A PALAVRA DO EDITOR

24 DE JUNHO – DIA DE SÃO JOÃO

24 de junho.

Minha folhinha, que está aqui ao lado do computador e que também me serve de agenda, assinala que hoje é o dia do santos João Batista, Fausto e Firmo.

Dia de São João.

Feriado aqui no Recife e em todo o Nordeste.

Fiquei com muita pena de uma pessoal que vendia lenha pra fazer fogueira, aqui perto de casa, ali do outro lado do Açude de Apipucos.

Este ano eles não vão ganhar seu iluminado dinheirinho, pois não haverá fogueiras nas ruas.

Ano passado Aline fez até uma foto, enquanto eu dirigia o carro.

O freguês escolhia a fogueira, dava o endereço e eles iam entregar a madeira numa carroça.

Bom, hoje eu e Aline não iremos dançar e relar o bucho num forró do Sítio da Trindade, aqui perto de casa, mas também não vamos deixar de celebrar meu santinho predileto.

Pra ceia de hoje à noite já temos pamonha, canjica, manguzá e bolo de milho.

A fila na padaria estava longa, muita gente mesmo, mas tivemos paciência e fizemos a nossa feira junina.

Hoje, com certeza, o foguetório vai rolar do outro lado do rio que passa aqui atrás do edifício onde moro.

Existe um bairro por lá onde tem uma turma animada que faz zuada em qualquer celebração.

O céu chega fica clareado!!!

Peço aos amigos cachacistas que, se tomarem uma bicada de cana hoje, tomem duas, por favor.

Uma por mim, que estou em abstinência compulsória.

Agradeço antecipadamente.

E vamos festejar!




J.R.GUZZO

A TORCIDA PRÓ-VÍRUS

O coronavírus já havia nos trazido, logo no começo da epidemia, um novo fenômeno no universo da ciência – a química de direita e a química de esquerda. A química de direita, como se sabe, permite o uso da cloroquina, substância conhecida há décadas pela medicina e aplicada na terapia de diversas doenças, no trato da Covid-19. A química de esquerda proíbe; defendeu-se, até, a ideia de impedir que os serviços públicos de saúde fizessem pesquisas ou testes sobre a sua possível utilização. Temos, agora, a aritmética de direita e a aritmética de esquerda.

A aritmética de direita propõe que as listas que são publicadas todos os dias com o número de vítimas mostrem o número de mortos por 1 milhão de habitantes, no Brasil e nos outros países. A aritmética de esquerda acredita que os números devem ser publicados como eles vêm, em termos absolutos, sem cálculos de proporcionalidade ou ponderações per capita. A direita, em suma, quer que a epidemia seja menor. A esquerda quer que seja maior. Mas o fato é que pouco importa ao vírus qual a sua posição “política” quanto a ele – o seu tamanho real é um só.

No Brasil são anunciados a cada dia mais tantos e tantos mortos; como há mortes diárias, e os que já morreram não podem ressuscitar, o número total de mortos é necessariamente um recorde, pois é sempre maior que o número da véspera. O público é informado assim: “Brasil supera os 10.000 mortos”; e, sucessivamente, “20.000”, “30.000” etc. etc. No momento, superamos os “50.000”. Ao mesmo tempo, anuncia-se que o Brasil “passou” a Espanha em número de mortos, depois a Itália, depois a França e, enfim, a Inglaterra, o que nos coloca hoje em dia em segundo lugar na tabela mundial, logo abaixo dos Estados Unidos.

Ainda não se mencionou que o Brasil está em segundo lugar na classificação porque tem a segunda maior população entre os países que constam na lista – e da qual não aparecem China, Índia e outras nações da Ásia. Também não se informa que no cálculo de mortos per capita, o Brasil fica em 17.º lugar na classificação mundial: tem 225 mortos para cada 1 milhão de habitantes, enquanto o Reino Unido tem 623, a Espanha, 580, a Itália, 571, a França, 454, os Estados Unidos, 365. A Bélgica é a campeã, com 836 mortos por milhão de habitantes.

A verdade, no fim das contas, é que nenhuma dessas duas aritméticas altera o número real de pessoas mortas. Tanto faz que a conta seja assim ou assado: os mortos serão os mesmos. Mas é inútil ignorar que os efeitos da covid-19 têm sido muito piores na Europa e nos Estados Unidos do que no Brasil. Não ajuda em nada os que morreram, aqui ou lá, mas dá o real tamanho da tragédia. Da mesma forma, a cloroquina não muda de natureza por vontade do STF, da mídia ou dos políticos; ela é a mesma de sempre.

