CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCOS MAIRTON – BRASÍLIA-DF

Berto,

chegamos a 300 inscritos no canal do YouTube.

E tudo indica que o inscrito de número 300 foi Raimundo Floriano, velho conhecido nosso do JBF.

Para acessar o canal, basta clicar na ilustração abaixo:

R. Meu estimado amigo Raimundo Floriano é fubânico de primeira hora e já foi colunista do nosso jornal.

Ele acessa diariamente o JBF. 

Hoje em dia ele administra o próprio blog, o Almanaque Raimundo Floriano, que está na lista dos nossos Comparsas, aí do lado direito.

Ótimo que Raimundo tenha se inscrito no seu canal.

Assim como irão se inscrever os nossos fieis leitores.

Muito sucesso, meu caro amigo e colunista fubânico!!!

Abraços e bom final de semana.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AO CRISTO – Vespasiano Ramos

Ó Luz Celeste! Essência! Ó Bondade!
Soberano de todos os soberanos;
esperança dos míseros humanos,
Jesus, – Misericórdia e Caridade!

Cristo-Amor! Cristo-Luz! Cristo-Piedade!
Divino apagador dos desenganos;
Tu que foste há quase dois mil anos,
sacrificado pela Humanidade,

prometeste voltar! Não voltes, Cristo!
Serás preso, de novo, às horas mudas,
depois de novos e divinos atos,

porque, na Terra, deu-se, apenas isto:
– Multiplicou-se o número de Judas
e vai crescendo a prole de Pilatos!…

Joaquim Vespasiano Ramos, Caxias-MA (1884-1916)

COLUNA DO BERNARDO

PERCIVAL PUGGINA

O HOLOCAUSTO DOS POSTOS DE TRABALHO

Há dois dias a Folha de São Paulo abriu manchete para a informação de que “a pandemia aniquilou 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil”, acrescentando que, pela primeira vez na história, menos da metade das pessoas em idade de trabalhar está empregada. Indo um pouco mais fundo, sem sair da superfície, a matéria informava estarem incluídos naquele número pavoroso 5,2 milhões de trabalhadores por conta própria, ou sem emprego formal. Os dados foram fornecidos pelo IBGE.

Agora, digo eu: Uau! Quem poderia imaginar uma coisa dessas? E respondo: algo assim era perfeitamente previsível por quem tem um mínimo de objetividade; basta, simplesmente, assistir como, há quatro meses, empresas e postos de trabalho vêm sendo assassinados a sangue frio. Imagine cinco milhões e 200 mil pessoas, numa situação de trabalho vulnerável por natureza, sendo obrigadas a fechar, apagar a luz, desligar o computador, fechar a porta e dar bilhete azul a seus sonhos e meios de subsistência. Imagine essa pessoa, depois, trancada em casa pela simultânea necessidade e inutilidade de sair, ligada nos noticiários que só contam mortos, à espera de algum burocrata disposto a pintar amarelo sobre o vermelho que cobre sua região no mapa do Estado.

Aqui no Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de onde escrevo, durante um curto período de “flexibilização” que se seguiram a três meses de isolamento, fui com minha mulher a três restaurantes que habitualmente frequentamos. Queria falar com os donos, cumprimentar os garçons conhecidos de muitos anos, ter notícias sobre o período de travessia em que esses estabelecimentos, sempre movimentados, passaram a atender por tele entrega. Num deles, com o salão todo rearranjado para o distanciamento, não havia ninguém; quando saímos, apenas um cliente entrara.

Noutro, uma família com cinco ou seis pessoas era a única ocupante de uma das salas; nós fomos os únicos, também, no compartimento ao qual nos conduziram. No terceiro, a situação estava um pouco melhor, menos lugares, mesas afastadas, e, ainda assim, nesse arranjo, sequer uma terça parte das cadeiras ocupadas. Pois nem com isso, nem assim, lhes foi permitido manter o estabelecimento em operação. Porto Alegre fechou seus restaurantes dois ou três dias mais tarde.

