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CHARGE DO SPONHOLZ

XICO COM X, BIZERRA COM I

A PALAVRA E O AMOR

Escrever, para mim, é um ato de amor. Pouco importa se poesia ou prosa, interessa mesmo é o gesto da escrita. É a troca de carícias entre o texto e o autor, o lápis e o papel, o cuidado de um com o outro, a simbiose perfeita entre o prazer e o querer bem. Papel e lápis à mão (ou teclado aos dedos), rabiscos preliminares antecedem parágrafos ou versos eretos com todas as estrofes molhadas, num gozo pleno de sílabas e palavras, um orgasmo poético, luxúria lasciva das letras. E assim faz-se o tempo, consuma-se o prazer, traduz -se o amor e a paz é apenas uma consequência. Simples, como tudo que tem por origem a inspiração, que tem por fim a felicidade. Que nem o amor. Que nem a palavra.

Toda a obra de Xico Bizerra, Livros e Discos, pode ser adquirida através de seu site Forroboxote, link BODEGA. Entrega para todo o Brasil.

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ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

LITERATURA DE CORDEL

Literatura de cordel é um gênero literário popular, escrito de forma rimada, originada em relatos orais e depois impressa em folhetos. Remonta ao século XVI, quando o Renascimento difundiu a impressão dessas narrativas, mantidas até a atualidade, como forma de expressão poética no Brasil. O nome tem origem na forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para a venda em Portugal, pendurados em cordas, cordéis ou barbantes.

No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, entretanto a tradição portuguesa não se perpetuou: o folheto brasileiro pode ou não estar exposto em barbantes. Alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, também usadas nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores ou vendedores de cordéis recitam esses versos de maneira melodiosa e cadenciada, algumas vezes acompanhadas de pandeiro, além de fazerem leituras ou declamações muito empolgadas e animadas para conquistar os possíveis compradores.

Os temas abordados na literatura de cordel são diversos, geralmente estão ligados a acontecimentos do cotidiano, lendas, religião e episódios históricos. Qualquer assunto pode virar material inspirador para o escritor de cordel. Para compreender essa criatividade poética, transcrevemos os versos do talentoso cordelista Francisco Diniz:

O QUE É LITERATURA DE CORDEL

Literatura de Cordel
É poesia popular,
É história contada em versos
Em estrofes a rimar,
Escrita em papel comum
Feitas para ler ou cantar.

A capa é em xilogravura,
Trabalho de artesão,
Que esculpe em madeira
Um desenho com punção
Preparando a matriz
Pra fazer reprodução.

Mas pode ser um desenho
Uma foto, uma pintura,
Cujo o título, bem à mostra,
Resume a escritura.
É uma bela tradição,
Que exprime nossa cultura.

7 sílabas poéticas,
Cada verso deve ter
Pra ficar certo, bonito
E a métrica obedecer,
Pra evitar o pé quebrado
E a tradição manter.

Os folhetos de cordel,
Nas feiras eram vendidos,
Pendurados num cordão
Falando do acontecido,
De amor, luta e mistério,
De fé e do desassistido.

A minha literatura
De cordel é reflexão
Sobre a questão social
E orienta o cidadão
A valorizar a cultura
E também a educação.

Mas trata de outros temas:
Da luta do bem contra o mal,
Da crença do nosso povo,
Do hilário, coisa e tal
E você acha nas bancas
Por apenas um real.

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AS FALAS DO PROCURADOR

* * *

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

GENIVAL SANTOS, O MAIOR DISTINTIVO DA DITA MÚSICA BREGA

O cantor Genival Santos, paraibano da cidade de Campina Grande, com seus mais de 40 anos de carreira, iniciada no programa Flávio Cavalcanti passou a ser conhecido pelo Brasil inteiro por suas músicas: “Meu Coração pede Paz”, ”Se errar outra vez”, “Sendo Assim” e “Eu não sou brinquedo”. Despontando nas paradas de sucesso com “ EU TE PEGUEI NO FLAGRA. Na época o cantor barrou grandes nomes da música vendendo mais de 80 mil cópias logo em sua estreia. são quase 30 discos gravados e mais de 5 milhões de cópias vendidas em todo o país. Genival ficou conhecido com hits do brega como Se Errar Outra Vez e Eu Lhe Peguei no Flagra. Ele morreu em Fortaleza, onde morava há mais de 30 anos, quando estava com 71 anos de idade, em novembro de 2014.

Há quem diga, principalmente os bons amantes das letras bem apuradas, que os bregas não são realmente boas melodias. A música é pobre, a letra é machista e ofensiva, e a música seguindo dentro dos velhos chavões da década de 70/80. Hoje em dia o herdeiro do brega, – o sertanejo universitário – desprezou todas as opções estilísticas do brega e se posiciona somente como um clone do country pop americano. Cada um com seus gostos e preferências. Agora, não se há de negar que, onde tivesse um botequim, lá estava rodando um disco de Genival Santos. Um digno, um dos maiores, se não o maior, emblema da dita música brega. Atire a primeira pedra quem nunca tomou muitas lapadas de Conhaque Dreher com limão tendo como tira-gosto uma latinha de sardinha coqueiro ao molho de tomate…

E viva o brega de Genival Santos a Reginaldo Rossi, até Odair José que hoje é chique e tá na moda… Quem quiser que jogo tudo isso no liquidificador e aprecie o seu sabor de paixonite aguda e viaje na maionese pelas serestas das esquinas da vida saboreando essas letras:

Encostei o meu carro na praça, pra lhe dizer, que eu vou tirar você deste lugar… Hoje quem me vê assim/ Maltrapilho, embriagado/ Nem sequer pode supor/ Que fui gente no passado… Vivo agora pelas ruas/ Durmo em banco de jardim/ Só encontro lenitivo no balcão de botequim… Eu lhe peguei no fraga/ E não quero explicação… Se errar uma vez/ Dou castigo/ Para não se acostumar/ Se errar outra vez/ Mando embora/ Pra saber me respeitar…

Pois bem!!! Genival Santos se foi, porém sua música permanecerá para o povo simples, para os boêmios, para os solitários, para quem é eternamente gamado e precisa de sua música, enfim, tem todo direito de se lambuzar com um Long Play de Genival Santos.

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CALOR NA BACURINHA

* * *

De fato, o calor aqui por estas bandas está de lascar.

Tem urubu voando apenas com uma asa: a outra é pra se abanar.

E a mulherzada passa o dia abanando a bacurinha, como essa senhora do vídeo.

Quando vi estas imagens aí de cima, eu me lembrei logo do Velho Faceta, meu ídolo no pastoril profano.

O pastoril profano é um folguedo que faz parte do folclore pernambucano nas festas de final de ano.

Faceta e suas pastoras interpretaram muito bem o calor na bacurinha:

PERCIVAL PUGGINA

UM SULCO ABERTO NA ROCHA

Num sistema de pluralismo partidário, formado por siglas totalmente descaracterizadas, campanhas eleitorais acabam deslocando o eleitor para a periferia do jogo político. Muitos só votam porque é compulsório, como declarar imposto de renda. Aquela multidão de nomes e rostos que passam acelerados na tela da TV pouco significa para a maioria que, se não acompanha a atividade legislativa, menos ainda haverá de saber a respeito dos postulantes ao primeiro mandato. Conseguir votos assim, em tempo de pandemia, com nenhuma receptividade para reuniões, para receber visita, abrir a janela do carro e participar de eventos, é tarefa de Hércules.

Quem for eleito, descobrirá em seu cotidiano que a nova vida, tornada pública, envolverá uma sequência de decisões. Algumas são incomodamente irrelevantes; outras, angustiantes pelo desafio que lançam ao discernimento e à coragem. Refiro-me à opção sobre qual a melhor decisão a tomar em cada questão submetida à apreciação do detentor de um mandato popular. Refiro-me, também, à incômoda e frequente necessidade de discernir pelo mal menor, quando o bem não comparece no catálogo das possibilidades. Refiro-me, por fim, à sempre presente opção de o parlamentar, com tal ou qual decisão tomada, pôr em risco um futuro novo mandato.

Decidir, decidir, decidir, eis o dia-a-dia da vida pública.

Tudo fica muito mais fácil quando os princípios – os tão ignorados princípios – funcionam ao modo de um sulco aberto na rocha para que as decisões a tomar fluam através dele como as águas de um rio. Na situação infelizmente mais comum na política que vemos, o sulco aberto conduz ao próprio bem ou ao melhor dividendo político pessoal. Desaparecem das decisões, então, todos os conflitos de interesse, todas as preocupações e todas as respostas a buscar com vistas à melhor conveniência da sociedade.

Sob tal moldura, não deveriam os candidatos à representação popular enfatizar seus princípios (contanto que os tenham) e mostrar como sua biografia se coaduna com eles, em vez de simplesmente discorrerem sobre feitos prometidos como isca para levar peixinhos à urna? Será apenas essa, ou apenas assim a dinâmica das escolhas do eleitor?

Atenção, portanto, a candidatos que escondem o próprio partido e suas cores, ocultam suas reais convicções políticas, mudam a própria conduta. Deformam-se para aparentarem ser o que não são.

DEU NO JORNAL

NO PAÍS DE MACUNAÍMA

O Ministro Marco Aurélio de Mello escreveu o seguinte no despacho que libertou o traficante André Oliveira Macedo, o André do Rap, um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC):

“Advirtam-no da necessidade de permanecer em residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamados judiciais e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”.

* * *

O bandido André do Rap já está na sua “residência” do Paraguai, que não foi “indicada ao Juízo“.

E não custa nada ressaltar que o dotô advogado que pediu soltura de André do Rap foi assessor do Ministro Marco Aurélio até o começo deste ano de 2020.

Quando acabei de ler o despacho que está nessa notícia aí de cima, este magnífico e supremo tolôte togado, pensei em ficar emputecido.

E falar uma meia dúzia de ipicilones.

Depois, me veio uma ânsia de vômito da porra e eu corri pro meu pinico.

Mas, pra não estragar meu feriado, encerrei o assunto dando uma gargalhada.

Chega se mijei-se-me todinho de tanto se rir-se-me.

A escrotidão que abunda (êpa!) neste país nos leva da indignação à hilaridade.

Se não fosse a abstinência compulsória determinada pelo meu cardiologista, eu ia mesmo era tomar umas lapadas de cana, seguidas de uns goles dessa cerveja: