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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DESDÉNS – Raimundo Correia

Realçam no marfim da ventarola
As tuas unhas de coral felinas
Garras com que, a sorrir, tu me assassinas,
Bela e feroz… O sândalo se evola;

O ar cheiroso em redor se desenrola;
Pulsam os seios, arfam as narinas…
Sobre o espaldar de seda o torso inclinas
Numa indolência mórbida, espanhola…

Como eu sou infeliz! Como é sangrenta
Essa mão impiedosa que me arranca
A vida aos poucos, nesta morte lenta!

Essa mão de fidalga, fina e branca;
Essa mão, que me atrai e me afugenta,
Que eu afago, que eu beijo, e que me espanca!

Raimundo da Mota de Azevedo Correia, São Luís-MA (1859-1911)

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COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

TALIBÃ X MARACANÃ

Guilherme Fiuza

A discussão sobre a Terra plana perdeu espaço. Quem domina agora o debate é a Seita da Terra Parada. Ela prega o lockdown como redenção absoluta e transformou o “fique em casa” em bíblia.

Inicialmente quem circulava era herege. Aí a OMS disse que tem muita gente no mundo que se não circular, morre. Como a Seita da Terra Parada se apresenta como salvadora de vidas, ela passou a adotar o “se puder, fique em casa”. Ou seja: um dogma temperado com um eufemismo. Os que “não podem” ficar em casa circulam, portanto contrariam frontalmente a premissa dos fiquemcasistas sobre bloqueio do contágio e detenção da epidemia, portanto poderão voltar para casa infectados, portanto poderão infectar os que ficaram em casa – que por sua vez deverão continuar repetindo “fique em casa” como salvação.

Como você já sabe, no mundo real que a Seita da Terra Parada renega, a história foi completamente outra. A hipótese da humanidade inteira trancada em casa deixando o coronavírus à míngua do lado de fora era uma fantasia e a pandemia se espalhou por onde quis. O contágio fácil e rápido do vírus nascido e criado na China logo mostrou que não haveria quarentena inexpugnável. O achatamento da curva de infectados só aconteceu na cabeça dos especuladores do Imperial College de Londres e seus replicantes ao redor do planeta, que montaram projeções epidêmicas delirantes para depois poder dizer que o lockdown salvou vidas. Alguns já se desculparam, outros decidiram mentir para sempre.

Os desprezados pela Seita da Terra Parada foram os grupos de risco. Estes jamais mereceram um único versículo nas escrituras paralisantes. Em Nova York, o índice predominante de infectados que precisaram de internação hospitalar estava na quarentena – ou seja, os integrantes dos grupos de risco adoeceram em casa. Isto porque ficar em casa nunca foi seguro de vida, sem um isolamento rigoroso dos vulneráveis em relação ao restante da população – confinada ou não. Essa premissa elementar jamais esteve no centro da mensagem dos fiquemcasistas.

Em São Paulo, por exemplo, todos se cansaram de ver transportes públicos circulando com aglomerações. Se “não puder” não fique em casa e dane-se o resto? Onde estava a patrulha da bondade estatal e privada para organizar essa bagunça? Ela estava na quarentena vip chamando todo mundo de genocida. E fingindo que estava tudo bem no mundo encantado do “fique em casa”, como se ele ficasse numa galáxia distante.

A diretriz que realmente salva vidas é, e sempre foi, distanciamento (e proteção pessoal) dos não-vulneráveis e isolamento total dos vulneráveis. Mas isso virou tabu e até hoje a Seita da Terra Parada te patrulha violentamente se você falar em circulação responsável.

Aliás, os terraparadistas acabam de condenar à morte moral o time do Flamengo que jogou no Maracanã fechado, com todos os protocolos de segurança sanitária atendidos e sem botar a vida de ninguém em risco. Seita é seita.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Mestre Berto:

Na sua coluna de hoje publicada no site Diário do Poder, o bem informado jornalista CLÁUDIO HUMBERTO estampa sua coluna com um petardo que é um verdadeiro coice de jegue nos cunhões dos contribuintes brasileiros.

E comprova, mais uma vez, de novo, novamente, repetindo bis, porque o Brasil funciona de cabeça para baixo, e porque o PT e LULA destruíram o País.

Transcrevo a seguir:

MESMO EM CASA, SERVIDOR RECEBE “PERICULOSIDADE”

Sem cota de sacrifício na pandemia, ao contrário dos trabalhadores do setor privado com salários reduzidos ou sem empregos, o setor público não abre mão de um só centavo das regalias e privilégios. Agora, obteve sem demora uma decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região que obriga o governo federal a seguir pagando “adicional noturno” e até “de periculosidade” a servidores que estão em casa, sob quarentena, de modo algum expostos a esses “riscos” próprios da “natureza do cargo”.

MEU PIRÃO PRIMEIRO

A mamata foi obtida pela pelegada sindical do serviço público, que foi à Justiça a fim de obrigar o contribuinte otário a bancar mais essa conta.

INCORPOROU GERAL

Na prática, o TRF-5 já considera os adicionais, que são gratificações eventuais, “incorporados” aos salários. Uma beleza, coisa de País rico.

ÀS FAVAS O PAÍS

A decisão manteve suspensa a Instrução Normativa 28, assinada por Jair Bolsonaro em 25 de março, como medida contra crise da pandemia.

MÃO NO SEU BOLSO

Continuarão a ser pagos adicionais noturnos, insalubridade, “irradiação ionizante” e até gratificações por atividade com raio-x… Tudo “remoto”.

INJUSTIÇA SINDICAL E JUDICIAL

Enquanto essa mamata covarde, assassina permanece contra os contribuintes honestos, trabalhadores, que pagam tudo, eu trabalho até dia de domingo em plena PANDEMIA para sustentar essa bandidagem e ganhar o meu ganha pão!

É mole?

Comigo não tem boquinha de quarentena: Ou trabalha, ou morra!

J.R.GUZZO

PESOS E MEDIDAS

O Brasil não é, positivamente, um país para distraídos. A verdade que vale hoje pode não estar valendo nada amanhã – e se o sujeito não presta muita atenção nas mudanças súbitas que fazem o certo virar errado e o errado virar certo vai acabar andando fora do passo. Até outro dia, quando havia por aqui algo chamado Operação Lava Jato e os corruptos viviam no medo de acordar com o camburão da Polícia Federal na sua porta, era exigida das autoridades públicas, como se exige de um muçulmano diante de Alá, uma obediência cega, surda e muda ao “direito de defesa”. Hoje, quando a grande atração em cartaz é o combate ao que se considera ameaças à democracia, e quem está aflito com a PF são os suspeitos de extremismo de direita, o que se cobra da Justiça é o contrário – vale passar por cima da lei e de seus detalhes incômodos para punir tudo o que possa ser descrito como “fascismo”.

Trocaram os polos da pilha – de negativo para positivo e vice-versa. O primeiro dos dez mandamentos, nos tempos de Lava Jato, era: é preciso combater a corrupção, sim, mas desde que as leis sejam respeitadas em suas miudezas mais extremadas. O problema do Brasil, na época, não era o saque ao erário e a punição dos ladrões; era a possibilidade de haver o mais delicado arranhão em qualquer direito dos acusados. Muito melhor deixar um culpado sem castigo do que correr o mínimo risco de punir alguém se não for cumprido tudo o que as milhões de leis em vigor no país oferecem em sua defesa. O primeiro mandamento, hoje, é o oposto: não se pode ficar com essa história de “cumprir a lei” ao pé da letra, pois “a democracia tem de estar acima de tudo”. Os direitos dos acusados não vêm mais ao caso.

Onde foram parar os “garantistas”? Você talvez ainda se lembre deles: eram os ministros do STF, advogados de corruptos milionários e toda uma multidão de juristas amadores que acusavam a Lava Jato de desrespeitar o direito de defesa, exigiam que suas decisões fossem anuladas e pediam punição para o juiz Sérgio Moro e os procuradores da operação. O ministro Gilmar Mendes chamou a Lava Jato de “operação criminosa” e acusou a PF da prática de “pistolagem”. Também disse que “a República de Curitiba é uma ditadura de gente ordinária” e que a Lava Jato foi “uma época de trevas”. O presidente do STF, Antônio Dias Toffoli, acusou a operação de “destruir empresas”. Seu colega Marco Aurélio Mello disse não queria ser substituído por Moro quando se aposentasse.

Temos agora, o episódio dessa moça que se descreve como “ativista” de direita e foi presa por um mínimo de cinco dias sob a acusação de atentar contra a Lei de Segurança Nacional. Sara xingou a mãe do ministro Alexandre de Moraes; disso não há dúvida. Mas desde quando xingar a mãe de ministro ameaça a segurança do Brasil, ou de qualquer país? O crime, aí, se a Justiça assim o decidir, é o de injúria, previsto no artigo 140 do Código Penal. Não pode ser outro – e para ele a lei não prevê prisão temporária de cinco dias, nem de mais e nem de menos. Conclusão: extremistas de direita devem ter menos direitos que extremistas de esquerda, ou que delinquentes de outros tipos.

Da mesma forma, há muito escândalo porque o grupo de Sara foi soltar rojões na frente do STF. Mas ninguém achou que a segurança nacional foi ameaçada quando picharam de vermelho o prédio da ministra Cármen Lúcia, dois anos atrás, em Belo Horizonte – ou quando manifestantes “a favor da democracia” e “contra o fascismo” jogam pedra na polícia, destroem propriedade e tocam fogo em bancas de jornal. O que se condena, no Brasil de hoje, não é o que foi feito. É quem faz.

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

PANO DE PRATO

Quando a porta fechou e tu partiste
E eu fiquei afogada em solidão
Ruminando essa tua ingratidão
Um punhal com o qual tu me feriste
O meu peito era apenas ave triste
Sobre um galho de angústia abandonada
Sem cantar, sem voar, sem comer nada
De tristeza morrendo a toda hora
Desde que resolveste e foste embora
Na saudade vivendo engaiolada.

Cada cena da gente relembrada
Duas águas escorrem em meu rosto
Vão salgando os meus lábios de desgosto
Vão deixando minha alma ensopada
Tu serás pela vida alma penada
Que no amor cometeu assassinato
Enquanto eu voltarei ao meu recato
Pois, perdi pela vida seus encantos
E quando eu me cansar de tantos prantos
O meu lenço será um pano de prato.

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JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE