SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

ALEXANDRE GARCIA

DEU NO TWITTER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LEVI ALBERNAZ – ANÁPOLIS-GO

Prezado Editor Berto,

Tem gente dizendo que Bolsonaro deveria dar o exemplo.

Se eu fosse viver de exemplo de presidente, hoje eu seria cachaceiro e ladrão.

E por falar em presidente, a imprensa noticiou que Alcolumbre, presidente do Senado, está com o coronavírus.

Francamente, fiquei com uma pena danada do vírus.

“Essa porra podia pegar o Maia também…”

A PALAVRA DO EDITOR

DICA PROS LEITORES

Aqui vai uma dica deste Editor para todos os viciados fubânicos:

Não deixem de ver o programa Alerta Nacional, que é apresentado pelo meu conterrâneo de Palmares, o certeiro e direto Sikera Jr.

Um cabra da peste, um apresentador como nenhuma outro na TV brasileira, no seu estilo bem peculiar.

Com ele é peibufo, no alvo, direto, sem arrodeio, no fucinho.

O programa de Sikera vai ao ar de segunda a sexta, das 18h às 19h30.

Veja aí na sua cidade qual é o canal de Rede TV. 

Ou, então, veja pela internet, ao vivo. 

Clique aqui para acessar. 

Não esqueça: a partir das 6 da tarde de hoje, segunda-feira.

A página de Sikera no Youtube também tem muitos vídeos interessantes.

Vale a pena dar uma passada por lá.

Pra fechar a postagem, um vídeo de Sikera da semana passada:

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

SAUDADE

Que nostalgia nos chorosos, lentos
carros de boi monótonos da aldeia!
Que tristonha beleza nos rebentos
de meu sertão, à luz da lua cheia!

Recordo agora os rostos poeirentos
dos tropeiros da vila quieta e feia…
E o coração, revendo esses momentos,
de longínqua saudade se incendeia.

Repentino clamor de cavalgadas
na síncope noturna das estradas
vem devolver-me extintas emoções.

E no cheiro da terra e na ramagem
pressinto o rouco pássaro selvagem
que cantava nas minhas solidões…

COMENTÁRIO SELECIONADO

O EDITOR FICA ANCHO MAIS UMA VEZ!!!

Ccomentário sobre a postagem LEITOR FAZ O EDITOR FICAR TODO ANCHO

D. Matt:

Caro amigo Cícero:

Confesso que já li e reli toda a obra do nosso querido editor Berto.

Já comentei por diversas vezes o meu pensamento e o que encontrei na importante produção literária em questão. Todas as vezes em que eu li uma obra do Berto, eu escrevi para ele a minha opinião e o que eu consegui entender de uma obra literária tão empolgante, sem nada igual nos meios literários brasileiros.

A meu ver a criação literária do Berto só se compara com a obra do autor nordestino que mais estimo, o nosso querido Ariano Suassuna.

Com relação ao livro “A Prisão de São Benedito” (que já está na 6ª edição) eu já comentei algumas vezes que considero um livro fora de série, cujo texto é tão vasto em sentido de grandeza que me fez lê-lo por várias vezes, pois sempre encontro novos trechos, novas aventuras que merecem serem relidas e apreciadas.

Esse trecho mencionado pelo amigo “O caixão da caridade” é tragicômico e ao mesmo tempo é importante e inocente, pois demonstra que os participantes não tem uma total compreensão das ações que estão cometendo, é apenas mais uma brincadeira infantil e inocente, e até se divertem com a diferença entre morte morrida ou morte matada.

Para você ter uma ideia da importância desse livro para mim, confesso que o reli mais uma vez e também o seu excelente prefácio escrito pelo ótimo escritor Orlando Tejo a procura de inspiração para escrever o prefácio do livro do escritor e colunista fubânico Altamir Pinheiro, que me honrou muitíssimo com o seu convite para prefaciar o seu livro “No escurinho do cinema”.

Apenas para fazer jus ao meu comentário acima, vou citar um trecho do prefácio escrito por Orlando Tejo:

“Tomem nota deste depoimento: nunca li, em nenhum escritor pátrio, nada mais tocante nem de tanta grandeza, nenhuma página mais lírica e eterna do que “Nós, os Meninos de Palmares”, com que Luiz Berto inicia a PRISÃO DE SÃO BENEDITO E OUTRAS HISTÓRIAS”

Faço minhas as palavras do prefaciante. E o prefácio total me serviu de orientação, inspiração e aula de como falar do texto de um livro que admiramos profundamente.

* * *

Nota do Editor:

Êita peste!!!

Mais uma vez tô aqui ancho que só a bixiga lixa, avuando nas asas da satisfação.

E imensamente grato pela generosa apreciação do leitor D. Matt.

Aproveito a ocasião pra dar uma de amostrado e inxirido, fazendo mais um comercial da minha mercadoria literária:

Todos os meus títulos podem ser adquiridos na página da Editora Bagaço, via internet, com tranquilidade e segurança. Os volumes serão entregues pelo correiro.

São cinco títulos: A Serenata, A Guerrilha de Palmares, Memorial do Mundo Novo, A Prisão de São Benedito O Romance da Besta Fubana.

PERCIVAL PUGGINA

AS PERNAS E AS ASAS DO VÍRUS

Nesta pequena cápsula que é meu gabinete de trabalho, onde quase tudo está ao alcance da mão, tenho me lembrado de Howard Hughes. Nos anos 60, encantava-me a pluralidade de seus talentos. Engenheiro, aviador, industrialista, diretor de cinema, riquíssimo, namorava as mais belas divas de Hollywood e afastou-se de tudo e de todas, internando-se em sua própria casa num misto de misantropia, fobia de contaminação e drogadição.

Encarcerou-se com grades que seus fantasmas impunham. Renunciou à liberdade que, por décadas, lhe proporcionou uma vida criativa e, sob muitos aspectos, extraordinária.

Diferentemente, nestes dias, eu e minha mulher, a exemplo de tantos em todo o mundo, nos tornamos prisioneiros. Não de fobias, mas de invisíveis ameaças reais e letais. Renunciamos à liberdade um dia antes de essa renúncia nos ser imposta pelas autoridades locais e nacionais. Ficou entendido, para nós, o sentido social, apropriadamente social, do esvaziamento das ruas. Quem não consegue entender o significado do bem comum, tem, agora, uma boa oportunidade de esclarecimento mediante o desenho dos fatos.

É preciso tirar as pernas do vírus. Ele caminha com nossas pernas. Voa com nossas asas metálicas.

Está mudando muitas vidas e não apenas as rotinas dessas vidas a invulgar experiência de protagonizar um desses filmes cujo script cria suspense em torno da luta contra a exterminação da humanidade. Reza-se nas redes sociais (quem diria?), reza-se em família. Lê-se como raramente sobra tempo para ler. E se tem uma erupção de sentimentos profundamente humanos proporcionados pelo desencarceramento do tempo. Entre eles, de um lado, o medo, o egoísmo, a desesperança rumo ao desespero, a mudança emocional para o reino da fantasia; de outro, a solidariedade, a compaixão, a esperança, a busca do transcendente e a necessidade de atribuir sentido a esse novo cotidiano.

Em Viena, no centro da Graben, um monumento domina a paisagem. É a Pestsäule, coluna comemorativa do fim da peste que atacou a cidade no final do século XVII. Obra coletiva de diversos escultores e pintores, o monumento barroco resulta confuso pela pluralidade de mensagens a ver, sentir e interpretar. Mas é essa característica que impõe, a quem o contempla, prolongada análise de seus elementos. Vê-se ali a celebração artística do fim do flagelo, o ódio à peste e o gratificado louvor à Santíssima Trindade.

Nunca pensei que, um dia, aquele monumento fosse ganhar atualidade e se fazer ensinamento na nossa vida.

CHARGE DO SPONHOLZ

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

DJANGO (I) – O CLÁSSICO DO WESTERN SPAGHETTI

Texto escrito em parceria com o mestre em filmes de faroeste D.Matt

Dedicamos ao cinéfilo Altamir Pinheiro e seu neto Antonio Miguel, o cowboy

O caixão fantasmasgórico de Django

A cena de abertura do primeiro filme de faroeste da franquia “Django” é épica, memorável, monumental, icônica e irretocável. A câmara focando um homem solitário, arrastando um caixão fantasmagórico no lamaçal caótico, tendo como painel de fundo um cenário natural, maçante, acompanhado da antológica trilha sonora “Django”, composta pelo maestro argentino-italiano Luis Enríquez Bacalov, é apropriada para o clima sinistro do western.

“Django” conta a história de um andarilho misterioso, acompanhado de sua poderosa metralhadora, disposto a vingar a morte de sua esposa, assassinada por uma gangue rival que agia na região fronteiriça do México. Para conseguir seu intento ele fez um “acordo” com um dos chefes de uma gangue comandada pelo general Hugo Rodriguez, bandido frio, calculista, ambicioso, contra seu oponente, o Major Jackson e seu bando de facínoras, sanguinários.

É um dos melhores exemplos de filmes do gênero western spaghetti, com uma trilha sonora agitada, duelos de armas e um anti-herói de poucas palavras, que arrasta um caixão mortífero. O visual magnífico do filme é devido ao trabalho do diretor de arte Carlo Simi, que já havia criado personagens e cenários para filmes anteriores do diretor Sergio Corbucci, como o “Minnesota Clay.”

Antes e depois da primeira cena antológica do confronto entre “Django” com a metralhadora e os mais de quarenta bandidos do Major Jackson em frente ao Saloon do Nathaniel, ficava a impressão de que estávamos diante de mais um western lugar-comum, piegas, mas ante a competência do diretor Sergio Corbucci o que vemos é um filme com cenário de batalha expertise, cruenta, épica, que até hoje fascina crítico e cinéfilo que o elogiam como uma obra-prima do western spaghetti.

Como diz o mestre de filme de far western D.Matt., autor do Prefácio do livro “NO ESCURINHO DO CINEMA”, do cinéfilo-historiador Altamir Pinheiro, a ser lançado em breve: “DJANGO l, ou simplesmente DJANGO”, é o primeiro, o único e o verdadeiro. Esse filme tornou o ótimo ator Franco Nero famoso e ao citarmos DJANGO, o filme, todos logo identificamos o primeiro e o melhor da franquia. Sim o nome “Django” tornou-se uma franquia, pois existem muitas dezenas de filmes relacionados ao personagem famoso, talvez cheguem perto de meia centena de filmes, todos com adjetivos diversos, títulos chamativos, mas nenhum chegou perto do original que permanece eterno, com a matriz intocada, sem nada que possa abalar a sua merecida fama.

No ponto de vista cinematográfico, o único filme que chegou quase a merecer comparação com a qualidade do original, foi o filme “Django Livre” do diretor Quentin Tarantino. A comparação que se faz é apenas pela qualidade do filme, seus valores cinematográficos, seu ótimo elenco, que contou acertadamente com a participação do “Django” original, Franco Nero, numa pequena atuação, mas uma grande e merecida homenagem prestada pelo cineasta Tarantino ao grande ator, criador do personagem cujo nome, até hoje nos emociona. O filme cria um clima místico e quase sobrenatural, quando o personagem aparece do nada arrastando um caixão, como uma aparição fantasmagórica deixando todos apavorados e surpresos, sem saber o que esperar. O diretor Sergio Corbucci soube segurar com muita competência e profissionalismo essa atmosfera sombria.

Nada de parecido tinha sido visto antes nos filmes do gênero western, e a expectativa vai num crescendo para todos os personagens do vilarejo e muito importante, também para nós os expectadores do filme, pois o que vai ou poderá acontecer é uma incógnita.

Mas o diretor Sergio Corbucci mostrou que é um mestre, pois os fatos vão se sucedendo até que afinal o inesperado é revelado e com a sucessão dos acontecimentos, os vilões são enfrentados e como em todo bom filme de faroeste: o mocinho vence no final para satisfação de todos.

Ressalte-se o grande número de filmes que levam o nome “Django”, com dezenas de atores que fizeram o personagem-título, mas como se pode ver pelos enredos, nenhum deles é a continuação do filme original. Não que não sejam bons atores, mas sim porque o personagem do primeiro é muito místico, sombrio, e o ator deu ao personagem-título um desempenho extraordinário que nenhuma imitação conseguiu alcançá-lo.”

Em cena antológica dentro do oeste, Django arrasa com os quarenta capatazes do Major Jackson, que foge desmoralizado, com a cara cheia de lama dum tiro de COLT 45.