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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ENCONTRO – Carlos Drummond de Andrade

Meu pai perdi no tempo e ganho em sonho.
Se a noite me atribui poder de fuga,
sinto logo meu pai e nele ponho
o olhar, lendo-lhe a face, ruga a ruga.

Está morto, que importa? Inda madruga
e seu rosto, nem triste nem risonho,
é o rosto, antigo, o mesmo. E não enxuga
suor algum, na calma de meu sonho.

Oh meu pai arquiteto e fazendeiro!
Faz casas de silêncio, e suas roças
de cinza estão maduras, orvalhadas

por um rio que corre o tempo inteiro,
e corre além do tempo, enquanto as nossas
murcham num sopro fontes represadas.

Carlos Drummond de Andrade, Itabira-MG (1902-1987)

CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

COMO MATARAM O NOSSO CACAU

Por volta de 1979, o Brasil estava entre os maiores produtores de cacau do mundo, com exportações de algo como US$ 1 bilhão. Em 89, uma grande praga de vassoura de bruxa devastou os cacauais. Desfez fortunas, destruiu o poder político dos cacauicultores, liquidou empregos. A Bahia, tradicionalmente PFL, caiu nas mãos do PT. A destruição do cacau foi um ato deliberado. Sempre se desconfiou do PT, mas aqui temos o comprovante:

Luiz Henrique Tenório, à época militante do PT, confessa ter colhido mudas da vassoura de bruxa em Rondônia para destruir as plantações baianas. Hoje, arrependido, diz que não imaginava tamanha devastação, tamanha perda de emprego: achava que haveria um susto e, em pouco tempo, órgãos técnicos ligados ao PT resolveriam o problema e sairiam como heróis. O Brasil levou pouco mais de 30 anos para dar um jeito na vassoura de bruxa. Luiz Henrique Tenório demorou mas confessou. Disse estar pronto para assumir a destruição ambiental. Mas quer que os demais envolvidos também paguem pelo crime. “Tinha de confessar. Não o fiz antes de tantas ameaças que sofri. E a terra onde nasci, onde minha família vive, teve a economia destruída”.

A situação já melhorou: com cacau orgânico, plantado sob grandes árvores da Mata Atlântica, a produção se ampliou, e o cacau é de qualidade alta. A questão agora é tomar conta do cacau: já se sabe que há criminosos prontos a destruir grandes riquezas agrícolas do país por motivos partidários.

Eles são os bons

Nove milhões e meio de trabalhadores da iniciativa privada tiveram cortes pesados nos salários. Mas quem ganha mais manteve os salários em dia: Paulo Guedes, o feroz cortador de salários de trabalhadores, vetou qualquer possibilidade de reduzir vencimento de servidores públicos. E o Supremo vetou qualquer redução de verbas, tanto para o Legislativo quanto para o Judiciário, durante a pandemia. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pensou em reduzir as verbas, mas Paulo Guedes proibiu os cortes.

Mordoca da boa

A verba mensal de gabinete, de R$ 111 mil, e o cotão, que vai de R$ 30,7 mil a R$ 45,6 mil, continuam em pleno vigor.

Frase definitiva

A humanidade só é viável se conseguirmos manter a proporção dos idiotas militantes abaixo dos 20%.

Corrigindo

No domingo passado, esta coluna cometeu um erro: disse que, quando Fernando Henrique deixou o cargo para disputar a Presidência, quem liderou a implantação do Plano Real foi Ciro Gomes. Na verdade, foi o embaixador Rúbens Ricúpero. Ciro Gomes assumiu alguns meses mais tarde. Ricúpero não encheu a Fazenda de diplomatas: levou três ou quatro para trabalhar com ele, todos profissionais de alta qualidade técnica.

Me prende! Me prende!

Roberto Jefferson está em plena campanha para ser processado por algum ministro do STF. Dá entrevistas dizendo que são todos comunistas, que os dois que vieram da Justiça do trabalho são juízes meia-boca, que nove dos ministros têm o rabo preso e dois têm o rabo solto. Quer se colocar como vítima – o primeiro processo que sofrerá a não ser movido pela Lava Jato.

O horror aos comunistas

Roberto Jefferson, que nunca tinha sido disso, agora cismou que os ministros do Supremo são incompetentes, homossexuais, comunistas e sabe-se mais o que. Imaginemos, como diz Roberto Jefferson, que alguns sejam homossexuais. E daí? Isso anula sua capacidade de julgamento? Que tem a ver a eventual homossexualidade de algum ministro com sua capacidade de julgamento? Digamos que ser apanhado roubando seja algo mais grave. E o partido de Jefferson, o PTB, já circulou muito nos meios comunistas nos tempos de Brizola. Agora resolveram se afastar dos comunistas?

Em busca de proteção

O presidente Bolsonaro resolveu que, embora tenha contraído a Covid, deve circular pelas ruas como se infectado não estivesse.

E está: passa para outras pessoas vírus à vontade. E infecta pessoas que confiam em sua presença. Não usa máscara, e seus partidários pegam o que for preciso.

Quando se diz que para ele tanto faz a saúde dos outros, ainda fica bravo.

A hora da vacina

A Covid ganhou nova força – e, ao mesmo tempo, há muita gente na rua, se amontoando. É torcer para que as vacinas ganhem força e sejam colocadas à disposição do povo. Sejam chinesas, inglesas, americanas, serão vacinas que nos ajudarão a sobreviver.

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ARRASOU O PÁSSARO

Com José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves na mira da Lava Jato, o ex-gigante PSDB se nivela ao PT, seu nêmeses das últimas décadas: os candidatos presidenciais na mira da polícia.

E declínio político.

* * *

Essa nota arrasou o PSDB.

Dizer que a sigla “se nivela” ao PT é a maior ofensa que você pode praticar contra um partido político.

Fudeu o PSDB.

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MANDETTA 2022: LÁ VEM O PICO

Guilherme Fiuza

Henrique Mandetta (se não lembrar quem é vai no Google) surpreendeu zero pessoas ao dizer que pode ser candidato a presidente. Ou talvez uma meia-dúzia ainda estivesse achando que aquele personagem de coletinho e topete falando pelos cotovelos na televisão quase 24 horas por dia era ministro da Saúde. Para quem não se lembra (estamos aqui pra isso), a verborragia salvacionista do suposto ministro chegou a considerações sociológicas sobre a condição humana dos traficantes de drogas. Droga pesada é um homem usar pandemia como palanque.

Aí está. Pelo menos agora os verdadeiros propósitos saíram do armário. Mas esse armário sempre foi transparente para quem não se recusou a olhar para ele. Quem olhou, viu de tudo. Viu previsões levianas sobre projeção da epidemia, um pico móvel que estava sempre um pouco adiante – e ainda hoje está lá na linha do horizonte, em algum ponto nebuloso entre setembro e dezembro, enquanto 2022 não vem. No registro civil o ponto mais alto de óbitos por coronavírus no Brasil está em maio, mas o pico do Mandetta é uma instituição comprometida com o futuro.

Ia faltar respirador (hoje sobram superfaturados), ia faltar leito se a população não se enfiasse toda em casa – e de casa começou a vir o maior número de infectados para os hospitais, como demonstraram os dados de Nova York e da própria Organização Mundial da Saúde. Gente que praticou quarentena severa pegou o vírus, porque ele não ouviu o discurso do Mandetta e já estava por toda parte quando o confinamento começou. O famoso achatamento da curva pelo lockdown místico não achatou nem o topete do homem do coletinho – que continuou botando a culpa da sua demagogia eleitoreira na ciência.

Num show de coerência, depois de passar mais de um mês pregando diariamente que todas as pessoas se isolassem totalmente umas das outras, Mandetta se despediu do cargo de ministro da Saúde jogando às favas seu isolacionismo – e saiu abraçando seus auxiliares sem máscara em ambiente aglomerado. Viu como ele estava preocupado com vidas?

A cena está por aí para quem quiser revisitar o monumento à hipocrisia – e com certeza será a peça central da campanha Mandetta 22, com narração do próprio candidato sobre as imagens eloquentes: “Olá, esse aí sou eu, Henrique Mandetta, brincando de ministro da Saúde para tripudiar do pânico geral no meio de uma pandemia”. Tá eleito.

Ao tirar sua politicagem do armário, Mandetta disse que pode compor uma chapa com Sergio Moro. Será, de fato, uma chapa perfeita. Depois de fazer história liderando a operação Lava Jato, Moro resolveu ser Mandetta na vida. Em plena pandemia, com os cidadãos apanhando na rua a mando dos tiranetes de lockdown, o então ministro da Justiça resolveu se dedicar à internet com mensagens de autoajuda sobre prudência.

Soa enigmático? Mas não tem enigma nenhum aí. Sergio Moro estava fazendo política contra Bolsonaro (o chefe do governo a que ele servia), com a mesmíssima sutileza de elefante adotada por Mandetta para se apresentar como “oposição” à postura do presidente a favor da circulação controlada da população. Não se sabe se Bolsonaro estava certo ao propor o isolamento apenas dos vulneráveis e grupos de risco, com distanciamento e proteção dos demais. O que se sabe, com toda certeza, é que Moro e Mandetta estavam fazendo política no meio da tragédia.

Abandonaram o barco e estão aí até hoje soltando conselhos de prudência e “se cuida” a 1,99. Os motivos alegados por ambos para se opor e romper com o governo continuam boiando no ar à espera de comprovação. Mas quem confunde circo com ciência não precisa comprovar nada.

DEU NO JORNAL

FAÇA SEU PLANO

Seguradoras de saúde dos EUA têm isentado clientes das mensalidades durante a paralisia da economia pela pandemia, por saberem dos efeitos econômicos avassaladores do isolamento.

Os clientes continuam cobertos e não precisam pagar retroativamente.

Bem diferente da Agência Nacional de Saúde (ANS) aqui no Brasil, que entrou na Justiça para que as operadoras “parceiras” não fossem obrigadas nem mesmo a pagar pelos exames de covid-19.

* * *

Gostei desse “parceiras” entre aspas na notícia aí de cima.

Coisa mesmo de Banânia.

Fiquei curioso pra saber se o Ministro da Saúde, ao qual a ANS é vinculada, tem conhecimento disto.

Como diz o colunista fubânico Jessier Quirino, aqui no Brasil o melhor plano de saúde é não adoecer.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Gaspar Vianna

Gaspar de Oliveira Vianna nasceu em Belém, PA, em 11/5/1885. Médico sanitarista e cientista descobridor da cura da leishmaniose. Foi um dos primeiros jovens pesquisadores, arregimentado por Oswaldo Cruz na criação do Instituto Soroterápico, que resultou na FioCruz. Devido as circunstâncias em que veio a falecer, é considerado mártir da ciência.

Filho de Manoel Gomes Vianna e Rita Nobre Vianna, ficou órfão de pai ainda criança. Teve sólida formação educacional e aos 15 anos já havia concluído os cursos primário e secundário no colégio São José e no Lyceu Paraense. Mudou-se para o Rio de Janeiro, em 1903, a fim de estudar medicina e encontrou a cidade envolta em duas “revoluções” que se alimentavam reciprocamente: uma urbanística e outra sanitária. Uma sob o comando do prefeito Pereira Passos e outra comandada pelo médico Oswaldo Cruz, ambos designados pelo presidente Rodrigues Alves

Concluiu o curso, em 1909, com a apresentação da tese “Estrutura da célula de Schwann nos vertebrados”, estudo pioneiro na área de pesquisas histolológicas sobre “neurofibrilas”. Durante o curso chamou a atenção do professor de histologia Eduardo Chapot Prévost, tornando-se seu assistente informal, ajudando os colegas em dificuldades na matéria. Lá encontrou seu conterrâneo Bruno Álvares da Silva Lobo, com quem publicou o livro “Estrutura da célula nervosa”. No 4º ano do curso abriu, junto com o irmão, um laboratório de análises próximo â Santa Casa, cuja enfermaria passou a frequentar e realizar necropsias em seu laboratório. Em 1906, quando Rocha Lima deixou o Instituto Soroterápico e voltou à Alemanha para aprofundar seus estudos, ele foi convidado por Oswaldo Cruz para remediar esta ausência, trabalhando na Seção de Histopatologia.

No ano seguinte ingressou, por concurso, no Hospital Nacional de Alienados, dirigido por Juliano Moreira. Logo após a formatura, foi promovido a chefe da Seção de Anatomia Patológica do Instituto Oswaldo Cruz e prosseguiu na carreira acadêmica. Conquistou o título de Livre Docência em Anatomia Patológica, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, em 1913, e passou a reger a cadeira de Histologia Normal da Escola Superior de Agricultura e Medicina Veterinária do Ministério da Agricultura.

Em 1909, foi convidado por Carlos Chagas para fazer a caracterização histopatológica do recém-descoberto Trypanosoma cruzi. Tal estudo da anatomia patológica da doença de Chagas era essencial para a confirmação do quadro clínico da doença e sua aceitação como nova entidade nosológica. A importância desse estudo ficou na penumbra devido ao sucesso da descoberta da Doença de Chagas. Mas, felizmente, foi publicado em 1911 e até hoje permanece como exemplo de descrição minuciosa ainda atual no estudo do sistema nervoso central na fase aguda da doença.

Pesquisou, também, os Trypanosoma gambiense, T. equinum, T. equiperdum e T. congolense. Com base nestas pesquisas, descreveu uma nova espécie de Leishmania, denominando-a braziliensis, em 1911, responsável pela úlcera de Bauru ou leishmaniose tegumentar americana. Em 1912, propôs um tratamento específico pela injeção venosa do tártaro emético ou antimonial, que era eficaz para conter a enfermidade, abrindo caminho para o uso da substância também no granuloma venéreo e na esquistossomose. Com isto se deu o início da quimioterapia anti-infecciosa. O trabalho foi publicado em alemão e teve repercussão mundial. Em sua tese de livre docência – Moléstia de Posadas-Wernicke. Lesões apendiculares -, descreveu a “blastomicose brasileira” ou paracoccidioidomicose (doença de Lutz, Splendore & Almeida) e não a coccidioidomicose (doença de Posadas & Wernocke), numa época em que o próprio Adolfo Lutz (1908), incorrera neste engano, ao descrever a doença. Pela primeira vez, ele traçou todo o quadro clínico e anatomopatológico da doença de Lutz.

Como se vê, era um jovem e promissor cientista. Em apenas 6 anos (1908-1914) publicou 23 trabalhos científicos de envergadura nas áreas: histologia, protozoologia, zoopatologia, microbiologia e anatomia patológica, micologia e quimioterapia. Em abril de 1914, enquanto fazia necropsia do cadáver de uma vítima de tuberculose, fez uma incisão no tórax em ponto onde, ele não sabia, havia grande quantidade de líquidos contaminados sob grande pressão torácica. Aberta a incisão, um jato contaminado atingiu sua boca, causando grave infecção tuberculosa que evoluiu para granulia e meningite, vindo a falecer 2 meses depois em 14/6/1914, aos 29 anos.

Em Belém, um decreto estadual celebrou o seu nascimento, 5 de maio, como “Dia de Gaspar Vianna” e, em 2001, nas comemorações do 25º aniversário da TV Liberal, de Belém, ele foi eleito “Paraense do Século XX”, pela descoberta da cura da Leishmaniose, que ajudou a salvar milhões de pessoas em todo o mundo. Em âmbito nacional, a “Revista do Hospital das Clínicas de São Paulo” inscreveu-o em uma lista dos dez maiores nomes da medicina brasileira no século XX, após enquete entre entidades médicas, científicas e educacionais. Em maio de 2016, a Assembleia Legislativa do Pará em parceria com a Fundação Hospital de Clinicas Gaspar Vianna, lançou um selo postal em comemoração ao seu aniversário. Na ocasião foi lançada, também, uma revista em quadrinhos contando sua curta e profícua trajetória – “Gaspar Vianna: legado de um herói” – para distribuição aos alunos de ensino médio. Um breve ensaio biográfico – “Opera Omnia de Gaspar Vianna – foi escrito por Edgar de Cerqueira Falcão e publicado, em 1962, pela Empresa Gráfica Revista dos Tribunais.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O ROLO DE FUMO E A PROSA NA CACHIMBADA

Rolo de fumo

Diferente da maioria dos outros estados brasileiros, o “falar cearense”, vez por outra enfeitado pela verve da comicidade, é tipo cartão de visita ou convite de apresentação. O que nem seria necessário, pois existe cearense morando até na lua. A NASA levou experimentalmente, um Pedreiro e um Servente de Pedreiro, com o objetivo de construir as primeiras vilas e realizar um teste de como alguém poderia sobreviver naquele mundo, sem ter certeza que existe água potável. E, sejamos sinceros, cearense é phoda nisso.

