CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ELEGIA Nº 10 – Mauro Mota

Insone e inquieta na pequena cama,
Na longa noite, Luciana chora,
E à mamãe tão distante chama, chama,
Como se ela pudesse ouvi-la agora.

Não quer o pai, não quer também sua ama;
Só a mãe que a deixou e foi embora.
No seu choro infantil, pede e reclama
A canção de dormir que ouvia outrora.

Mas, aos poucos, na noite, vejo-a calma,
Para alguém os seus braços se levantam,
Junto do berço, maternal, tua alma

Canta a canção de doces estribilhos
Que as mães, mesmo depois de mortas, cantam
Para embalar os pequeninos filhos.

DEU NO JORNAL

J.R.GUZZO

O BAIXO MUNDO

O Brasil está divido por uma guerra cada vez mais aberta, indigna e agressiva entre dois países. Na verdade, só um país move essa guerra; o outro, sem defesa, apenas sofre as misérias que vêm dela. Basicamente, o país agressor, que se recusa a qualquer trégua, é o Brasil onde habitam, prosperam e mandam os membros das nossas “instituições”. O país agredido é aquele onde você, e cerca de 200 outros milhões de brasileiros, têm de trabalhar todos os dias para viver e sustentar suas famílias; sua única função, para o outro Brasil, é pagar impostos que vão sustentar cada um dos seus confortos, necessidades e caprichos. Neste ano de 2020, antes da epidemia, estava previsto que o total a ser pago seria de 3,4 trilhões de reais – isso mesmo, trilhões, arrancados do seu bolso a cada chamada de celular, cada litro de gasolina comprado no posto, cada real que você ganha, num arco que só acaba no infinito.

A última agressão vem do Supremo Tribunal Federal, que tem a folha corrida que todos conhecem, e do “Tribunal Superior Eleitoral” – um desvairado cabide de empregos que só existe no Brasil e não tem função lógica nenhuma no serviço público. Suas Excelências, justo numa hora dessas, em que o Brasil sofre um dos mais chocantes dramas de saúde de sua história e se desespera em busca de recursos para combatê-lo, tiveram a ideia de pagar com o dinheiro do contribuinte suas vacinas contra a gripe e o coronavírus. Não só eles: eles, seus filhos e funcionários da nossa corte suprema. Serão, pelos cálculos iniciais, 4.000 vacinas, a um custo de R$ 140.000. O TSE, de imediato, copiou os colegas e já está se preparando para comprar 1.100 vacinas para si próprio; devem queimar nisso mais uns R$ 75.000.

O dinheiro é uma mixaria, dizem eles, mas a atitude moral dos ministros é uma calamidade. Com todos os privilégios que já têm, por que não pagam eles mesmos esses trocados? A resposta é um retrato perfeito dos dois Brasis descritos acima: não pagam porque podem meter a mão no seu bolso, de onde sai o dinheiro de todos os impostos, e tirar o dinheiro de lá. Não vai acontecer nada, vai? Então porque gastar, mesmo um centavo, se existe um país inteiro para pagar as suas contas?

A um certo momento, nessa crise toda, foi sugerido, imaginem só, que deputados e senadores, dessem para o combate ao coronavírus uma parte dos bilionários Fundos Eleitoral e Partidário que criaram para doar dinheiro a si próprios – tirado, é óbvio, dos impostos pagos por você. Santa inocência. Não deram, é claro, um tostão furado para combater doença nenhuma. Estás na fila do SUS há 12 horas esperando um atendimento que pode vir ou não vir, bonitão? Problema seu. No nosso ninguém tasca. E tratem de dar graças a Deus porque ainda não tivemos a ideia de lhe tomar mais uns trocos para fazermos nosso estoque de vacinas – como fizeram as maravilhosas instituições judiciárias aí do lado.

Este Brasil que está em guerra com os brasileiros é hoje um dos maiores concentradores de renda do mundo. Não são os “ricos”, os “empresários”, “o 1% do topo”, etc. que constroem a miséria nossa de cada dia. Não são eles os promotores da desigualdade em estado extremo no País. Não são eles que os impõem a ditadura dos privilégios. É essa gente que não admite, sequer, pagar a própria vacina. A imprensa faz esforços inéditos, todos os dias, para defender essa gente, pois são eles que compõem as “instituições”. E o que os jornalistas recebem em troca de congressistas e magistrados? Atos de crocodilagem explicita, um atrás do outro. Fica cada vez mais difícil achar alguma virtude nesse baixo mundo.

DEU NO TWITTER

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

DEPOIS DA EPIDEMIA

Guilherme Fiuza

O coronavírus desencadeou uma epidemia de pânico que não ajudará no enfrentamento do problema. Qualquer tentativa de se pensar em saídas para o colapso mundial iminente tem sido confundida com menosprezo pelo perigo e atentado contra a saúde pública. Quem decide as medidas contra a epidemia são as autoridades, e o cidadão cumpre. Ponto. Pensar ainda não está proibido, mesmo que a patrulha do pânico aja como se estivesse. Mas se você pronuncia uma palavra além do alerta “fique em casa”, você é um potencial corona killer.

Aparentemente não há mais nenhuma região do mundo desmobilizada para o combate à epidemia – e as medidas de isolamento, chamadas de distanciamento social, são consensuais em todo o planeta. Dito isso, também se observa que os planos de isolamento não são idênticos de país para país, ou mesmo de cidade para cidade, havendo portanto espaço para se discutir os níveis de paralisação mais eficazes.

Não há até agora, por exemplo, uma diretriz geral para interrupção dos transportes, pelo menos nas nações mais visíveis. O Reino Unido tem procurado manter setores da sociedade e da produção em funcionamento, incluindo escolas – todos com protocolos rigorosos de distanciamento, higiene e variadas formas de bloqueio de contágio, especialmente em relação a idosos e grupos de risco em geral. Não é um flerte com o perigo, nem uma aventura. É uma tentativa legítima de mitigar o colapso econômico e social, que pelos níveis de paralisação impostos pelo coronavírus possivelmente fará mais vítimas que a própria epidemia.

Em parte a disseminação do medo é inevitável, pela velocidade do contágio. Mas a qualidade da informação precisa contribuir para um maior esclarecimento da população, porque a consciência é essencial contra o pânico. As estatísticas de mortes de pessoas infectadas por coronavírus precisam discriminar os casos em que o vírus foi o fator letal.

Há um grande contingente de casos de doentes com enfermidades importantes que morreram com coronavírus, mas não de coronavírus – pelo fato de que o seu contágio é rápido e fácil, mas a sua letalidade não é alta (mais baixa que da influenza e outras gripes conhecidas). Há notícias, por exemplo, de um surto de H1N1 (mais letal que o coronavírus) na Lombardia, região da Itália que está entre as mais atingidas no mundo pelo coronavírus. Mas é praticamente impossível a verificação pelo público leigo da parcela de falecimentos de doentes de coronavírus na Lombardia provocados na verdade pelo H1N1. As autoridades e os veículos de informação devem ao público esse tipo de esclarecimento em relação às estatísticas de coronavírus no mundo todo.

A própria OMS já tinha indicado que, pela facilidade do contágio, não seria possível deter essa epidemia com isolamento – o que não anula as medidas de isolamento indispensáveis que vêm sendo tomadas para tentar evitar os picos de contaminação. Mas também quer dizer que nem sempre o curso geral da epidemia será alterado com essas medidas, ou seja, o contágio inevitavelmente vai alcançar uma determinada abrangência para começar a decair rumo ao fim da epidemia. A principal ação das sociedades é preservar ao máximo, no curso do contágio, os idosos e grupos de risco – de forma que o maior número de infectados fique entre os que têm sintomas brandos ou mesmo sintoma nenhum, muitos dos quais nem saberão que tiveram coronavírus, mas terão contribuído para o declínio da epidemia. E a outra ação essencial é ir calibrando a estratégia de paralisação não pelo medo, mas pela inteligência – porque a tragédia pós-epidemia já está desenhada. Pensar agora em formas de minimizar essa tragédia não é pecado, é obrigação.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CARLITO LIMA – MACEIÓ-AL

Caro Berto

O JBF está cada dia melhor

Quando ouço as notícias da Globo, Folha, Estadão, vou direto para o JBF para ver as verdades e me deleitar.

Um abraço.

R. Eite peste!!!

Fiquei ancho que só a porra com esta sua apreciação generosa!!!

O JBF está cada dia melhor porque conta com colunistas do seu quilate, meu caro amigo.

É um privilégio editar uma página que tem você como colaborador.

E, mais que isso, ter você como um grande amigo.

Não é por acaso que seu nome está na minha coleção de placas, com as quais homenageio as queridas figuras que compõem a minha gangue. 

Uma coleção que será ampliada este ano, no nosso tradicional encontro do mês de dezembro, com mais alguns novos nomes de figuras que moram na minha estima.

E pra fechar esta postagem:

Quem quiser saber quem é o Capitão Carlito Lima, dê uma olhada em seu prontuário, na sua folha corrida, no seu dossiê, que está no Portal Escritores. 

E também não deixem de ver uma matéria publicada no Painel Notícias.

Por fim, recomendo aos nossos leitores uma passada no Blog do Carlito Lima.

COLUNA DO BERNARDO

MAIS UMA CHIBATADA AO VIVO

Como bem disse o economista e escritor alagoano Maurício Breda, sobre este vídeo:

A Rede Globo tenta mais uma vez distorcer a informação e leva outra chibatada ao vivo.

Será que não aprendem nunca?

Observe que a fulana faz a pergunta já embutindo a resposta.

Ela não quer saber o que “já sabe”.

Ela quer que uma autoridade científica corrobore, dê credibilidade, ao discurso que ela já faz todos os dias, com caras e bocas.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

NOVENA PARA SÃO JOSÉ

Banner usado nas novenas dedicas à São José

“Novena é a reza de um conjunto de orações, em particular ou em grupo realizada durante o período de nove dias. Teve sua origem na tradição católica, mas pode ser encontrada também em outras religiões ou crenças. Padre Luizinho, da Canção Nova, explica o significado das novenas: “Novena é uma prática de espiritualidade que fazemos durante nove dias, geralmente para um santo a fim de que ele nos ajude a entrar em contato com Deus pedindo por uma causa.& rdquo;

Lembro como se fosse hoje e tivesse acontecido ontem. Todos que moravam sob o teto do casal Raimunda-João Buretama tinham suas tarefas específicas para cumprir durante a realização das “Novenas em louvor a São José”. As minhas tarefas eram condizentes com a faixa etária: saindo da infância para a adolescência.

Primeiro, capinar com a minha própria enxada (cada pessoa tinha a sua enxada, ora!) o extenso quintal. Depois, quando o mato da capina estava murcho, varrer com uma vassourinha e gadanho (a gente dizia: “varrer gadanhando”); enterrar qualquer possível sujeira feita pelos cachorros ou outros animais – com a intenção de evitar comentários negativos que atingissem os donos da casa.

No começo da tarde, encher os dois potes d´água e as duas quartinhas, colocando-as num local sombrio, expondo-as ao vento para que a água esfriasse para o consumidor. Arear (lavar com sabão, bucha e areia) os canecos, colocando-os nos devidos lugares, ao alcance de quem precisasse usá-los.

A última tarefa era arrumar os bancos e tamboretes de forma a parecerem uma arena, afim de que todos se olhassem durante as orações das novenas.

Altar para novena à São José

Cumpridas as minhas tarefas, eu era mandado preparar o animal que me conduziria até o Açude Novo para um bom banho, esfregando bem as orelhas, as pernas e os pés com sabão e bucha de pepino. Me deslocava esporando o animal, para que ele galopasse, evitando assim as mutucas nas pernas.

Agora, com roupa trocada, ajudando em algumas outras tarefas necessárias e cumprimentando as pessoas que chegavam, oferecendo assentos e outras acomodações. Era então um menino prestativo, e sabia o quanto receber bem era importante para a minha Avó.

Banco coletivo usado nas novenas

– Boa noite, comadre Doca, boa noite compadre João! Era esse o cumprimento dos que chegavam.

– Boa noite compadre, abanque-se. Vamos sentar que a reza começa já. Sentem. Querem tomar água, café ou aluá? Perguntava minha Avó, fazendo a cortesia da casa.

Era naquela noite, a primeira das mais oito que ainda viriam em seguida, que os amigos e vizinhos retiravam dos armários e baús suas melhores roupas, cheirando a naftalina, para se sentirem dignos de um encontro com cunho estritamente religioso.

Afinal, orar para pedir chuvas ao Padroeiro, era uma obrigação de todos que professavam Fé.

– Boa noite, a todos. Vamos dar início às nossas orações, avisava Tia Maria, a responsável pela condução da novena daquela noite. Vamos sentar.

Tamborete com assento de couro

– Amigos, parentes, convidados: em nome da minha irmã Raimunda, e do meu cunhado João, cumprimento a todos, desejando-lhe boas-vindas. Estaremos reunidos aqui durante nove noites em orações, para louvar São José, na esperança de sermos atendidos no nosso mais forte pedido – chuvas para molhar nossas terras, nos permitindo e nos motivando a trabalhar e produzir, para alimentar dignamente as nossas famílias. Falava bem e claro, a Tia Maria.

Era assim. Estavam abertas as Novenas em Louvor à São José na casa de Dona Raimunda e seu marido, João Buretama. Em cada uma das noites, um parente, vizinho ou convidado era chamado a iniciar as orações.

Assim, durante nove dias, a mais famosa e frequentada Novena para São José que se tinha notícia por aquelas paragens, dava início ao périplo de orações a caminho da perpetuação da Fé.

Nos últimos anos que este “neto” devoto teve notícias, ainda houve espaço na programação religiosa para mandar imprimir santinhos com mensagens de devoção e esperanças, dedicadas ao santo Padroeiro do Ceará.

Aluá de abacaxi servido nas novenas

Na última noite do novenário o público era maior. Compareciam o Padre da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para encerrar o festejo religioso, agradecer pelos momentos de fé cristã, e autorizar, a cada ano, a realização de uma festa profana – onde compareciam sanfoneiros e outros que tais, e eram servidas guloseimas, salgados, doces e aluás (abacaxi, pão e milho) em fartura, antevendo o alcance das graças pedidas à São José.