ALEXANDRE GARCIA

A URNA E A RUA

O presidente pediu para repensar; governadores proibiram; a mídia ameaçou com contágio. Mas nem o presidente, os governadores e o coronavírus impediram que multidões ganhassem as ruas do 15 de março – de carro, moto ou a pé. O que levou tanta gente a esse desafio, essa rebeldia? Antes de xingar de irresponsáveis os que deixaram suas casas no domingo, seria bom pensar sobre os motivos que levaram milhões a correr riscos de saúde, a se insurgir contra ordens de governos e de supostos condutores de opinião.

Não são motivos gerados do dia-para-a-noite. Vêm de longe. Nos outros tempos, os políticos percebiam que o eleitor exercia sua cidadania na urna e depois deixava nas mãos dos eleitos a condução dos assuntos públicos. Pois na era digital, em que as redes sociais elegeram o presidente, isso mudou. O povo que depositou o voto majoritário na urna de outubro de 2018, não esqueceu em quem votou. Tampouco esqueceu em quem votou para que realizasse aquele sonho em que votou. E foi para as ruas cobrar daqueles que estariam atrapalhando ou retardando mudanças na legislação e no combate à corrupção.

Simples de perceber também que foi posta em prática a divisão de poderes idealizada por Montesquieu e estabelecida na Constituição. O presidencialismo de coalisão – eufemismo para um sistema frankenstein de governo – foi abolido pelas urnas e deixou de ser praticado pelo eleito chefe do executivo, com três décadas de vivência no Legislativo. Partidos e lideranças políticas agora não são donos de ministérios e estatais. A mudança doeu nos fisiológicos de sempre e eles ainda tentam dobrar o presidente, para que ele ceda. E se não recebem ministérios, estatais, tentam grossas fatias do orçamento, que é do poder executivo.

O 15 de março demonstrou que não é um homem – são milhões – que não é uma facção, um partido; são ideias, é a vontade da maioria que não quer mais protelação no cumprimento do que foi aprovado nas urnas. Quer reformas, não quer destruição de valores, não quer corrupção, quer segurança, quer uma economia que possa gerar emprego e riqueza. O presidente sabe que essa vontade é que manda; afinal, a Constituição começa afirmando que todo poder emana do povo. Assim, ele não vai fazer o que nós, jornalistas, queremos que ele faça. Vai fazer o que as urnas mandam, ou será apenas mais um da lista dos que esqueceram dos compromissos com seus eleitores. No domingo, o povo físico na rua foi além dos riscos sanitários para exigir de seus representantes que façam a sua parte na realização da vontade posta nas urnas.

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DA SEPARAÇÃO – Vinícius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

DEU NO TWITTER

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RITA DE CASSIA – PALMAS-TO

Caro Editor,

Os leitores da nossa gazeta precisam ouvir esta excelente entrevista.

2 Dedos de Prosa com Jair Bolsonaro.

Programa do Ratinho, um programa do povão e de grande audiência.

Foi ontem, dia 20, sexta-feira.

Clique na imagem abaixo para ouvir a entrevista na íntegra.

COLUNA DO BERNARDO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

LUIS MEZETTI – VITÓRIA-ES

Caro Berto,

fiquei estarrecido com o editorial da Band vociferado pelo seu âncora.

Clique aqui para ouvir.

Depois do susto, neurônios de volta a ordem natural, li e reli os quatros parágrafos que escrevi, os dedos frenéticos por bater nas letrinha com mola, uma notinha em resposta a concessionária de bem público.

Segue a resposta.

Um grande abraço

E que a quarentena por força do Vírus Comunista nos faça bem!

Editorial Band

O editorial do Grupo Bandeirantes é lastimável, prepotente e fere a soberania nacional, o uso destemperado de palavras ofensivas ao Ministro das Relações Exteriores e a um Deputado Federal, eleito democraticamente pelo povo, mostra que os interesses do Grupo Bandeirantes e o acordo com a China Media Group, gigante chinesa no rádio e TV, falaram mais alto, e a submissão a Pequim se mostrou selvagem nas palavras e na face do Angora Eduardo Oinegue Fulfaro, a submissão é clara quando um dos primeiros programas da parceria que será apresentado pela Band, chama-se “Frases Clássicas Citadas pelo Presidente Xi Jinping”, série produzida pelo China Media Group, que reproduz algumas frases e pensamentos do presidente do país comunista.

A parceria comercial com a China é proveitosa para ambos os lados e não pode ser colocada acima da soberania nacional, ainda somos um País democrático, onde o povo é representado por eleitos democraticamente para servir aos interesses do povo, cabe aos representantes do povo exigir do Grupo Bandeirantes, uma retratação formal pelo seu destempero e afronta a soberania popular, que elege representantes e tem nas Leis Legislativas imperativos concisos.

