DEU NO TWITTER

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

REGRESSO AO LAR – Guerra Junqueiro

Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!…
Foi há vinte?…há trinta? Nem eu sei já quando!…
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!…

Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida…
Só achei enganos, decepções, pesar…
Oh! a ingênua alma tão desiludida!…
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!…

Trago d’amargura o coração desfeito…
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!…
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!…

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias d’astros, gemas de luar…
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!…
Minha velha ama, sou um pobrezinho…
Canta-me cantigas de fazer chorar!

Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!…) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!…

Cante-me cantigas, manso, muito manso…
Tristes, muito tristes, como à noite o mar…
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh’alma durma, tenha paz, descanso,
Quando a Morte, em breve, ma vier buscar!…

Abílio Manuel Guerra Junqueiro, Portugal, (1850-1923)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RÔMULO SIMÕES ANGÉLICA – SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ

Prezado Berto,

Vou imitar, agora, o que vários leitores do JBF já fizeram aqui neste nobre espaço.

Segue uma foto nossa, logo após a chegada dos seus livros, comprados pela internet, através da editora Bagaço, que você já teve a oportunidade de aqui divulgar.

É uma grande honra, estimado Berto, agora poder somar a minha biblioteca as suas obras literárias.

Porém, caro amigo, para não perder a oportunidade, preciso dizer que há uma segunda intenção, nesta mensagem, além do anúncio da chegada dos livros e da oportunidade de mostrar nossas belas fuças, e obviamente, minha estrondosa cabeleira.

O motivo é mostrar a enorme eficiência do aparelhamento estatal daqui de banânia, gerando serviços tão prestimosos e de altíssima qualidade para a nossa população.

A foto abaixo é da embalagem utilizada pela editora Bagaço, da encomenda postada nos Correios, com a data de postagem de 07.07.2020 (Agência Bairro Madalena, Recife-PE).

Veja bem: 7 de julho!

E a encomenda chegou aqui em Belém do Pará, anteontem, 22 de outubro do ano da pandemia de 2020.

São APENAS 107 (cento e sete) dias para uma encomenda atravessar o nosso vasto continente e chegar aqui por estas quentes e úmidas paragens¸ no meio, ou melhor, para ser mais preciso, geograficamente, na borda da exuberante selva amazônica, que está sendo criminosamente destruída pelo fogo do imperialismo.

Era isso, nobre Berto, acho melhor não dizer mais nada para não estragar a satisfação da chegada dos seus livros.

Um afetuoso abraço em você e em toda a comunidade fubânica.

R. Êita peste!!!

Ganhei o dia com essa foto arretada.

Meus livros nas mãos desse magnífico casal!!!

Um cabra qualificado, professor universitário,  e sua bela esposa. 

Não vou nem comentar esse desmantelo do atraso dos Correios pra não estragar minha alegria com esta sua mensagem.

Vou só aproveitar a oportunidade pra dizer que quem quiser adquirir meus títulos via internet, com toda tranquilidade e segurança, é só acessar a página da Editora Bagaço.

Pra isso, basta clicar aqui.

Pronto: tá feito o comercial.

E, pra encerrar, quero só ressaltar um detalhe, meu caro: aí na foto que você mandou está faltando um dos meus títulos.

Trata-se do romance Memorial do Mundo Novo.

Não sei se você também pediu este, ou se o estoque já se esgotou na Bagaço.

Vou checar com a editora. Se ainda tiver por lá, mando um volume pra você pelos correios, devidamente autografado.

E vou ficar torcendo pra que entreguem antes do ano que vem…

Gratíssimo pela força, meu caro amigo.

Abraços e um excelente final de semana pro querido casal.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O TELEFONEMA DO MINISTRO

Quarta-feira passada (21-10-2020), o Senado Federal aprovou a indicação do Desembargador Federal Kassio Nunes Marques para a cadeira deixada vaga pelo Ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal.

O fato me fez lembrar um conto que publiquei há quase três anos, e que alguns amigos juram que é baseado em fatos reais.

Não é. É ficção. Claro que em toda ficção há algo de realidade. Como em toda narrativa que se pretende verdadeira há um pouco de ficção (até no depoimento de uma testemunha, sob juramento).

Mas penso que, ao escrever um conto, o autor deve saber se está adaptando um fato real para a ficção, ou se está criando uma narrativa simplesmente imaginada, inserindo nela elementos de realidade.

O conto a seguir é dessa segunda espécie. Garanto.

Portanto, não fiquem perguntando nos comentários quem é Genário, porque essa pessoa não existe no mundo real.

Vamos ao conto.

* * *

AMIZADE SEM INTERESSE

Brasília, 23 de fevereiro de 2017. Circunstâncias alheias ao meu controle levaram-me a almoçar em um restaurante tipo self-service, naquele horário que aparentemente toda a população da cidade resolve se alimentar: entre 12:30 e 13:30.

Feita a pesagem da comida, fiquei com prato e talheres na mão, procurando uma mesa vaga. Ou, pelo menos, uma vaga em alguma mesa, embora não me agrade almoçar ao lado de pessoas totalmente desconhecidas.

Foi então que notei a presença de um conhecido meu, ocupando sozinho uma mesa de quatro lugares. Aproximei-me cumprimentando-o:

– Doutor Genário! Tudo bem? Posso me acomodar por aqui? Ou tá esperando alguém?

– Não, não… Senta aí – respondeu ele sem muito entusiasmo.

Achei compreensível sua reação. Como alertei já no princípio, não era um amigo que estava ali, mas apenas um conhecido. Desses que a gente encontra eventualmente em solenidades e lançamentos de livros. Talvez quisesse almoçar sozinho, planejando o que faria à tarde, olhando as mensagens no celular. Ou, por qualquer outra razão, preferisse não ter ninguém compartilhando sua mesa. Ainda mais alguém como eu, com quem não tinha intimidade, mas que sua boa educação recomendaria dar alguma atenção.

O certo é que, sendo ele uma pessoa bem educada, e precisando eu de um lugar para sentar, passamos a dividir a mesma mesa, em um clima cordialidade protocolar.

Prosseguiu assim por alguns minutos, até que meu celular tocou.

Não costumo atender a ligações enquanto estou almoçando, mas vi que se tratava de um amigo de longa data, Alexandre Monteiro, advogado em Fortaleza, que há semanas não dava notícias.

Desde que mudei para Brasília, em 2016, para atuar como juiz instrutor do Superior Tribunal de Justiça, esse amigo, em tom de gozação, passou a me chamar de Ministro. E eu, devolvendo a brincadeira, trato-o por Ministro também.

Atendi:

– Ministro Alexandre! Onde é que você anda, amigo?

Alexandre respondeu como de costume. Que andava muito ocupado, com muitos processos, viagens, etc. Na verdade, o que importa aqui não é o que conversamos, mas a reação do conhecido que compartilhava comigo a mesa do restaurante.

A partir do momento em que atendi o telefone, doutor Genário passou a olhar para mim com particular interesse. Como se quisesse participar da conversa telefônica. Sem entender seu comportamento, continuei a ligação, mas observando sua linguagem corporal.

A certa altura da conversa, Alexandre convidou-me para o aniversário da sua filha, e eu, no tom formalesco que costumamos brincar, perguntei:

– E quando é a solenidade, Ministro?

Ao ouvir aquela pergunta, doutor Genário abriu um sorriso, inclinou-se em minha direção e perguntou num sussurro:

– É o Ministro Alexandre de Moraes?

Revelava-se, assim, o motivo do súbito interesse do meu comensal pelo telefonema que eu acabara de receber: aconteceu que, no dia anterior, o Ministro Alexandre de Moraes, recém indicado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal, havia tido seu nome aprovado pelo Senado Federal, após a regulamentar sabatina; aparentemente, o doutor Genário deduziu que sua excelência acabara de telefonar para mim, e, pelo andar da conversa, deveria estar me convidando para sua posse na Corte Suprema.

Diante de tamanho interesse do Doutor Genário por assuntos ministeriais, faltou-me coragem para lhe causar algum tipo de frustração. Assim, no mesmo instante em que, ao telefone, confirmava presença no aniversário para o qual acabara de ser convidado, olhei para o meu companheiro de refeição e levantei o polegar, em sinal de positivo.

