GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

JAIR MESSIAS BOLSONARO E AS EXPRESSÕES TIPICAMENTE BRASILEIRAS

1. Pode tirar o cavalinho da chuva – para Moro, quando ele disse que era ele que iria nomear o Diretor Geral da PF.

2. Vou deixar ela tomando um chá de cadeira – referindo-se a Regina Duarte esperando a nomeação para a Cinemateca.

3. Ele é um sujeito cheio de nove horas – referindo-se ao morde e assopra de Rodrigo Maia.

4. Eu nem tchum – para o Covid 19.

5. Vou enfiar o pé na jaca – referindo-se à entrega de cargos para o Centrão.

6. Ela fala mais do que o homem da cobra – referindo-se a Joice Hasselmann.

7. Estou com o cu na mão – a respeito de diligências da PF a mando do Ministro Alexandre Moraes, do STF.

8. Por mim ele pode ir para a casa do caralho – a respeito de um ex-deputado que anunciou que ia mudar-se para os Estados Unidos.

9. Foi fabricado em laboratório naquele país que fica lá no cu do Judas – referindo-se ao vírus que assola o mundo.

10.Tá na hora de picar a mula – vendo a coisa ficar politicamente incorreta.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

CLARA – Casimiro de Abreu

Não sabes, Clara, que pena
eu teria se — morena
tu fosses em vez de clara!
Talvez… quem sabe… não digo…
mas refletindo comigo
talvez nem tanto te amara!

A tua cor é mimosa,
brilha mais da face a rosa
tem mais graça a boca breve.
O teu sorriso é delírio…
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!

A morena é predileta,
mas a clara é do poeta:
assim se pintam arcanjos.
Qualquer, encantos encerra,
mas a morena é da terra
enquanto a clara é dos anjos!

Mulher morena é ardente:
prende o amante demente
nos fios do seu cabelo;
— A clara é sempre mais fria,
mas dá-me licença um dia
que eu vou arder no teu gelo!

A cor morena é bonita,
mas nada, nada te imita
nem mesmo sequer de leve.
— O teu sorriso é delírio…
És alva da cor do lírio,
és clara da cor da neve!

Casimiro José Marques de Abreu, Barra de São João-RJ (1839-1860)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

“NÃO PISE NO MEU RABO” 

Os pensamentos, feito os pássaros, nasceram para a liberdade, arribam quando querem, vão e vem. Num átimo de segundo revolvem o pretérito, assistem ao presente, tentam ler a carta fechada do porvir. Nesse intérmino fluxo, e sob o incentivo da pandemia, (forasteira que já goza de estima), acabaram por revelar uma paisagem distante, meio fosca. Era um prado arrebatador, sopé de uma Serra, (do Encantado), plena em cumeadas, todas recobertas de vegetal arbustivo.

No centro desse vastíssimo prado, tabuleiro no dizer dos nativos, havia uma figueira copada que sombreava um mocambo, cujas feições, irrisórias, tinham o carimbo da taipa e do chão batido. Ambos, ela e ele, eram felizes e se queriam bem, mas a figueira, com ar de matrona que sente prazer em amadrinhar os mais escassos, parecia querer agasalhar o mocambo sob seus esgalhos expandidos, assim como as galinhas amparam suas redadas de pinto sob suas asas.

De esteiras de palha eram feitas as portas e janelas do mocambo: comuns usanças caboclas, dos tempos em que a ecografia atendia pelo nome de parteira, a primeira a atestar o sexo do recente. Nesse berço, coberto de palha de carnaúba, a infância vigorou plena, espontânea, sob os rigores do rei Sol e de uma felicidade que não ligava importância ao pão. A infância, plena, pautava-se por um estatuto menineiro cujo mandamento cardeal consistia em assegurar todas as modalidades lúdicas: correr, saltar, vadiar, entreter, enfim, todos os divertimentos benignos.

O terreiro, piçarroso, amplo, sombreado, era convidativo, de muitas valências: tanto servia às prosas enluaradas, quanto às galinhas, que o escarificavam e o sujavam. De quebra, servia para congregar o apoucado rebanho caprino que, à noite, acamava-se para descanso e procederes ruminativos. O fazia ordinariamente, em estado quase de torpor, sob os olhares espertos da melhor sentinela, o Peri, tão caçador eficiente, quanto formidável atalaia durante as desoras.

Apesar das enjoativas emanações da rabugem do Peri, todos rendiam a ele a melhor das considerações, tamanho o seu desvelo. Como a um servo que não descuida das suas obrigações, Peri, subserviente e cordato, aceitava tudo, menos que lhe pisassem ao rabo. No olhar oblíquo e trombudo de Peri lia-se o cartaz: “não pise no meu rabo!

DEU NO TWITTER

DEU NO JORNAL

POLODORO ESTÁ NO AGUARDO

A Justiça de São Paulo já soltou até agora 3.799 criminosos a pretexto de covid-19.

Deste total, 120 foram presos novamente porque voltaram a crimes.

E sete foram novamente soltos.

E ninguém faz nada contra isso.

Um ouvinte de Guarulhos resumiu bem:

“O mesmo Estado que não protegeu o cidadão, agora protege o bandido. Não sei onde está Justiça nisso”.

* * *

Eu sei onde está a justiça nisso.

Não deve estar na casa do caralho, que é um órgão respeitável.

Deve estar na… no…

Deixa pra lá. Também não quero ofender o sistema de esgotos.

Enquanto isso, o nosso estimado jegue Polodoro, mascote desta gazeta escrota, continua pastando por aí todo faceiro.

Ele está com a pajaraca devidamente envaselinada, ansioso pra cruzar com autoridades que botam bandidos na rua pra protegê-los do covid-19.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A CANJICA, A MAÇÃ DO AMOR E O ROLETE DE CANA

Milho verde apropriado para a canjica

Começa o mês de junho e a gente já consegue ouvir, longe, os sons das zabumbas, das sanfonas, dos foguetes e dos ensaios das quadrilhas juninas. É a confirmação da tradição cultural de um país que, ainda que enfrentando uma pandemia, ousa se divertir. Mês joanino, de Santo Antônio, São João e São Pedro; e junino dos trinta dias do mês de junho.

No meu Ceará, tradicionalmente e neste ano, a agricultura familiar recebeu a bênção divina das chuvas (muita água em alguns lugares, mas nada que atrapalhe) e tem a colheita assegurada. A fartura. O arroz, o feijão, a mandioca e o milho.

Canjica de milho verde decorada com canela em pó

A primeira colheita do milho preserva e mantém a tradição de uma culinária rica que leva alegria às mesas das famílias dos muitos agricultores. Tão logo a boneca vira sabugo, e a espiga fica completa, vem a primeira colheita – e a garantia do milho cozido ou assado; da pamonha e da canjica.

No próximo sábado, 13, dia consagrado à Santo Antônio, as primeiras fogueiras são acesas e as tradições culturais e folclóricas ganham nova pintura – mas, sempre mantendo a tradição trazida, ensinada e perpetuada pelos nossos antepassados.

Aprendi com os avós que, 17 dias após o “amadurecimento” do milho, as espigas já estão prontas para “virar” – por algum tempo, na posição que brota, a espiga apanha sol, e seca. É chegada a hora de “virar” a espiga para secar na outra posição. É a cultura da roça que nenhuma escola ensina.

Para aprender, tem que viver no meio e sentir prazer em fazer o que faz: pôr alimento na mesa.

Maçã do amor

Quase sempre no início da segunda semana do mês de junho, muitas Igrejas realizam (ou, “realizavam”) seus preparativos para render homenagens ao santo padroeiro. Entre esses preparativos, por tradição, são realizados os folguedos – em Fortaleza e de resto no Ceará, são conhecidos como “quermesses” – que duram cerca de 30 dias.

Os folguedos antigos reuniam os jovens enamorados e aqueles que pretendiam namorar. Os rapazes, roupas simples, mas sempre bem vestidos; as moças, acompanhadas das mães ou tias, primeiro assistiam a Santa Missa. Depois, “ganhavam” uma pequena folga das mães e se permitiam namorar.

Carrossel, roda gigante, tiro ao alvo, laça cigarros, pescaria, eram algumas das diversões apresentadas durante os folguedos, tudo permitido e organizado pela paróquia. Ao final de cada noite, o leilão de prendas domésticas – o “frango assado” ainda era uma grande novidade nos anos 50 e 60. Os valores arrecadados, descontados os custos e as despesas, eram em benefício da paróquia.

A “maçã do amor” era uma tradição. O rapaz juntava dinheiro durante toda a semana, para oferecer, à noite, aquela gostosura à namorada. Os dois mordiam a maçã, juntos. Pena que ainda não existia a “selfie”.

Barraca com vendedora da maçã do amor

Faz tempo que, festança junina que representa tradição e respeito, não pode4m faltar alguns itens como cacho de pitombas, caldo de cana com pastel, pipoca, algodão doce e, principalmente, rolete de cana.

Nos folguedos nordestinos, a cana caiana da qual é feito o rolete, é parte da cultura das coisas importantes. Ainda hoje, a cana de açúcar é uma das maiores riquezas do Brasil, produzindo, entre outras coisas, o açúcar, o metanol e principalmente o álcool.

Desde os primórdios, os engenhos fazem a riqueza de muitos “senhores”, gerando empregos e desenvolvimento. Mas, também de forma tradicional, jamais deixará de existir o trabalho escravo no plantio, no cuidado durante a lavoura e no corte da cana de açúcar.

Cana caiana

Vale registrar que, no caso específico do “rolete de cana”, ele é vendido em vários lugares, incluindo praias, estádios de jogos de futebol e até faz a alegria de crianças em festas de aniversários.

Roletes de cana caiana

DEU NO JORNAL

AVUANDO NAS ASAS DO CONTRIBUINTE

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na última sexta-feira (29) em São Paulo.

Os dois conversaram pela manhã no apartamento de Alexandre de Moraes.

O encontro aconteceu um dia depois de a Polícia Federal realizar operação contra aliados do presidente Jair Bolsonaro, com base no inquérito conduzido por Moraes que apura ataques a ministros do Supremo.

Segundo registros da FAB, o presidente da Câmara chegou por volta das 9 horas e decolou às 17h45 de volta para Brasília.

* * *

Deve ser uma grande honra para um piloto da FAB, um oficial que prestou um duríssimo concurso para entrar na Academia da Força Aérea, que cumpriu um currículo pesado e um treinamento duríssimo, ficar transportando um doutor bacharel, uma insigne personalidade pública, um político ficha limpa honrado e ilibado do porte de Rodrigo Maia.

O oficial deve ficar orgulhoso que só a porra de cumprir esta missão: levar e trazer Maia, no mesmo dia, entre Brasília e São Paulo

Agora, mudando de assunto:

Num intendi direito essa nota aí de cima.

Tô ficando leso…

Peço ajuda aos nossos antenados leitores.

Um encontro entre Botafogo e Cabeça-de-Ovo virar notícia, só porque aconteceu um dia depois da prensa levada pelos desmiolados seguidores do presidente pornofônico.

Que danado significa isso???

Desconfio que seja besteira, tolice.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Ana Pimentel

Ana Pimentel nasceu em Salamanca, Espanha, em princípios de 1500. Colonizadora, esposa de Martim Afonso de Souza, dama de honra e prima da Rainha Dona Catarina (irmã de Carlos V, Rei da Espanha). Diz-se que era uma mulher de aspecto frágil, mas de grande autonomia. Casou-se em 1524 e no ano seguinte o casal mudou-se para Lisboa, levando Dona Catarina, que se tornou esposa de Dom João III, Rei de Portugal.

Em 1530, o marido foi designado a colonizar a Brasil e combater os franceses, que andavam de olho naquelas terras. Passou 3 anos no Brasil; fundou a vila de São Vicente e retornou à Lisboa em 1533. O Capitão-mór era um fidalgo português, navegante e explorador de territórios d’além mar, que não dispunha de tempo para cuidar da Capitania. Assim, a história conta que seu único ato relativo àquela parte do Brasil, foi providenciar uma procuração à sua mulher para administrar a Capitania. Em 1533 ele foi nomeado Capitão-mór do mar da Índia e depois tonou-se governador da Índia.

Consta que ela passou a cuidar da administração política e administrativa da Capitania por mais de 10 anos, até 1544. Realizou a distribuição das terras em sesmarias, designou alguns dirigentes e introduziu na selva brasileira, o cultivo da laranja, arroz e trigo e mandou vir da Ilha de Cabo Verde, bois e vacas para criar. Assim, pouco depois, os colonos já comiam carne bovina com arroz e trigo, algo nunca visto em terras brasileiras. São tarefas incomuns para uma mulher naquela época, mas que se deram a contento. Além de manter a administração da Capitania a distância, manteve a família de 8 filhos, que teve com o marido entre uma missão e outra, designada pela coroa portuguesa. As más línguas falavam que ela, na condição de dama de honra da Rainha, tinha alguns privilégios que lhe possibilitava contatos furtivos com alguns ordenanças. Mas, tais fofocas partiam de inimigos do marido, que vivia viajando. Logo, é fofoca que não importa na história.

Em 1536 providenciou carta de doação de uma sesmaria para Braz Cubas. 10 anos após, a sesmaria foi elevada a condição de Vila, que tornou-se a cidade de Santos e veio a prosperar mais que São Vicente. Outro de seus feitos foi desobedecer a ordem do marido, que proibia aquele povo de transpor a Serra do Mar, com acesso ao planalto paulista. onde se encontrava terras mais férteis e um clima mais ameno. A proibição devia-se a acordos mantidos em Lisboa, que tinha o planalto destinado a criação da Vila de São Paulo. Desse modo, foi a precursora da ligação do interior com o litoral, propiciando o surgimento dos Bandeirantes e o consequente desenvolvimento posterior da região.

Os primeiros anos da Capitania de São Vicente encontram-se registrados no documento manuscrito, transformado em livro, “O testamento de Martim Afonso de Sousa e de Dona Ana Pimentel”, publicado pela Editora da UFMG-Universidade Federal de Minas Gerais, em 2015. Dona Ana Pimentel administrou a Capitania até 1544 e veio a falecer em 1571.

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ARROMBOU A TABACA DE XOLINHA

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Não custa nada ressaltar que o ministro (podes crer: ele é ministro do STF!!!) atendeu a um pedido feito pelo Partido Socialista Brasileiro.

Não há novidade alguma nessa determinação.

O ministro Fachinho está sendo perfeitamente coerente com o que veio a se tornar nos dias de hoje o órgão do qual faz parte.

Perseguir e prender bandidos, sejam traficantes ou corruptos, não é certo, não é justo, não é constitucional.

Apesar disso, a cachorra Xolinha, mascote desta gazeta escrota, ficou de tabaca arrombada quando soube da ordem do douto togado, que tem notório e indiscutível saber jurídico, além de reputação comprovadamente ilibada.

Chega faz pena a bichinha…

Xolinha de tabaca arrombada depois que soube da determinação de Fachinho

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Faz sentido, faz sentido…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Bom dia com Poesia, caro editor Luiz Berto,

Trago um pouco da Arte dos nossos Poetas pra gente espalhar mais Poesia pelo mundo real e digital.

Envio-lhe agora o Episódio-1 sobre o poeta repentista Rogério Menezes.

Vídeo pertencente à Série Mestres da Poesia: grandes repentistas, poetas, violeiros.

E para os leitores que quiserem acessar gratuitamente o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima declamação.