COLUNA DO BERNARDO

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GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PARA-CHOQUES DE CAMINHÕES E OUTROS BICHOS

Ontem, talvez, se hoje for ainda o dia 11 de setembro de 2020 e, por acaso, for sexta-feira, caímos mais uma vez na gandaia que é o rêdêvu internáutico do Jornal da Besta Fubana, tal seja a vídeo-conferência que um tal de Maurício Assuero vem programando e que já foi ao ar pela terceira vez.

Ontem, caso ontem tenha sido ontem, como eu me indagava, a apresentação do assunto ficou por minha conta e falamos sobre Cultura Popular, se todos concordarem que letreiros em para-choques de caminhões, frases e versos escritos em portas e paredes de privadas públicas, assim como estelionatos praticados pelos franceses na França, constituem um ramo dessa cultura, junto aos versos de Pinto do Monteiro, os bonequinhos, digo, as pequenas esculturas de Mestre Vitalino, as pinturas primitivas de Militão dos Santos.

Tá certo, a diferença básica, penso, é que as frases e versos nos caminhões e nos reservados sanitários, assim como os grafites, que eu ainda não mencionara, são, em geral, obras anônimas, ressalva feita aos grafites, que muitos grafiteiros são hoje mundialmente renomados.

Outra coisa é que uma parte desse desvio cultural por vezes não pode ser divulgado sem escandalizar.

Mas… são churumelas: não há dúvida de que se trata de produções culturais e populares, de profundidade, graça, humor, romantismo e até com sentido educacional – me lembrei quanto a este último caso daquela frase de para-choque que dizia aos apressadinhos na estrada que “É melhor chegar atrasado neste mundo do que adiantado no outro”.

O fato é que não podemos deixar de nos impressionar com a sagacidade, perspicácia, malícia, criatividade desse povo simples que produz tantas pérolas admiráveis para nosso encanto e deleite, enriquecendo a existência de algo mais: estás na estrada, vez por outra lá vem um caminhão com suas lições de vida, sua alegria, seu bom humor.

E quando paras para ir ao banheiro, talvez te demores um pouco mais lendo que neste lugar solitário toda virtude se acaba, todo covarde se mija e todo valente se caga; e, observando as paredes com riscos marrons feitos à mão livre, verás, junto, que dedo não é tinta e merda não é pincel, se quiser limpar a bunda é favor trazer papel.

Se toda essa arte se perde nas curvas das rodovias é uma pena, mas talvez não se perca, pois segundo Maurício Assuero revelou naquela reunião, algum pirado já andou escrevendo trabalho acadêmico sobre essas coisas. De repente sai um livro aí.

Concluindo, declaro que o nosso encontro foi acessível às mulheres, sem poucas baixarias e até politicamente correto, porque, a não ser por uma provocação do Rodrigo Buenaventura de Léon, que trouxe um boneco inflável de um dos maiores estadistas brasileiros, cuíca do mundo, não se falou de tal ramo de safadezas – a política.

Bem, houve um deslize inicial do orador que vos fala, quando trouxe a notícia da criança que já nasceu falando, lá na Suécia.

Enfim, escrevo para dizer, aos cerca de duzentos ou trezentos companheiros que compareceram à efeméride, que foi um prazer disgramado estar com eles naquela horinha deitando falação sobre coisas interessantes e peculiares da nossa Pátria amada, com um ligeiro desvio, a pedidos, para a Europa, berço, como vimos, da sacanagem.

Grande abraço e gratíssimo pela audiência generosa.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

TRÊS MOTES BEM GLOSADOS E UM FOLHETO DE BICHOS

O grande poeta cantador paraibano Nonato Costa

* * *

Nonato Costa glosando o mote:

Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Pra quem vai prestar contas a Jesus
Tem pra sempre gratuita uma morada
E como símbolo na porta de entrada
Tem o nome do dono numa cruz
Não tem conta de água nem de luz
Não precisa avalista ou corretor
E Deus perdoa seu saldo devedor
Quando o banco da vida abre falência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Não existe desvio no caminho
Quando o cerco da morte está armado
Pelos súditos o rei vive cercado
Mas no dia que morre vai sozinho
Dos dois lados do túmulo tem vizinho
Mas não há um diálogo a se propor
E a caveira jamais vai recompor
A beleza que tinha a aparência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

O local é salgado pelo pranto
Dos que perdem seus entes mais queridos
Os irmãos, as esposas, os maridos
E os amigos que vão praquele canto
Condomínio fechado, campo santo
É pra lá que vai todo pecador
E ao entrar a balança do Senhor
Tira um peso da nossa consciência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Empresário, princesa, vagabundo
Evangélico e ateu, homem ou mulher
Apesar de ser grátis ninguém quer
Nesta casa morar nenhum segundo
O portal que nos leva a outro mundo
Não exige função superior
E nem precisa RG que o emissor
Quando chama já sabe a referência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

Com chibanca ou enxada o homem faz
Esta casa sem planta e sem dinâmica
Onde o piso é sem pedra de cerâmica
E o seu teto sem lustres de cristais
Sem textura as paredes laterais
Sem contato com o mundo exterior
E uma hora qualquer seu construtor
Vai pra lá encerrar sua existência
Sepultura é a única residência
Que não cobra aluguel do morador.

* * *

Dedé Monteiro glosando o mote:

São os sons que ninguém pode esquecer
Se já foi residente no sertão.

O latido amistoso de um “jupi”,
Vira-lata raçudo sem ter raça,
Uma banda de pífanos na praça,
O penoso cartar da juriti,
Um boaito saindo do jequi
E um vaqueiro a pegá-lo pela mão,
O estrondo redondo do trovão
Avisando que em breve vai chover,
São os sons que ninguém pode esquecer
Se já foi residente no sertão.

* * *

Zé Silva glosando o mote

Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.

Como é bom ser menino, ser criança,
Ter um mundo de sonhos, de ilusões,
Caminhar num caminho de emoções,
Aquecido no sol da esperança.
No entanto, esse tempo de bonança,
Como tudo que é bom, pouco demora.
Como a marcha dos anos me apavora
E a tudo transforma tão ligeiro!
Mocidade é um vento passageiro
Beija a face da gente e vai embora.

* * *

Um folheto da autoria de Arievaldo Viana e Gonzaga Vieira

UM DIA DE ELEIÇÃO NO PAÍS DA BICHARADA

O comendador Cachorro
Era um amigo dileto
Da velha Rita Mingonga
De quem sou tataraneto
Quando os bichos escreviam
Os dois se correspondiam
Com ternura e com afeto

Depois que a velha morreu
Ficou a correspondência
Com sua neta Raimunda
Que deixou pra tia Vicência
Titia deixou pra mim
E foi justamente assim
Que aprendi cantar ciência

Morava o comendador
Na Vila da Cachorrada
Município da Rabugem
Distrito Tábua Lascada
Na corte do Rei Leão
Era um grande figurão
Porém não fazia nada

O elefante e o urso
Eram grandes generais
Tramaram uma revolta
No reino dos animais
E depois em praça pública
Proclamaram a República
Tornando-se os maiorais

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DEU NO JORNAL

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO EDIFÍCIO DE BIN LADEN?

Hoje o mundo relembra o 11 de setembro de 2001, o dia que o terrorismo mostrou sua face mais covarde, matando milhares de inocentes nos ataques das torres gêmeas em Nova Iorque. As duas torres do World Trade Center foram atingidas por um Boeing 767 da American Airlines e outro da United. Nesta data o nome de um saudita ficou famoso em todo o planeta, este terrorista passou a ser o procurado número 1 dos Estados Unidos. O fato ocorreu há 19 anos em Manhatan, Osama Bin Laden foi localizado e morto no Paquistão quase 10 anos depois.

Momento em que o segundo avião atinge a torre do WTC

Os edifícios do WTC atingidos eram conhecidos com “torres gêmeas” e no local hoje existe um memorial e um prédio que é o maior do hemisfério Norte, o One World Trade Center, mas o prédio que eu vou falar hoje é o mais alto do mundo e também tem haver com Bin Laden. Não fica nos Estados Unidos e sim na Arábia Saudita. Os Bin Laden modernos não derrubam mais prédios, muito pelo contrário, estão construindo este arranha céu que será o primeiro edifício a ultrapassar a faixa de 1 km de altura: a Jedah Tower. Será tão alto que ultrapassará as nuvens.

Relação dos maiores edifícios do planeta

Será de uso misto, com apartamentos, escritórios e hotéis. Vai ter também um mirante de 30 metros de diâmetro a 700 metros de altura com parte do piso de vidro para os turistas aventureiros mais corajosos.

Impressionante imagem da parte do Jedah Tower que passa das nuvens

A torre pertence à empresa Saudi Binladen Group, da família Bin Laden. Esses Bin Laden também já ocasionaram a morte de dezenas de pessoas em outra edificação, a Grande Mesquita de Meca, quando um guindaste da empresa caiu matando peregrinos islâmicos. O membro mais famoso desta família é Osama, terrorista saudita morto no Paquistão em 2011 por tropas militares americanas com apoio da CIA.

J.R. GUZZO

TSE CONVIDA “ESPECIALISTA” DUVIDOSO PARA ALERTAR ELEITORES SOBRE FAKE NEWS

É sempre muito difícil fazer bem uma tarefa que é ruim pela própria natureza. No caso, a tarefa bichada é essa campanha da Justiça Eleitoral, mais uma, para ensinar aos eleitores como votar direito nas próximas eleições para prefeito. A intenção, em si, é um disparate: de onde os ministros do Tribunal Superior Eleitoral tiram a ideia de que são capazes de ensinar alguém a exercer “bem” o seu direito de votar – ou a fazer “bem” qualquer outra coisa?

É a incurável compulsão das autoridades públicas deste país em tratar a população brasileira como um bando de débeis mentais, sempre necessitados da ajuda da madre superiora para pensar, escolher e decidir. Além de absurda, a ideia é inútil. Se os sermões de campanha do TSE servissem para alguma coisa, o Brasil deveria ter os melhores políticos no mundo, não é mesmo? Tem esses que estão aí.

Na opinião dos próprios arquiduques dos nossos tribunais, aliás, o atual governo federal, saído diretamente das últimas eleições de 2018, é o pior que o país já teve em sua história. O que é que adianta, então, toda essa conversa de “voto consciente”? Há 31 anos, desde 1989, o Brasil faz eleições diretas para presidente da República. Há 38, desde 1982, faz eleições diretas para governador. Já deveria ter dado tempo para o brasileiro “aprender a votar” – ou tudo isso aí ainda é muito pouco? Quantos anos mais, segundo o TSE, serão necessários para essa gente entender como é que se vota do jeito que suas excelências querem?

Naturalmente, não existe uma única democracia no mundo onde se faça qualquer coisa parecida com essas campanhas pró-virtude que nos enchem a paciência há décadas. Também não existe nenhuma democracia onde o voto seja obrigatório – ou seja, onde os políticos transformaram um direito constitucional em uma obrigação. É lógico: nossas “instituições”, a “Constituição Cidadã”, etc, são muito superiores a tudo que existe no resto do planeta.

Na hora da execução, como se poderia esperar, a ideia ruim fica pior. Na atual campanha, o TSE convocou para nos dar instrução moral e cívica algumas dessas figuras que têm a profissão de “especialista”; sua especialidade é especializar-se em ser ouvido pela mídia na condição de “especialistas”. Um deles, chamado para advertir os eleitores do perigo das “fake news”, é o mesmo que disse que haveria “1 milhão de mortes” no Brasil por causa de Covid-19 se não fosse adotado um fechamento extremo de tudo, em todo o país, por tempo indeterminado: afirmou, até, que estava sendo otimista.

Não foi feito o fechamento exigido. O número de mortos está abaixo de 130 mil. Se isso não é notícia falsa, o que seria? Um outro especialista, para quem sair de casa é praticamente um crime de lesa-pátria, quer que os mesários não deixem de participar da maior “aglomeração” de gente desde o início da epidemia – as próximas eleições. É esse o nível de qualidade da campanha de propaganda do TSE.

Além de ser obrigado a ouvir isso tudo, você ainda tem de pagar – cada tostão gasto nas aulas dadas pelo TSE no rádio e televisão sai diretamente do seu bolso, através dos impostos que a máquina do Estado extorque a cada vez que o cidadão acende a luz, fala no celular ou põe um litro de combustível no tanque do carro. Qual a novidade? Se o brasileiro já paga os serviçais que puxam a cadeira dos magistrados “top de linha” na hora em que se sentam para as reuniões, as suas lagostas, os seus planos médicos cinco estrelas e tanta coisa mais, por que não teria de pagar pelas lições do TSE? É a beleza das nossas instituições.

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

Será que algum fubânico acredita que a Igreja Gabola chegará ao Brasil ?

Conheça a igreja Gabola que adora Deus e o Goró (cerveja) juntos.

Veja o vídeo:

R. Meu caro amigo e colunista fubânico, você deve ter percebido que tudo nessa tal Igreja Gabola foi inspirado na nossa Igreja Católica Apostólica Sertaneja, refúgio de apreciadores de bebidas de todas as modalidades.

Igreja da qual eu sou Papa e você é Cardeal.

Essa tal Igreja Gabola é uma imitação descarada da nossa ICAS.

Vou acionar o nosso Departamento Jurídico, comandado pelo abstêmio Padre José Paulo, para tomar as providências cabíveis e cobrar os direitos autorais.

E, já que o tema é bebida e pregação religiosa, fecho a postagem com outro vídeo.

Um vídeo no qual o saudoso bispo de Palmares, Dom Henrique Soares, que encantou-se bem jovem, aos 57 anos, no mês de julho passado, fala sobre o tema numa rápida entrevista.

Veja: