ALEXANDRE GARCIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COLUNA DO BERNARDO

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDE MOTES, GRANDES GLOSAS

O saudoso cantador Valdir Teles (1956-2020) um dos maiores nomes da poesia nordestina 

* * *

Valdir Teles glosando o mote:

Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

A matuta faz fogo de graveto
Ferve o leite que tem no caldeirão
Bota sal na panela do feijão
E assa um taco de bode num espeto
Onde a música do sapo é um soneto
Mais bonito da beira de um barreiro
Não precisa zabumba nem pandeiro
Que o compasso da música é Deus que toca.
Quando chega o inverno Deus coloca
Mais fartura na mesa do roceiro.

* * *

Antônio de Catarina glosando o mote:

O carão que cantava em meu baixio,
teve medo da seca e foi embora.

O carão, esta ave tão profeta,
habitante das matas do sertão,
sentiu falta da chuva no rincão,
ficou triste a sofrer como um poeta,
sem cantar sua vida é incompleta,
o fantasma da seca lhe apavora,
pesaroso partiu fora de hora,
antevendo um futuro tão sombrio;
O carão que cantava em meu baixio,
teve medo da seca e foi embora.

* * *

Mariana Teles glosando o mote:

Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Quando o sol se despede da campina
E a textura da nuvem muda a cor
O alpendre recebe o morador
Regressando da luta campesina
Entre os ecos da casa sem cortina
Corre um grito chamando por Maria…
E da cozinha pra sala a boca esfria
O mormaço da xícara quase cheia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

Meia hora antecede a hora santa
Às seis horas da virgem concebida
E o cálice que serve de bebida
Desce quente nas veias da garganta
Já o trigo depois que sai da planta
Faz o pão quando a massa fica fria
E o tempero da cor do fim do dia
Tem mistura de terço, fé e ceia
Um café com pão quente às cinco e meia
Deixa a casa cheirando a poesia.

* * *

Zezo Patriota glosando o mote:

Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.

Meu espírito não sossega,
com dívidas eu me espanto,
pago conta em todo canto
e devo em toda bodega,
quem deve conta e não nega
topa com que me topei,
tudo que tinha gastei,
com bodega e padaria.
Paguei mais do que devia,
devo mais do que paguei.

* * *

Júnior Adelino glosando o mote:

Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

No ramo da construção
Faço ponte, creche e praça
Com tijolo, cal e massa
Eu ergo qualquer mansão
Levanto em cima do chão
Parede bem grossa ou fina
Torre que não se inclina
Que não se quebra nem dobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Com o prumo e a colher
Lápis, régua, espátula e rolo
Cimento, areia e tijolo
Faço o que o dono quiser
Sobrado, muro ou chalé
Do tamanho de uma colina
Ser pedreiro é minha sina
Tenho talento de sobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Nasci com a vocação
E aprendi de longa data
Que o alicerce e a sapata
São partes da fundação
Numa grande construção
As ferragens predomina
Que a faculdade divina
Me dá aula e nada cobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

Eu sei dizer que o concreto
É quem garante o sustento
Com pedra, areia e cimento
Começo qualquer projeto
Nunca fui um arquiteto
Nada disso me domina
Construo com disciplina
Qualquer coisa com manobra
Sobre os trabalhos da obra
Tudo eu sei ninguém me ensina.

* * *

Pedro Ernesto Filho glosando o mote:

Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O pequeno sanfoneiro
Com arte desafinada
Que de calçada em calçada
Vive a ganhar seu dinheiro,
Não é Alcimar Monteiro
Nem Gonzagão, nem Roberto,
Porém deixou boquiaberto
O povo do interior.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O sertanejo frustrado
Vítima da sociedade,
Somente vai à cidade
Quando se vê obrigado,
Falando pouco e errado
Porque vive no deserto,
Mas se houvesse escola perto
Talvez que fosse um doutor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

A prostituta de bar
Tem na consciência um farne,
Negocia a própria carne
A fim de se alimentar,
O bom conceito de um lar
Foi pela sorte encoberto,
Talvez que até desse certo
Se tivesse havido amor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

O bom vaqueiro voraz
No mato faz reboliço,
Desenvolvendo um serviço
Que acadêmico não faz;
Coveiro é útil demais
Quando um túmulo está aberto
Rico não se torna esperto
Para fazer o favor.
Cada um tem seu valor,
Precisa é ser descoberto.

* * *

Louro Branco e Zé Cardoso glosando o mote

Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

Louro Branco

Rapaz que tem companheira
Não leva Salve Rainha
Mas leva uma camisinha
Escondida na carteira
Tira a roupa da parceira
Mama chega o peito esfria
Chupa na língua macia
Como quem chupa confeito
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

Zé Cardoso

Vi um casal na calçada
Ela com ele abraçado
Ele na boca colado
Ela na língua enganchada
Uma velha admirada
Dizia: “Vixe Maria!”
E com tristeza dizia:
“Eu nunca fiz desse jeito”
Não existe mais respeito
Nos namoros de hoje em dia.

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOZINALDO VITURINO DE FREITAS – SANHARÓ-PE

Rapaz , não é que fiquei viciado no Besta Fubana.

Depois que li uma vez, vi que a coisa é boa.

E agora leio diariamente.

Um fraterno abraço para todos que fazem o JBF.

Jornal justo e perfeito.

R. Justo e perfeito?

Deixe de exageros, meu estimado leitor. Não diga tamanho disparate.

Nesta gazeta escrota não existe justeza alguma e tudo por aqui é imperfeito.

Uma esculhambação no mais alto nível.

Agora, aqui entre nós dois e o resto do mundo:

Fiquei ancho que só peste com a sua mensagem.

Sorri de arreganhar os dentes!

Mais um viciado pra integrar a legião de seguidores desse jornaleco desmantelado.

Gratíssimo mesmo pela força, meu caro Jozinaldo.

E dê um abraço nessa gente boa e hospitaleira de Sanharó, um lindo recanto de mundo que fica no Agreste do nosso estado, a pouco mais de 196 km do Recife.

Detalhe: Sanharó é um dos maiores produtores e fornecedores de queijo e de leite do nosso Pernambuco.

Abraços e um excelente final de semana!!!

O município de Sanharó exerce um importante papel agroindustrial na região do agreste pernambucano, sendo um dos principais pólos de beneficiamento de laticínios do estado. Sanharó é conhecida em todo o estado de Pernambuco por sua tradição e qualidade na produção de queijos e derivados, sendo referência no Nordeste no ramo agroindustrial de beneficiamento de laticínios. A cidade possui um grande centro de comércio de laticínios localizado às margens da BR-232, que conta com uma inúmera variedade de produtos derivados do leite que vão desde produtos tradicionais, como o queijo coalho, o queijo manteiga, o queijo Mussarela, até queijos sofisticados, como Provolone, Queijo Minas, Queijo Parmesão entre outros. (Wikipédia)

FALA, BÁRBARA !

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J.R.GUZZO

A POLÍTICA BRASILEIRA DEPENDE O TEMPO TODO DE FALSOS PROBLEMAS

Ex-deputado estadual Flávio Bolsonaro e o assessor do seu gabinete Fabrício Queiroz: suspeita de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio

Um dos melhores candidatos ao título de campeão dos falsos problemas da política brasileira é a história deste Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flavio Bolsonaro, do Rio de Janeiro. Queiroz, que foi motorista e segurança do filho do presidente quando ele era deputado no Rio, teve “movimentações atípicas” em sua conta bancária, conforme se viu numa investigação das autoridades fiscais; basicamente, acharam cerca de 1 milhão de reais que não deveriam estar lá. Andava sumido desde o começo do caso e, enfim, acaba de ser preso num sítio de Atibaia, no interior de São Paulo – Atibaia, mais uma vez. E agora?

E agora nada – ou, pelo menos, deveria ser nada. O crime imputado a Queiroz é a “rachadinha”, truque pelo qual milhares de vereadores, deputados estaduais e deputados federais do Oiapoque ao Chuí nomeiam funcionários para seu próprio serviço e dividem com eles os salários que a Constituição Cidadã garante e que você paga. E daí?

Digamos que só ele, entre essa multidão toda, tenha de responder pelo que fez. Nesse caso a justiça deveria seguir o seu curso normal, sem interferência de ninguém, e não haveria por que fazer o barulho que sempre se fez em torno dessa figura.

Queiroz deve ser julgado, com todos os direitos de defesa, apelar da sentença caso seja condenado e ir para a cadeia, se a justiça assim o decidir, quando a decisão “transitar em julgado”, como exige o Supremo Tribunal Federal – coisa que só deve acontecer, se o Ministério Público ganhar o processo, daqui a uns 50 anos.

Quanto ao senador Bolsonaro, também é um mistério saber aonde está o problema: se ficar provado que ele enfiou no próprio bolso dinheiro que o contribuinte pagou para sustentar os seus funcionários, basta seguir o curso da lei. No seu caso, o Senado Federal tem de decidir se o seu mandato deve ser cassado e se ele tem de ir para a prisão. O homem tem o “foro privilegiado”, não é mesmo? Como acontece com Aécio Neves, Renan Calheiros e outros gigantes da política nacional, a lei estabelece que só os seus “pares” têm o direito de julgá-los pelos crimes de que são acusados – uma exigência básica da democracia, não é mesmo?

Falso problema em estado puro – mas a política brasileira depende o tempo todo de falsos problemas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Mestre Berto:

NA MIRA DA POLÍCIA FEDERAL! ACORDA PERNAMBUCO!

O povo brasileiro em geral, sobretudo o povo pernambucano que não assistiu, deveria assistir ao programa ALERTA NACIONAL da REDETV!, do dia 16 de junho de 2020, do grande comunicador SIKÊRA JUNIOR, filho de Palmares.

Ele lamenta a terceira operação da Polícia Federal na Prefeitura da Cidade do Recife e interiores para apurar onde foram aplicados os mais de 670 milhões de reais destinados pelo Governo Federal às prefeituras para a Instalação de UTIs improvisadas, compra de máscaras, respiradores, remédios e outros materiais hospitalares para proteger a população infectada pelo coronavírus.

Entrevistando o deputado federal Mendonça Filho, este lamenta a dinheirama roubada pelos prefeitos inescrupulosos que se aproveitaram da Pandemia para roubarem a dignidade maior do povo: A VIDA!

R. Meu estimado conterrâneo de Palmares, o destemido Sikêra Júnior, com quem eu tomava cerveja na Sorveteria Estrela, nos anos 90, quando vinha de férias pra minha terra.

Esse cabra macho, sem papas na língua e que orgulha a nossa cidade, conta com a minha audiência diária, no seu programa Alerta Nacional.

De modo que, meu caro Cícero, eu assisti a este programa do último dia 16, semana passada.

Uma entrevista com outro pernambucano que nos orgulha, o ex-deputado Mendonça Filho, um caso raro, raríssimo, de político decente e com ficha limpa.

E vamos ao vídeo que você nos mandou.