PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

SEIS MESTRES DO IMPROVISO E UMA GRANDE PELEJA

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)

* * *

Patativa do Assaré:

Sou poeta afamado
das bandas do Assaré
respeito home casado,
moça, menina e muié,
pra acabar com essa peleja
pode ser que sua mãe seja
pueta tirando o é.

Antonio Marinho do Nascimento:

Eu sou de uma terra de heróis e vilões
Valentes, covardes, fortes e fracos
De pretos, de brancos, brilhantes e opacos
De homens- farrapos, de homens-brasões
Todos personagens de destruições
Que ousam, que teimam a história manchar
O índio morrendo e o negro a clamar
Que seu cativeiro chegasse ao final
Sentindo o chicote frio de Portugal
Fazer jorrar sangue na beira do mar .

Otacílio Batista Patriota:

Ao romper da madrugada,
um vento manso desliza,
mais tarde ao sopro da brisa,
sai voando a passarada.
Uma tocha avermelhada
aparece lentamente,
na janela do nascente,
saudando o romper da aurora,
no sertão que a gente mora,
mora o coração da gente.

O cantador violeiro
longe da terra querida,
sente um vazio na vida,
tornando prisioneiro,
olha o pinho companheiro,
aí começa a tocar,
tem vontade de cantar,
mas lhe falta inspiração.
Que a saudade do sertão
faz o poeta chorar.

João Viana dos Santos:

Há entre o homem e o tempo
Contradições bem fatais,
O homem não faz, mas diz,
O tempo não diz , mas faz,
O homem não traz nem leva,
Mas o tempo leva e trás.

Lira Flores:

Quando as tripas da terra mal se agitam
E os metais derretidos se confundem
E os escuros diamantes que se fundem
Das crateras ao ar se precipitam,
As vulcânicas ondas que vomitam
Grossas bagas de ferro incendiado
Em redor deixam tudo sepultado!
Só com o som da viola que me ajuda,
Treme o sol, treme a terra, o tempo muda,
Eu cantando martelo agalopado!

Glauco Mattoso:

Ninguém usa o martelo que nem eu,
Martelando o dedão largo, na ponta
Do pé chato do mano que me monta:
Sangue bom, da linhagem do plebeu,
Que Bocage e Rabelo jamais leu,
Mas que tira casquinha dum coitado
Com requinte capaz de ser cantado!
Quem foi rei nunca perde a majestade,
E eu que sou, também, súdito de Sade,
Virei rei do martelo agalopado!

* * *

A PELEJA DE BERNARDO NOGUEIRA E O PRETO LIMÃO – João Martins de Athayde

Em Natal já teve um negro
Chamado Preto Limão
Representador de talento
Poeta de profissão
Em toda parte cantava
Chamando o povo atenção

Esse tal Preto Limão
Era um negro inteligente
Em toda parte que chega
Já dizia abertamente
Que nunca achou cantador
Que lhe desse no repente

Nogueira sabendo disto
Prestava pouca atenção
Dizendo: – eu nunca pensei
Brigar com Preto Limão
Sendo assim da raça dele
Eu não deixo nem pagão

O encontro destes homens
Causou admiração
Que abalou o povo em roda
Daquela povoação
Pra ver Bernardo Nogueira
Brigar com Preto Limão

Eu sou Bernardo Nogueira
Santificado batismo
Força de água corrente
Do tempo do Sacratíssimo
Quando eu queimo as alpercatas
Pareço um magnetismo

Me chamam Preto Limão
Sou turuna no reconco
Quebro jucá pelo meio
Baraúna pelo tronco
Cantador como Nogueira
Tudo obedece meu ronco

Seu ronco não obedeço
Você pra mim não falou
Até o diabo tem pena
Das lapadas qu’eu lhe dou
Depois não saia dizendo:
– Santo Antônio me enganou!

Bernardo eu não me enganei
Agora é que eu pinto a manta
Cantor pra cantar comigo
Teme, gagueja, se espanta
Dou murro em braúna velha
Que o entrecasco alevanta!

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

UMA RAIZ DE SAUDADE

Os longos anos decorridos, desde o alvorecer da primavera até hoje, ainda não se dispuseram a obsequiar o escritor Vicente Guia com um prestimoso favor: libertar uma raiz de saudade alojada nos seus pensamentos.

Quando a ditadura da evolução tangeu seus pais, José e Luiza, camponeses, do seu recanto costumado, para fazê-los apear em outro destino, uma urbe envernizada de asfalto, à mão levaram todas as suas crias, infanto-juvenis. Consternados, partiram todos. Na bagagem, o pesar de haverem deixado para trás coisas que muito lhes significava: a lavra da terra, o ranchinho, cheio de algazarra, que José ergueu a adobe; a roseira que Luíza plantou. A meninada, sentidamente, mastigava seu lamento surdo com a perda das mais apetecíveis formas de recreação que lhes eram habituais: brincadeiras a pés descalços, à moda do tempo.

Até o bolero, que fazia parte da família, ficou para trás. Na hora do adeus, bolero afundou sobre os seus amos, retirantes, um olhar comprido e interrogativo, como a inquiri-los se retornariam à saudosa querência; fitou-os até desaparecerem na curva da estrada. No papel de cadillac de pobre, bolero transportou, por anos a fio, mulheres e crianças por variadas paragens sertanejas sem jamais negligenciar o código de postura que lhe regia a conduta. De volta à casa, bastava que lhe soltassem a rédea, ele sabia o caminho.

Os haveres de José eram tão pouco que pôde acomodá-los no bolso de trás. Quanto a grande desconsolação de Luiza por haver-se separado de sua roseira, confortou-se na força das suas preces que as levou na mente.

O rancho, onde a vida exuberou-se, acometeu-se de soledade; se fez albergue de morcegos, estiolou-se, degradou-se. A ação deletéria do tempo fê-lo ruir, desapareceu da paisagem real e transferiu-se para o imaginário. Sequer uma cicatriz de tapera sobrerrestou.

Mas, para não enfadar o leitor com histórias compridas que mais se assemelham a explicações de um gago, ponho um ponto final neste retalho de saga.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A SORTE

Na primeira década do século passado, havia no Palácio do Governo do Rio Grande do Norte, um contínuo chamado Alcântara. Nessa época (1906 a 1909), o Presidente da Republica era Afonso Pena, e estava agendada sua vinda ao Estado. Ao tomar conhecimento dessa visita, o contínuo pediu ao Governador Alberto Maranhão, para fazer parte da comitiva que iria esperar o Presidente na Estação Ferroviária de Nova-Cruz, fronteira do Rio Grande do Norte com a Paraíba.

O pedido do contínuo foi acatado, mas, mesmo assim, o Secretário achou um absurdo essa liberalidade. Afinal, Alcântara era um simples contínuo e estaria ocupando o lugar de algum político ou de mais algum puxa-saco importante. Era muito cabimento do contínuo, querer integrar a comitiva que iria esperar o Presidente da República, em visita oficial ao Governador do Rio Grande do Norte.

Indignado, o Secretário chamou o contínuo em seu gabinete e disse-lhe:

– O Governador deu permissão, então você vai na comitiva, para esperar o Presidente da República. Mas, preste atenção:

Antes do trem chegar na estação, você salta no triângulo, que é o ponto de manobra dos trens, na entrada das estações.

O trem do Governador chegou adiantado. Alcântara saltou no triângulo. Pouco depois, o trem trazendo o Presidente entrou no triângulo, para fazer a manobra. Alcântara, sozinho, subiu, foi entrando e deu de cara com o Presidente da República. E foi a primeira pessoa a dar as boas-vindas à “Sua Excelência”. Muito cordial e simpático, Alcântara foi logo mostrando-lhe a cidade pela janela. Quando o trem do Presidente chegou à Estação Ferroviária, o Governador, o Secretário do Governador, os puxa-sacos do Governador e os demais integrantes da comitiva levaram um grande susto. Alcântara, o contínuo do Palácio do Governo, apareceu na porta do trem, ao lado do Presidente da República e foi quem o apresentou às autoridades estaduais.

Seguiram todos para Natal, numa viagem cansativa e cheia de poeira, quando o progresso tecnológico era uma utopia.

Cansado, o Presidente Afonso Pena chegou ao Palácio do Governo e pediu logo um banho. De repente, entreabriu a porta do banheiro, chamou alguém e perguntou:

– Onde está o Alcântara?

Alcântara apareceu, entrou no banheiro e logo saiu. Ninguém entendeu nada. Chamado mais duas vezes pelo Presidente, Alcântara atendeu aos pedidos, e, novamente, logo saiu.

No dia da partida, à beira do cais ( o Presidente voltou de navio), o Presidente Afonso Pena chamou Alcântara , deu-lhe um abraço, e lhe falou alguma coisa no ouvido. Alcântara sorriu, saiu e não disse nada a ninguém. Os curiosos ficaram “doentes” de raiva.

Um mês depois, o Diário Oficial publicava um ato do Presidente Afonso Pena, nomeando o contínuo Alcântara, Administrador do Porto de Santos , no Estado de São Paulo. Foi um escândalo, no Rio Grande do Norte.

No bolso do paletó, Alcântara carregava uma garrafinha de conhaque francês, tamanho portátil. E Afonso Pena apreciava muito um golinho de conhaque francês.

DEU NO JORNAL

SUPREMAMENTE ASSESSORADOS

A maioria do plenário virtual do Supremo Tribunal Federal decidiu manter suspensas as operações da polícia em favelas do Rio de Janeiro.

De acordo com a liminar, a polícia só poderá entrar nas comunidades do Estado em casos excepcionais, com justificativa por escrito às autoridades competentes.

* * *

O crime organizado do Rio é tão organizado que tem até departamento jurídico em Brasília.

Os bandidos estão muito bem assessorados.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LUIZ CARLOS – RIO DE JANEIRO-RJ

Nobre Editor Berto do Jornal da Besta Fubana e leitores.

Solicito-lhes a gentileza e a paciência em assistirem esse vídeo, pois o mesmo dura uns 15 minutos.

Trata-se de uma aula cujo assunto tratado seria sobre substantivo.

Foi publicado pelo “Escola Sem Partido” através do seu fundador o Sr. Miguel Nagib.

Acredito que possa servir de alerta, principalmente para os pais que tem seus filhos como alunos dessa Escola.

Existem vários exemplos idênticos pelo Brasil todo.

Este aconteceu no Nordeste. Na encantadora Cidade de Guarabira-PB, em um colégio particular.

Como podemos combater essa doutrinação esquerdopata comunista que já dura mais de três décadas?

Agradeço pela atenção na publicação do mesmo.

COLUNA DO BERNARDO

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

CARREIRÃO DE MULHER

Sou poeta popular
Nos versos sou estradeira
Quando pego um carreirão
Meu verso não tem barreira
Sempre tive a língua solta
Pois gosto de brincadeira
Quando chego num alpendre
Puxo logo uma cadeira
E desenrolo meu verso
Sem esquentar a moleira
Ninguém derruba meu verso
Com pedra de baladeira.
Quem for fraco de poesia
Pode pegar na carreira
Meu angu aqui é quente
Não se come pela beira
Quando retoco o batom
Mostro meu lado brejeira.
Tem muita gente que aplaude
Meu verso de cantadeira
Porém tem gente que diz
Que apenas falo besteira
Não canto sem minha figa
Não passo sem benzedeira.
Aprendi meu carreirão
Ouvindo Pedro Bandeira
Escrevo meus absurdos
Por causa de Zé Limeira
Eu só não aprendo nada
É quando esbarro em toupeira.
Esse canto encarrilhado
É canto de catingueira
Que não erra na flechada
Porque sabe ser certeira
SE TEM CANTO DE SEGUNDA
O MEU CANTO É DE PRIMEIRA.

DEU NO JORNAL

“VALE-TUDO” E “CONSEGUE O QUE QUER”

O suposto dossiê sobre servidores militantes de partidos de oposição, atribuído ao Ministério da Justiça, já estaria no campo das “fake news” se o “vale-tudo” não estivesse em vigor, no Supremo Tribunal Federal.

Com base em uma notícia, e sem prova de violação de preceito fundamental, como manda a lei, o partido Rede ingressou com Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) que deveria ter sido arquivada.

Mas o Rede sempre consegue o que quer no âmbito do STF.

O STF fechou os olhos ao fato de o Rede não haver oferecido prova da violação, na Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).

A ministra Cármen Lúcia impôs prazo de 48 horas para que o ministro da Justiça explicasse notícia de um site sobre uma acusação sem provas.

Há uma lei (nº 9.882/99) que condiciona qualquer ADPF a apresentação de prova. Isso é especificado em seu art. 3º, incisos II e III.

A lei ignorada pelo STF determina que uma ADPF deve conter “indicação do ato questionado” e “prova da violação do preceito fundamental.”

* * *

Fiquei curioso com duas frases contidas nesta notícia aí de cima.

A primeira é esta aqui:

O Rede sempre consegue o que quer no âmbito do STF“.

A outra frase é esta:

“O vale-tudo está em vigor no STF”.

Acho que tô ficando meio leso…

Não entendi o que há por trás destas duas afirmações.

Peço ajuda aos antenados e bem informados leitores desta gazeta escrota.

Me digam-me que danado isto significa.

Enquanto aguardo, sugiro a vocês a leitura das duas matérias cujo título está abaixo.

É só clicar e acessar

Governo rechaça possibilidade de compartilhar relatório da Justiça com o STF

O STF não pode colocar em risco a Segurança Nacional

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COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UMA GAZETA VICIANTE

Comentário sobre a postagem ÓTIMO: ESTAMOS INCOMODANDO

Álvaro Simões:

Ontem fiquei sem ler o JBF durante o dia, mas tirei o atraso à noite.

Não foi grande problema, a não ser ficar com cara de zé mané no papo com os amigos por absoluta falta de informação sobre o que sucedeu “urbi et orbi”.

É esse o único atrapalho de ser viciado e só acreditar no que sai nesse pasquim viciante.

Mas o senhor escreveu que “tem neguinho que é contra muita coisa publicada aqui”.

Quero lhe avisar que não é só neguinho não, Mestre Berto.

Lula, Gilmar Mendes, a galega Crazy Amante, Levandowsky, Moraes e Tofolli (vou parar por aqui porque escrever palavras de baixo calão tem limite), por exemplo, são branquinhos e se pelam de medo de ver seus nomes e suas cagadas federais estampadas no JBF.

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