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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EPITALÂMIO – Mário de Andrade

O alto fulgor desta paixão insana
Há-de cegar nossos corações
E deserdados da esperança humana
Palmilharemos por escuridões…

Não mais te orgulharás da soberana
Beleza! e eu, minhas cálidas canções
Não mais dedilharei com mão ufana
Na harpa de luz das minhas ilusões!…

Pela realização que ora se ultima
Vai apagar-se em breve o alto fulgor
Que te inflama e ilumina o meu desejo…

Como no último verso a última rima,
Eu deporei, sem gozo e sem calor,
Meu derradeiro beijo no teu beijo!

Mário Raul Morais de Andrade, São Paulo-SP (1893-1945)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VIVALDO ROCHA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Berto, bom dia.

Desta vez a homenagem vai para o Avô Peninha, mais um colaborador do JBF.

Eu tenho um livro do Thiago Góes, Natalense, com o título Contos Bregas.

Achei muito criativo, uma vez que ele inventa uma história de Amor, para retratar as música Brega Brasileiras.

E, diga-se de passagem, com uma boa escrita e sempre com pitadas de humor. Isto, quando é possível!

Para uma inauguração Arretada, vai uma do nosso saudoso Rei do Brega, o Reginaldo Rossi: Eu Devia Te Odiar.

Saudações,

* * *

Do livro “Contos Bregas” –Thiago de Góes

EU DEVIA TE ODIAR

“Eu devia te odiar. No entanto, só sei te Amar”. Reginaldo Rossi

Lembrava-se dos dizeres escritos a giz colorido na parede do Centro Acadêmico da faculdade: “nem mesmo o ódio é capaz de vencer o desejo”. Sempre discordava da frase, que ainda jazia perdida entre inúmeras outras de cunho político ou poético, naquela parede suja que lhe invadia a memória.

Alguns poucos minutos após o gozo, mirava o olhar em direção ao espelho no teto, certamente a perceber as imperfeições que o tempo lhe atribuíra ao corpo. Mantivera as meias nos pés, como de costume, apesas das queixas de Heloísa.

Era verdade que ela o traíra, apesar de nem desconfiar que já fora descoberta em seu pecado. E ainda agora, após uma relação intensa, seria o último momento em que pensaria nisso. Deliciava-se ao sabor das águas quentes, que desciam do chuveiro elétrico, acariciando sua pele. Antes de ensaboar-se, esboçou uma pequena rubrica na parede de vidro do boxe, já embaçada pelo calor do banho.

Cantarolava uma canção romântica, enquanto seu companheiro apanhava uma cerveja preta no frigobar. Ele tinha agora a exata noção do que precisava fazer. Sabia que sentiria remorsos, mas no fim a certeza de que fizera algo justo o consolaria. Afinal, a imagem de sua namorada fazendo amor com um estranho lhe alfinetava a consciência de tal forma que a vingança configurava-se como a mais normal e inevitável das decisões.

Ao lado da cama, uma faca. Mais na frente, jogadas numa mesa redonda, estavam as roupas de ambos. Observou as próprias lágrimas, refletidas na faca. A conta viera nas mãos de uma mulher um pouco idosa, que fingia não vê-lo. Aliás, todos fingiam alguma coisa o tempo todo. Quem sabe a vida não seria apenas uma invenção?

Ao redor da rubrica, já um pouco apagada, Heloísa desenhou um coração, sobre o qual lhe penetrou poderosa flecha. Imaginou que as gotículas que escorregavam no vidro poderiam representar o sangue derramado. Lembrou-se por fim de sua noite de amor com o desconhecido, tentando achar razões para que houvesse permitido acontecer tamanha ousadia.

É certo que a lembrança a deixou excitada. Aos poucos, já podia sentir a sensualidade que brotava de seu corpo e as chamas de desejo que lhe escapavam das entranhas. Encostou-se na parede, abriu levemente as pernas e masturbou-se lentamente. Chamou pelo namorado. Não houve resposta. Chamou novamente. Silêncio.

Decidiu então ela mesma ir ao encontro do rapaz. Abriu a porta do banheiro e dirigiu logo o olhar em direção à cama. Ninguém. Adentrou um pouco mais no quarto e viu mesmo que não havia ninguém. Chamou umas três vezes pelo nome do namorado, gritando na última. Olhou na garagem e viu que o carro não mais estava lá.

O pânico já começara a instalar-se quando ela percebeu que suas roupas também não estavam em lugar algum. Procurou por todos os buracos do quarto e não havia sinal de suas vestimentas. Chorou. Como sairia desta situação? Sozinha, nua e sem dinheiro. Então percebeu o bilhete bem perto das camisinhas usadas, no chão à frente da cama: “Nem mesmo o ódio é capaz de vencer o desejo. Adeus!”.

DEU NO JORNAL

INCONTINÊNCIA CAGATÓRIA

Curioso observar como os petistas trocaram de roupa.

Se antes vestiam vermelho e agitavam a bandeira do partido, agora vestem verde e misturam xingamentos a Bolsonaro com supostas teses ambientalistas.

* * *

Petista vestindo verde é diarreia.

Diarreia em consequência de ter tomado vitamina de abacate com mortadela podre.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

RESPOSTAS ENGATILHADAS

É interessante observar que algumas pessoas respondem indagações de forma muito rápida. Espirituosamente devolvem as perguntas, via de regra, com respostas que fazem rir. Parece que estão com as soluções engatilhadas.

Quando fui contratado para a Assessoria de Imprensa do Sport Club do Recife, tive acesso a algumas festas particulares, promovidas por rubro-negros memoráveis, dentre eles: Mílton Bivar, Murilo Paraíso, Marcelino Lopes e outros próceres da década de 60.

Por ocasião do relançamento da revista daquele clube, em maio de 1965, Dr. Gilberto Duque de Souza e sua esposa, D. Nelly, comemoraram o primeiro aniversário de sua gestão como Presidente do clube, e discretamente, o fato de sua filha Telma, haver sido escolhida para ilustrar a capa da revista.

A fim de animar a festa, o empresário do cantor Altemar Dutra, acedeu a uma sugestão de Palmeira, levando o artista para o jantar na residência do Presidente.

Nos finalmente, depois das merecidas saudações a Gilberto e sua família, houve uma série de fotografias com o astro. Mas, eis que um oportunista, desses “puxa sacos de carteirinha”, caiu na besteira de improvisar, anunciando que o cantor faria uma apresentação-surpresa.

Altemar, muito educadamente, se desmanchou em desculpas ao casal recepcionista. Justificou que havia ido ali por questão apenas de prestígio, sem saber que teria que cantar. Por aquela razão não havia levado seu instrumento.

Mas o fato teria passado sem maiores consequências, a não ser os lamentos femininos. Após o fiasco, um cidadão, caiu na besteira de provocar uma gafe. Pegou
Altemar pelo braço e soltou umas palavrinhas que foram publicadas nos jornais do dia seguinte:

Manuel – Mas Altemar, por que você não trouxe o violão?!…

Altemar Dutra – Porque meu violão não come nem bebe!…

Dr. Pacífico dos Santos, Juiz de Direito, na década de 1940, usava cabeleira cheia, barba longa, costeletas compridas e bigode. Chega a uma barbearia no Largo da Paz, e ao sentar-se, depara-se com uma novidade. Seu cabeleireiro habitual estava de férias. O dono da firma, entretanto, lhe apresenta Manuel, que lhe oferece um largo “Bom Dia”.

Esquecera o chefe de recomendar que aquele ilustre cavalheiro não gostava de conversa mole, porque utilizava o tempo para ler parte do jornal. E puxando conversa preliminar, disse Manuel:

Barbeiro – Doutor, como quer que corte seu cabelo?

Dr. Pacífico – Quero calado!

Visto de fora, pela ótica da clientela, o Banco do Brasil em 1950 representava uma comunidade de funcionários atenciosos, capazes, zelosos e até sisudos. Contudo, longe da trabalheira do expediente, porém, sempre houve entre aqueles senhores, alegria, camaradagem e bom humor.

Retornando de férias quando viveu sua Lua de Mel na Europa, Antônio Victor Pires de Lima Rebelo, se reapresenta para o expediente e começa a discorrer para os colegas as maravilhas da sua excursão. Deixa, porém, uma intimidade para segredar ao seu Chefe, que naturalmente, merecia a melhor notícia.

Ocorre que o Chefe da Carteira Agrícola, era o Dr. Lourenço da Fonseca Barbosa – nada menos que o irreverente Capiba – conhecido por suas tiradas incomparáveis. Discretamente, Antônio Victor se abaixa e despeja em seus ouvidos que vivera um sonho, passando por lugares muito românticos. E adiantou que guardara a melhor notícia para ele, fraterno amigo.

Antônio Victor – Desconfio que minha mulher está grávida!…

Capiba – Desconfia de quem?…

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COLUNA DO BERNARDO

AUGUSTO NUNES

EX-PRESIDIÁRIO EXIGENTE

Lula tenta explicar por que não vai assinar manifesto nenhum a favor de nada

“Tem muita gente de bem que assinou. E tem muita gente que é responsável pelo Bolsonaro. O PT tem que discutir com muita profundidade, para a gente não entrar numa coisa em que outra vez a elite sai por cima da carne seca, e o povo trabalhador não sai na fotografia”.

Lula, sem explicar se deve ser enquadrado como ‘elite’, ‘povo trabalhador’ ou população carcerária fora do cárcere.

A PALAVRA DO EDITOR

DEU NO JORNAL

DE ONDE VEM ESTA VERBA?

Dezenas de ônibus foram alugados em Brasília para transportar “mortadelas” das cidades próximas até o centro da cidade, para “fazer número” na manifestação deste domingo (7) contra o governo de Jair Bolsonaro.

Além dos ônibus, também foram contratados lanches a serem distribuídos entre manifestantes, que também receberão cachê.

Modelo idênticos aos protestos contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Já nesta sexta-feira (5), policiais interceptaram nos acessos a Brasília diversos veículos transportando materiais de “suporte” à manifestação.

Uma preocupação central da PM é quanto ao uso de armas brancas, porretes, coquetéis molotov e outros apetrechos, por isso haverá revista.

* * *

Eu tô curioso é pra saber quem está pagando o aluguel dos ônibus.

E quem está pagando os cachês e os lanches dos mortadeleiros profissionais.

Quem tiver alguma pista, dê a dica aqui pra gente.

Seria ótimo se a polícia tivesse cassetetes em forma de bimba, pra enfiar no furico dos terroristas Antifas.

O danado é que entre eles deve haver muitos que iriam adorar…

Cassetete especial do tipo rasga-pregas