Sem deixar pegar vereda diferente na prosa, indo para a capoeira e nunca para o xópi, quero focar hoje o fumo. É o fumo que, no Brasil tem sua melhor fabricação nas Alagoas. É ali que se planta, se curte, se produz e vende – mas poucos fumam. É de lá que saem os rolos. Rolo de fumo. Mas, e o que tem o cearense com isso?

A verve cearense, muito antes de abolirem os primeiros escravos brasileiros, já apelidava o “negro” – e não o escravo – de “pau de fumo”. Também, nenhuma relação com o pênis avantajado da negrada. Nenhuma relação ofensiva ou humilhante. Pode até não haver carinho mas, com certeza para nós cearenses, “pau de fumo” vai muito além daquela mangueira com fumo enrolado ou com algo ofensivo ao afrodescendente.

Pois, foi com canivete feito de uma banda do Gillete Blue Blade, ou com uma peixeira de 25 polegadas sacada da bainha de couro, que vi pela primeira vez meu Avô cortando fumo para fumar no cachimbo – de barro.

Nas tardes de domingo, a paisagem nunca mudava: meu Avô, João Buretama sentado na latada, botando a prosa em dia com meu tio Antônio Luciano. Vez por outra, Vovó cortava a prosa e servia um café quente daqueles grãos torrado e pilado em casa. E a prosa continuava, mantida pelas cachimbadas.

Prosa na “cachimbada”

* * *

O ZAP-ZAP DOS ÍNDIOS

Zap-zap indígena

Descoberto por conta do destino e da forte ventania que mudou o caminho para as índias, o Brasil, desde aquele “fatídico” 22 de abril de 1.500 convive com a mentira, aceitando-a como verdade. Tem quem afirme que, quando o Monte Pascoal foi avistado, de lá já saíam sinais de fumaça que os índios enviavam numa conversa por zap-zap com a tribo que vivia em Fernando de Noronha. Verdade ou mentira, fica o registro.

Longe dali, do outro lado do Atlântico, as mensagens “zapianas” entre os índios americanos do Alabama já existiam, avisando que o homem branco tentava invadir aquelas terras para construir o caminho do “cavalo de aço” (trem). Foi por conta disso que o chefe Cabeça de Touro organizou o primeiro levante naquelas plagas, e entregou o comando para Flecha Ligeira, aquele guerreiro que tirava a exibia os escalpos dos homens brancos.

Os anos se passaram, alguns hábitos mudaram, e outros nem tanto. O homem branco construiu e passou a usar o Cavalo de Aço que o levou em definitivo para novas terras. Fizeram avenidas, arranhas-céus, shopping centers e venderam parte dos direitos para a Samsung que fabricou os telefones celulares – a forma moderna do homem branco para enviar suas mensagens. Algumas mentirosas, tal qual aquela do dia 22 de abril de 1.500. A essas mensagens deram o nome de “fake news” – prova de que os índios americanos continuavam mandando seus sinais pela fumaça.

Junto com os sinais, os índios americanos exportaram também a linguagem. E é exatamente essa linguagem importada, que passamos a chamar de stand-up, que o cearense chama de baitolagem. Coisa de fresco, de queimador de rosca.

Por que, temos tanta vergonha de falar a nossa língua?

Que beleza existe em “dèjavu”? Em “monsieur”?

Ou, em mister, background, know-how, feed-back?

Imagine, o dia que Luiz Berto chegar em Palmares, e o ladrão da Roleta do Cu-Trancado começar a falar: “Mister and miss, make yours plays”!

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