ALEXANDRE GARCIA

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

A UM SOLITÁRIO

Habitante da noite, espantos ladras
e à lua cheia angústias fundas uivas.
Os altos risos das estrelas ruivas
no torvo olhar de solitário enquadras.

Mas, por mais que as dianteiras patas juntes,
não te socorrem no atrevido intento
nem os anjos senis no firmamento
nem na terra os estúpidos transeuntes.

Ninguém te entende os íntimos arcanos;
mas, se o tentam acaso alguns insanos,
ninguém te estende as mãos que lhas não mordas.

E contrafeito comes – ou deliras? –
tua ração de raiva enquanto atiras
o magro olhar para as estrelas gordas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALTAMIR PINHEIRO – GARANHUNS-PE

75 ANOS DE RAUL ROCK SEIXAS

Raul Santos Seixas ou Raul Rock Seixas, faria 75 anos neste domingo (28). lamentavelmente, Raul nos deixou em agosto de 1989, acometido de pancreatite crônica, hipoglicemia e parada cardiorrespiratória, por consumo exagerado de vodka com crush, mas suas músicas continuam eternas. Pensando bem, quem foi Raul Seixas?!?!?! Raul era um cara muito diferente dos demais de sua época, ele não vivia e nem falava coisas atuais, ele estava sempre além da realidade em todos os sentidos. Muitos o chamavam de louco, mas será que ele era mesmo maluco? O que podemos analisar entre loucura e razão? Há quem diga que, a loucura não existe sem razão e nem a razão sem a loucura. Uma pessoa considerada louca em uma certa época, poderá ser considerada um gênio em outra. Ao longo da história da humanidade todas as pessoas que foram consideradas loucas com suas invenções criativas, mais tarde foram reconhecidas como grandes gênios.

Seixas teve muita dificuldade em adaptar-se por ver as coisas por uma ótica diferente, ele não se conformava com as mesmices de todos, ele era um protestante às ideias consideradas “IMEXÍVEIS” pela sociedade. E neste mundo em que vivemos, quando uma pessoa tem uma visão diferente dos demais, a pessoa começa a ser excluídas dos diversos grupinhos de luluzinhas que existe por aí. Santos Seixas tinha uma ideia muito forte do que era a vida, e batia contra muitos movimentos considerados fechados na sociedade, tanto político como religioso. Ele foi filósofo, músico, cantor, compositor e ator, como também cursou filosofia na universidade da Bahia.

Em sua meteórica carreira, chegou um determinado momento na vida que ele foi se distanciando de Deus ou das coisas sagradas que ele mesmo lera na Bíblia, e começou a se interessar pela filosofia de Aleister Crowley e do caminho do egoísmo, como ele mesmo se declarava: “Eu sou egoísta”. O Nosso querido Raul Seixas findou o seu tempo e partiu para o mundo das eternas dimensões. No tocante ao seu distanciamento da religião, ele mesmo cantou na música : EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS. O nosso espírito na verdade é antiguíssimo, todos nós já existíamos antes de ganharmos um corpo humano. Mas a igreja romana fez de tudo para ninguém jamais saber de nada. Já na música PEDRO ele arremata: eu não tenho nada a ti dizer / Mas não me critique como eu sou / Cada um de nós é um universo, / Pedro, onde você vai eu também vou…

Uma coisa que se aprende ou detecta-se nas letras de Raul é que, de um modo geral, todo cidadão comum nessa sociedade de consumo ou dos Shoping Center almeja comprar um carro do ano, comprar uma casa, morar num lugar maravilhoso, mais as pessoas que chegam lá, com o passar do tempo, percebem que tudo isso é vazio, lutou a vida inteira que nem um doido, um doente mental para conquistar. E aí chega… Daí percebe que tudo isso é um enorme vazio. Aparece a depressão, começa a vir a angústia, haja vista não ter sentido as pessoas desesperadamente lutarem tanto para viver uma vida sem sentido. Raul, deixa tudo isso muito claro quando compôs OURO DE TOLO e numa das estrofe ele diz: “…E você ainda acredita que é um doutor, um padre ou policial que está contribuindo com sua parte para esse belo quadro social… Nessa música ele retrata, nas entrelinhas, a repressão, a mesmice, e a chamada tolice ou babaquice.

