PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PSICOLOGIA DE UM VENCIDO – Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

A PALAVRA DO EDITOR

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

NO SONHO AZUL

Foto desta colunista

Porque era dia de trem
Ela se fez mais bonita
Fez um rabo de cavalo
Botou um laço de fita
Um vestidinho florido
Presente do seu querido
Uma alegria infinita.

Quando o trem longe apitou
Ela pegou a frasqueira
E cheirando a alfazema
Corria toda faceira
Porque dentro do vagão
Estava sua paixão
De tantas, era a primeira.

Entrou toda saltitante
E depressa foi notada
Porém nada foi surpresa
Estava sendo esperada
Na poltrona acomodados
O casal de namorados
Seguiram sua jornada.

E Dentro do sonho azul
Nasce o sonho cor de rosa
Entre os dois apaixonados
Na viagem venturosa
Quem não soube ter coragem
Perdeu o trem e a bagagem
E não foi vitoriosa.

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

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DEU NO JORNAL

JORNALISTAS PASSAM PANO PARA FALA ABJETA DE GILMAR MENDES

Rodrigo Constantino

O ministro Gilmar Mendes chamou o governo Bolsonaro e o Exército de “genocidas”, o que é gravíssimo. Ele ultrapassou todos os limites aceitáveis, como já constatei nesta segunda. Gostaria de dizer que fiquei surpreso com a reação da imprensa, mas seria mentira. Vários jornalistas deram um jeito de “passar pano” na fala abjeta do ministro do Supremo.

Só no jornal O Globo temos duas colunas claramente tentando justificar a fala de Gilmar. O mais “tucano” Merval Pereira tentou “consertar” o dito mudando o alvo, inocentando as Forças Armadas e alegando que somente o presidente deveria ser atingido:

Já o mais psolista Bernardo Mello Franco endissou a fala de Gilmar mesmo: “Os militares toparam assumir o Ministério da Saúde de um governo que nega a ciência e sabota o combate à pandemia. Agora se irritam com quem aponta as consequências da decisão”.

No Estadão, Eliane Cantanhede “condenou” o uso da palavra “genocídio”, mas… disse que a crítica em si é legítima:

A banalização desses ataques absurdos de ministros do Supremo ao presidente da República é um enorme perigo para nossas instituições. Enquanto toda crítica feita aos ministros do STF é tratada como “ataque à democracia”, nossos jornalistas dos principais jornais do país tratam com naturalidade um ministro que chama o presidente de genocida. Flávio Gordon foi ao ponto:

São tempos perigosos que estamos vivendo, e o perigo não vem de qualquer retórica autoritária de Bolsonaro, mas sim da postura dos ministros do STF. A reação de parte da imprensa joga mais lenha na fogueira, pois deixa o ódio a Bolsonaro falar mais alto do que o apreço pelas instituições.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MÁRCIA GALVÃO – FORTALEZA-CE

Amigos do JBF:

A tríade marginal composta pelo presidente do Supremo, pelo presidente do Senado e pelo presidente da Câmara é uma vergonha para o Brasil.

Eles estão incentivando o movimento para inviabilizar o governo do Presidente Bolsonaro.

Por que?

Porque Bolsonaro não rouba e não deixa roubar.

Simples dessa maneira.

É a luta do mal contra o bem.

É a luta da corrupção contra a honestidade.

CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

CRESCE QUEM NO ANO QUE VEM?

O presidente Bolsonaro vive sua pior hora: menosprezou a pandemia, fez pouco das mortes (“todo mundo morre”, “não sou coveiro”, “e daí?), achou que lotando o Ministério da Saúde de pessoas alheias aos problemas da área provaria que hidroxicloroquina curaria qualquer moléstia, desafiou os outros poderes e teve de engoli-los, posou de Super-Homem quando era Clark Kent. Enfrenta problemas que atingem gente próxima e ameaçam seus filhos. Sua política ambiental tende a gerar represálias internacionais. Levou pancada até do Facebook e do Twitter. O partido que quer organizar não anda. Vai mal na pesquisa, longe dos dias em que quase ganhou no primeiro turno.

Mas estamos em 2020 e a eleição presidencial, a única coisa que parece interessá-lo, é em 2022. Um dia a pandemia se acaba. O noticiário mostrará um imenso crescimento econômico, com grande ampliação do número de empregos (tudo verdadeiro: saindo do fundo do poço, cada metro vale muito, embora estejamos ainda longe da altura de onde caímos). E, principalmente, o Governo terá percebido a força eleitoral do atendimento direto aos mais pobres, com algo semelhante ao coronavoucher. Não devemos esquecer que o ministro Paulo Guedes é discípulo das ideias de Milton Friedman, o criador do Imposto de Renda Negativo. Algo do tipo “quem tem, paga; quem não tem, recebe”. Bolsa Família é bagatela perto disso.

Se conseguir deixar de provocar crises diárias, Bolsonaro pode crescer.

Mas…

O presidente tem um jeito bem pessoal de enfrentar problemas: ele os nega. O Covid é “uma gripezinha”, o desmatamento-recorde na Amazônia é prova de que nunca se desmatou tão pouco. E, se os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, confirmam o recorde, demite seus chefes. No ano passado, demitiu o diretor do Inpe, Ricardo Galvão, e nomeou o interino que está lá até hoje; agora, demitiu a coordenadora dos programas de alerta sobre desmatamento, Lúbia Vinhas. O vice-presidente Mourão admite o desmatamento e promete reduzi-lo. Mourão, com Paulo Guedes, Roberto Campos Neto e Tereza Cristina, tenta acalmar investidores brasileiros e europeus, garantindo que as exportações saem de terras legais, sem “grilos”. Guedes levou essa garantia à reunião da OCDE, que reúne boa parte dos países que importam alimentos do Brasil e pensam em boicote.

… há crises no horizonte

É provável que o duelo entre o Ministério da Defesa e o ministro Gilmar Mendes, do STF, esfrie: a turma do deixa-disso já entrou em ação, o ministro já representou à Procuradoria-Geral da República, e talvez, após mostrar que aceitou o desafio, não faça pressão para que a coisa ande. O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, tem ótimas relações com o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, que trabalhou com ele no Supremo. As outras crises, referentes a inquéritos sobre notícias falsas e dinheiro ilegal para gerá-las, têm mais potencial de gerar problemas.

Sugestão de Mourão

O vice Mourão, em entrevista, disse que a criação de um imposto sobre transações financeiras terá de ser discutida. Esse tipo de imposto já causou a derrubada de um secretário da Receita, Marcos Cintra, por ordem direta do presidente Bolsonaro. A ideia terá dificuldades para passar no Congresso, mas é defendida também pelo superministro da Economia, Paulo Guedes.

Boa notícia

O Instituto Butantan, de São Paulo, iniciou ontem o recrutamento de nove mil voluntários, todos profissionais de saúde, para a última fase de testes da vacina contra o coronavírus desenvolvida pelos chineses do Sinovac Biotech e o próprio Butantan. Os testes ocorrerão em vários Estados brasileiros. Clique aqui e entre na página para seleção dos voluntários.

Lava Jato no Centrão

A Operação Lava Jato de São Paulo promoveu busca e apreensão em imóveis ligados ao deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, dirigente do Partido Solidariedade e integrante do Centrão, bloco de parlamentares que apoia Bolsonaro. De acordo com nota da Polícia Federal, diversas operações financeiras do parlamentar indicam a possibilidade de lavagem de dinheiro. Há pouco mais de um mês, Paulinho foi condenado no STF a dez anos de prisão, por crime de lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ainda há possibilidade de recurso, no próprio Supremo.

Um ou outro

Comenta-se que o primeiro-ministro de Singapura, Lee Kwan Yew, disse que tinha dois caminhos possíveis como dirigente da nação: corromper-se, enriquecer a família e nada deixar à população, ou transformar o país numa potência econômica em que todos seriam mais prósperos. Escolheu a segunda opção. Muitos políticos brasileiros, como Lee Kwan Yew tinha já escolhido esse lugar, acharam que não havia saída exceto escolher o outro.