No Brasil, emissoras de rádios e TV são concessões públicas. É como se o governo “emprestasse” às empresas o espaço de transmissão, que é um bem público, para ser explorado por elas.

Mas nunca para ferir ou denegrir à imagem dos representantes do povo e a soberania nacional.

GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

OS 75 DIAS QUE PERNAMBUCO VIROU UMA NAÇÃO

Esse mês de março de 2020 começou com um feriado inusitado na primeira sexta-feira do mês, feriadão no dia 6, era a primeira comemoração da Data Magna da tomada do poder dos portugueses, que ficou conhecida como Revolução dos Padres ou Revolução Pernambucana. Na verdade a comemoração já existia há algum tempo, porém era deslocada para o primeiro domingo de março e como feriado não combina com domingo, ficou esquecida da população até que agora virou folga e praia para os pernambucanos.

Praia lotada no feriado de 6 de março de 2020

A Revolução Pernambucana teve início por ideia dos maçons revoltados com o alto vulto de impostos que era enviado da capitania pernambucana para o Rio de Janeiro a fim de custear as despesas da coroa portuguesa que havia se mudado para a capital do Brasil. A corte era gastadeira: muitas construções, roupas caras, grande número de funcionários e festas ocasionavam a necessidade de transferência de riquezas das capitanias para o Rio, por outro lado, faltava dinheiro para resolver problemas locais, como enfrentamento das secas, infraestrutura urbana e até pagamento dos soldados.

Tela “Benção das Bandeiras da Revolução de 1817” de Antonio Parreiras

A Revolução contou com apoio internacional, Os Estados Unidos haviam aberto seu primeiro consulado no hemisfério Sul na capital pernambucana. Os militares franceses que haviam apoiado Napoleão também se ofereceram para ajudar o movimento com uma condição: resgatar Napoleão Bonaparte de uma ilha no meio do Oceano Atlântico, essa ilha eu já falei dela aqui no SÓ SEI QUE FOI ASSIM, ficou curioso? Clica aqui. Depois de resgatado, Napoleão seria trazido para Pernambuco e posteriormente para Nova Orleans, nos EUA. Alguns destes soldados chegaram a Pernambuco, mas já era tarde, a revolução já havia sido debelada. Assim que chegaram foram presos.

Mapa diagrama dos deslocamentos das forças reais

Após o início da revolução, as províncias da Paraíba e Rio Grande do Norte se juntaram a Pernambuco, o Ceará veio logo depois. Mandaram Cruz Cabugá como embaixador para os Estados Unidos, Cabugá é considerado o primeiro embaixador brasileiro, “era um mulato rico, solteiro, farrista e apreciador dos prazeres da vida. O apelido “Cabugá” lhe foi posto na ourivesaria de seu pai, por conta de certa dificuldade de dicção dele ao falar “bugar”, que é limpar o ouro”, afirma Gustavo dos Santos Ribeiro em “A Missão Cabugá nos EUA”. Criaram uma bandeira e promulgaram uma constituição baseada na da Colômbia. A bandeira era igual a atual de Pernambuco, sendo que tinha três estrelas, simbolizando as três províncias rebeldes. O bairrismo já existia, as hóstias passaram a ser de mandioca e o vinho foi trocado por cachaça.

Bandeira de Pernambuco revolucionário

Pernambuco ainda tentou o apoio de outras províncias, mas sem sucesso. Para a Bahia foi enviado Abreu e Lima, o Padre Roma, que foi fuzilado a mando do governador Conde dos Arcos logo ao desembarcar, a população comemorou cantando: “Bahia é cidade; Pernambuco é grota; Viva Conde d’Arcos; Morra patriota!”. Esse Abreu e Lima é o pai do general homônimo que dá nome a refinaria da Petrobrás e à cidade de Abreu e Lima.

Bárbara de Alencar, heroína de 1817, primeira presa política do Brasil

A coroa mandou 8 mil homens para combater a revolução, pelo mar fecharam o porto e por terra chegaram pelo sertão vindos da Bahia, a batalha final se deu em Ipojuca. Após a vitória da coroa, a comarca de Alagoas pertencente a Pernambuco foi desmembrada em agradecimento aos produtores alagoanos que ficaram ao lado dos portugueses. A Bahia ganhou toda a parte da margem esquerda do Rio São Francisco que hoje pertence ao território baiano. Mesmo sem obter êxito, a Revolução Pernambucana foi importante para que o povo brasileiro se tornasse independente de vez, pois foi a semente da Proclamação da República de 1922.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA