GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

BABY

Quando Jair Messias Bolsonaro, investido no cargo de dirigente da Nação, com cacófato e tudo, apresentou-se como o que exatamente é, um irresponsável, absolutamente destituído das condições intelectivas e psíquicas para dirigir um país, ou o que quer que fosse, seu eleitorado caiu em si e as defecções se multiplicaram: milhões de seus seguidores fiéis o abandonaram, tiveram de abrir mão do compromisso ideológico com algo que pensavam ser o bolsonarismo.

Essa ideologia se sustentava em alguns princípios básicos: honestidade incondicional, luta intransigente contra a corrupção, fim do toma-lá-dá-cá, nomeação técnica para cargos, independência dos órgãos, e o lema absoluto “Deus, Pátria e Família”, reminiscência do Integralismo, avivado no “Pátria acima de tudo, Deus acima de todos”.

Contudo, o próprio Jair Messias Bolsonaro não foi capaz de manter seus compromissos, consigo mesmo e com o eleitorado, e dia a dia, passo a passo, desconstruiu, com seus atos e suas palavras, o ideário que o levou ao poder.

Fatos envolvendo sua família, com respingos nele mesmo, e outros diretamente em torno de sua pessoa, lançaram dúvidas sobre a honestidade incondicional; a luta intransigente contra a corrupção foi relaxada pela falta de apoio a medidas concretas nesse sentido, como reclamou dele o seu próprio pupilo de outrora, Sérgio Moro; o toma-lá-dá-cá retornou com o balcão de negócios junto ao chamado Centrão, para garantir apoio político inclusive contra um possível processo de “impeachment”; cargos passaram a ser preenchidos como moeda de troca e a militarização do Estado trouxe desconfianças de intenções golpistas.

Os apoiadores balançavam, mas se forçavam a desculpar seu líder, seja pelo benefício da dúvida, quanto a determinadas situações, pelo entendimento de que em certas condições o governante precisa ceder para governar e, até, se for o caso, adotar algumas medidas maquiavélicas.

Mas, tudo tem um limite.

Talvez pudessem ser suportadas a gasolina, a margarina, a cloroquina, mas dar um pé-na-bunda do herói nacional do momento, apto a vir a ser o próximo presidente da república, “et pour cause”, foi demais! E Sérgio Moro saiu (puxando o tapete).

Foi quando caiu a ficha dos milhões que declararam que não dava mais: juntaram as partes e viram que o monstro estava completo.

Todavia, parece não haver dúvida que o tempo é senhor, mesmo, é do esquecimento – nem tanto da razão: assim como de Joaquim Barbosa, a figura heróica de Sérgio Moro foi se diluindo.

Há ideias que circulam no meio da população que são muitos próximas do pensamento de Jair Messias Bolsonaro, a respeito de os deputados e senadores serem um bando de ladrões e que só impedem o governo de governar, assim como sobre o Supremo Tribunal Federal estar lotado de esquerdistas que querem derrubar Jair Messias Bolsonaro do trono.

No populacho também circulam ideias de que bandido bom é bandido morto; de que todos precisamos ter uma arma para nos proteger; de que a tortura é necessária para fazer o bandido abrir o bico; de que ser homossexual é sem-vergonhice; de que índios precisam ser trazidos para o progresso dos brancos; que negros são inferiores e que lugar de mulher é no fogão.

São tendências represadas pelo avanço da civilização, mas que Jair Messias Bolsonaro foi capaz de permitir que fossem liberadas – o que gerou o atual estado de fascismo generalizado que estamos vivendo.

Deste modo, abandonar Jair Messias Bolsonaro significou uma orfandade ideológica: ao mesmo tempo que seus apoiadores caíram na real de que o cara é um despropositado, perderam apoio íntimo para suas convicções esdrúxulas, algo inconscientes.

Era preciso voltar aos braços de Jair Messias Bolsonaro, para continuarem com suas crenças medievais.

Assim, esses que se escafederam precisavam arranjar um jeito, uma desculpa, um pretexto para voltar ao círculo idolatrado do bolsonarismo.

Como fazer?

Resposta: Fechando trincheiras em torno de alguma de suas ideias aparentemente lógicas.