Vem-me à mente o humor ferino de Grouxo Marx, dotado da perenidade devida aos bons frutos da sabedoria: “Você vai acreditar em mim ou nos seus próprios olhos?”. Ou na veracidade, a pedir a nobreza do mármore, enunciada por Thomas Sowel e enviada pelo amigo Dr. Luiz Marcelo Berger enquanto escrevo este texto: “Difícil imaginar maneira mais perigosa de tomar decisões do que deixá-las nas mãos de pessoas que não pagam o preço por estarem erradas”.

Você vai acreditar em seus próprios olhos, ou em quem o levou pelo nariz aonde quis e se prepara, agora, para abastecer seu desânimo e sua psicose com os péssimos números da pauta econômica. O vírus atingiu um índice infinitesimal da população, mas as notícias nos fizeram adoecer. Estamos todos passando mal, numa UTI psicológica cujas portas talvez nunca venham a reabrir completamente.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LINDOMAR – BRASÍLIA-DF

Berto!

Grande Berto!

Papa Berto.

Eu gostaria de solicitar aos sábios Fubânicos uma explicação.

Explicar que porra é essa!??

* * *

R. Fique tranquilo, meu caro: os especialistas fubânicos irão explicar tudo direitinho pra você.

Temos aqui vários doutores em Grelotologia.

Pedi pra Chupicleide pesquisar e fazer um levantamento.

A única informação que ela conseguiu sobre esta postagem que você nos mandou é que a moça que nela aparece fez exame de próstata há pouco tempo e deu tudo normal.

Não está tendo problemas de ereção nem de ejaculação precoce.

E libera espermatozoides com muita abundância.

Para grande alegria da esposa dela.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

ACONTECEU COM O NEREU

Nas vésperas do carnaval eu saboreava um arabaiana ao molho de camarão acompanhado de cerveja gelada na Barraca Pedra Virada, esperando o pôr do sol da praia da Ponta Verde, quando Nereu aproximou-se e sentou-se a meu lado. Era fim de tarde, notei que o amigo havia tomado alguns uísques além da cota. Nereu, meio embriagado, estava a fim de desabafar, confessou-me fatos detalhados de sua vida. Não parou de falar, nem para respirar.

– Meu querido amigo como você já deve estar sabendo dos boatos que correm na cidade, eu gostaria de contar minha versão da história. Você é um homem moderno e tenho certeza que vai entender.

No início dos anos 90, eu tinha cerca de 20 anos, arribei do Ceará, minha terra, vim trabalhar em Maceió. Gostei, por aqui fiquei, constitui família, considero-me alagoano. Passei parte de minha vida me reprimindo, essa é a questão. Quando eu bebia tinha vontade de tocar nos amigos, entretanto, me segurava, tinha medo da desmoralização, do escândalo. Desconfiava de minha ambiguidade sexual desde menino, eu amava brincar de troca-troca durante minha puberdade em Sobral, cidade onde nasci e me criei.

Toda vez que bebia além do normal, dava-me uma comichão e vontade de segurar no pau dos outros, de dar o rabo; eu me segurava e isso me atormentava.

Para resolver a situação tive que escolher entre ser homem ou baitola e me fiz macho: namorei a Helena, aquela jovem morena da praia de Pajuçara, cobiçada por muitos, entretanto ela me quis. Com pouco tempo de namoro e noivado, nos casamos, logo nasceram dois filhos. Eu pensava que estava livre dos desejos que me atormentavam, mas, em vez em quando a comichão aflorava. Certa vez, conheci um jovem carioca, Romeu, rolou um amor, eu fiquei em vida dupla. Depois que Romeu retornou ao Rio, comecei a fazer programa com garotos. Tive problemas e muita briga com Leninha, era o inconsciente.

Depois de vinte anos de casados e muito desentendimento, nos separamos. Helena hoje me detesta. Onde ela estiver, com a língua solta, me destrata, me esculhamba. Eu fico com pena de meus filhos, eles me amam.

Há quatro anos frequento uma psicóloga competente, ela puxou tudo de mim, depois de algum tempo de tratamento, a doutora me preparou para assumir minha bissexualidade. Foi o que de melhor aconteceu em minha vida, nada pior que as coisas não resolvidas. Hoje não importo para o que pensem, sou bicha, baitola, adoro dar. Sou homossexual assumido e não vejo problema. Aliás, sou bissexual, gosto também de mulher, vez em quando.

Estou agora na linha de frente na luta os homossexuais, tornei-me batalhador da causa das minorias sexuais tão discriminadas. O único problema é a aceitação de meus dois filhos; sei que é difícil, mas o tempo é o senhor da razão, já dizia o Presidente. Serei um homem mais feliz quando os filhos me aceitarem como sou.

Nereu não parou de falar, eu escutando, conversa de xiita engajado na luta. Pensando, tirei uma conclusão: jamais Nereu retornará à categoria dos machos, está de cabeça feita, tem convicção de sua opção sexual, a psicóloga ajudou muito ao cearense.

Ele deu-me uma explicação de uma forma científica. Não entendi muito, confesso. Segundo a psicóloga:

As pessoas não mudam sua sexualidade durante a vida, ela vem do berço, algumas assumem a homossexualidade cedo, outros assumem durante o período de incerteza, de indefinição de identidade sexual, na adolescência. Outros homossexuais não assumem, são os enrustidos.

Fiz que entendia a informação científica de meu amigo porque naquele momento apareceu à mesa outro desocupado, o Xavier. Mudou o assunto.

Amigo leitor ou leitora, vocês entenderam? A história do Nereu serve para os dois casos. Então, se você tiver vontade de abraçar um amigo com mais força, não se acanhe, é normal. Sair do armário, assumir foi o melhor que aconteceu com Nereu. Stanislaw Ponte Preta já dizia nos anos 60, que o terceiro sexo já estava em segundo lugar. Não se constranja, hoje o mundo é outro, peça ajuda a um psicólogo, faça como meu amigo. Se for solteiro ou solteira, talvez até arranje um bom casamento.

Finalizo os escritos, esclarecendo que eles não têm intensão de caçoar. Homossexualismo é coisa séria e esta história é baseada em um fato contado pelo próprio personagem. Tenho muitos amigos e amigas homossexuais, que gosto e respeito. E garanto que o mundo sem homofobia, ficaria bem mais fraterno e cor de rosa.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ELTON MACHADO – VITÓRIA-ES

Seu Berto!!!

Falei hoje pra minha mulher que só iria beber neste final de semana com duas condições:

1) Bonner falar de covid.

2) Bonner falar de Bolsonaro.

Vou cumprir fielmente minha promessa!!!!

kkkkkkk

Parabéns pelo grande sucesso do seu trabalho e receba meu fraternal abraço.

R. Meu caro leitor, se você está mesmo cumprindo a promessa que fez pra sua esposa, então, com certeza, já deve ter começado a encher a cara ontem mesmo, logo depois do Jornal Nacional.

E vai continuar neste dignificante ofício da bebericagem no dia de hoje, sábado, ouvindo o noticiário da esgotoférica emissora.

Amanhã, depois do Fantástico, aí é que você vai tomar mesmo um porre de arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Só vai dar pandemia e bolsonarodemia.

A Globo já está fudida pela enorme queda de audiência e por ter perdido a transmissão dos jogos de futebol.

Se a imparcial e impoluta emissora deixar de falar, como tem feito ininterruptamente nos últimos tempos, das desgraças provocadas pelo covid e pelo Bolsonaro, aí ela vai à falência total por absoluta falta de qualquer outro assunto. 

DEU NO JORNAL

CASAL 2020

Sem-teto?

A primeira-dama de São Paulo, Bia Dória, disse que “a rua hoje é um atrativo” e que “a pessoa gosta de ficar na rua”.

Mostrou com isso que jamais usou dez segundos na vida refletindo sobre o assunto.

* * *

O que eu gostei mesmo foi das pernas da interlocutora.

Joelhos e mocotós de altíssima qualidade.

Quanto à Primeira Dama, é a parceira certa para o Primeiro Idiota.

São Paulo está de parabéns.

Os dois formam um casal perfeito.

Melhor que o cinematográfico Casal 20.

Elas são o Casal 2020.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

DEFUNTO LAVADO

Banco do Brasil, onde trabalharam várias “vítimas” de apelidos. Foto Fritz

Por mais que eu queira não consigo aqui me impor como historiador ou biografista, linhas da literatura que profissionalmente adotei há muitos anos.
Eis que aqui, nesta infame gazeta, sempre recebo gentis comentários; todavia, apenas quando me refiro às “safadezas históricas”. Assim, o jeito é permanecer comentando fatos pitorescos.

APIBA – No BB, já nos anos 50, funcionava a “CIA” – Comissão Interna dos Apelidos”, presidida pelo mais safado dos colegas: João de Deus da Silva Carrapateira, sendo Vice-presidente, Dr. Lourenço da Fonseca Barbosa, ali conhecido como “Apiba”, que era o apelido do apelido “Capiba”.

CARRAPATEIRA – Alguns apelidos, com o tempo, se tornaram as próprias identidades de suas “vítimas”, de tão expressivos que eram. Um deles aquele destinado a João de Deus.

MANÉ PREGUIÇA – Manuel se tornou conhecido após o episódio de um cochilo em serviço, quando trabalhava à noite, ainda no tempo da II Guerra Mundial. Nunca mais foi referido pelo nome de batismo.

Evoluiu, fez Curso de Teologia e ao diplomar-se foi ao Gerente mostrar o “canudo”. Discretamente, aproveitou para insinuar que se divulgasse, diante de seu novo degrau na vida, que os colegas evitassem a zoeira de chama-lo de “Mané Preguiça”, o que ocorria até nas hostes evangelicais.

PASTOR ALEMÃO – Convocado, João Carrapateira, Presidente da “CIA”, compareceu à Gerência, e ouve de Seu Saul Ildefonso de Azevedo, a sugestão de pelo menos criar um novo apelido, que não fosse tão degradante. Sendo Manuel, Presbítero de sua Igreja, logo se espalhou sua nova identidade: “Pastor Alemão”. Foi pior a emenda, como se diz.

DEFUNTO LAVADO – Era um chefe muito educado e cuidadoso. Parecia ter vivido na atual fase de pandemia. Entrava no prédio com uma pasta de couro, contendo xícara, pires, colherinha, guardanapo, saboneteira, sabonete, toalha e álcool; apetrechos para evitar a contaminação.

Sendo chefão, recebia clientes ilustres, mas evitava apertar a mão. Fazia verdadeira ginástica corporal para se esquivar. Quando não conseguia escapar, após o visitante dar as costas, logo se dirigia – inclusive com a pasta – ao wc, para passar álcool nas mãos.

JECA TATU – Aos mais próximos, “Defunto Lavado” deixou escapar que era desportista. Pertencia ao grupo de elite dos atiradores de certo clube dos Aflitos. Nunca podemos imaginar como se comportava pegando em armas, munição e exercitando a modalidade de Tiro aos Pratos, que é dificílima.

Até hoje não se soube como o infeliz apelido de “Defunto Lavado” chegou até as hostes alvi-rubras. Porém, não vingou.

Sabendo-se que era popular o apelido famoso de “Zezé Rato Podre”, velho remador; sendo “Defunto Lavado” muito magro, de fisionomia pálida, houve novo batismo. No Deticapesca, para a turma da pesada, ele virou “Jeca Tatu”.