SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COLUNA DO BERNARDO

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDE MOTES, GRANDES GLOSAS

O saudoso cantador Valdir Teles (1956-2020) um dos maiores nomes da poesia nordestina 

* * *

Valdir Teles glosando o mote:

Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

A matuta faz fogo de graveto
Ferve o leite que tem no caldeirão
Bota sal na panela do feijão
E assa um taco de bode num espeto
Onde a música do sapo é um soneto
Mais bonito da beira de um barreiro
Não precisa zabumba nem pandeiro
Que o compasso da música é Deus que toca.
Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

* * *

Antônio de Catarina glosando o mote:

O carão que cantava em meu baixio,
teve medo da seca e foi embora.

O carão, esta ave tão profeta,
habitante das matas do sertão,
sentiu falta da chuva no rincão,
ficou triste a sofrer como um poeta,
sem cantar sua vida é incompleta,
o fantasma da seca lhe apavora,
pesaroso partiu fora de hora,
antevendo um futuro tão sombrio;
O carão que cantava em meu baixio,
teve medo da seca e foi embora.

* * *

Mariana Teles glosando o mote:

Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Quando o sol se despede da campina
E a textura da nuvem muda a cor
O alpendre recebe o morador
Regressando da luta campesina
Entre os ecos da casa sem cortina
Corre um grito chamando por Maria…
E da cozinha pra sala a boca esfria
O mormaço da xícara quase cheia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Meia hora antecede a hora santa
Às seis horas da virgem concebida
E o cálice que serve de bebida
Desce quente nas veias da garganta
Já o trigo depois que sai da planta
Faz o pão quando a massa fica fria
E o tempero da cor do fim do dia
Tem mistura de terço, fé e ceia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

* * *

Zezo Patriota glosando o mote:

Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.

Meu espírito não sossega,
com dívidas eu me espanto,
pago conta em todo canto
e devo em toda bodega,
quem deve conta e não nega
topa com que me topei,
tudo que tinha gastei,
com bodega e padaria.
Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.

* * *

Júnior Adelino glosando o mote:

Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

No ramo da construção
Faço ponte, creche e praça
Com tijolo, cal e massa
Eu ergo qualquer mansão
Levanto em cima do chão
Parede bem grossa ou fina
Torre que não se inclina
Que não se quebra nem dobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Com o prumo e a colher
Lápis, régua, espátula e rolo
Cimento, areia e tijolo
Faço o que o dono quiser
Sobrado, muro ou chalé
Do tamanho de uma colina
Ser pedreiro é minha sina
Tenho talento de sobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Nasci com a vocação
E aprendi de longa data
Que o alicerce e a sapata
São partes da fundação
Numa grande construção
As ferragens predomina
Que a faculdade divina
Me dá aula e nada cobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Eu sei dizer que o concreto
É quem garante o sustento
Com pedra, areia e cimento
Começo qualquer projeto
Nunca fui um arquiteto
Nada disso me domina
Construo com disciplina
Qualquer coisa com manobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

* * *

Pedro Ernesto Filho glosando o mote:

Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O pequeno sanfoneiro
Com arte desafinada
Que de calçada em calçada
Vive a ganhar seu dinheiro,
Não é Alcimar Monteiro
Nem Gonzagão, nem Roberto,
Porém deixou boquiaberto
O povo do interior.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O sertanejo frustrado
Vítima da sociedade,
Somente vai à cidade
Quando se vê obrigado,
Falando pouco e errado
Porque vive no deserto,
Mas se houvesse escola perto
Talvez que fosse um doutor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

A prostituta de bar
Tem na consciência um farne,
Negocia a própria carne
A fim de se alimentar,
O bom conceito de um lar
Foi pela sorte encoberto,
Talvez que até desse certo
Se tivesse havido amor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O bom vaqueiro voraz
No mato faz reboliço,
Desenvolvendo um serviço
Que acadêmico não faz;
Coveiro é útil demais
Quando um túmulo está aberto
Rico não se torna esperto
Para fazer o favor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

* * *

Louro Branco e Zé Cardoso glosando o mote

Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

Louro Branco

Rapaz que tem companheira
Não leva Salve Rainha
Mas leva uma camisinha
Escondida na carteira
Tira a roupa da parceira
Mama chega o peito esfria
Chupa na língua macia
Como quem chupa confeito
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

Zé Cardoso

Vi um casal na calçada
Ela com ele abraçado
Ele na boca colado
Ela na língua enganchada
Uma velha admirada
Dizia: “Vixe Maria!”
E com tristeza dizia:
“Eu nunca fiz desse jeito”
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOZINALDO VITURINO DE FREITAS – SANHARÓ-PE

Rapaz , não é que fiquei viciado no Besta Fubana.

Depois que li uma vez, vi que a coisa é boa.

E agora leio diariamente.

Um fraterno abraço para todos que fazem o JBF.

Jornal justo e perfeito.

R. Justo e perfeito?

Deixe de exageros, meu estimado leitor. Não diga tamanho disparate.

Nesta gazeta escrota não existe justeza alguma e tudo por aqui é imperfeito.

Uma esculhambação no mais alto nível.

Agora, aqui entre nós dois e o resto do mundo:

Fiquei ancho que só peste com a sua mensagem.

Sorri de arreganhar os dentes!

Mais um viciado pra integrar a legião de seguidores desse jornaleco desmantelado.

Gratíssimo mesmo pela força, meu caro Jozinaldo.

E dê um abraço nessa gente boa e hospitaleira de Sanharó, um lindo recanto de mundo que fica no Agreste do nosso estado, a pouco mais de 196 km do Recife.

Detalhe: Sanharó é um dos maiores produtores e fornecedores de queijo e de leite do nosso Pernambuco.

Abraços e um excelente final de semana!!!

O município de Sanharó exerce um importante papel agroindustrial na região do agreste pernambucano, sendo um dos principais pólos de beneficiamento de laticínios do estado. Sanharó é conhecida em todo o estado de Pernambuco por sua tradição e qualidade na produção de queijos e derivados, sendo referência no Nordeste no ramo agroindustrial de beneficiamento de laticínios. A cidade possui um grande centro de comércio de laticínios localizado às margens da BR-232, que conta com uma inúmera variedade de produtos derivados do leite que vão desde produtos tradicionais, como o queijo coalho, o queijo manteiga, o queijo Mussarela, até queijos sofisticados, como Provolone, Queijo Minas, Queijo Parmesão entre outros. (Wikipédia)

DEU NO TWITTER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Mestre Berto:

NA MIRA DA POLÍCIA FEDERAL! ACORDA PERNAMBUCO!

O povo brasileiro em geral, sobretudo o povo pernambucano que não assistiu, deveria assistir ao programa ALERTA NACIONAL da REDETV!, do dia 16 de junho de 2020, do grande comunicador SIKÊRA JUNIOR, filho de Palmares.

Ele lamenta a terceira operação da Polícia Federal na Prefeitura da Cidade do Recife e interiores para apurar onde foram aplicados os mais de 670 milhões de reais destinados pelo Governo Federal às prefeituras para a Instalação de UTIs improvisadas, compra de máscaras, respiradores, remédios e outros materiais hospitalares para proteger a população infectada pelo coronavírus.

Entrevistando o deputado federal Mendonça Filho, este lamenta a dinheirama roubada pelos prefeitos inescrupulosos que se aproveitaram da Pandemia para roubarem a dignidade maior do povo: A VIDA!

R. Meu estimado conterrâneo de Palmares, o destemido Sikêra Júnior, com quem eu tomava cerveja na Sorveteria Estrela, nos anos 90, quando vinha de férias pra minha terra.

Esse cabra macho, sem papas na língua e que orgulha a nossa cidade, conta com a minha audiência diária, no seu programa Alerta Nacional.

De modo que, meu caro Cícero, eu assisti a este programa do último dia 16, semana passada.

Uma entrevista com outro pernambucano que nos orgulha, o ex-deputado Mendonça Filho, um caso raro, raríssimo, de político decente e com ficha limpa.

E vamos ao vídeo que você nos mandou.

