CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RÔMULO SIMÕES ANGÉLICA – SANTA MARIA DE BELÉM DO GRÃO PARÁ

Como a palavra “Democracia” foi jogada na lama pela esquerda

Ontem saímos para jantar no nosso bar preferido, próximo do antigo prédio em que moramos, local esse que já foi ponto de agradáveis encontros deste grupo.

De repente, vimos adentrar no recinto, o Pró-Reitor de Assuntos Ex-Querdistas da Universidade Federal da Pá Virada, também conhecida pela sigla UFPA.

Não foi surpresa, pois havíamos acabado de falar sobre essa possibilidade, já que este é um lugar que sabíamos também ser da sua preferência, além de outros esquerdistas conhecidos da cidade.

Ele nos viu, seguramente, mas não cumprimentou, passando direto, ao lado da nossa mesa, dirigindo-se ao outro salão, contiguo ao que nos encontrávamos.

Na saída, para nossa surpresa, ele resolveu percorrer o caminho de volta, dentro do restaurante, para sair pela porta por onde entrou. Ou seja, no salão onde nos encontrávamos, já que ele poderia, facilmente, ter saído pela porta do outro salão onde estava sentado.

O propósito foi, ao passar, novamente, ao lado da nossa mesa, agora sim, nos cumprimentar, recitando nossos nomes, um a um, e dizer, em volume elevado da sua voz:

– “Viram lá o resultado?”, com o polegar em riste.

E quando já havia aberto a porta, praticamente com o corpo todo para fora, complementou, falando ainda mais alto:

– “A democracia venceu”, curvando-se, ligeiramente, na nossa direção.

E a porta se fechou, sem a possibilidade de ouvir a minha resposta:

– “É….., pena que a lista tríplice foi fraudada”.

E assim é o conceito de democracia para essa gente maligna e farsante. Depois de manipular todo o processo, enfiar dois laranjas na lista tríplice que não participaram do processo eleitoral prévio e de mentir descaradamente para a sociedade, ainda ter a coragem de falar em democracia.

Não é curioso, como justamente os que mais assassinam a democracia, são os que mais precisam falar dela, incessantemente, com uma necessidade doentia de afirmar que são democratas?

Já pararam para pensar, que o nome da antiga Alemanha Oriental (DDR, Deutsche Demokratische Republik), significa República Democrática da Alemanha; e que o nome oficial da Coreia do Norte, é República Popular Democrática da Coreia ?

AUGUSTO NUNES

LULA E DILMA IGNORAM QUE A INTERNET NÃO ESQUECE NEM PERDOA

Lula e Dilma Rousseff parecem acreditar que continua em vigor a grande frase de Ivan Lessa: “A cada 15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos 15 anos anteriores”. Alguém precisa avisar aos chefões do PT que, embora a memória nacional ainda não seja lá essas coisas, o país mudou com o mundo. Todos os dias, incontáveis portadores de amnésia conveniente tropeçam nas evidências de que a internet não esquece e não perdoa. Ou por não saber disso, ou por fingir que não sabe – o que dá na mesma -, o casal 171 que presidiu a República por 13 anos tem escutado, com desoladora constância, a mesma advertência: nós sabemos o que vocês fizeram entre 2005 e 2020, essas lembranças escancaram o que fariam caso voltassem ao coração do poder.

Por sonharem com a retomada do Palácio do Planalto, e se imaginarem capazes de tapear também a internet, os comandantes do partido que virou bando agora acusam o presidente Jair Bolsonaro de desprezar as carências dos pobres e miseráveis. Vídeos e textos armazenados na rede informam que, no Evangelho segundo o PT, Lula acabou com a pobreza em 2007 e, como atesta o vídeo que ilustra esta coluna, lá no final da postagem, a miséria foi erradicada por Dilma em 2013. Assim, a dupla de tratantes exige que Bolsonaro trate com mais deferência algo que, pelo que ambos disseram, deixou de existir. O poste e seu fabricante, por exemplo, vivem declamando que “quase 55 milhões foram retirados da pobreza e subiram para a classe média”.

“Mais 2,5 milhões de brasileiras e brasileiros estão deixando a extrema pobreza”, afirmou Dilma em 17 de fevereiro de 2013. Eram os últimos miseráveis cadastrados pelo governo federal. Graças aos trocados distribuídos pelo programa Brasil Carinhoso, todos haviam passado a ganhar R$ 71 por mês (ou 2 reais e 36 centavos por dia). Nas contas do PT, a miséria era privativa de quem ganhava menos de R$ 70 (ou 2 reais e 33 centavos por dia). Portanto, bastava R$ 1 a mais por mês (ou 3 centavos por dia) para trocar o crachá de miserável pela carteirinha de pobre. Pouco depois, no programa Café com a Presidenta, Dilma anunciou a iminente ampliação do milagre: faltava muito pouco para o completo sumiço, em todo o território nacional, daquela gente que não tinha um gato para puxar pelo rabo, nem sequer um tostão para fazer um cego cantar.

Ao cumprimentar-se pela proeza, a presidente explicou que o miserável-brasileiro só não fora inteiramente extinto porque cerca de 500 mil famílias em situação de pobreza extrema estavam fora do Cadastro Único de Programas Sociais. Como não sabia o nome e o sobrenome de cada um, como desconhecia os endereços de tais raridades, o governo não pudera transferir para a divisão superior os recalcitrantes. Mas Dilma não descansaria até que o derradeiro exemplar da espécie agonizante desaparecesse da face da terra brasileira. “O Estado não deve esperar que essas pessoas em situação de pobreza extrema batam à nossa porta para que nós as encontremos”, ensinou a mulher que fala dilmês.

Até dezembro de 2014, prometeu, todos seriam encontrados e cadastrados um por um. Quisessem ou não, fosse qual fosse seu paradeiro, haveria de localizá-los a tropa de servidores incumbida da caça ao último lote dos depenados pela crueldade da elite golpista. Todos seriam encontrados, inclusive os homiziados em aldeias das tribos isoladas da Amazônia ou nos cafundós do Centro-Oeste, no último metro quadrado dos pampas ou disfarçados de mandacaru em Sergipe. E todos seriam obrigados a subir na vida pela sucessora do presidente que a Divina Providência enviou a Pernambuco para acabar com os problemas do Brasil.

Enquanto isso, perguntaram os que não haviam perdido o juízo, que tal resolver a situação dos incontáveis pedintes visíveis a olho nu que seguiam congestionando as esquinas mais movimentadas das grandes cidades? O que esperava a supergerente de araque para estender os braços misericordiosos às crianças que tentavam vender balas nas ruas, aos jovens que pouco arrecadavam nas esquinas com seus malabares prodigiosos, aos adultos que limpavam para-brisas sem pedir licença, às mulheres que sobraçavam bebês desnutridos, aos velhos hemiplégicos e a tantos outros passageiros do último vagão? Porque não são miseráveis, recitaram os especialistas em ilusionismo estatístico a serviço dos farsantes no poder.

Desde maio de 2012, vigorava a pirâmide social redesenhada por Wellington Moreira Franco, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (com status de ministro). Amparado em cálculos malandros produzidos por organizações internacionais, Moreira Franco decidiu que a faixa dos miseráveis se restringia a quem ganhava individualmente entre zero e R$ 70 reais por mês. A pobreza começava em R$ 71 e terminava em R$ 250. A classe média tinha seu início em R$ 251 e se estendia até R$ 850. Os que embolsavam mais de R$ 851 eram ricos. Assim, foram pendurados no topo da pirâmide milhares de pedintes que permaneciam plantados do começo da manhã ao fim da tarde nas ruas, praças e avenidas de São Paulo. Esmolando oito horas por dia, cada um ganhava de R$ 35 a R$ 40. Quase todos rondavam os R$ 1.200 por mês. Eram, portanto, pedintes milionários.

O país tinha quase 13 milhões de analfabetos, além dos 30 milhões de analfabetos funcionais. O sistema de ensino público estava em frangalhos, metade da população não tinha acesso à rede de coleta de esgotos e distribuição de água tratada, o sistema de saúde pública continuava indecente, o programa Fome Zero morrera de desnutrição meses depois do lançamento, em fevereiro de 2003, quando Lula assegurou que até o fim da década todos os brasileiros estariam engordando com três refeições por dia. Mesmo assim, o oceano dos deserdados da sorte tinha o dever de deslumbrar-se com o despertar do gigante adormecido. Graças ao governo que só pensava nos desamparados, todos poderiam sobreviver com pelo menos 2 reais e 36 centavos por dia.

Durante alguns anos, os trapaceiros no poder fizeram de conta que o Primeiríssimo Mundo era aqui. E uma imensidão de vítimas do embuste acreditou na existência do Brasil Maravilha, e multidões de eleitores votaram nos gigolôs de gente humilde com a esperança de que logo estariam desfrutando da vida mansa numa Dinamarca com muito sol, muita praia e Carnaval. A parceria entre o cinismo e a ignorância faz coisas de que até Deus duvida. Lula inventou o pobre que sobe para a classe média sem aumento de salário. Dilma inventou o ex-miserável que não tem onde cair morto. Se a Operação Lava Jato não tivesse entrado em ação, e escancarado as patifarias dos chefões do partido que virou bando, outro poste fabricado por Lula talvez inventasse o mendigo magnata.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CIDA PEDROSA – RECIFE-PE

* * *

Quando eu digo que nesta gazeta escrota existe de tudo e mais alguma coisa, tem neguinho que não acredita.

Um editor reacionário feito eu, ter uma amiga comunista,  militante e nome de destaque no PCdoB daqui do Recife.

Além de mandar material de sua campanha pra ser publicado no JBF, Cida Pedrosa me mandou também uma mensagem pedindo que eu gravasse um vídeo apoiando a candidatura dela!

Na última eleição ela veio aqui em casa e eu gravei o vídeo.

Resultado: ela não foi eleita…

Vou torcer pra que isto não se repita, querida amiga.

Tomara que você consiga uma vaga na Câmara de Vereadores e arranje um patrocínio da prefeitura do Recife pro nosso jornal, que vive em petição de miséria e com as contas sempre no vermelho (êpa!).

Qualquer verbinha pública municipal, por mais mixuruca que seja, será muito bem vinda e fará nossa secretária Chupicleide relinchar de tanta alegria.

Taí o seu material publicado neste espaço aberto e democrático, minha querida amiga.

Disponha sempre.

Um xêro e sucesso na cata de votos!

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

VALDIR TELES E JOÃO PARAIBANO: DOIS GRANDES REPENTISTAS

Valdir Teles e João Paraibano glosando o mote:

Deus pintou o sertão de poesia
Meu orgulho é ser filho do sertão

* * *

Valdir Teles (1956-2020) e João Paraibano (1953-2014)

* * *

IMPROVISOS DE JOÃO PARAIBANO E VALDIR TELES

João Paraibano

Eu fiz meu verso da grota
Que secava no verão,
Da cera que eu colocava
Na ponteira do pião,
No baião da lata seca
Nas pedras do cacimbão.

Valdir Teles

Minha mulher já brigou
Com minha própria cunhada,
Chamou a irmã safada
Porque me cumprimentou.
Inda ontem perguntou
Por que é que essa cadela,
Só vem na minha janela
Quando você se apresenta?
Eita mulher ciumenta
Essa que casei com ela!…

João Paraibano

A cabra abana as orelhas
para espantar o mosquito,
e se acocora lambendo
os cabelos do cabrito,
depois vai olhar de longe
pra ver se ficou bonito!

Valdir Teles

Pra quem vive encarcerado
Uma hora vale três
Um dia vale a semana
A semana dura um mês
Trinta dias dura um ano
E um século de desengano
Pra quem vive no xadrez

João Paraibano

Vê-se a serra cachimbando…
Na teia, a aranha borda;
O xexéu canta um poema;
Depois que o dia se acorda,
Deus coloca um batom roxo
Na flor do feijão de corda.

Valdir Teles

Meio-dia o sol é quente
Mas de maneira adversa
A luz que encandecia
A tarde raia dispersa
O sol vira mar de ouro
E o céu um tapete persa.

João Paraibano

Do nevoeiro pra o chão
a nuvem faz passarela;
o sapo pinota n’água,
entra na lama e se mela;
faz uma cama de espuma
pra cantar em cima dela.

Valdir Teles
(Quando da morte de Pinto do Monteiro)

No momento em que Pinto faleceu
As violas pararam de tocar
Deus mandou o Nordeste se enlutar
Respeitando o valor do nome seu
Pernambuco ao saber entristeceu
Paraíba até hoje está doente
Só tem galo cantando atualmente
Porque Pinto mudou-se do poleiro
Com a morte de Pinto do Monteiro
Abalou-se o império do repente.

João Paraibano

Sempre vejo a mão divina
no botão de flor se abrindo,
no berço em que uma criança
sonha com Jesus sorrindo;
a mão caçando a chupeta
que a boca perdeu dormindo.

Valdir Teles

Pai vinha de São José
Com uma bolsa na mão
Minha mãe abria a bolsa
Me dava a banda de um pão
Porque se desse o pão todo
Faltava pro meu irmão

João Paraibano

Cai a chuva no telhado,
a dona pega e coloca
uma lata na goteira,
onde a água faz barroca:
cada pingo é um baião
que o fundo da lata toca.

Valdir Teles

Aprendi a cantar vendo um chiqueiro
Entupido de bode e de marrã,
Um vaqueiro ordenhando de manhã,
Um suíno fuçando no terreiro,
Vinte ou trinta galinhas no poleiro,
Um bichano dormindo num fogão,
Um jumento espojando no oitão
E um cachorro debaixo de uma mesa
Aprendi a cantar a natureza
Pesquisando a história do sertão.

João Paraibano

Quando esbalda o nevoeiro,
rasga-se a nuvem, a água rola,
um sapo vomita espuma;
onde o boi passa se atola,
e a fartura esconde o saco
que a fome pedia esmola.

Valdir Teles

No sertão a fartura as vezes dobra
Quando a máquina da chuva funciona,
Milho verde, jerimum, feijão, mamona,
Toda casa do sítio tem de sobra.
Quando o tejo é mordido pela cobra,
Mete o dente no tronco de um pinhão,
Recebe o leite que serve de injeção
Contra o líquido que a cobra tem na presa
Aprendi a cantar a natureza
Pesquisando a história do sertão.

João Paraibano

O que mais me admira
É ver o sapo inocente
Que gosta de lama fria
Mas detesta a terra quente
Vendo da cobra o pescoço
Pinota dentro do poço
Pra se livrar da serpente.

Valdir Teles

Em lagoa, riacho, rio e poço
A traíra constrói sua morada
Se a quentura do sol não lhe agrada
O porão do açude é um colosso
É o peba um trator de carne e osso
Faz alavanca da unha e cava o chão
Pra fazer sua própria construção
Sem gastar um centavo de despesa
Aprendi a cantar a natureza
Pesquisando a história do sertão.

João Paraibano

Faço da minha esperança
Arma pra sobreviver
Até desengano eu planto
Pensando que vai nascer
E rego com as próprias lágrimas
Pra ilusão não morrer.

Valdir Teles

Sem ter nível, colher, prumo e escada
João de barro tornou-se um arquiteto
Aprendeu com Jesus fazer projeto
Pra depois construir sua morada.
Na beleza da pena desenhada
Outra ave não ganha do pavão
Foi pintada com tanta perfeição
Pra não ser superado na beleza
Aprendi a cantar a natureza
Pesquisando a história do sertão.

DEU NO JORNAL

ACHARAM UM NO CANADÁ

Menino de 12 anos descobre esqueleto raro de dinossauro no Canadá

Com apenas 12 anos de idade, Nathan Hrushkin passou por uma experiência que muitos não terão na vida: encontrou um fóssil de dinossauro de 69 milhões anos.

Ele estava passeando com o pai em um parque na província de Alberta, no Canadá, quando viu ossos próximos a uma pedra.

* * *

Putz!

É de lascar.

Tem esquerdista em tudo quanto é canto deste mundo.

Até no subsolo do Canadá!!!

PERCIVAL PUGGINA

URGENTE! BOLETIM DA GUERRA FRIA CULTURAL

Minha geração viveu o inteiro período da Guerra Fria (1947-1991). Foram os longos anos do conflito Leste-Oeste, da geopolítica definida pelas duas trincheiras opostas, da corrida espacial e dos arsenais repletos de artefatos nucleares suficientes para destruir diversas vezes o planeta azul. Não preciso, então, que algum rapazinho barbudo me venha contar a Guerra Fria que menciono na abertura do filme “1964 o Brasil entre armas e livros”, produzido pelo Brasil Paralelo.

Quando ela acabou, já estava encarniçado o conflito em outro teatro de guerra, também ela fria. Refiro-me ao teatro interno de uma disputa travada nos espaços que cada nação dedica à Cultura, à Educação, à Comunicação Social e ao papel das religiões.

A guerra cultural atinge, principalmente, as nações livres e precisa ser identificada em suas manifestações, assumida como um dado da realidade mundial e empreendida de modo realista, não poético nem estético, para que se possa conservar fria. Trava-se em praticamente todos os países do Ocidente, entre conservadores/liberais e revolucionários. E vamos tomar esta última palavra pelo seu sentido comum, que talvez fique mais bem definido quando pensamos no Fórum Social Mundial e seu impreciso “Um outro mundo é possível”. Não hesito em afirmar, sob as luzes da história vivida, que o outro mundo possível é um mundo totalitário porque sempre é aí que chega a esquerda revolucionária quando conquista o poder.

É bom lembrar: o Brasil saiu dos governos militares e caiu nas mãos dos seus adversários. Os revolucionários dominaram os quatro palcos da guerra: Cultura, Educação, Comunicação e Igreja. Nas últimas décadas, os conservadores perdiam por WO. Sem adversários, o PT discutia consigo mesmo através de suas tendências. Nossos autores conservadores ou liberais eram poucos e mantidos ocultos nas universidades: João Camilo de Oliveira Torres, Otto Maria Carpeaux, Gustavo Corção, Meira Penna, Antonio Paim, Ives Gandra, Eugênio Gudin, Roberto Campos, Olavo de Carvalho.

Nada do que está em curso no Brasil deixa de ter relação com a realidade aqui mencionada. Durante meio século, a esquerda revolucionária se instalou nos meios culturais, ganhou autonomia nas universidades federais e busca o mesmo objetivo em todo o sistema de ensino. Ela abasteceu as prateleiras e diversificou seus modos de financiamento e atuação, sempre tendo como objetivo sufocar o conservadorismo, seu desatento adversário.

Favorecido com isso, o do esquerdismo revolucionário dominou o ambiente cultural e passou a jogar afinado com Foro de São Paulo. Foi nesse braço de mar que o desajeitado e rude Bolsonaro, lançou a rede e fez sua pesca foi milagrosa.

Falta-nos, agora, praticamente tudo para recuperar tempo e terreno perdido. E aí estão as dificuldades do governo. Embora o conservadorismo reconheça a importância do consenso, as trincheiras da guerra cultural e as forças que em virtude dela se aglutinam não podem ser desconhecidas porque o conservadorismo é realista. Conservadores não devem adotar conduta que favoreça as ações do adversário, devem se empenhar para retomar posições perdidas. O que nestes dias se discute sobre a nomeação de reitores das universidades federais tem absolutamente tudo a ver com o que aqui descrevo. Visto de longe parece burrice, visto de perto é guerra fria.

DEU NO JORNAL

QUE COISA CURIOSA…

O ministro Luís Roberto Barroso afastou o senador Chico Rodrigues por 90 dias.

Mas a decisão só vale se o Senado confirmar.

Já interferências do STF no Poder Executivo, no entanto, têm eficácia imediata.

* * *

Pois né mesmo, rapaz!

Quando é pros lados do Executivo, as canetadas do STF são peibufo.

Valem na hora.

Por que será?

Espero contar com a ajuda dos juristas fubânicos pra me tirar esta dúvida.

J.R. GUZZO

IMPÉRIO DA LEI À BRASILEIRA

Nada como o Supremo Tribunal Federal no Brasil de hoje – e olhem que o STF tem concorrente que não acaba mais – para apresentar espetáculos de circo com cara de “melhores momentos” da história universal das democracias, do Estado de Direito, das “instituições” e da ciência jurídica em geral. Basta olhar as poses dos ministros, suas togas, o moço que lhes puxa a cadeira para se sentarem, o patuá que falam e apresentam como “linguagem técnica” para se ver, na hora, que nada daquilo ali pode ser sério. E não é mesmo.

Em seu último show, a “corte suprema” no Brasil se debruçou sobre a monumental questão jurídica levantada em torno de “André do Rap”, um condenado por tráfico de drogas que faz parte da chefia do PCC em São Paulo – sua condenação, aliás, está confirmada tanto no TRF-3 como no Superior Tribunal de Justiça. Resolveu, com grande severidade, que ele deve continuar preso – mas só que isso não serviu para absolutamente nada, pois o ministro Marco Aurélio, pouco antes, tinha tomado a precaução de mandar soltar o homem. É óbvio que ele fugiu no ato.

Para que toda essa palhaçada? Por que, aliás, o STF ainda está mexendo com um criminoso condenado em terceira instância? Já não deu para saber se ele é culpado ou não? O vírus que provocou essa última alucinação do STF foi um dispositivo pró-crime introduzido, vejam só, no “pacote anticrime” que o Congresso aprovou em dezembro de 2019 – justo no pacote “anticrime”. O chefe do PCC achou que tinha direito a ser solto, pela tramoia legal enfiada dentro da lei. Recorreu ao ministro Marco Aurélio. Foi atendido na hora, com uma rapidez que, se fosse aplicada para os cidadãos comuns, faria do STF o tribunal mais eficiente do mundo.

Depois que o leite foi devidamente derramado, e o criminoso já estava devidamente longe, o plenário do STF, bravamente, se insurgiu contra a decisão “monocrática” de Marco Aurélio e decretou que a prisão de “André do Rap” estava confirmada – só que não havia mais “André do Rap” para ser preso. Ao fim, todos se deram muito bem. Marco Aurélio fez o que queria. Um ex-assessor seu, sócio da advogada que entrou com o habeas corpus em favor do condenado, ficou obviamente feliz. Os outros ministros fizeram papel de justiceiros a custo zero, proibindo que se soltasse um inimigo da sociedade depois que ele tinha sido solto. “André do Rap”, enfim, achou ótimo isso tudo.

É o império da lei à brasileira. Serve para todo mundo – menos para a população que tem o direito de ser protegida pela Justiça.

DEU NO TWITTER

FALA, BÁRBARA!