COLUNA DO BERNARDO

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

SEM PÂNICO NA PANDEMIA

Caro amigo, larguei tudo
E vim pra roça, porém,
Esse não é o meu sítio
É a fazenda do meu bem.
Por aqui a gente trepa,
Dia sim outro também,
Pra tirar fruta do pé
Sem pedir nada a ninguém.
Aqui tem pomba, tem rola,
Mas me faz falta o vem vem,
Tem cobra rondando a casa,
Perereca, há mais de cem.
O frio aqui está grande,
Chuveiro quente não tem,
Às vezes é complicado,
Para lavar o sedém,
Entretanto dou meu jeito
Garanto não fico sem.
Pra fugir da Pandemia
Faço tudo que convém
Faço prece e uso máscara
Rogo a Jesus de Belém
Faço figa e simpatia
Se preciso vou além.

DEU NO JORNAL

PERSEGUIÇÃO INJUSTA E MESQUINHA

Bastou uma visita de inspeção de deputados estaduais de São Paulo para descobrir que é praticamente cenográfico o “hospital de campanha” instalado pelo governo estadual no Anhembi.

Só a montagem custou R$ 12 milhões, além dos R$ 10 milhões mensais para sua “manutenção”.

Pareciam esconder alguma coisa: tentaram impedir o acesso dos deputados à força.

Márcio Nakashima (PDT), chegou a ser empurrado.

Uma das observações mais graves, feita pelo deputado Coronel Telhada, é que nesse festejado “hospital de campanha” não há um só respirador.

O hospital de campanha do Anhembi foi montado para receber 1.800 pacientes, mas os deputados conferiram: só havia 10% disso.

Os deputados quase não viram camas e, quando as encontraram, estavam sem colchões.

Viram também geladeiras ainda embaladas.

* * *

Eu acho que esta notícia só foi publicada por conta da perseguição da mídia contra o bravo tucano João Doria, governador de São Paulo, que está gastando milhões e milhões, sem dó, nem piedade.

Sem dó nem piedade do coronavírus.

Doria vem cumprindo com muita eficiência e galhardia suas duas guerras simultâneas.

Ele combate, ao mesmo tempo, a pandemia e o governo federal.

A propósito, o impoluto jornal Globo Vid-19 publicou ontem uma manchete que resume tudo e escancara que foi o bando do capitão pornofônico que provocou tumulto e tentou avacalhar com o utilíssimo hospital.

Vejam:

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

DUO MARAVILHA

Comentário sobre a postagem TALENTO FUBÂNICO

Paulo Terracota:

Berto,

que tal você colocar esse Duo Maravilha na primeira pagina do nosso jornal?

Os fubânicos antigos poderiam matar um pouca da saudade.

E os novos teriam a oportunidade de conhecer a saudosa Glória Braga Horta.

Eu pessoalmente, sempre achei a voz da Glória parecidíssima com a voz da cantora Lana Turner.

Fica a sugestão.

* * *

Nota do Editor:

Atendendo ao pedido do nosso leitor, aqui está o Duo Maravilha na primeira página.

Duo composto pela saudosa fubânica Glória Braga Horta, que encantou-se tão cedo, fazendo um dueto com o seu mano Goiano Braga Horta, colunista desta gazeta.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

COISAS QUE SÓ SE VÊ NO BRASIL

Jabuticaba.

Fã de Getúlio Vargas se declarar anti-fascista e defender a legislação trabalhista copiada da Itália de Mussolini.

Liberal dizer que o BNDES deve salvar a economia distribuindo dinheiro.

Conservador dizer que as instituições não funcionam e pedir golpe de estado.

Intelectual defender que assassino e estuprador não deve ser preso porque “política de encarceramento não resolve”, mas que quem diz algo políticamente incorreto no facebook deve ser preso porque “palavras ferem”.

Acadêmico afirmar que crime é fruto da pobreza, mas a polícia suspeitar de pobre é preconceito.

Governo fecha comércio e indústria porque não pode haver aglomerações, mas mantém ônibus e metrô funcionando (e com frota reduzida).

Ministério Público, órgão que representa o povo, não tem um único integrante escolhido pelo povo nem um único mecanismo pelo qual o povo possa opinar sobre sua atuação.

Militante que gritou “Fora Sarney”, “Fora Collor” e “Fora FHC” dizer que impeachment da Dilma foi golpe.

Socialite posta “Fica em casa” todo dia nas suas redes sociais mas quer sua doméstica, o porteiro e a faxineira do prédio trabalhando.

Congresso cujo presidente pode engavetar qualquer projeto de lei indefinidamente.

Adolescentes de dezesseis ou dezessete anos que matarem alguém não podem ser julgados porque são “de menor”, mas são considerados maduros o bastante para votar.

Poder judiciário decidir que um artigo da constituição é inconstitucional.

Jornalista não dar a menor importância aos 150 homicídios diários de seu próprio país, mas ficar horrorizado por semanas se um maluco nos EUA matar cinco pessoas.

DEU NO JORNAL

FAZ PENA

José de Abreu é demitido da Globo.

Emissora mantém série de demissões em massa.

* * *

Demissões em massa?

Por que isso?

Que foi que houve com a rica e poderosa GloboVid-19?

Num intendo…

Fiquei morrendo de pena do Zé de Abreu.

É de cortar o coração…

DEU NO TWITTER

SANCHO PANZA - LAS BIENAVENTURANZAS

QUE SAUDADES DA PROFESSORINHA QUE ME ENSINOU O BÊABÁ

O acesso à Ilhafeia, microrregião de San Sebastian, feito exclusivamente por meio de balsa para pedestres, automóveis e ônibus, está parado. Sancho está parado. A vida está parada. Quatro semanas ou 672 horas, ou 967680 minutos é o tempo em que o caminhoneiro está ali, esperando autorização para passar.

Enquanto esperava o passar do tempo, seus pés bateram na terra dura e prenderam em uma raiz. Soltou um grito: “O horror, o horror!”. Essas palavras finais resumem essa pandemia e Apocalypse Now (que filmaço!!!!), de Francis Ford Coppola. Por que gritara? Gritara ao notar que a tal raiz tinha origem em seu pododáctilo direito. Sancho estava a criar raizes. Outros gritos se fizeram ouvir, em forma de palavrões.

Lembrou-se de sua professora, a saudosa Dona Francisoreia, de belas pernas e andar de tigresa.

Os palavrões na língua portuguesa são palavras de calão usadas em países ou regiões onde se fala a “inculta e bela” (que Bilac nos proteja e que Camões não nos desampare jamais). O termo “baixo calão”, popularmente conhecido para designar os palavrões, é um pleonasmo, pois “calão” já indica um palavrão, conforme ensinou ao jovem Pança, a dedicada Fran em sua Desengano querida.

Visivelmente alterado pela espera, virei-me para o homem de farda, um fiel cumpridor de seu dever, com cara e músculos de rottweiler, que bloqueava meu direito de ir e vir e estava furioso com meus gritos.

Resolvi esgotar o estoque e proferi todos os calões que recentemente aprendi com o presidente da República, um expert no assunto e um cão sem dentes, conforme elogio publicado em jornal da capital PAULISTA. Após esgotar o estoque, atirei-me ao mar, pois o sentinela fardado certamente me levaria em cana e eu dormiria no xilindró.

Dez minutos e muitas braçadas depois, avistei Sverige, pois havia passado, sem perceber de um país para outro, do mar para o rio mais importante daquele país, localizado na península Escandinava, o Rio Tietê (Quantos prometeram te despoluir? Quantos, ainda, irão te aviltar, valente rio, que jaz morto e marginal aos pés da MARGINAL?). Entristecido, cantarolei a música que todos vocês conhecem (Rio Tietê, em frágeis caíques, 2 bravos caciques batiam-se ali).

O importante rio cobre territorialmente todo o Reino da Suécia, de leste a oeste, além de marcar a geografia urbana da maior cidade do país, a capital San Pablo (Stockholm em sueco). O nome “Tietê” foi registrado pela primeira vez no ano de 1748 no mapa Danvile, por Heimdall. O hidrônimo é de origem tupi e significa “água verdadeira”, com a junção dos termos ti (“água”) e etê (“verdadeiro), onde pratica-se a tradicional pesca da traíra, um peixe que só nada nos rios daquele país nórdico e exuberante, onde todas as mulheres são loiras, lindas e se chamam Greta.

Assim me ensinou minha dedicada professorinha, a sempre bela Francisoreia Dorotheia da Silva e Silva, como vocês já estão cansados de saber. Prometo não falar mais em minha professorinha querida, a senhora Francisoreia Dorotheia da Silva e Silva. Falemos de Greta.

Falando em Greta, lembrei de Francisoreia, mas (maledetto mas), como prometi não falar mais de Francisoreia, em uma fração de minutos e algumas braçadas mais, este anti-herói estava nadando entre belos corpos nús, cercado por belas Gretas. Greta Bacalhaurgströmer nadava entre bacalhaus. Greta Dilmolulössen brincava com o vento, como se quisesse estocá-lo e Greta Garbo ria de cada gracinha que eu fazia.

Greta Thunferg (avó da Greta Thunferg, que penteia macaco na Amazônia) me perguntou se eu conhecia o maravilhoso Lula. Respondi Hidronevrukusticadiafragamkontravibrationer (tradução: o povo adora comer lula à doré, um prato típico de Caetés) e ela, não entendendo meu sueco arcaico, acabou acreditando que eu dissera “Lula é o cara”.

A única mulher que não se chama Greta aqui na Suécia é Anita Hekberg, mas Anita não é mulher, é uma funkeira maravilhosa, uma divindade feminina, esculpida a três mãos, por Odin, Thor e Loki. Hekberg, que também estava banhando-se no Tietê entre Gretas, me dirigia longos olhares de deusa nórdica no cio. Vocês já viram uma deusa no cio? Pensei de mim para comigo: vai lá Sancho, seu zerda! Vai acasalar com a bela e fazer lindos vikinzinhos.

Vou ou não? Bom ou não, perguntaria a Bárbara, que não é loira, não se chama Greta, não estava nadando nuazinha entre nós, mas (benedicto mas), igualmente é um espetáculo.

Decidi “atacar”, já que “o não está garantido”… Vai que cola o xaveco…

Fui interrompido (maldita interrupção, Batman!) por uma microfonia estridente de um megafone, voz gritada em um sueco de estranho sotaque, que mandou que saíssemos todos da água, com as mãos para o alto, conforme traduziu Greta Tradutoraksen, a tradutora que, para minha surpresa nadava entre tantas outras Gretas e estava deslumbrantemente nua e disposta a me auxiliar nas coisas da língua nórdica antiga (dǫnsk tunga).

Pensa em um cara revoltado. Malditos “empata phodda”, pensei de mim para comigo. Resolvi “apelar para a ignorância” e, como os suecos não entendem porra nenhuma de español, despejei, com um sorriso nos lábios, para eles não perceberem, todos os impropérios conhecidos na língua pátria de “minha madre”.

Maldita hora escolhida para bancar o engraçadinho! A Polismyndigheten, em fluente espanhol, me chamou aos berros: “Muérete, enfermo hijo de perra!”, “Escúchame, viscoso hijo de perra, aunque mi duela, aunque me duela el alma, te mataré”.

Percebendo a confusão, o chefe do policiamento veio correndo, todo vesgo, ao tentar ver ao mesmo tempo detalhes da confusão e da anatomia estonteante das moças. Ouviu de seu subordinado: “Ese hijo de perra intentó hacernos una jugarreta.”

Foi aí que consegui ler no sutache dos militares, os nomes dos pouco amigáveis policiais: Comandante Fidel, Sargento Cienfuegos, Cabo Maradonna e Soldado Guevara. O susto foi imenso. Senti que estava mais do que phoddiddo; temi parar no paredón.

Aproveitei que a patrulha cufana mantinha-se embasbacada vendo emergirem das águas, uma por uma, as 20 ninfas nórdicas, completamente nuas (19 Gretas esculpidas pelos deuses, desejadas pelos homens). Os truculentos filhotes da “ditamole cufana” esqueceram da vida, da missão e de Sancho Pança, que agarrou a mão da única não Greta, a bela Anita e correu pelas ruas de Estocolmo até pararem, ofegantes, para tomar fôlego.

Aí fiz assustada pergunta: – Que porra foi aquilo!?

As línguas lapônicas, iídiche, romani e meänkieli são oficiais em algumas regiões do país e ela, a bela, poderia descarregar sua raiva em qualquer desses idiomas, mas (estranho mas), fitou-me com aqueles olhos de jade, sorriu e disse em português bolsonarístico, que aprendiam universitários suecos nas aulas de filosofia: “Caráleo Sancho, seu filho da puta! Porra! Você é um merda de um desinformado! Você não acompanha o noticiário da pandemia de dengue, zika e chikungunya que assolou o mundo, provocado por um musquitim muito do phela da putta!? O governador sueco João Glória e seu prefeito Bruto Cova decretaram quarentena absoluta aqui em San Pablo e importou médicos cufanos, que, por não terem o que fazer aqui na capital, pois temos QUASE zero casos de infectados, estão patrulhando em caminhões “cata velho”. Nosso governo usa o conhecimento bélico adquirido por esses brucutus em Cufa e na Fefezuela, e os emprega em todos os serviços de segurança de nosso país.”

Contabilizei o número de “elogios” que me endereçou. Ao todo, a belíssima desbocada, assim como Bolsonaro, o fizera em famosa reunião, falou 5 merda, 7 bosta, 8 porra, 2 foder, 4 putaria, 2 puta que o pariu, 2 filho da puta e 1 cacete.

Certo de que, se me pegassem, eu sofreria “impeachment” e iria para “el paredón”, apenas pelos palavrões proferidos, afinal, morrer não custa nada e, a esta altura do texto, tem muita gente interessada em meu fim, resolvi orar, deprecar, rezar.

Por São Luiz Berto, padroeiro dos Sanchos desempregados, o que fazer? Olhei para os peitos de sueca, larguei as súplicas ao padroeiro e resolvi colocar em prática uma velha frase: faça amor, não faça guerra.

As revoluções são a locomotiva da história. Chegara a hora de fazer a minha revolução. Cantei mentalmente “A Internacional (L’Internationale)”, de punhos erguidos e olhando nos olhos lindos da loira, com uma convicção própria dos revolucionários, disse: Déjeme decirle Hekberg, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor. (tradução culta: Anita Hekberg vamos fazer amor e afrontar a guerra. E na tradução povão: Anita quero afogar o ganso, passar a rola, descabelar o palhaço, molhar o biscoito, gratinar o canelone).

A irresistível companheira de Sancho sorriu e perguntou: “¿Tenemos tiempo de follar antes de que lleguen?”

Procurei o melhor motel e consequentemente, mais caro; pedi 10 garrafas de Moët & Chandon Dom Perignon Charles & Diana 1961, afinal quem pagaria a conta seriam os sequazes amigos de Díaz-Kamel, pois não tardaria a ser capturado e só possuía o progressista, vanguardista, renovador Sancho uma opção: aproveitar seus últimos dias tomando champagne e fazendo lindos vikinzinhos de olhos verdes.

PENINHA - DICA MUSICAL