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

O DIA EM QUE UM “TIBURÓN” COMEDOR DE GAFANHOTOS FOI AO UROLOGISTA

No ano da graça de 2018 los científicos identificaron un tiburón de Groenlandia (Somniosus microcephalus) que hoy tendría 515 años y que lleva surcando el océano Ártico y el Atlántico Norte desde 1505. Deixo os tubarões de lado e vou conversar com meu amigo leitor, alertando para que tire as crianças deste texto. O texto a seguir é repleto de palavrões. Sugerimos aos adultos mais sensíveis não lerem e que não permitam acesso de menores a tal crônica. Tudo devidamente esclarecido, sigamos.

¿Dónde estoy? Sancho, o que acredita em sonhos, e que até hoje espera não ser mentira ou brincadeira o bilhete que recebeu, prometendo casar-se com este escriba a estonteante Viviane Araújo, na quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro. Sim, “é verdade esse bilete (bilhete)”. Sim, Sancho sonhou com a Vivi, com a lua-de-mel, com todas as sacanagens que rolam na lua mais propícia para o plantio de mandioca (se é que a Dilma me entende…) e o padre nunca chegou, muito menos a noiva. Quem chegou, muito sacana, foi o ministro da Saúde do governo Bolsonaro, o señor Galeocerdo Cuvier, que disse: – O médico do Jair vai te phodder.

Que porra de recado foi esse!? – perguntará o único leitor das crônicas de Sancho. Bom, hora de tirar a pulga atrás da orelha de meu fiel leitor e encarar o presidente.

Partimos para Brasília, e lá chegando, Sancho recebeu de uma loirinha linda um panfleto onde se lia: “Não deu em 2022, mas agora não tem jeito: em 2026 Lula – Presidente e Moro – Vice. O Brasil vai ser feliz de novo”. Agradeci, dei um beijo na boca da bela e deixei o Aeroporto Internacional de Brasília – Presidente Juscelino Kubitschek rumando para o Palácio do Planalto, onde Jair me recebeu com um sorrisinho sacana no rosto (engraçadinho esse fulano, não gostei da cara dele) e me apresentou Jacintho Dedus Orríveis, que fitou-me com aquele olhar sádico, que todos nós da turma acima de 60 achamos que tal categoria profissional possui (passei a detestar o atual presidente depois de tal episódio).

Disse-me o tarado: – Caro Sancho, a campanha JULHO AMARELO já está sendo divulgada e terminamos hoje a filmagem da campanha anual OUTUBRO ROSA 2025, que irá ao ar em primeiro de outubro. Estamos preparando a campanha NOVEMBRO AZUL 2025, a cargo do publicitário Carcharhinus Leucas. Precisávamos de um nome famoso para a campanha e o Berto, um homem da imprensa (o presidente sempre manteve cordial relação com jornais, revistas e emissoras de televisão), amigão e eleitor do Jair, foi convidado para ser garoto propaganda neste ano da graça de 2025.

Continuou, com um sorriso nos lábios, o pervertido: – E ia tudo às mil maravilhas, tudo muito bom, tudo muito bem, pois começamos pelo tocante à polpuda verba, mas (rompedor pregal mas), quando soube dos sórdidos detalhes, o homem soltou um grito assustador dentro do gabinete presidencial e foi parar no pronto socorro. Está até agora trancado lá, com uma peixeira na mão, dizendo que quem tocar na porta será capado e que Jair enfie a verba no rabo.

Sancho ficara sério, encostou a bunda na parede, em instintivo movimento, olhou para o médico e disse, com voz trêmula:

– Continue, por favor. Onde eu entro nesta história?

– Señor Sancho, com muita paciência e cuidado conseguimos convencer o sujeito a, pelo menos, indicar um nome do famoso jornal que comanda, para ser o nome, o rosto e o rabo da campanha 2025. Faremos algo “mais explícito” este ano.

– Cuméquié!? Por Santo Inocêncio Inácio, que merda é essa!?

– Calma, senhor Pança, o Berto indicou um Nikolai Hell (com dois L), mas como o presidente é muito religioso, achou que o inferno não cairia bem na campanha. O segundo nome da lista era um tal Adônis, que enfiou porrada no mensageiro assim que soube do que se tratava; depois um tal Jesus, que se benzeu e disse que rogaria todas as pragas do Egito sobre nós; Carlos Ivan, “O Terrível” nos recebeu com uma espingarda de sal grosso (rock salt shotshell) nas mãos e deu “tiro de sal no traseiro” do urologista que bateu à porta. Dois fulanos chamados José Hinacio e Goiano se ofereceram, mas como são simpáticos à causa de um tal Lula, foram descartados. Os três mosqueteiros fubânicos, os trigêmeos Tavares (Beni, Cícero e Arthur) não quiseram nem “papo”. De León disse que não seria uma BUENAVENTURA e pulou fora. Bom, meu caro, 40 nomes depois e 40 nãos, o seu é o último na querência de Berto; só sobrou você. O Jair disse que, se não topares, vai cassar a concessão de funcionamento do JBF. É dedar ou largar.

Se debatia Sancho entre “la locura” y el “ser normal”. Era só uma “dedadinha de nada” . Maldito e enorme dedo… Olhei para os céus e pensei no velho Nelson, amado pai de Sancho, que morreu do coração quando minha irmã Leninha propôs tal consulta ao portuga. Recordei meu sogrão, o Chiquito, que continua invicto, aos 120 anos (Um beijão Chiquito, meu ídolo!) que sempre diz para Gustinha: – Atrás não entra nada, minha velha. Manda o Sancho fazer o exame por mim.

Decisão difícil, tempos difíceis e o doutor de dedos imensos estava facinho, facinho, faceiro, faceiro, se é que vocês me entendem… Em um fio de voz consegui balbuciar uma súplica: – Meu Deus, me acode! – O desespero tomando conta e a sensação de que jamais voltaria a ser o mesmo sujeito depois de tal encontro desvirginatório (All my life I’ve been good, but now. Ah, I’m thinking “what the hell”). Que dedo grande da porra! Valha-me meu Jisuis Cristim. Pedi tempo para pensar, enquanto continuava a rezar. Pensei de mim para comigo: “Porra Berto, agradeço a deferência; no dos outros sempre é refresco”. Meu nome era sempre o último da lista na hora de alguém se dar bem nesta gazeta escrota. Foi algo reconfortante saber que na hora de “tomar no fiofó” eu também estava na “rabeira”.

Alguma coisa eu teria que fazer: atravessei a ponte que liga Brasília ao Recife (na literatura sempre é fácil ir de um lugar a outro), mergulhei no mar, nadei para além dos arrecifes, vi uma nuvem de gafanhotos, deixei a parte segura e me entreguei aos tubarões.

O Jornal da Besta Fubana, em edição especial, aproveita o triste episódio para lembrar que ataques de tubarão não se repetem unicamente na costa de Pernambuco, onde mais de 60 pessoas foram atacadas, mas são raríssimos em outros lugares. Placas sobre o perigo estão espalhadas pela orla marítima da região metropolitana e alertam sobre a ocorrência de acidentes com tubarão nas praias metropolitanas do Recife faz tempo, muito tempo. As principais espécies responsáveis pelos ataques são o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o cabeça-chata (Carcharhinus leucas). Nenhum dos outros 16 estados costeiros brasileiros registram números expressivos.

Por que os tubarões ‘decidiram atacar’ após 1992, pois antes eram raríssimos registros de tais ocorrências? Seria a construção do Porto de Suape (Complexo Industrial Portuário de Suape) uma das causas, agravada pelas modificações ambientais provocadas pelo crescimento desordenado das cidades, a supressão de manguezal, a poluição, e a realização de grandes obras na zona costeira? Com a palavra os ambientalistas e “especialistas”.

PS: O segundo semestre CHEGANDO e Sancho lembra a homens e mulheres que exames preventivos salvam vidas.

PS1 – Julho Amarelo. Julho foi adotado pelo Ministério da Saúde e pelo Comitê Estadual de Hepatites Virais como o mês de luta e prevenção das hepatites virais. De acordo com o Ministério da Saúde, três milhões de brasileiros estão infectados pela hepatite C, mas não sabem que têm o vírus (sexo sem proteção é phodda, apesar de não ser a principal causa de transmissão). Estima-se que cerca de 3% da população mundial, seja portadora de hepatite C crônica.

PS2 – Outubro Rosa (campanha anual do ministério da Saúde, em parceria com o Jornal da Besta Fubana desde 2021, com a intenção de alertar a sociedade sobre o diagnóstico precoce do câncer de mama já se aproxima. A campanha visa disseminar dados preventivos e ressalta a importância de olhar com atenção para a saúde, além de divulgar direitos, como o atendimento médico e o suporte emocional, garantindo um tratamento de qualidade).

PS3 – Novembro Azul – Vai uma dedada aí!? (campanha anual do Ministério da Saúde, em parceria com o Jornal da Besta Fubana, desde 2021, ALERTA que a cada dia quarenta e dois homens morrem em decorrência do câncer de próstata e aproximadamente 3 milhões vivem com a doença, sendo essa, a segunda maior causa de morte por câncer em homens no Brasil. É importante esclarecer que, além do câncer, a próstata pode apresentar outros problemas, como seu crescimento benigno, que atinge cerca de 50% dos homens acima de 50 anos, gerando dificuldade de micção, e a prostatite, que é a inflamação da glândula.) Vai uma dedada aí!?

DEU NO JORNAL

UMA EXCELENTE NOTÍCIA !

* * *

Que notícia boa que só a porra!!!

Um notícia extraordinária e muito positiva.

Notícia boa, extraordinária e positiva para o Presidente Bolsonaro, não custa nada explicar.

Se é uma pesquisa do Datafolha, publicada em manchete no G1, a página de Globo, logo, consequentemente, portanto, então, os números estão invertidos em proporções enormes.

Como é de rotina neste tipo de “pesquisa” datafolhetinesca sobre a administração federal.

Se eu fosse o presidente mandava um mensagem de agradecimento ao Datafolha e à Globo.

E celebraria muito neste final de semana.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

TRABALHO

Minha família do lado paterno é 100% descendente de italianos. Meus antepassados emigraram de várias regiões do norte da Itália para a Serra Gaúcha, estimulados por um programa do governo brasileiro da época (1876). Eu sempre procuro ter em mente como foi a vida dos meus tataravôs, como padrão de comparação com a vida de hoje.

Os pais ou avós de meus bisavôs tinham tão pouca esperança no futuro de sua terra que preferiram vender o pouco que tinham e embarcar na terceira classe de um navio a vapor rumo a uma outra terra, sem saber direito onde ficava ou que língua se falava lá. Chegando aqui, descobriram que as terras mais planas já estavam ocupadas, e que eles seriam acomodados em terras montanhosas, cobertas por mata virgem e praticamente sem estradas – e eles teriam que pagar por estas terras. Até onde sei, nenhum deles desistiu.

Sua primeiras casas foram feitas de troncos de árvores partidos a machado, pois não havia ferramentas para cortar tábuas. Mas com o tempo estas ferramentas vieram, e surgiram casas de tábuas bem serradas e também de pedra. E surgiram pequenas oficinas que viraram fábricas, e pequenos armazéns que viraram mercados, e pequenas pousadas que viraram hotéis, e pequenos bares que viraram restaurantes, e muitos pequenos negócios que prosperaram, porque seus donos trabalhavam duro, dia e noite, sem jamais reclamar; ao contrário, eram GRATOS por poder trabalhar e construir seu futuro, e até sonhar com um mundo melhor para seus filhos.

Nunca um destes imigrantes se orgulhou de viver às custas dos outros, ou reclamou de ter muitos problemas. Problemas eles tinham, aos montes, mas a solução para todos eles era uma só: trabalho. Com trabalho, vontade, responsabilidade, persistência, os problemas se resolviam. Para as crianças, os mais velhos ensinavam frases como “Um dia sem trabalho é um dia sem comida” ou “A vida é dura para quem é mole”.

Mas chegou um dia em que os mais jovens deixaram de escutar os “mais velhos” e passaram a escutar outras pessoas. Estas pessoas diziam que não era preciso trabalhar para conseguir as coisas; existia uma coisa chamada governo que dava coisas de graça. Também não era preciso disposição e coragem para enfrentar os problemas: bastava transferir os problemas para os outros. E para viver bem, trabalhar muito não era o melhor caminho: bom mesmo era ser “funcionário do governo”, onde não fazia muita diferença entre ser esforçado ou não, nem entre trabalhar muito ou “enrolar”: o salário era garantido todo mês.

Os jovens mais entusiasmados com estas idéias “fizeram faculdade”, e se tornaram professores, para poder repetir estas idéias para as gerações mais novas. Dentro das universidades, especialmente as públicas, discordar deste pensamento passou a ser algo mal-visto, sujeito a boicotes e perseguições.

Em pouco tempo, este modo de pensar se tornou uma maioria absoluta: todos têm a certeza de que nasceram com um monte de direitos. A idéia de que “ter direito” a algo significa uma obrigação para uma outra pessoa não passa pela cabeça de ninguém. Através dessa abstração chamada “estado” (eu prefiro usar “governo”, que é mais direto) todos fingem que é possível ter coisas “de graça”.

Pior que o direito de ter coisas, é o direito de não ter responsabilidades. As pessoas acreditam com toda a convicção que a vida deve ser composta apenas de alegrias e prazeres; tudo que é aborrecido, chato, preocupante, perigoso, desagradável, deve ser resolvido pelos outros.

Não gosta de estudar? Não tem problema, o governo inventa uma escola onde todo mundo passa de ano mesmo sem saber nada. Dá até para entrar na faculdade sendo semi-analfabeto, e sair de lá um semi-analfabeto diplomado.

Acha trabalhar muito cansativo? Não tem problema, como todo mundo tem diploma universitário, o governo inventa um monte de normas para obrigar os outros a contratar os diplomados para não fazer nada. Na lingua do povo, isso se chama “pagar alguém para assinar”.

Não quer trabalhar, mas é tão preguiçoso que não conseguiu ter um diploma? Não tem problema, faz um cadastro na prefeitura e ganha um dinheiro do governo todo mês. Se tiver filho, ganha mais, então simbora fazer filho.

Criar filhos é trabalhoso e cansativo demais? Não tem problema, o governo providencia creches e escolas em tempo integral, e explica para todo mundo que a função da escola não é ensinar, é “educar”. Como educar era função dos pais, fica estabelecido que os pais não tem mais obrigação nenhuma a não ser largar o filho da creche as sete da manhã e buscar às seis da tarde, de preferência jantado e de banho tomado.

Há também as coisas minúsculas: o governo deve regular o preço da pizza, criar regras sobre a bagagem nos aviões e manter toda uma estrutura burocrática de “defesa do consumidor” que garanta que todos possam ser tolos, fúteis e inconsequentes em cada minuto de sua vida.

Claro que às vezes as coisas saem do combinado, como agora: “Como assim eu posso ficar doente e morrer? Não, não admito. Alguém tem que tomar alguma providência. Eu, sujeito a pegar um vírus? Absurdo! Eu tenho direitos.”

Nada agrada mais um político do que ver seus eleitores exigindo “direitos”. Ele sabe que a esmagadora maioria destes eleitores não tem noção do que está pedindo e se contenta com qualquer coisa que o político disser. Se além de agradável, a fala do político der ao eleitor a chance de se fazer de poderoso, com direito a impôr a sua verdade aos outros, então o eleitor chegou ao paraíso. Quer coisa melhor que ficar em casa sem trabalhar, com salário garantido e ainda poder bancar o gostosão no facebook postando “Fica em casa, babaca!” ?

Claro que mesmo que todo mundo finja que não, toda ação tem consequências. As consequências dessa ilusão coletiva de que todo mundo pode passar o ano de férias (mas com os pobres trabalhando para manter os mercados abastecidos) estão se aproximando. Indústrias, já não tínhamos: foram para a China. Comércios, estão fechados para que as autoridades possam fingir que estão resolvendo o problema. Muitos deles não voltarão a abrir. Os impostos que eles pagavam vão fazer muita falta para os prefeitos e governadores daqui a alguns meses, e os empregos perdidos não voltarão em um passe de mágica. Não é difícil ver que tempos muito difíceis se aproximam.

O irônico disso tudo é que as gerações passadas sabiam exatamente o que fazer em uma crise como essa: arregaçar as mangas e trabalhar. Mas nos dias de hoje, falar isso é tão grave quanto xingar a mãe dos outros. Trabalhar? Que horror! E os meus direitos?