Como no caso dos corticoides, antibióticos e tantos outros medicamentos, a cloroquina tem se ser aplicada segundo as condições de cada paciente e o estágio da doença, e sob estrita orientação médica. De mais a mais, está sendo aplicada no trato da covid-19 todos os dias, por milhares de médicos em hospitais do Brasil inteiro; naturalmente, eles não pedem autorização ao prefeito Bruno Covas ou ao telejornal da TV Globo para fazer isso.

A torcida pró-vírus quer que o Brasil continue parado pelo máximo de tempo possível. Nenhum grupo político conseguiria causar tanto dano a um governo como o “distanciamento social” está conseguindo – e quanto pior for a situação, melhor para os seus adversários. Nada mais natural, portanto, que tenha a sua própria química e a sua própria aritmética.

ALEXANDRE GARCIA

DEU NO TWITTER

UMA TURMA DA PESADA

O ministro Gilmar Mendes foi eleito nesta terça-feira (23) presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e conduzirá os trabalhos do colegiado por um ano.

* * *

Esta auspiciosa notícia saiu ontem na página oficial do STF.

Uma página que eu leio com grande e patriótico entusiasmo.

O STF é um órgão que mora na minha estima e na minha admiração, como bom brasileiro que sou.

O Ministro Gilmar Mendes, eleito Presidente da Segunda Turma daquela imaculada corte, é um retrato fiel e sem retoques deste nosso supremo e magnífico tribunal.

Sucesso Ministro!!!

Tem um monte de gente mais feliz ainda do que eu com a vossa eleição.

Esta é a segunda, a turma da pesada

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Meu caro Editor,

Aqui vai uma colaboração para este que é o espaço mais aberto e democrático de toda a mídia brasileira.

Uma montagem que traduz com exatidão o pensamento das pessoas sensatas deste país. 

Um país que, finalmente, encontrou o rumo certo.

Meus cordiais cumprimentos.

COLUNA DO BERNARDO

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UMA GRANDE CHAPA, UMA PARELHA INVENCÍVEL

Comentário sobre a postagem UMA CHAPA IMBATÍVEL

José Hinacio:

Moro, se for inteligente, deve ser o vice do meu amado Lula.

Escrevam e me cobrem depois.

O Goiano deve estar providenciando as camisetas.

Lula Livre Sempre e

Moro Vice em 2022.

Uma chapa imbatível.

* * *

DEU NO JORNAL

GOVERNO VAI ACABAR COM MINHA ESTATAL PREFERIDA

Guido Orgis

O governo federal anunciou que vai acabar com a Ceitec, estatal fabricante de chips criada no governo Lula. O empreendimento não deve ser privatizado, mas liquidado. Deixará de existir da mesma maneira que surgiu, por força de lei.

A empreitada do governo no ramo de microprocessadores é um resumo de tudo que pode acontecer de errado quando uma empresa é criada pelo governo: motivação ideológica, falta de objetivo, dinheiro público infinito e resultado pífio. Por tudo isso, é minha estatal preferida.

A criação da Ceitec ocorreu no momento em que a política do governo Lula partia para a ideia de um Brasil grande. Aquele que podia entrar no Conselho de Segurança da ONU, costurar acordo de paz no Oriente Médio, ter trem bala e produzir tecnologia de ponta.

A lei que criou a Ceitec diz em seu segundo artigo que a empresa teria ” por função social o desenvolvimento de soluções científicas e tecnológicas que contribuam para o progresso e o bem-estar da sociedade brasileira”. Uma definição na qual cabe de tudo, seguida das atividades definidas em lei: produzir semicondutores, comercializar patentes e prestar serviços de consultoria e assistência técnica. Parece simples.

O ponto de partida da Ceitec foram máquinas doadas pela Motorola ao governo do Rio Grande do Sul no início dos anos 2000. Os equipamentos foram alocados em um centro de desenvolvimento de tecnologia (de onde a Ceitec herdou o nome), que não avançou até encontrar uma porta aberta no governo federal.

