

E vamos à sua excelente interpretação: