DEU NO TWITTER

J.R. GUZZO

CONVITE AO DESASTRE

O Brasil deveria ser o país mais justo do mundo; em nenhum outro os magistrados que estão no seu supremo tribunal de justiça decidem tanta coisa como aqui, da suspensão dos mandatos de senadores que escondem dinheiro na cueca aos voos de helicópteros da polícia sobre as favelas do Rio de Janeiro. Se quem manda são os 11 cidadãos que consideram a si mesmos – e assim são considerados pela lei – como os mais qualificados, ou os únicos qualificados, para resolver o que é certo e o que é errado em quaisquer questões da vida pública, tudo deveria estar saindo muito bem. Quem saberia mais do que nossos supremos juízes o que o País deve fazer? Só que não é nada disso; é exatamente o contrário. O Brasil de hoje é um dos lugares do mundo onde mais se nega a prestação de justiça à sociedade.

Um país está seriamente doente quando todos os seus sistemas de governança, e a maioria absoluta das forças que têm influência real na condução das questões públicas, aceitam como perfeitamente normal que a lei seja usada para permitir que os marginais violem a lei – o tempo todo, e cada vez mais. Essa aberração não é apenas aceita; é ativamente incentivada pelo Congresso Nacional e pelas prateleiras mais altas do Poder Judiciário. Também não é uma exceção – é o estado normal das coisas. O resultado prático é que o Brasil vive sob um regime de vitória permanente do crime, como ficou claro mais uma vez nessa alucinante libertação de um chefe do PCC de São Paulo, condenado em segunda instância e com sentença confirmada no STJ por tráfico de drogas em escala mundial.

Estamos, aí, em plena demência. O traficante, considerado pela polícia e pelo Ministério Público como um delinquente perigoso e que ameaça a segurança social, não foi solto por um juizinho qualquer do interior, mas por ninguém menos que o mais alto tribunal de Justiça da nação brasileira. Mais: o homem foi solto, acredite se quiser, contra a vontade de nove dos dez atuais juízes do STF; bastou a decisão de um único ministro para reduzir a zero a autoridade do Supremo num episódio que ficou escancarado aos olhos de toda a população como uma fratura exposta. Se isso não é uma injustiça em estado puro, qual seria, então, a definição de justiça?

A história fica ainda pior. Como revelou o repórter Vinícius Valfré em O Estado de S. Paulo, o ministro Marco Aurélio, que mandou soltar o peixe graúdo do PCC paulista, já tinha colocado em liberdade, só neste ano de 2020, pelo menos 92 outros criminosos – também beneficiados pelas liminares que concedeu nos habeas corpus solicitados junto a ele. Não há erro neste número: são 92 mesmo, numa média de dez bandidos soltos por mês, ou um a cada três dias. Não existe nada parecido com isso em lugar nenhum do planeta.

A justificativa é a mesma: uma trapaça legal contrabandeada para dentro do recente “pacote anticrime”, em sua passagem pela Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados. Por este dispositivo de proteção explícita aos criminosos e ao crime, são consideradas ilegais todas as prisões preventivas que não forem “reavaliadas” e “justificadas” a cada 90 dias. É praticamente impossível, desse jeito, manter na cadeia qualquer marginal que tenha dinheiro para pagar advogados caros, desses que conseguem agir nas alturas do STF e sabem como utilizar o atual sistema de sorteios para fazer os seus casos caírem – por exemplo – com ministros como o dr. Marco Aurélio.

O sistema de Justiça que existe hoje no Brasil tornou-se simplesmente incompreensível para os cidadãos; faz sentido para congressistas, a OAB e o STF, e para ninguém mais. É um convite permanente ao desastre.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Mestre Berto,

Tenho a alegria de lhe enviar aqui um Episódio com uma “pequenina amostra” sobre a obra de um Poeta que é colunista desta sua extraordinária e multidisciplinar Gazeta:

O mestre Jesus de Ritinha de Miúdo.

Peço o seu depoimento e parecer sobre esta personalidade do lirismo da Região do Seridó.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui

Um grande abraço e tudo de bom,

R. Meu caro, saiba que é um privilégio editar uma página que tem como colaborador um cabra do porte de Jesus de Ritinha de Miúdo.

Este grande poeta potiguar, um amigo muito especial que mora na minha estima, é um dos nomes mais importantes da poesia nordestina da atualidade.

Na minha opinião, a dupla JJ – Jessier e Jesus, representa um ponto alto da cultura contemporânea deste nosso recanto de mundo na área da poesia.

Ambos colunistas do JBF para minha grande alegria.

Jesus e sua esposa Vigélia em um encontro aqui na casa deste Editor

Particularmente, admiro demais o talento de Jesus na modalidade poética que denominamos de “Glosa”, um poema que é construído a partir de um tema, chamado de “Mote”.

A Glosa é encerrada, é fechada com o Mote, que tem dois versos.

Detalhes que você conhece muito bem.

Destaco, como exemplo para os nossos leitores, uma glosa de Jesus que está neste vídeo que você nos mandou, e que ele fez a partir deste Mote:

Quem se cobre de sonhos se descobre
Muitas vezes coberto de ilusão.

E aqui está a magnífica Glosa que ele fez:

Eu pensando em você não me contento
Perco o tento de vez na madrugada
Enlouqueço a cada alvorada
Alvorando você no pensamento.
Vou criando penúrias de lamento
E mentindo ao meu próprio coração
Pra sonhar que não tem separação
Mas, não há nenhum sono que me sobre
Quem se cobre de sonhos se descobre
Muitas vezes coberto de ilusão.

Cabababom!!!

Poesia em estado puro.

E, pra fechar com chave de ouro esta postagem, cobrindo de beleza nossa tarde de domingo, vamos ao excelente vídeo que você nos mandou.

Gratíssimo pela referência que nele você fez ao nosso jornal, meu caro.

Muito sucesso e disponha sempre deste espaço!!!

PERCIVAL PUGGINA

A MORTE LENTA DAS INSTITUIÇÕES

Instituições morrem. Se não sofrem de morte física, padecem os tormentos da morte moral. Em breve, o escorregador da desonra não permitirá mais a muitos de seus membros mesa no restaurante, abraço dos amigos, pé na calçada da rua. Também assim se evidencia a tragédia brasileira. Sem a mais tênue sintonia com a sociedade, salvo honradas exceções, seus membros afirmam em tom orgulhoso que as instituições “estão funcionando”. Que bolha pensam habitar?

A mais alta corte de Justiça do país, em duas inteiras e consecutivas sessões plenárias, decidiu, por nove votos contra um, que o líder de uma das duas maiores facções criminosas do país, condenado por tráfico internacional de cocaína, beneficiado por habeas corpus, deveria voltar para a cadeia… Ah! Se não houvesse tal decisão, quem prendesse o tal André do Rap por ordem de Luís Fux, teria que soltar pela ordem de Marco Aurélio? Note-se que André do Rap, nome de guerra do gajo, forneceu endereço falso e saiu da prisão diretamente para seu jatinho. Com ele, bateu asas e voou. Mas o STF brasileiro precisava confirmar que o habeas corpus concedido pelo insólito ministro Marco Aurélio não estava mais vigendo.

Ao cabo de dois dias de sessão, o Supremo concluiu que André, quando capturado, deve voltar para a prisão porque seu comportamento posterior à soltura violou as condições em que esta lhe foi concedida.

Enquanto assistia estupefato aos votos dos senhores ministros eu me perguntava o que estaria passando pela cabeça dos criminosos brasileiros perante aquela ridicularia, passarela de vaidades para a qual o ministro Marco Aurélio Mello, inevitavelmente, arrasta qualquer debate. Não lhe passa pela mente que o cidadão brasileiro, desafortunado pagador do show, é bastante inteligente para saber que se o ministro estivesse minimamente interessado na nação e não no conforto de seu arbítrio, deveria ter pedido informações? Usado o telefone? Em juízo criminal, o bom juiz deveria, sim, olhar quem é o sujeito do processo para identificar quem lhe pede habeas corpus. Não sabe o ministro que o Brasil é um país inseguro porque há, nas ruas, centenas de milhares de indivíduos que deveriam estar presos porque são criminosos profissionais? Que existem mais de 300 mil mandados de prisão para serem cumpridos? Que o Brasil, por essas sutilezas de linguagem, trata como “presos provisórios” inclusive tipos de alta periculosidade, condenados em duas e até em três instâncias que jogam com as chicanas processuais enquanto buscam a prescrição?

O cidadão comum, cumpridor de suas obrigações, trabalhador responsável, sabe que apenas um número infinitesimal dentre os mais de 700 mil detentos nas prisões do país tem acesso expedito a um gabinete do STF. Menos ainda a deferência de duas sessões plenárias consecutivas para cuidar do seu caso. Chega a ser ridículo o ar solene com que algo tão burlesco é levado à plateia nacional.

Não, leitor, não olhe para o outro lado da praça. Lá funciona, solidário e majoritário, sem credo nem cor, ativo mecanismo de autoproteção. Ele exerce a prerrogativa de gerar uma legislação penal e processual para cuidar do passado, presente e futuro de todos os seus membros enquanto as instituições morrem na alma nacional.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ANA ELISA – BELO HORIZONTE-MG

Vejam só, meus amigos:

Comediantes da Globo debocharam do presidente Bolsonaro sem parar nos programas humorísticos.

E isto a mando dos chefões.

Aí a audiência despencou.

Quando é agora, foram recompensados com um pé na bunda.

Demissões em massa.

Muitos estão desesperados, pois com a pandemia, não tem shows nem teatro.

E agora?? Rua da amargura.

R. Cara leitora, você me fez lembrar que existe uma estação de televisão chamada “Globo”.

Faz tantos meses que não entro por lá que até já tinha me esquecido.

Apaguei do meu controle remoto o número deste canal.

Esses dias ouvi falar dessa emissora por conta de notícias informando que os fartos peitinhos do dinheiro público federal tinham sido fechados pra ela.

Lembro-me que por lá havia uma assombração que atendia pelo nome de “Faustão”.

Eu tenho uma vizinha que assiste ao programa dele. Pode acreditar: é verdade!

Será que ele, o Faustão, também está nesta onda de demissões e levou uma pajaraca global no seu gordo furico?

Quanto ao “imparcial e isento” Jornal Nacional, algum leitor poderia me dar notícias dele?

DEU NO JORNAL

AS REDES SOCIAIS E A “CENSURA DO BEM”

Ana Paula Henkel

Durante anos, escutamos sobre a tendência das Big Tech de abafar aqueles que ousam desafiar a ortodoxia progressista dominante no cenário político. Durante anos, os conservadores nos Estados Unidos protestaram contra as grandes empresas de tecnologia, incluindo Facebook, Twitter, Google e YouTube, por usarem diretrizes vagas como uma arma para banir perfis, excluir postagens, remover seguidores e desmonetizar contas – a tal shadowban, uma maneira de jogar num “cantinho escuro”, sem visibilidade, os “inconvenientes”. E os funcionários das Big Tech criam, propositadamente, algoritmos em ampla escala para essas ações.

Em 2018, o Pew Research Center descobriu em uma pesquisa que 72% dos norte-americanos acreditam que é bastante provável que as plataformas de mídia social censurem ativamente opiniões políticas que essas empresas consideram questionáveis. Por uma boa margem de quatro para um, os entrevistados estavam mais propensos a dizer que as Big Tech apoiam as opiniões dos progressistas muito mais do que as dos conservadores e liberais.

Nos últimos anos, houve inúmeros casos de gigantes da mídia social amordaçando conservadores e liberais por aparentes motivos políticos. Está provado em documentos de investigações de comitês do Senado americano que o Twitter usa “proibições ocultas” para impedir que indivíduos compartilhem suas postagens com centenas de milhões de usuários da plataforma e que, de alguma maneira, essas proibições ocultas foram aplicadas de forma esmagadora àqueles na parte da direita do espectro político. Apenas coincidência?

Em 2020, a grande maioria dos norte-americanos já admite que recebe suas notícias apenas pelas redes sociais. O poder absoluto dessas empresas em relação ao fluxo de informações é impressionante, e elas parecem acreditar em sua capacidade de mudar a opinião pública. O Google tem ainda mais poder sobre as informações do que as companhias de mídia social, uma vez que a ferramenta domina completamente as pesquisas na internet.

Só no ano passado, a participação de mercado do Google nas pesquisas mundiais na internet ficou em torno de 92%. De acordo com um estudo recente intitulado “Uma análise de viés político nos resultados de mecanismos de pesquisa”, os principais resultados de pesquisas do Google tinham quase 40% mais probabilidades de conter páginas com inclinação para a “esquerda” ou “extrema esquerda” do que páginas de “direita”. Além disso, 16% das palavras-chave usadas na política não continham absolutamente nenhuma página inclinada para a direita na primeira busca de resultados.

Em outras palavras, segundo esse estudo, o algoritmo do Google é politicamente inclinado para favorecer a esquerda sobre a direita. Talvez isso explique por que o Google e outras empresas de grande tecnologia contribuem com tanto dinheiro para o Partido Democrata em comparação ao Partido Republicano. O Center for Responsive Politics mostrou em uma recente pesquisa que 70% das doações do Facebook e de seus funcionários às campanhas de 2020 foram para os democratas. Já com o Google, 81% das contribuições políticas também foram para os democratas. A mesma tendência se aplica a Amazon (74%) e Apple (91%!). There is no free lunch.

Há alguns meses, o Twitter deu um passo significativo na sinalização do caminho tomado contra conservadores e liberais e colocou um rótulo de “conteúdo impróprio e/ou checagem necessária” em dois tuítes do presidente Donald Trump, argumentando que ele havia violado as políticas contra comportamento abusivo. A plataforma que tem reforçado mais ativamente suas políticas de conteúdo contra o presidente norte-americano, na última quarta-feira, dia 14, tentou proteger o candidato democrata à Casa Branca, Joe Biden, e derrubou contas importantes, como a da secretária de Imprensa, Kayleigh McEnany. Ela havia compartilhado o link de uma reportagem do jornal New York Post que mostrava, em detalhes, alegadas provas do esquema de corrupção da família Biden com a Ucrânia e a China.

A reportagem no Post é bomba para a campanha de Joe Biden. Faltando menos de um mês para uma das eleições mais importantes da História dos Estados Unidos, o filho do candidato democrata, Hunter Biden, foi colocado no centro de um escândalo que envolve uma empresa de gás natural na Ucrânia, a Burisma Holdings, investigada por corrupção no país. As suspeitas de um esquema ilícito milionário com a participação de Hunter Biden existem há algum tempo – mesmo sem atuação profissional na área de combustíveis, Hunter Biden fazia parte da diretoria da empresa ucraniana e recebia salário entre US$ 50 mil e US$ 83 mil por mês.

Para complicar o cenário, o então vice-presidente de Barack Obama havia sido encarregado de negociar alguns empréstimos em favor do governo ucraniano exatamente quando a empresa da qual Hunter Biden era diretor estava no meio de várias denúncias de corrupção. Em um vídeo de uma palestra para poucos convidados, Joe Biden gaba-se de ter pressionado o presidente ucraniano a tirar do caso o procurador-geral Viktor Shokin, que investigava as denúncias, para, em contrapartida, autorizar um empréstimo de US$ 1 bilhão do governo americano à Ucrânia. Joe Biden sempre negou as acusações e disse que nunca soube dos negócios do filho.

É aí que entra o artigo que gerou a postagem censurada pelo Twitter nesta semana. Segundo o New York Post, jornal fundado em 1801 por Alexander Hamilton (1755-1804), o consultor ucraniano Vadym Pozharskiy, da Burisma Holdings, teria agradecido a Hunter Biden em um e-mail a “oportunidade” de se encontrar com o então vice-presidente Joe Biden. Pozharskiy é conselheiro da empresa e já se encontrou com vários legisladores dos Estados Unidos no passado. Se a reunião de fato ocorreu, isso contradiria as afirmações de Joe Biden de que ele nunca falou com o filho sobre seus negócios no exterior. “Caro Hunter, obrigado por me convidar para DC (Washington) e me dar a oportunidade de conhecer seu pai e passar algum tempo juntos. É realmente uma honra e um prazer”, teria escrito Pozharskiy a Hunter Biden em 17 de abril de 2015. Um e-mail anterior, de maio de 2014, também mostra Pozharskyi pedindo a Hunter “conselhos sobre como você pode usar sua influência” em favor da empresa.

De acordo com um relatório do Comitê de Inteligência do Senado, divulgado em setembro, isso confirmaria a preocupação de alguns funcionários do governo Obama de que Hunter pudesse criar uma situação de conflito de interesses. O relatório dá conta de que o filho do então vice-presidente estava envolvido em “atividades criminosas em potencial” relacionadas a transações financeiras entre “cidadãos ucranianos, russos e chineses”.

O relatório provisório, de 87 páginas, é produto de uma investigação de meses, durante a qual membros dos comitês de Finanças e Segurança Interna do Senado revisaram mais de 45 mil páginas de registros da administração Obama, detalhando as extensas negociações comerciais em que Hunter Biden esteve metido.

Essa é a enxaqueca com que a família Biden terá de lidar a três semanas das eleições presidenciais. Já a dor de cabeça do Twitter está na Communications Decency Act. A CDA é uma lei federal de 1996 que em grande parte isenta as plataformas online de responsabilidade legal pelo material postado por seus usuários, entendendo que são apenas “distribuidores”. Ou seja, se não são responsáveis pela natureza das publicações – como são, por exemplo, os editores de jornais -, as plataformas ficam isentas de processos em relação ao conteúdo. Mas, a partir do momento em que começam a editar, proibir, censurar ou esconder posts, as plataformas de redes sociais perdem a proteção da lei e passam a responder como “editores”, responsabilizando-se por todo e qualquer conteúdo.

Depois que o Twitter colocou selos de checagem de fatos em dois de seus tuítes, Trump intensificou sua guerra contra as Big Tech ao assinar uma ordem executiva que visa à redução de proteções legais: “Estamos aqui para defender a liberdade de expressão de um dos maiores perigos que ela enfrenta na História americana”, disse Trump. “Esta censura e o preconceito são uma ameaça à liberdade. Imagine se sua companhia telefônica silenciasse ou editasse sua conversa. As empresas de mídias sociais têm muito mais poder nos Estados Unidos do que os jornais, elas são muito mais ricas do que qualquer outra forma tradicional de comunicação.”

A ordem de Trump instrui as agências federais a verificar se podem impor novos regulamentos aos gigantes da tecnologia. “Não há precedente na História americana para um número tão pequeno de corporações controlar uma esfera tão grande de interação humana”, disse o presidente, ao assinalar que o Twitter está tomando “decisões editoriais”.

Dificilmente você verá essa notícia na imprensa no Brasil. A “censura do bem” não é uma “virtude” contemporânea exclusiva dos norte-americanos. Estamos lutando com a mesma intensidade contra os mesmos mecanismos e tentativas de silenciar conservadores e liberais no Brasil. Mas aqui no JBF você pode ter certeza de que a liberdade – de imprensa, econômica, religiosa e de expressão – será sempre protegida, enaltecida e reafirmada em nossas linhas.

Margaret Thatcher (1925-2013), aniversariante da semana, disse certa vez que os Estados Unidos conseguiram construir um aparato institucional forte o suficiente que protegeria a nação de radicalismos e ideias socialistas, inspirando o mundo a sempre lutar contra regimes totalitários. Ronald Reagan (1911-2004), amigo pessoal da eterna Dama de Ferro, antes de seu histórico discurso no Portão de Brandemburgo em 1987, em Berlim, foi aconselhado por assessores a remover do texto a frase “Mr. Gorbachev, tear down this wall!” (“Sr. Gorbachev, derrube esse muro!”). A turma do “deixa disso” já atuava nos anos 1980. Reagan respondeu que era preciso coragem para dizer o que precisava ser dito, especialmente quando a liberdade está contra a parede. A frase, como se sabe, entrou para a História.

Não devemos nos esquecer jamais da mensagem deixada pelo colapso de um muro, frio e diabólico, e de seu significado. É importante sempre repetirmos, para que jamais entremos na espiral do silêncio: o Muro de Berlim não caiu como uma casa velha, desgastada com o tempo. Ele foi derrubado. Seus ideais macabros foram derrubados. Suas ideias perversas foram derrubadas, tudo porque elas não dão certo em parte alguma do mundo e porque – antes de qualquer coisa e lugar – amordaçam o indivíduo. Que lutemos para que esse muro, mesmo que virtual, jamais seja erguido novamente.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NACINHA – CUIABÁ-MT

Amigos e amigas:

Este vídeo é de 2018.

Nele aparece um monte de zumbis falando merda.

Estes retardados mentais, ao invés de enfiar dinheiro na bunda, como fez o senador bandido, deveriam todos eles enfiar a língua no cu.

Bando de idiotas!!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

SEU JULIM E O DIA DAS CRIANÇAS

Seu Julim e o prazer em fazer a felicidade dos outros

Dia da criança como muitos nunca tiveram.

Depois do almoço preparado por Joana, que resolvia abater três ou quatro galinhas bem cevadas no quintal, e algo mais que se fizesse necessário para preparar a cabidela, arroz novo torrado e socado no pilão, e depois lavado na arupemba (uma espécie de peneira fabricada pelos indígenas) sem tirar aquele gosto de queimado, farinha seca crocante, feijão de corda verde com quiabo, maxixe e jerimum, além de um gostoso pirão escaldado.

Tava pronto o almoço para os parentes e a meninada que se preocupava mais nas brincadeiras da roça que em ganhar presentes da Estrela, como acontece hoje. Se bem que os brinquedos da Estrela foram substituídos pelos celulares, tabletes e autorizações para baixar os aplicativos.

As crianças têm novos hábitos. Os pais são outros. A maioria afeita à transferir responsabilidade na estruturação da família. Escancaram as portas para o Estado, e depois usam uma lupa na procura do culpado.

Almoço servido e comido, as redes são armadas na latada e no alpendre comprido da casa. É naquela rede que a gente ficar tacando o pé na parede, e aproveita pra coçar as frieiras dos dedos nas beiradas da rede tijubana e ficar escutando aquele rangido do armador como se fora um besouro mangangá.

Não tive e jamais terei vida melhor. Que aconteçam tantos e tantos Dia da Criança.

No finzinho da tarde, com o sol ainda morno, mas de quando em vez a gente escutando o barulho do chocalho preso no pescoço do bode no chiqueiro, a cadela Pintada se despedaçava na direção da porteira e se danava à latir. Chamando a atenção de todos que estão no alpendre se balançando nas redes.

– É seu Julim!

Apois, Seu Julim, em todo Dia das Crianças se dava ao trabalho de selar um burro formoso e trotar mais de dez léguas – tudo prumode ter o prazer de contar histórias e algumas estórias para a criançada. Tinha até criança que se banhava e arrumava todim, butando brilhantina nos cabelos, prumode ficar assentado e quietinho escutando as estórias de Seu Julim.

Logo que apeava do burro e o acomodava para descansar e beber água, Seu Julim achava bonito e educado cumprimentar os adultos da casa, um por um, e só então dizia o que fora fazer.

Antes de deitar na rede para balançar, Vovô João Buretama tinha a obrigação de preparar o tamborete que Seu Julim usaria para sentar e entreter a criançada. Também fazia questão de manter algum tição aceso em brasa no fogão. Era o tição que Seu Julim usaria para acender o fumo do cachimbo.

Tamborete posto e Seu Julim sentado. Agora era picar e socar o fumo no cachimbo, enquanto as crianças se aproximavam, uma a uma para sentar numa roda em forma de arena.

Tição no cachimbo e uma sugada. Tição de novo no cachimbo, até que a brasa quebrava e caía. Mas o fumo do cachimbo estava aceso.

– “Era uma vez, um Rei de uma cidade muito distante!…….”

– Seu Julim, essa estória aí o sinhô já contou!…… garantia Moisés, um dos mais antigos que já desfrutara das tardes do Dia da Criança em pelo menos três oportunidades.

– Já contei? Mas vou contar de novo, pois você drumiu antes deu acabar de contar!

Longe dali, com a penumbra da noite chegando, o sonoro e triste cântico do vem-vem dava a garantia que todos estavam mesmo era na roça, e não num shopping cheio de barulho e escadas rolantes. Muito movimento, mas sem a vida que nos faz bem e amamos.

DEU NO TWITTER

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

EXALTANDO NATUREZA

Fotos da colunista

Eis-me aqui neste recanto
E sem arrependimento
Dos pássaros ouço o canto
Bendigo cada momento
A brisa traz acalanto
Viajo no pensamento.

Desfruto dessa bonança
No verde desse lugar
No peito cresce a esperança
Assim me ponho a sonhar
Nos passos da nova dança
Danço sem me alvoroçar.

Contemplando a natureza
Obra de Nosso Senhor
Onde a lua é realeza
Onde o sol tem esplendor
Celebro toda beleza
Nesses meus versos de amor.