Quando é lembrada a passagem dos seus 75 anos de idade, vem a nossa mente a certeza que nas décadas de 50, 60, 70 e 80 houve uma geração de brasileiros que acompanhou os três maiores caipiras da música mundial: Luiz Gonzaga que nasceu em Exu, Elvis Presley em Memphis e Raul Seixas na Bahia… Quem neste mundão de my god é cinquentão curtiu adoidado o Mensageiro ou Profeta do Apocalipse no final de uma era nas saudosas décadas de 70/80 do Século passado. Quem viajou no TREM DAS SETE sabe muito bem do que estou falando… Raul Seixas era um poeta, místico e filósofo catastrófico. Raul Seixas deixou um vácuo gigantesco na música e na cultura moderna, especialmente no que diz respeito a sua mensagem que não foi completada por ter morrido com apenas 44 anos de idade, lamentavelmente.

Por fim, a trajetória do carimbador maluco, mais conhecido como Maluco Beleza sempre esteve atrelada a um certo tom místico e visionário, mas ninguém imaginava que uma letra de sua autoria juntamente com Cláudio Roberto pudesse falar tanto de 2020 quanto O DIA EM QUE A TERRA PAROU. Todo o desenrolar da letra relata um dia em que o mundo inteiro decidiu não sair às ruas, curiosamente, muito semelhante ao cenário imposto pela pandemia dessa praga esquerdista “incarnada” altamente contagiosa e letal que é o tal do COVID-19. A letra da música trata de uma narrativa muito atual, a “antevisão” de Raul falhou em um pormenor ou particularidade. A letra diz que “o doutor não saiu pra medicar, pois sabia que não tinha mais doença pra curar”, ou seja, o enclausuramento imaginado pelo compositor não parece ter relação com a realidade, haja vista que os dirigentes do país não estão nem aí com a pandemia, há um deles, diga-se de passagem, um bunda suja, que chama isso de uma simples gripezinha, pois o que eles sabem e fazem muito bem é politicar. O mesmo não se pode dizer dos profissionais de saúde, a turma do jaleco branco: esses sim, saíram de casa para medicar porque sabiam que tinha uma doença pra curar…

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COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SANCHO PANÇA – SÃO BERNARDO DO CAMPO-SP

ODEIO AMAR VOCÊ

Esquerda vs Direita. No time JBF Sancho é um perna-de-pau que joga na ponta direita, onde se destacam Nikolai, Adônis, Arthur, João Francisco e Joaquimfrancisco. Do outro lado temos Goiano, o indiscutível (?) craque da esquerda.

Política, como teria dito André Comte-Sponville (autor do livro “O Espírito do Ateísmo” – librairie Albin Michel, Paris), supõe conflitos: “A política nos reúne nos opondo: ela nos opõe sobre a melhor maneira de nos reunir”. Sancho concorda, pois direita sem esquerda e vice-versa fragiliza, deixa capenga qualquer NAÇÃO. Pessoas geniais existem no dois hemisférios. Creio que o saci-pererê seria bem mais eficiente e traquinas se tivesse as duas pernas. Imaginemos o bloqueio de seu time de voleibol saltando verticalmente com apenas um dos braços esticados e apontado para cima; muita falta fará o outro braço, não importa se o esquerdo ou o direito. E se o saci-pererê se aventurasse pelo esporte bretão? Quanta raiva passaria nosso folcórico “amigo” na hora do passe, do drible ou da cobrança de uma decisiva penalidade máxima. Como se equilibrar em corda sobre o abismo com apenas um braço, seja o direito ou o esquerdo?

A Guerra, que no Brasil é chamada “do Paraguai”, no país vizinho é chamada de “Guerra da Tríplice Aliança”, e merece, na nação GUARANY três páginas nos livros didáticos do 6° ao 8° ano (para crianças paraguaias, que possuem em média de 11 a 14 anos). No Brasil, Duque de Caxias é um herói nacional, como nos ensinam nossos livros de história e como o cultua o Exército Brasileiro, como seu Patrono. Inclusive Sancho foi amicíssimo do amigo da amiga do amigo do amigo (su hermano es el íntimo amigo de los padres de la novia del hijo de tus íntimos amigos) do Duque, pois nascido em Desengano, Sancho cuidava dos cavalos desse tal amigo, o Miltinho, irmão da belíssima Ilkinha, filhos de dona Etelvina e seu Paulo. Gente da melhor qualidade. Cavalgavam os dois garotos por aquelas paragens, inclusive com entrada na Fazenda Santa Mônica, que ficava não muito distante da casa do menino Sancho, para babarem pelos cavalos de raça que lá existiam (Fazenda Santa Mônica – Barão de Juparanã – antiga Vila de Desengano – de propriedade do Marquês de Baependi cujas iniciais “MB” estão na bandeira de ferro batido da porta principal. O nome “Santa Mônica” é uma homenagem à sua esposa – Francisca Mônica – pais do Barão de Santa Mônica, sogros do Duque de Caxias que aí faleceu em 1880 – Sancho também é história, pois não!?). Ouse perguntar sobre O HEROÍSMO DE CAXIAS no Paraguai… A história vive contando as travessuras de personagens de esquerda e de direita, que cumpriram jornadas heróicas e vilanescas (algumas sangrentas), povoando mentes, mudando vidas, destruindo e construindo pontes. Os líderes mundiais foram e/ou são bons ou ruins? O que seria da Bíblia sem o suplício do povo hebreu no Egito? Sem os “malvados” faraós não surgiria a figura de Moisés, por exemplo. Sem a presença de Roma em Jerusalém não teria o mesmo destaque Jesus. A ginga brasileira não existiria se negros não tivessem vendido seus “irmãos” da mama África aos mercadores de escravos (escravidão existiu em quase todas as civilizações). Os mais fracos sempre viram mercadoria, parece ser a lógica que rege o mundo, ainda hoje. Existiria a NBA sem que o negro tivesse sido escravo na América do Norte? Alguém teria ouvido cantar Michael Jackson, Whitney Elizabeth Houston, Aretha Franklin e tantos outros sem que tal barbárie tivesse existido? Imagine, por exemplo, o Brasil sem a ginga negra da Bahia. Seria apenas um lugar maravilhoso, com uns branquelos declamando Camões, mas que nunca jogariam capoeira. E a Palmares, onde nasceu Berto não existiria, o que acarretaria, com certeza o não nascimento de Berto e consequente não existência do JBF (vocês já imaginaram o que seria do Brasil sem o Jornal da Berta Fubana?). Um simples detalhe muda tudo. Caberia em um livro de milhões de páginas tudo que as pessoas escreveram e continuam escrevendo sobre seres humanos subjugando outros seres humanos. (Sim, escravos ainda existem neste mundão de meu Deus).

Recorro a Churchill (“Grande y bueno rara vez se refieren al mismo hombre.” ). Você gosta ou detesta figuras como Mussolini, Mandela, Lênin, Hitler, Tereza de Calcutá, Indhira, Castro, Lula, Churchill, Kim, Thatcher, Dilma. Pinochet, Allende, Franco, Cristina K, Perón, Ghandi, Bolsonaro, Trump, Putin. Um direito seu. Verdadeiro balaio de gatos onde cabem milhares de outros para você “amar” ou “odiar”.

Reis (e seus diversos similares), czares, imperadores, presidentes, primeiros-ministros (ditatoriais ou não), são gente como a gente, com paixões e apaixonados mundo afora. Despertaram, despertam e despertarão amor e ódio por onde passaram, passam e passarão. O que você acha do povo judeu? O que seria do mundo sem os “nobéis” dos judeus (Com 2% da população mundial, possuem 25% dos Prêmio Nobel)?

Enquanto o ódio se degladia com o amor, a indiferença e a inveja não tem nada a esconder; são sentimentos explícitos como filmes para adultos, incômodos como berne (miíase ou bicheira), inquietantes como cisma de corno, tiradores de sono como dívida e assustadoramente mortais. Ninguém é indiferente aos “grandes personagens” que “fazem” nossos destinos; são pessoas que giram a roda da “fortuna” a seu bel prazer. Algum desses “grandes” já consultou VOCÊ, caríssimo leitor, sobre decisões a serem ou que foram tomadas? Os juízes de todos eles são os historiadores, que, de acordo com própria ideologia política (infelizmente ninguém é neutro), colocam a cada um nos livros, carregando ou não na tinta inconscientemente ou não, transformando gente em heróis ou vilões, um pouco para mais ou para menos. Hitler foi bom? Hitler foi ruim? Os historiadores dizem que foi um péssimo sujeito, mas (estranho mas), com certeza terá feito algum coração feliz, não o de Sancho.

Assim o são e assim sempre serão aqueles que se “destacam”, à esquerda ou à direita, tornando-se os “malvados favoritos” de alguém. Heróis, vilões… São apenas e tão somente, na visão de Sancho, homens e mulheres que escreveram e escrevem a história e que mudam drasticamente, para o bem ou para o mal nossa caminhada neste PLANETA. Alguns, inclusive, conversam com “pajaritos”.

PERCIVAL PUGGINA

… E O SETOR PRIVADO QUE SE DANE!

O STF, na última quarta-feira (24/06), firmou convicção em favor do emprego público como ideal projeto de vida dos brasileiros. Seria essa uma espécie de “interpretação conforme a Constituição” do disposto em seu art. 3º, inciso III, que trata da redução das desigualdades sociais?

Até onde me lembro, sempre foi assim. Na minha infância, toda mãe amorosa, todo pai zeloso sonhava com um bom emprego público para o futuro de seus pimpolhos. Lembro que lá na minha Santana do Livramento, as referências eram o Banco do Brasil, a carreira militar, fiscal da receita. Não sei se essas posições ainda se mantêm cobiçadas. O que sim, sei, é que quanto mais a atividade privada patina em meio às sucessivas crises da economia ao longo das últimas décadas, maior a atração pelos concursos e mais aumenta a população concurseira. Estima-se que, todo ano, cerca de 10 milhões de brasileiros busquem a rede de ensino que opera com foco nesse atraente mercado.

Jovens habitualmente pouco ou nada ligados ao estudo no sistema formal, público ou privado, ao ambicionarem um cargo acessível por concurso, passam a queimar pestanas que cruzaram intactas e dispensadas de maior esforço todos os anos anteriores.

O lado bom dessa história é que, aprovado ou não, o concurseiro vai aprender com esforço próprio um pouco mais do que trazia como patrimônio de conhecimento após encerrar seu mal aproveitado ciclo escolar. O lado ruim é o desestímulo para a atividade privada. Impossível recusar o fascínio de uma vida sob a proteção do Estado, a subsistência garantida do ato de nomeação ao túmulo. Estabilidade e segurança nessas proporções não costumam ser disponíveis na atividade autônoma ou no setor produtivo da economia.

Voltemos, então, à recente decisão do STF. Na crise que a covid-19 fez desabar sobre a economia brasileira, empregos viram pó e postos de trabalho, fumaça. Para alimentar a esperança de não voltar ao envio de currículos, às ruas e às entrevistas, trabalhadores concordam com reduzir seus salários e suas jornadas. De algum jeito, que provavelmente lhes vai demandar angustiantes e longos ajustes no orçamento familiar, colaboram com sua quota de sacrifício para que os tutores da pandemia não acabem de vez com seu posto de trabalho.

Já no que concerne ao setor público, o STF (aquele das lagostas e vinhos premiados), por “sólida” convicção de 6×5 em ambos os casos, decidiu que os repasses do Executivo aos outros poderes não devem ser reduzidos em caso de frustração de receita, nem podem os governantes diminuir vencimentos de servidores para compatibilizar sua despesa ao caixa, conforme impõe a responsabilidade fiscal. Conclui-se daí que esta é uma crendice, atingível por feitiços, artes ocultas ou milagres.

Não é sensato, nem soa como democrático que, num julgamento desempatado por um único voto e sendo parte interessada, o STF (elite do setor público) derrube decisões tomadas pela maioria dos quase 600 congressistas. Esse é mais um primor da Carta de 1988, que não impõe um número mínimo de votos para que o STF revogue decisões do Congresso.

CHARGE DO SPONHOLZ

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

DOIS BRASIS

Seu José veio, do interior, para conhecer o verde mar de Boa Viagem. Vestiu um calção velho e foi provar o gosto daquela água com a qual sonhou toda vida. Mas, assim que deu o primeiro mergulho, encostou uma patrulha. “Não sabe que é proibido?, vagabundo. E o Covid?”. Seu José, inocente, “Estou só tomando um banho salgado”. “E ainda tem a coragem de nos insultar, dizendo Abaixo a Polícia?”. “Desculpe, doutor, mas eu nunca disse Abaixo a Polícia”. “Acabou de dizer”. E o pobre homem acabou preso. Por desacato.

Dia seguinte, saiu sua foto nos jornais. Com algemas. No meio dos tiras. Afinal solto, uma semana depois, bateu pé à procura de trabalho. Só que, nos lugares onde andou, as pessoas tinham visto aquela imagem. E ninguém se mostrou disposto a contratar um criminoso. Quando findou seu pouco dinheiro imaginou que, na prisão, ao menos teria onde comer. E dormir. Voltou à mesma praia e encontrou os guardas que o prenderam. Virou-se para o sargento e gritou, bem forte, “Abaixo a Polícia”. Certo de que iria em cana. Sem saber que havia já passado essa tara coronaviriana de prender. Pegava mal, nas vésperas de uma eleição. Razão pela qual restou, a Seu José, apenas cumprir sua penitência. Longe das penitenciárias.

Essa crônica é adaptação de um conto de Anatole France, Crainquebille. E serve para explicitar que somos dois brasis. Um por dentro do outro. Aparentemente iguais. Embora, no fundo, bem diferentes. Há os que usam armas para assaltar e os que se armam para evitar assaltos. Os que estão atrás das grades para não sair. E os que, com medo, se trancam em apartamentos que mais parecem gaiolas. Os que sabem ter culpa e os que não sabem que são inocentes. Os que não comem com receio de lipídios e colesteróis, para manter os corpos em forma. Dentro dos apartamentos. Os mesmos que, nessa pandemia, de vez em quando batem panelas – acostumadas a camarões, bifes e batatas. Enquanto as de tantos estão vazias. São esses que se espremem nos ônibus, nos metrôs, nas ruas populares cheias de gente. Com riscos de serem infectados. E morrer, nas filas dos hospitais públicos. Em resumo, há os que contam os dias para voltar a suas rotinas de ir às compras, frequentar bons restaurantes, viajar; enquanto outros, como Seu José, vivem aspirações bem mais modestas de apenas ter um teto, um prato de comida, um cartão do Bolsa-Família.

DEU NO JORNAL

GENTE DE CARNE, OSSO E DEDOS

O “Apenso 70” do inquérito das Fake News, criado pelo Supremo Tribunal Federal para investigar supostos ataques e ameaças a ministros e seus familiares, contém um laudo pericial que atesta não ter sido possível identificar a existência da imaginada “rede de robôs” com mensagens financiadas nas redes sociais.

O ministro Alexandre de Moraes descobriu que os xingamentos vêm de contas que, na verdade, têm donos de carne e osso.

Nada de robôs que tanto excitam fantasias.

* * *

Gostei da expressão dizendo que as contas que irritam suas insolências “têm donos de carne e osso”.

Donos que possuem dedos ágeis pra digitar.

Eu mesmo fico numa agilidade danada quando batuco no meu teclado pra escrever sobre esse time que ocupa lugar de destaque na Praça dos 3 Poderes.

Fecho esta postagem com uma frase do meu querido amigo Otacílio, o filósofo de Palmares: 

A justiça é cega. E a injustiça é careca.

Tão careca que chega reflete a luz.