E, admito, não me limitei a isso. Penitencio-me até hoje por tal conduta, mas, a partir daí, passei a induzir deliberadamente o doutor Genário a erro, desejando a Alexandre sucesso nos desafios, e lembrando-lhe de não permitir que o trabalho nos impeça de tomar umas cervejas juntos, de vez em quando.

Ao final daquela ligação, doutor Genário estava mais sorridente, conversando mais e comendo menos. Antes de ir embora, fez questão de trocarmos cartões de visita, embora já houvéssemos feito isso em ocasião anterior (não sei se ele lembrava disso).

No dia seguinte, às 10:45 da manhã, doutor Genário enviou uma mensagem para meu celular: “Caro amigo, almoçarei hoje naquele mesmo restaurante de ontem. Caso você chegue depois, saiba que seu lugar na minha mesa está reservado”.

Respondi a mensagem, agradecendo a gentileza, mas fui fazer a minha refeição em outro lugar.

COLUNA DO BERNARDO

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

J.R. GUZZO

A NEUROSE DO VÍRUS — OU O VÍRUS DA NEUROSE

Oito meses seguidos de covid estão deixando claro, cada vez mais, que um dos piores efeitos colaterais da epidemia foi um assalto maciço à saúde mental de pessoas que nunca tiveram um único sintoma real da infecção, nem precisaram de qualquer tipo de cuidado médico por causa dela. Essa patologia, mal percebida no começo da onda, e progressivamente instalada no comportamento cotidiano das vítimas, se manifesta através de uma anomalia básica: a aceitação passiva, e em seguida muito ativa, de convicções irracionais no seu sistema cerebral, emotivo e psicológico. É como se tivessem desligado, em algum lugar, a chave-geral que assegura o funcionamento normal – ou aquilo que era considerado normal até algum tempo atrás – dos circuitos nos quais se movimenta o pensamento humano.

Faz algum sentido o cidadão entrar num restaurante, sentar-se à mesa e só tirar a máscara na hora de comer – ou, pior ainda, ficar pondo e tirando a cada garfada? Claro que não, mas quem se comporta desse jeito está convencido de que está certo e os demais estão arriscando a própria vida – e a vida dele, nas ocorrências mais radicais de militância antivírus. Não é normal, da mesma maneira, que muita gente considere essencial, além da “bike”, do capacete e do uniforme importados, usar máscara para rodar ao ar livre de bicicleta. Fazem como se fazia no ano 1300, ou por aí, quando os barões, os médicos e os padres convenceram as pessoas que a peste negra vinha pelo “ar”. (Seu conselho capital, 700 anos atrás: “Fique em casa”.) Já se viram mães que colocam minimáscaras em seus bebês quando vão passear com o carrinho; é óbvio que a única doença presente no caso está na cabeça delas mesmas.

Na França, berço da civilização ocidental-cristã-progressista, farol da sabedoria, da inteligência, da lógica e do humanismo, as autoridades acabam de tomar uma medida realmente extraordinária: os quase 70 milhões de habitantes do país estão proibidos de sair de casa entre as 9 horas da noite e as 6 da manhã. Nada de restaurante, bar, café, concerto, teatro, balada; só no dia seguinte. Ficamos assim, então: segundo o governo francês, o vírus só pega de noite; durante o dia o cidadão pode circular à vontade, pois o bicho vai embora e só volta quando escurece. Naturalmente, eles dizem que a sua providência vai reduzir “a aglomeração” de pessoas (estar próximo dos seus semelhantes, nestes dias de perturbação mental, é quase um crime de lesa-pátria), mas na verdade não é nada disso. Por que a “aglomeração” à noite seria pior que a “aglomeração” ao meio-dia? Trata-se de puro pânico de manada por parte de governantes que continuam não tendo ideia do que fazer e se valem, para dar as suas ordens, da aceitação religiosa do “distanciamento social”.

É a tal coisa; a mesma França que nos deu Descartes, Voltaire e Balzac hoje nos dá Emmanuel Macron. Fazer o quê? C’est la vie, diriam os próprios franceses – isso é tudo o que temos a oferecer no momento. O problema do presidente francês, e dos agentes do seu governo, não é propriamente ter ideias erradas. O problema é que não são capazes de ter ideia nenhuma – não uma ideia original, ou mesmo simplesmente aproveitável, ou com algum propósito útil. Apenas repetem ideias mortas; não há o menor risco de criarem alguma coisa. Não se trata só de Macron, obviamente, ou só da França. Ele representa, apenas, a média de qualidade dos governos que vigora hoje em dia nos países da Europa avançada. Mais ainda: Macron é uma das megavítimas, também ele e mais muita gente boa, do progressivo colapso psicológico que a epidemia trouxe para todos.

No Brasil, possivelmente porque há por aqui pelo menos uns 150 milhões de pessoas que são pobres demais para ter esse tipo de neurastenia, coisa privativa das classes médias para cima, a pegada do vírus é mais inofensiva. Está muito mais na mídia, nas altas castas do funcionalismo e nos meios onde, em geral, as pessoas não têm realmente que trabalhar para ganhar a vida do que na maioria da população. O que envolve o Brasil na grande anomalia mental trazida pela covid é, de um lado, a superstição médica ou científica que se tornou curiosamente comum hoje em dia. Esse tipo de superstição anda muito popular por aqui e pelo mundo afora. Os médicos, no fundo, sabem sobre a covid não muito mais do que sabiam em fevereiro; como não sabem, inventaram a “quarentena”. A maioria dos homens de ciência, é claro, sabe perfeitamente bem que as condutas aberrantes que foram descritas acima estão muito próximas da insanidade. Mas não querem falar disso; ficam com medo de ser acusados de genocídio, ou algo assim, se abrirem a boca para dizer que dois mais dois são quatro. Se nem o presidente da República escapou da acusação de ter matado 160 mil pessoas, inclusive por parte do Supremo Tribunal Federal, por que um simples médico que tem de ganhar o seu sustento iria se meter na contramão das psicoses que comandam o pensamento atual?

Isso por um lado – por outro lado, e aí é pior ainda, há o comportamento voluntário das pessoas. Um número muito grande de gente decidiu levar a extremos o Evangelho do “distanciamento social”; querem viver isolados, na crença de que podem adiar a hora da morte se ficarem “em casa”, como mandam os “formadores de opinião” do YouTube e os charlatães (modelo light, mas charlatães assim mesmo) da nova crendice científica. Foram convencidos, por algum tipo de desequilíbrio no aparelho onde se formam seus raciocínios, que ficando livres da covid ficam também livres, misteriosamente, do câncer de fígado, do derrame cerebral e do enfarte do miocárdio. Nessa grande neurose, romperam ao máximo com o mundo exterior e reduziram ao mínimo seu contato físico com os demais seres humanos. Afastaram-se de vizinhos, de amigos e até mesmo dos próprios familiares – consideram que a pior coisa que pode lhes acontecer é ver outra pessoa. Começaram por medo, apenas; depois foram tomando gosto pela coisa e hoje acham que é melhor viver assim.

Há muita gente pensando numa “troca de vida”: sai a vida atual, cheia de egoísmo, desigualdade etc. etc. e entra a vida do novo milênio, cada vez mais virtual e cada vez mais virtuosa, onde a comunicação digital pelo WhatsApp, Zoom e outros truques está virando a forma ideal – ou, pior ainda, a única – de manter contato com outros seres de carne, osso, alma e coração. Querem viver assim pelo maior tempo possível e, nos casos mais extremados, para sempre. Aí não é culpa do precário governador Wilson Witzel, campeão nacional da demência pró-confinamento e hoje afastado do cargo, segundo as denúncias oficiais, por ser ladrão – ladrão de dinheiro destinado ao combate da epidemia, por sinal. É culpa de quem está escolhendo viver assim. O problema, nesses casos, não está na covid, nem nos governos nem no presidente Macron; está na cabeça deles. A doença real não vai ser encontrada na infecção dos pulmões, e sim no equipamento cerebral de cada um. A cura, nesse caso, depende unicamente do doente.

DEU NO JORNAL

BAITOLAGEM SANTIFICADA

A união de casais homossexuais recebeu a mais explícita aprovação do papa Francisco, a primeira desde que ele se tornou líder da Igreja Católica, em 2013.

O endosso foi divulgado em um documentário que estreou nesta quarta-feira (21/Out) no Festival de Cinema de Roma.

No documentário intitulado Francesco, o pontífice pede uma “lei de união civil” para os homossexuais.

* * *

A viadagem mundial está em festa com a última do Chiquinho.

Após revogar o texto bíblico que condena a baitolagem, o militante argentino foi delirantemente aplaudido por aquela parte do clero católico que pratica a frangagem.

Ontem mesmo eu li artigo de um padre vibrando com a abertura (êpa!) proporcionada pelo chefão do Vaticano.

Depois dessa, agora são os padres pedófilos que estão ansiosos pra que Chiquinho dê uma nova interpretação ao trecho bíblico Mateus 19:14 que diz “deixai vir a mim as criancinhas”.

O próximo passo do santificado portenho vai ser revogar alguns pontos dos Dez Mandamentos.

A bandidagem e os políticos banânicos estão ansiosos pra que sejam riscados das Tábuas da Lei recebidas por Moises os itens Não matarás, Não roubarás e Não cobiçarás as coisas alheias.

O ex-presidiário Lula é o mais ansioso de todos eles, desde que recebeu de viva voz essa promessa no último encontro que teve com o parceiro zisquerdista.

Nesse encontro, o multi-réu já condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, ficou sabendo que o santificado portenho vai assinar, muito em breve, um documento condenando a Lava Jato no Brasil e exigindo a revogação de todas as suas condenações.

No mesmo documento, Chiquinho vai declarar que a manutenção da corrupção no Brasil é um ponto importante na luta do proletariado contra o imperialismo capitalista.

Com a declaração de aprovação às relações xibungueiras feita esta semana, Chiquinho deixou Lula aliviado e ciente de que já pode assistir e aplaudir espetáculos de viadagem sem qualquer constrangimentos.

E com as bênçãos do Vaticano.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A VIRADA DE MARCOS FREIRE

Em 1982 eu estava no auge do jornalismo profissional e pude presenciar episódios que se ampliam além da notícia, passando para o anedotário. Nesse ano Pernambuco fervia como um caldeirão na brasa, quando concorriam ao governo estadual: Marcos de Barros Freire e Roberto de Magalhães Melo.

Época em que só disputavam dois partidos: a ARENA e o PMDB. O bipartidarismo garroteara várias tendências numa única agremiação: o Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

Alguns políticos e parte da Imprensa se alojaram na canhota aglutinados no PMDB. Os pelegos, os oportunistas e os bem intencionados se espremiam – alguns de certa forma constrangidos – no partido do Governo: a Aliança Renovadora Nacional.

Naquele tempo a contagem dos votos ocorria nos salões do Clube Internacional do Recife. Os serviços se prolongavam por mais de uma semana. Era muito papel nas mesas: anotações, manuais das cédulas, Fiscais de Partidos e Cabos Eleitorais, todos em frenesi. Os da Imprensa faziam um fuzuê: máquinas fotográficas clicando, políticos sendo entrevistados, microfones e fios que mais pareciam u’a espalhados pelo salão.

Um aglomerado de emoções em festa democrática. Mas o melhor eram os noticiários dos jornais nos dias seguintes, quando Roberto Magalhães, em 20 de novembro de 1982, começou a tomar a dianteira:

“Com 40% dos votos apurados amplia-se a vantagem de Roberto Magalhães”.

“Espera-se hoje a virada de Marcos Freire.”

“Marcos Freire vem aí, de virada.”

“Com quase 70% dos votos apurados PMDB ainda espera pela virada”.

E finalmente a manchete em oito colunas, na edição de 26 de novembro, do Diário de Pernambuco:

“Roberto Magalhães concretiza a vitória” 

Alegre e presepeiro o advogado José David, para encabular alguns amigos, utilizou uma estratégia nunca vista. Rebocou uma Kombi lá num ferro-velho de Caxangá e estacionou o veículo de roda pra cima na frente do Diário de Pernambuco, com uma faixa bem escandalosa:

A VIRADA DE MARCOS FREIRE

GUILHERME FIUZA

VACINAÇÃO SEM VACINA

A discussão sobre a vacina contra covid-19 está avançada. Muito mais avançada que a própria vacina, mas isso é detalhe. O debate está tão acelerado, com autoridades já anunciando seus planos de imunização, que é capaz de, quando a vacina chegar, já estar todo mundo vacinado.

Eis aí uma excelente proposta: chega de espera, vamos vacinar a população antes da vacina. Mas como isso funcionaria exatamente? Muito simples: é só pegar as manchetes, os discursos, as profecias, as bravatas, comprimir tudo numa seringa e mandar pra dentro do povo. Adeus, covid.

A vacina desenvolvida mais rapidamente na história foi a da caxumba – que levou quatro anos para ficar pronta. A do sarampo levou dez anos. Mas naquela época não tinha internet, Tedros, Doria e outras maravilhas da ciência. Hoje em dia o papo é de seis meses e vamos arregaçando as mangas, ou baixando as calças, para resolver logo isso. É só uma picadinha, depois a gente estuda com calma o que foi injetado em você.

Na gripe suína, a vacina gerou enfermidades piores do que a própria doença – para ficar num exemplo histórico mais recente. Um dos trunfos para tentar acelerar a vacina contra covid é o uso de uma técnica inovadora – o RNA mensageiro, que atua na base genética do indivíduo. A ação consiste em induzir o organismo a uma produção imunológica artificial, sem que se precise inocular o vírus atenuado (método tradicional).

Ninguém sabe se isso funcionará e o que vai causar às pessoas. Mas você está ouvindo autoridades falando em iniciar a vacinação neste ano – e já pode começar a ficar na dúvida se vai ter que chamar o médico ou a polícia.

Tudo isso se dá num ambiente de total transparência – com vacinas relâmpagos brotando das ditaduras chinesa e russa. Vai tomar a Sputnik do Putin? Com essa divertida temática espacial é possível você nem sentir a picada. “Olha o foguetinho…” E quando viu já tomou. Se o pessoal está curtindo máscara personalizada, tipo “I love my dog”, por que não entrar na onda da vacina estilizada? Estética é tudo.

Já a vacina chinesa se antecipou às marchinhas carnavalescas. Laboratórios incapazes de conter um vírus que se espalhou pelo planeta inteiro são naturalmente as instituições mais confiáveis para oferecer uma vacina. Esse seria o refrão do bloco mais debochado do Carnaval 2021 se a realidade não tivesse roubado a cena e caído no samba antes da hora.

O Ministério da Saúde entrou na disputa com os governadores mais afoitos para ver quem faz a promessa mais leviana. As “projeções” para o início da vacinação andam oscilando entre o final deste ano e o começo do próximo – sacramentando como única certeza científica o fato de que os cidadãos estão sob o comando de autoridades irresponsáveis. A rigor, já há uma segunda certeza científica: a de que isso não pode acabar bem.

E, já que a irresponsabilidade foi oficializada, os tiranetes mais tarados, como João Doria, resolveram declarar que a vacina será obrigatória para todos. Nada de mais. Para quem já inventou número de vidas salvas tentando justificar seus surtos totalitários, um disparate a mais contra a população não faz diferença. A não ser que a população desista de ser o brinquedo predileto de Joãozinho Tranca Rua e seus colegas.

A letalidade da covid-19 abaixo dos 70 anos é inferior à da gripe sazonal, como acaba de confirmar um estudo produzido na Universidade Stanford. Neste cenário, falar em obrigar a população inteira a se vacinar – com uma vacina que não existe – significa o quê? Mais uma marchinha roubada? Um negócio da China? O tão aguardado surto fascista?

Responda aí você, que estamos ocupados decifrando o RNA mensageiro dos hipócritas.