Quando a União entrou na jogada, o dinheiro deixou de ser problema. Em 2005, antes mesmo da criação da estatal, o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) direcionou recursos à construção de uma fábrica de microchips, em um terreno cedido pela prefeitura de Porto Alegre. Não havia plano de negócios submetido a investidores, visão de oportunidade, nem empreendedores correndo risco.

Foram investidos R$ 400 milhões na fábrica, inaugurada em 2010. Como é comum em projetos estatais, a obra andou devagar e foi alvo de uma investigação do Tribunal de Contas da União, que apontou superfaturamento. Na inauguração, os gestores da Ceitec já sonhavam com mais US$ 1 bilhão para ampliar a sua capacidade produtiva.

A fábrica tinha um principal projeto na prateleira, o chamado “chip do boi”, usado nas argolas de rastreamento de rebanhos. A tecnologia básica era dos anos 50 e o produto tinha dezenas de concorrentes no mercado, já que estava longe de ser inovador.

Para sorte dos contribuintes, a Ceitec nunca viu a cor do bilhão sonhado para sua ampliação. Isso porque também não viu o dinheiro das vendas. O balanço de 2019, mais de uma década depois de a União entrar no projeto, registra vendas de magros R$ 7,8 milhões. Com custo operacional de quase R$ 80 milhões, a companhia precisou de um aporte de R$ 66 milhões do governo federal.

Seu portfólio de produtos se baseia na tecnologia RFID, que usa um microchip e uma antena, e é usado em aplicações como etiquetas e outros itens de identificação. Também presta serviços para projetos e fabricação de microchips para terceiros. Pouco diante do custo milionário de se manter uma equipe de mais de 180 pessoas, a maioria com alto grau de instrução.

Na inauguração da fábrica, Lula fez um discurso em que afirmava que só faltava o governo demandar a produção da Ceitec para ela dar certo. Ele classificou o projeto como “comunismo moderno”, no qual os empreendimentos estatais têm superávit. Ao mesmo tempo, o Brasil tinha que “perder a mania de pequenez para entrar na mania da grandeza, sem arrogância”.

O resultado do comunismo moderno lulista é que ele não funciona da mesma maneira que não funcionava o comunismo raiz. Além de consumir recursos públicos sem retorno ao contribuinte, o projeto da Ceitec concorreu pela mão de obra qualificada que poderia estar muito bem empregada em empreendimentos privados.

A mania de pequenez à qual Lula se referia é provavelmente o fato de o país não contar com muitos dos segmentos de tecnologia de ponta – entre eles o de semicondutores. Esse setor emergiu na ebulição do pós-guerra nos Estados Unidos, onde o financiamento de projetos de guerra fomentou os inovadores que mais tarde fundaram os primeiros fabricantes de microchips.

O mercado cresceu e se consolidou em torno de um número pequeno de empresas devido à combinação de custos altos de desenvolvimento e ganhos de escala. Chips precisam ser produzidos em volumes altos para serem competitivos e bancarem a desenvolvimento necessário para sua produção. A Lei de Moore (cunhada por um dos fundadores da Intel e segundo a qual a capacidade dos microchips dobra a cada 18 meses) não combina com máquinas de segunda mão e compras obrigadas pelo governo.

Isso não significa que o Estado não possa ajudar a criar condições para o crescimento de setores da fronteira tecnológica. A combinação de centros de pesquisa avançada para a formação de mão de obra, ambiente propício para negócios, proteção a patentes e cultura empreendedora, entre outros fatores, foi alcançada pelos países que se destacam em setores tecnológicos. Em muitos casos, o fornecimento para projetos públicos estratégicos é o amálgama dessas outras partes. O Brasil não vai bem na maioria desses itens. Não é mania de pequenez.

CARLOS BRICKMANN – CHUMBO GORDO

A HORA DA VACINA

Ainda há tempo para 2020 terminar bem: a vacina inglesa desenvolvida pelo Imperial College de Oxford e os laboratórios Astra-Zeneca vai bem nos testes e está quase no ponto de ser produzida em todo o mundo, incluindo o Brasil. Nesta semana, disse o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, pode ser assinado o acordo do Laboratório de Manguinhos e da Fundação Oswaldo Cruz com os ingleses. A Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, e a Fundação Jorge Paulo Leman podem aplicar vacinas em voluntários. É a última etapa antes da produção em massa.

Simultaneamente, o Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo, se apronta para produzir a vacina chinesa da Sinovac. Pelo menos mais duas vacinas estão no forno, criadas pelas americanas Gilead e Moderna. A OMS ainda estudará a taxa de imunização de cada vacina, para estabelecer os seus protocolos. Mas, enquanto os estudos tentam apontar a mais adequada, todas estarão à disposição para prevenir a doença. Nada impede que todas acabem sendo indicadas: no caso da paralisia infantil, a vacina mais usada no mundo é a Sabin (a da gotinha), mas a Suécia faz a vacinação com a pioneira Salk.

Quando começa a vacinação em massa, como será distribuída a produção mundial de vacinas? Não há resposta exata, ainda, mas a vacinação em massa está perto de começar. Espera-se ainda a aprovação de remédios para quem já pegou a doença. Enfim, o Covid poderá ser comparado a uma gripezinha.

Brasil prioritário

Reafirmando: ao se envolver diretamente nos testes com duas das vacinas, o Brasil estará na lista prioritária para importá-las e produzi-las. A prioridade é essencial: imaginemos que 25% da população mundial tenham de ser vacinados. Serão dois bilhões de doses, se a imunização pedir uma só dose. Produzir dois bilhões de vacinas leva tempo e muitos países ficarão para trás

O custo da vida

Comenta-se, sem maiores detalhes, que a vacina não deve ser cara e que, produzida em bilhões de doses, o custo tende a se reduzir. Mas chegar a ela custou caro: entraram no jogo fundações como a de Jorge Paulo Leman (um dos maiores acionistas da AB-Inbev, da Heinz, da Burger King) e a de Bill Gates, da Microsoft, além dos gigantes farmacêuticos mundiais. Trump pôs em dúvida, antes, a gravidade do Covid, e virou cloroquineiro – igualzinho, igualzinho. Mas mostrou que era diferente ao perceber a gravidade do Covid, e o Governo americano colocou algo como US$ 1 bilhão na Moderna, na busca da solução. Este colunista não se surpreenderá se for informado de que as despesas na busca da vacina e do remédio alcançaram uns US$ 10 bilhões.

Dúvida

O escritor Olavo de Carvalho gravou vídeo em que se queixa de não ter tido qualquer auxílio do Governo e ameaça derrubar Bolsonaro se não o receber. Quantificando, são R$ 2,8 milhões de multas à Justiça, mais recursos para que continue vivendo nos EUA. Disse que condecoraçõezinhas não quer e sugeriu que Bolsonaro as coloque num local que vive citando, até em reuniões ministeriais. A dúvida: já deram ajuda a Olavo de Carvalho? E, como não recebeu nenhuma condecoração, sua sugestão terá sido seguida?

Dia bom

O Senado deve votar hoje o Marco do Saneamento Básico, pelo qual a iniciativa privada terá papel preponderante em levar a toda a população do país os esgotos e a água potável até 2033. Hoje, mesmo cidades como o Rio e São Paulo dispõem de saneamento básico insuficiente – e o presidente até já apresentou isso como uma virtude, o brasileiro precisa ser estudado, pula no esgoto e não acontece nada. Saneamento básico para todos representará forte queda na mortalidade infantil, redução dos custos do SUS, facilidade para o combate a doenças transmitidas por insetos e por roedores. Mais: são obras razoavelmente simples, que empregam muita gente e que podem atrair investimentos calculados em R$ 700 bilhões. Aprovado (e implantado) este Marco do Saneamento Básico, a história do Brasil se dividirá em duas partes.

Números

Hoje, metade da população não tem água tratada. E 1/7 não têm esgotos.

Os extremos se tocam

A casa em Atibaia (que não é nem de Lula nem de Queiroz, mas de amigos deles) não é a única coisa comum a ambos os casos. As explicações são sempre curiosas: nas duas casas o dono não aparece, uma tem placa de escritório de advocacia, e um cavalheiro fica um ano morando lá sem que o dono saiba (isso na primeira versão: na segunda o dono sabe, mas prefere nada comentar para que outro de seus clientes, embora amigo do cavalheiro escondido, não se preocupe). E neste ano jamais conversaram. Normal, né?

Quem defende

Wasseff tinha procuração de Bolsonaro. Karina Kuffa disse que o cliente era dela. Ele então desistiu de defender Flávio. Mas a briga era pelo outro!