PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VAIDADE – Jenário de Fátima

Quanta gente, que se acha tão bonita.
Como apenas, só a beleza contasse,
E nunca expõe aquele monstro que habita
E se esconde, sob sua bela face.

Quanta gente, em quase nada acredita
Passa a vida, como só a incomodasse
A ausência de um espelho que reflita
O seu rosto, em qualquer lugar que passe.

Quanta gente, ao cuidar só da beleza.
Se esquece que no âmago se revela
Uma parte, onde a humana natureza

Leva a Deus, que vê tudo do seu jeito.
Pois da carne, inda que seja a mais bela.
Só os vermes tirar-lhe-ão algum proveito.

Jenário de Fátima, Brasília-DF (1955)

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COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NONATO – IGUATU-CE

Bom dia, Papa Berto I e Único!

Parece que no Ceará a Justiça (?) está prendendo quem posta vídeos em desfavor do governador.

R. Em desfavor do governado???

Quem é o governador desse nosso querido Ceará?

Qual é o partido dele?

Veja só: neste vídeo que você nos mandou, o cidadão que está recebendo o mandado de prisão mora numa grande mansão, do tipo TT (Triplex Térreo).

Pela aparência do sujeito, parece ser um rico empresário, proprietário de grande empresa de comunicação, postador de vídeos difamatórios na internet.

Por favor, nos esclareça sobre estes detalhes.

E vamos ao vídeo que você nos mandou:

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO TWITTER

J.R.GUZZO

INQUÉRITO DE MORAES É ALGO JAMAIS VISTO NA HISTÓRIA DESTE PAÍS

No arrastão que vem fazendo há tempos contra fabricantes de notícias falsas, inimigos das instituições e outros indesejáveis da vida política nacional, o ministro Alexandre de Moraes tem incluído, desde o início, uma penca de parlamentares em pleno exercício de seus mandatos; só no último rapa, no começo desta semana, decidiu quebrar o sigilo bancário de dez deputados e um senador, e mandou a Polícia Federal apreender objetos de propriedade de um outro. Pode, isso? Pode, porque Moraes diz que sua investigação é legal, e se os seus colegas acharem que é legal, a coisa toda fica legal, seja lá o que for – é assim que funciona e é assim que o STF entende que deve ser praticada a democracia no Brasil de hoje. (O ministro Edson Fachin já decidiu que está tudo certo com a operação de Moraes; o plenário ainda tem de dar a palavra final, mas quem pode duvidar do resultado?).

O inquérito de Moraes é algo jamais visto na história deste País. É um procedimento secreto; nem o público, nem os investigados e nem mesmo os seus advogados têm acesso à papelada legal da operação. Os envolvidos não são acusados oficialmente de nenhum crime previsto nos 341 artigos do Código Penal. Na verdade, nem sabem o que são. Suspeitos? Indiciados? Réus? O Ministério Público, que tanto quanto se saiba é quem tem a exclusividade de fazer investigações criminais no Brasil, não participa de nada disso.

O STF, enfim, apresenta-se como vítima, polícia, promotor e juiz no mesmo caso – está dizendo, ao que parece, que só ele, STF, tem o direito de investigar os delitos que o atingem e, no fim, de julgar quem é culpado e quem não é.

No ambiente de anarquia legal em que o Brasil se acostumou a viver nos últimos anos, onde a lei não é o que está escrito, mas o que os tribunais dizem que é, nada disso é realmente uma surpresa. Mas chama atenção, em todo caso, a passividade com que o Congresso Nacional aceita que os seus membros sejam tratados como bandidos vulgares por um outro Poder da República. O ministro Moraes confisca bens dos deputados e manda que eles apareçam na polícia para depor. As mesas da Câmara Federal e do Senado não dão um pio. Os deputados obedecem quietinhos às ordens que recebem. Ninguém iria aceitar se fosse o Executivo que fizesse isso. Mas como é “o Supremo”, todo mundo acha que não há problema nenhum.

Não há dois tipos de deputados – os que estão sob a proteção das leis, porque o STF aprova a sua atuação política, e os que não estão, porque incomodam os ministros da corte. Mas é exatamente esta situação que vem sendo aceita no Brasil. Quando a imprensa senta a pua no Congresso e nos congressistas – e tudo o que pode fazer é isso, falar – é imediatamente acusada de “criminalizar” a política e agredir a sagrada majestade do Legislativo. O ministro Moraes pode fazer o que bem lhe dá na telha e ninguém acha nada de errado nisso. Os deputados podem estar dizendo coisas horríveis do STF; em matéria de má conduta, não estarão fazendo nada de diferente do que fazem cerca de 200 parlamentares acusados na Justiça por crimes que vão do estelionato ao assédio sexual, conforme o Estado de S. Paulo divulgou em levantamento sobre o atual Congresso publicado em 2018. O STF jamais deu a mínima para essa aberração, e ninguém considera que haja aí qualquer desrespeito à democracia.

É claro que não existe nenhuma possibilidade de se levar a sério o show ora em cartaz.

CHARGE DO SPONHOLZ