E assim, recuperaram o espírito bolsonarista defendendo a inocuidade, e até letalidade(!), do isolamento social. Eles defendem que Jair Messias Bolsonaro esteve sempre certo, que o correto é continuar todo o mundo em suas atividades normais e deixar que o vírus tome conta da população, o que determinaria um tal “efeito de rebanho” (ou boiada?) que garantiria a imunização geral – ignorando eles que para obter tal efeito seria necessário contaminar com o vírus de uma tacada só mais de cinquenta milhões de brasileiros, ou por volta de cento e dez milhões de pessoas, causando um caos nunca visto ou imaginado na rede de saúde, levando à morte, pela doença (doença agravada pela falta de assistência) milhões de pessoas.

Isso não ocorreria, segundo eles e seu ídolo pensam, porque a Cloroquina (ou a hidroxicloroquina), que é a seu ver um remédio milagroso contra a Covid 19, que teve as pesquisas abandonadas pela Organização Mundial de Saúde por falta de sinais de efetividade, e que até os Estados Unidos, onde Trump também defendia o seu uso, a deixou de lado, garantiria a cura de todos.

Tal artifício, ou “tour de force”, uniu novamente os bolsonaristas em torno de seus ideais malucos e de seu ídolo aparentemente idem, de modo que eles aos poucos voltam, ou já voltaram, a idolatrar a triste figura que ridiculariza o Brasil perante o mundo todo.

Ou a inteligência renasce e mostra a sua força, repudiando o obscurantismo e tirando essa gente do emperramento civilizatório, ou teremos todos de nos mudar, em massa, para Portugal.

Baby, baby, eu sei que é assim.

J.R.GUZZO

NUVEM DE AMEAÇAS

O Brasil está em vias de se tornar talvez a primeira e única democracia do mundo (no papel, pelo menos, está escrito que isso aqui é uma democracia) onde a imprensa que se descreve como “tradicional”, ou “grande”, apoia ativamente um projeto de lei que agride a liberdade de expressão. Ou se declara a favor, com toda a franqueza, ou então dá o seu apoio em forma de silêncio; o resultado é mais ou menos o mesmo. O projeto em questão, que acaba de ser aprovado no Senado por 44 votos num total de 81 possíveis, e vai agora para a apreciação da Câmara dos Deputados, é essa Lei da Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet – mas podem me chamar de “Lei das Fake News”. É um naufrágio de primeira classe para os direitos individuais dos brasileiros.

A lei, aprovada num plenário vazio, por meio do “voto eletrônico” e remoto, sem qualquer discussão séria e nenhuma justificativa para a pressa extrema em sua tramitação, não provê liberdade, nem responsabilidade, nem transparência. Para começo de conversa, qualquer lei que se meta a aprimorar a liberdade está condenada, necessariamente, a produzir o efeito contrário. Ela tem de dizer, em algum momento, que há liberdade “desde que” – e esse “desde que”, por definição, vai diminuir a liberdade que a lei pretendia “aprimorar”. O texto aprovado, além disso, embaralha as responsabilidades dos acusados de traficar notícias falsas e torna mais opaco o lado já escuro das redes sociais. Em suma: faz o contrário do que anuncia.

Além de tudo o que tem de ruim, a nova lei parece ser um caso clínico em matéria de hipocrisia. Alguém pode acreditar que os políticos que pretendem regular aquilo que você diz no WhatsApp estejam realmente interessados em banir a mentira da vida pública brasileira? Não é isso o que mostra o exame da folha corrida dessa gente. Ninguém, aí, ficou subitamente interessado em distinguir o falso do verdadeiro – o que querem, de fato, é intimidar quem fala mal deles, criando uma nuvem de ameaças sobre todos os que hoje usam o livre acesso à internet para dizer o que pensam. Não protege o cidadão dos políticos. Protege os políticos do cidadão.

As pessoas fazem mau uso das redes sociais? Sim, fazem – frequentemente, aliás, fazem um péssimo uso. Mas os crimes que podem ser cometidos por meio da liberdade de expressão já estão previstos há 80 anos no Código Penal Brasileiro, com penas de multa, detenção ou reclusão. São a calúnia, a difamação e a injúria – só esses três, pois nenhuma lei conseguiu até hoje definir algum outro. Existe, além disso, todo um arsenal de punições cíveis para os que causem danos a quem quer que seja por dizer mentiras em público, ou por fazer insultos, ou por espalhar falsidades, ou por se expressar com malícia. Por que, então, criminalizar o que está nas redes sociais, quando tudo que se pode fazer de mal pela palavra já é crime?

A única mensagem verdadeira que a “Lei das Fake News” quer passar ao público é a seguinte: “Cuidado com o que vocês estão falando na internet”. É a mesma, exatamente, que o STF passa há 15 meses com o seu inquérito secreto para apurar “atos contra a democracia”, uma agressão serial às garantias básicas do cidadão – da liberdade de expressão ao direito de defesa. E o que a mídia teria a dizer sobre isso? Até agora não disse nada; só aplaudiu. Tudo bem: liberdade de imprensa não é apenas o direito que um veículo tem para publicar aquilo que quer; é, também, o direito de não publicar aquilo que não quer. Mas é preciso aceitar, aí, a ideia de que o Senado e o Supremo, daqui para diante, vão pensar cada vez mais por todos nós.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

À MERETRIZ – Patativa do Assaré

Se alguém te chama de perdida e louca
Não acredites, pois não é verdade,
Há quem procure cheio de ansiedade
A graça e o riso que tu tens na boca.

Foste menina, já usaste touca,
Foste donzela, tinhas virgindade,
Tudo é fugaz e tudo é brevidade
De qualquer forma, a nossa vida é pouca.

Nunca lamentes teu viver de puta,
Entre os pomares tu também és fruta,
Alguém te estima e com fervor te quer.

No chão, na cama ou dentro de uma rede
Tu és a fonte de matar a sede
Do desgraçado que não tem mulher.

Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, Assaré-CE (1909-2002)

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SÚMULA DO MORALISMO EPIDEMIOLÓGICO

Guilherme Fiuza

Estamos no ano de 2050 e uma junta de historiadores continua debruçada sobre o longínquo (e estranho) ano de 2020. A cada semana um membro da equipe precisa ser retirado e enviado a uma quarentena rigorosa para descontaminação espiritual, de tão pesado que é o trabalho.

Mas a junta é abnegada e está avançando no front da arqueologia cultural – já tendo alcançado a certeza científica de que 2020 significou, na curva evolutiva da humanidade, o pico de disseminação das falsas éticas. Deu-se ali praticamente uma hecatombe moralista fundada na hipocrisia: “Barra pesada”, resumiu um dos cientistas da junta, que pediu para não ser identificado.

O trabalho corre em sigilo total, mas conseguimos o vazamento do rascunho de uma primeira súmula sobre a falsa ética que explodiu em 2020 e publicamos a seguir, com exclusividade:

1. “Os próximos 15 dias serão decisivos no enfrentamento ao coronavírus”. Este alerta enigmático foi captado em discursos de governadores brasileiros tanto em abril, quanto em julho de 2020 – levando os pesquisadores de 2050 à hipótese bastante provável de que no ano em estudo o tempo era contado de outra forma, num sistema em que cada dia podia levar três meses ou mais, dependendo da região do país e do partido do governador.

2. “Se puder, fique em casa”. Essa foi a frase que mais intrigou os historiadores. Como aparentemente era uma recomendação para barrar uma epidemia, eles não conseguem entender o que acontecia na versão “se não puder”. Isto porque há pouquíssimos registros de slogans ou palavras de ordem para quem saía de casa – e há vários registros de aglomerações em transportes sem nenhuma ação disciplinadora do Estado, que por outro lado algemava e batia em mulher sozinha na praça ou na praia. Era tudo muito estranho nessa época.

3. “Use máscara em casa”. Por incrível que possa parecer, havia seres humanos em 2020 que se sentiam (e se diziam) éticos ao tentar empurrar o Estado para patrulhar o interior de residências em busca de quem não estivesse usando máscara – fingindo que assim bloqueariam o contágio do coronavírus e salvariam vidas. (OBS: Eles diziam amar a democracia). E também queriam que alguém fechado sozinho no seu próprio carro sem máscara fosse considerado genocida em potencial. Os historiadores estão tipificando esse fenômeno antropológico como “Complexo de Zorro”.

4. “Dane-se a economia”. Com uma habilidade retórica impressionante, os fundamentalistas da Seita da Terra Parada – corrente mística dominante em 2020 – faziam milhões de pessoas acreditarem que os que não seguissem sua cartilha eram criaturas desumanas e só pensavam em dinheiro. Hoje sabemos que morreu mais gente de asfixia social do que de coronavírus, mas na época a ordem unida para parar o mundo como seguro de vida era praticamente inquestionável. Alguns historiadores estão comparando esse tabu com o da Terra como centro do universo, que também deu muita briga e demorou a cair.

5. Conclusão preliminar da junta de historiadores: o ano de 2020 foi o Pico dos Hipócritas. Uma elite intelectual que se apresentava como libertária levou ao extremo seu expediente malandro de viver patrulhando os outros para proteger a si mesma – numa espécie de jardim das delícias burguesas, também conhecido na época como “curralzinho vip”. Com a epidemia, eles foram tão longe no lockdown mental que, em dado momento, só não era expulso do clube quem inserisse em todas as suas mensagens a ideia de prisão. Os historiadores de 2050 estão convictos de que 2020 foi o ano mais reacionário da história – e que dificilmente um fenômeno similar voltará a atingir a humanidade de forma tão obscura.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Meu caro Editor,

Surgiu mais uma figura para os quadrinhos e filmes de animação.

Além do Homem Aranha e da Mulher Gato, agora temos também o Homem Jumento.

Enquanto os outros heróis perseguem bandidos, este último é o super herói da bandidagem.

Meus cordiais cumprimentos.

R. Caro leitor, eu acho que você cometeu uma maldade muito grande com esta montagem que nos mandou.

Uma maldade imperdoável para com os jumentos.

Os dignos e honrados trabalhadores quadrúpedes não merecem tamanha injustiça.

Esta comparação com o ex-presidiário, proprietário de uma quadrilha da pesada que tem sigla partidária, ofende o reino animal.

O jegue Polodoro, mascote desta gazeta escrota, ficou muito chateado.

CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

O PAÍS DO TIRIRICA

Há 50 anos, na ditadura que dizem que não houve, Carlos Lacerda estava preso na Fortaleza de Santa Cruz, no Rio, e fazia greve de fome. Já passava mal, mas não desistia. Seu médico lhe disse: “Carlos, hoje é feriado, a praia está lotada, ninguém vai perceber se você morrer hoje. Você quer ser Shakespeare no país da Dercy Gonçalves”. Lacerda desistiu, voltou a comer.

*O presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, que cuida de atrair os turistas estrangeiros, tem inglês comparável ao do técnico Joel Santana.

*Gabinete do presidente Bolsonaro. O presidente da Embratur canta uma composição de louvor a seu chefe e se acompanha na sanfona. Deprimente.

*Ministro do STF, Alexandre de Moraes dança com índios (lembra de Chico Anysio, “Pezinho pra frente, pezinho pra trás”?) Deprimente.

*Lembra do sujeito que pôs fogo num ônibus em frente ao Palácio do Planalto, dia 25, gritando “Fora, Bolsonaro”? Foi detido. E libertado no dia 27. Segundo a Justiça, sua conduta foi grave, mas “não causou significativo abalo da ordem pública nem evidenciou periculosidade”. Sem comentários.

Então, tá

Mas ele, diz a Justiça, tem condições pessoais favoráveis. É primário, tem bons antecedentes, residência fixa, trabalho lícito. Mesmo assim, está proibido de sair do Distrito Federal por mais de 30 dias e mudar-se sem avisar à Justiça. Tem de comparecer a qualquer ato do processo. Sem moleza.

Serra na mira

A Operação Lava Jato denunciou o senador José Serra, ex-governador e ex-ministro, PSDB, por lavagem de dinheiro. Diz a denúncia que Serra, quando governador, recebeu propinas da Odebrecht em troca de benefícios na obra do Rodoanel, estrada que liga as rodovias que chegam a São Paulo e, quando pronta, terá 176 km de extensão. A Odebrecht teria pago a Serra R$ 27,8 milhões, via empresas no Exterior, para encobrir o destinatário da propina. A filha de Serra, Verônica, também foi denunciada.

Serra reage

O senador Serra reage de duas maneiras: nega ter recebido dinheiro ilegal e diz que a denúncia não poderia ter sido feita, porque o caso já foi julgado pelo STF, que decidiu pela prescrição. É verdade: fatos anteriores a 2010 já estavam prescritos. O inquérito nascido da delação da Odebrecht foi enviado à Justiça Eleitoral e lá arquivado (ou seja, não havia prova de culpa). Pela lei, uma pessoa não pode ser denunciada duas vezes pelo mesmo fato. Serra já tinha sido denunciado e recebido a decisão do Supremo e do TSE.

A brecha

A Lava Jato alega que, embora as propinas de que acusa o ex-governador tenham ocorrido antes de 2010, a movimentação do dinheiro, para escondê-lo, havia ocorrido até 2014, pelo menos. Desta maneira, a denúncia de agora não seria a mesma que já foi rejeitada pelo Supremo. É briga de porte.

Acredite se quiser

A Lava Jato de Curitiba incluiu, numa ação que investiga doações ilegais de campanha eleitoral, o nome dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, David Alcolumbre. Os dois têm foro especial e não podem ser julgados por juiz singular, de primeira instância. Mas o juiz aceitou receber a ação, por não reconhecer a maneira curiosa pela qual Maia e Alcolumbre foram citados: “Rodrigo Felinto” e “David Samuel”. Não está errado, mas não são os nomes que usam no dia a dia, nem seus nomes parlamentares. Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia é o nome completo de Maia, e David Samuel Alcolumbre Tobelem o de Alcolumbre. A Lava Jato alega que não usou os nomes truncados para que ficassem despercebidos e o processo fosse aceito: põe a culpa num “assistente inexperiente”, que não sabia os nomes e os truncou. O juiz que substituiu Sérgio Moro em Curitiba, Luiz Antônio Bonat, disse que não sabia de nada. Há um outro probleminha: a questão já estava no Supremo. Uma pessoa não pode ter duas denúncias por um só caso.

Voltando a Tiririca

A mulher do governador de São Paulo, Bia Dória, presidente do Fundo Social, destinado a amparar as pessoas mais pobres, disse em entrevista que não é correto dar comida ou roupa a moradores de rua. Bia Dória falou com Val Marchiori, estrela do reality Mulheres Ricas. E por que negar auxílio a moradores de rua? “Porque – disse Bia Dória – eles precisam saber que têm que sair da rua, um local que hoje é confortável para eles. A pessoa (…) quer receber comida, roupa, uma ajuda, e não quer nenhuma responsabilidade. Isso está muito errado”. João Dória (PSDB) quer ser candidato à Presidência.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Saudações Caro Berto,

Bom dia com Poesia.

Episódio novinho saído do forno sobre o gênio do poeta Valdir Teles.

Ao ser desafiado com o mote “O Tempo obriga a saudade / Morar no peito da gente” o Valdir Teles elaborou duas belíssimas estrofes recheadas de lirismo.

Vale à pena conferir!

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima declamação.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Clara Camarão

Clara Felipe Camarão nasceu em princípios do século XVII, no Nordeste, às margens do rio Potengi, atual bairro do Igapó, em Natal, RN. Indígena potiguara, catequizada pelos Jesuítas junto com o marido Antônio Felipe Camarão (Poti), conhecido herói da Batalha dos Guararapes, na expulsão dos holandeses de Pernambuco. É reconhecida como uma das primeiras heroínas brasileiras, com destacada atuação na Batalha de Tejucupapo, em 1646.

Sua atuação não se dava apenas junto ao marido, que liderava um grupo de índios em batalhas em Olinda e Recife. Há registros sobre sua participação na escolta de algumas famílias de colonos, fugindo do ataque holandês, em 1637, na cidade de Porto Calvo. A história conta que ela liderava um pelotão feminino de indígenas. Conta também que naquela época, algumas tribos Tupi, incluindo os potiguares, treinavam suas mulheres nos combates.

Sua história pessoal é repleta de lendas, como todas desse período, mas seu nome consta num poema de José da Natividade Saldanha, em 1822, quando cursava Direito na Universidade de Coimbra, publicado num livro de poesias dedicado aos amantes do Brasil, exaltando a coragem de Clara Camarão. Os livros “Brasileiras célebres”, de J. Norberto de S.S, publicado em 1862 pela Livraria Garnier, e “Anno Biographico Brasileiro”, de Joaquim Manoel de Macedo, publicado em 1876 pela Typografia e Litografia do Imperial Instituto Artístico, trazem verbetes relatando seus feitos. Era uma mulher que tinha pleno domínio do arco e flecha, da lança e do tacape, e que investia contra os inimigos montada em seu cavalo.

Um de seus feitos memoráveis e comemorado até os dias atuais é a “Batalha de Tejucupapo”. O episódio ocorreu em 1646, quando a tropa holandesa decidiu invadir o povoado (próximo a Goiana, PE) em busca de comida. A vila era grande produtora de farinha de mandioca e os homens se dirigiam, aos domingos, à feira do Recife para vender o produto. Os holandeses aproveitaram a ocasião para invadir a vila. Os poucos homens que restavam formaram uma barreira de contenção, mas foram abatidos. Ao entrar na vila, a tropa holandesa foi surpreendida por um batalhão de mulheres armadas de arco e flecha e enormes tachos de água fervente misturada com pimenta, jogada nos olhos dos invasores, pelo batalhão feminino comandado por Clara Camarão e mais 3 mulheres (Maria, Quitéria e Joaquina). O elemento surpresa inutilizou os flamengos para o combate e deixou mais de 300 mortos. Pouco depois, o casal Felipe e Clara Camarão, foi agraciado com o hábito de Cristo e gozaram as regalias dos títulos de ”Dom” e “Dona”, concedidos pelo rei Felipe IV devido aos serviços prestados à Portugal.

O episódio ficou marcado na História do Brasil e vem sendo comemorado até hoje, todo último domingo de abril, no distrito de Tejucupapo, em Goiana, PE. Na festa é apresentada um espetáculo teatral, ao ar livre no Morro das Trincheiras, onde se deu a batalha, com a participação de 220 atores, num espetáculo dirigido por Dona Luzia Maria desde 1993. A “Batalha de Tejucupapo” vem sendo contada em livros, filmes e peças de teatro, bem como em teses acadêmicas. O primeiro registro histórico do episódio se deu em 1648, dois anos após ocorrido, pelo frei português Manuel Calado, que presenciou o conflito e publicou o livro “O Valeroso Lucideno”, em Lisboa, e republicado em 1987 pela Editora Itatiaia. Trata-se de uma crônica relatando a resistência portuguesa ao invasor holandês.

Em 1984, a jornalista Marilene Felinto publicou o romance “Mulheres de Tejucupapo”, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de escritora-revelação e foi traduzido em diversos idiomas. O professor de comunicação da Universidade Católica de Pernambuco, Claudio Bezerra, empreendeu vasta pesquisa e publicou o livro “Tejucupapo: História, Teatro, Cinema” pela Editora Bagaço, em 2004. Tais relatos sobre o episódio garantiu à sua protagonista Clara Camarão, a inscrição no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”, através da Lei nº 13.422, de 27/3/2017, além de seu nome estampado na Refinaria de Petróleo em Guamaré, RN. Sua última luta se deu ao lado do marido na Batalha dos Guararapes, em 1648, quando ele faleceu pouco depois e ela recolheu-se à vida privada, não sendo conhecidos o local e data de sua morte.

DEU NO JORNAL

REDAÇÕES FUNÉREAS

O planeta tem 4,385 milhões de pessoas infectadas com o coronavírus, mas 98,65% delas tiveram manifestações leves da doença ou estão completamente assintomáticas, segundo o Worldometer.

Números superlativos do chamado “jornalismo de funerária” espalham pânico com maior rapidez que o próprio vírus.

Mas a verdade é que das 11,2 milhões de pessoas que contraíram covid-19, cerca de 6,3 milhões, equivalente a 56% do total, já estão curadas.

No Brasil, o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, diz ver sinais de estabilização. São 534 mil infectados e 98,4% não correm riscos.

A taxa de cura, segundo o Worldometer, também mostra que o Brasil está reagindo: era de 85,2% no início de maio e já se aproxima de 94%.

* * *

Essa notícia aí de cima fala em “jornalismo de funerária”.

Eu acho que a expressão mais certa seria “Consórcio Funerário“.

Vejam na imagem abaixo, do Jornal Nacional da Globo Túmulo, edição de ontem à noite, quem são os componentes desse consórcio.

Que eles pomposa e funebremente batizaram de “consórcio de veículos de imprensa”:

Viram?

Um time arretado: G1, O Globo, Extra, O Estado de São Paulo, Folha de São Paulo e UOL.

O lema é o seguinte: não vamos mentir e espalhar o pânico dispersivamente.

Vamos mentir em consórcio!

Um consórcio que provoca orgasmos e delírios na oposição zisquerdóide banânica, ansiosa pra aumentar as estatísticas de mortes e botar a culpa no governo.

Matam descaradamente, impunemente mentem, tudo pra satisfazer aos desvarios psicopáticos dos doentes político-ideológicos.

Rejeitam até mesmo uso da hidroxicloroquina, um tratamento cuja eficácia já está mais que provada e comprovada.

Cliquem no título abaixo e vejam um vídeo bastante esclarecedor, que dura mais de duas horas, gravado pelo jornalista Alexandre Garcia e que contém depoimentos de vários médicos sobre o uso da hidroxicloroquina:

COVID 19: TRATAMENTO PRECOCE SALVA VIDAS

E, pra fechar a postagem, vejam só qual foi a foto que o G1 da Globo Túmulo botou pra ilustrar uma manchete publicada hoje, domingo:

Isso mesmo: a “notícia” foi ilustrada com uma fotografia onde aparece um grupo de coveiros trabalhando num cemitério.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!