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ALEXANDRE GARCIA

AUGUSTO NUNES

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

SONETO DE ALFA E ÔMEGA

O teu amor é todo o meu conforto,
o cais a que recolho as minhas velas,
eu — capitão de rotas caravelas,
tu — senhora da noite, enseada e porto.

E, quando irrompe o sol e, rumo ao pego,
ao abismo da vaga ondeante e amarga,
enfuna as velas o meu barco, e larga,
é teu amor o mar em que navego.

Por cinco lustros já teu sol amigo
e tua noite —de outros sóis povoada—
vêm-me dando a jornada e dando o abrigo.

Assim tens sido para mim, querida,
o ponto de partida e o de chegada,
o amor que circunscreve a minha vida.

CHARGE DO SPONHOLZ

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

JUIZ CONDENADO POR VENDA DE SENTENÇAS NÃO CAIU A FICHA…

Centro de Observação e Triagem Everardo Luna (COTEL), em Abreu e Lima-PE

Conhecida líder comunitária de Chão de Estrelas e frequentadora do Lar Espírita Mensageiros da Boa Nova, visita o COTEL em Abreu e Lima-PE todas as segundas-feiras para levar palavras de conforto aos detentos provisórios ou já condenados pela justiça.

Todos os presos a chamam por Tia, mesmo os mais novatos, pois ela ganha a simpatia e a confiança de todos apenas com acenos de mão.

Quanto aos presos das alas mais afortunadas, médicos, advogados, diplomados, empresários, dentre outros, vêem-na com indiferença. Escondem-lhe o rosto, dão-lhe as costas para não serem reconhecidos em reportagens, nem terem suas faces gravadas por ela.

Segundo ela, o ambiente é deprimente, degradante, angustiante, depressivo. Não entende o que leva um homem instruído a praticar roubo, estupro, assassinato, latrocínio, corrupção, para depois parar naquele ambiente hostil, dantesco, sem nenhuma perspectiva de humanização.

Dentre suas andanças no COTEL, nenhuma lhe marcou mais do que a presença de um ex juiz novo, inteligente, sempre vestido a caráter, condenado por venda de sentenças.

E o mais interessante para ela: mesmo depois da confirmação de sua condenação por unanimidade pelo pleno do tribunal, e seu consequente afastamento das funções jurisdicionais, ele ainda voltou a delinquir.

Obrigado a produzir para ter suas penas impostas pela condenação abatidas, segundo estabelece a Lei de Execuções penais (Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984), dito juiz foi obrigado a fazer um trabalho de revisão e correção de sentenças penais condenatórias de presos que, assim como ele, estavam “ressocializando”. Com menos de três meses posto à frente dos trabalhos, voltou a delinquir e foi destituído do “cargo” pelo administrador do COTEL.

Certa segunda-feira Tia chegou ao estabelecimento prisional para fazer seu trabalho voluntário costumeiro e deu pela falta do juiz na sala dos “ressocializandos” Curiosa pela ausência, foi direto perguntar ao administrador por que o juiz não estava mais no “cargo” de “juiz revisor dos processos”. O administrador franziu a testa, olhou nos olhos dela e foi categórico:

– Minha senhora, aquele sujeito é o tipo de gente que não tem recuperação nem no inferno! Acredite: com apenas três meses que ele estava à frente dos trabalhos, foi descoberto que ele estava rasgando documentos dos processos e jogando na privada e proferindo sentenças distorcidas dos fatos! Enquanto eu estiver à frente do Estabelecimento ele não será mais “juiz revisor!” Por mim ele só sairia daqui morto, mas como nossas leis penais são umas merdas!…

No vídeo a seguir, reportagem da TV Minas feita na cidade de Paracatu

A sociedade não dava valor a nós porque nós não “dava” valor a sociedade – Wualasi

A PALAVRA DO EDITOR

UMA DICA PROS NOSSOS LEITORES

Hoje, segunda-feira, o colunista fubânico José Paulo Cavalcanti, um dos maiores juristas brasileiros da atualidade e ex-Ministro da Justiça, estará ao vivo na Rádio CBN-Recife, às 14:45 hs.

Uma entrevista, segundo ele me informou, que versará sobre a imprensa brasileira da atualidade.

Tomara que José Paulo esculhambe com esta gazeta escrota…

Nos daria uma audiência arretada!!!

Pra quem quiser ouvir o programa, basta clicar aqui.

José Paulo no Programa Jô Soares, falando sobre o seu livro Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia, obra sobre o grande poeta português reconhecida internacionalmente

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

A MULHER NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

Salomão pediu a Deus,
Inteligência sem fim.
Saber pedir foi Adão
Esse soube pedir, sim.
Soube pedir, sim senhor,
Quando disse ao criador:
Faça uma mulher pra mim.

Geraldo Amâncio

Eu não falo de mulher
Pois toda mulher é boa
Honesta ou desonesta
Pois mesmo a mulher à toa
Se não prestar pro marido
Presta pra outra pessoa.

Severino Bezerra

Quando a mulher é jogada
Na mais detestável lama,
Recebendo humilhações
Da pessoa que mais ama,
A terra bebe chorando
As lágrimas que ela derrama…

Rogério Menezes

Toda mulher simboliza
Nosso ponto de partida
Pela luz do amor divino
A sua alma é nutrida
E assim seu ventre fecunda
A luz que dá brilho à vida.

Rubens do Valle

Maria, quando eu morrer,
Talvez encontre um rapaz
Que possa tirar-te o luto
Pelos meus restos mortais,
Mas poeta como eu
Talvez não encontre mais.

Josué da Cruz (1904 – 1968)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O QUE FIZERAM DOS PRÉDIOS DE CINEMAS COM SUAS ARQUITETURAS MONUMENTAIS E FACHADAS EXUBERANTES?

Quando as luzes se apagaram em milhares de cinemas por esse “interiozão” afora no Brasil, não era só um cineminha qualquer indo embora, ali se consignava ou estava junto e misturado em uma crise maior, a do cinema de rua. Agoniado pela concorrência dos shopping centers ou prédios sendo vendidos para construção de condomínios nas metrópoles ou sendo alugados pelos templos evangélicos no interior, entre tantos motivos havia um que era de fundamental importância: SEGURANÇA. Haja vista que nas capitais com sua promessa de garantia e comodidade, e da grandiosidade impressa no número de salas e luxuosas poltronas, os enormes prédios de exibição com porta para a calçada das ruas e avenidas dos grandes centros viviam um momento difícil. “O cinema de rua tornou-se um negócio em extinção”, afirmou Ricardo Difini, presidente da Federação Nacional Das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Feneec).

Cine Trianon, Recife

Segundo dados do começo do ano de 2020 da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), 92% dos municípios não possuem cinemas, outro dado afirma que em 400 cidades do Brasil entre 50 a 100 mil habitantes também não possuem salas de projeções cinematográficas comercialmente falando. Tudo isso concentra cerca de 30 milhões de pessoas. A título de comparação seria o equivalente à população do Chile e Portugal juntas (18 e 10 milhões de habitantes respectivamente), superando a população da Austrália (25 milhões de habitantes). O mercado brasileiro conta presentemente (ano de 2020), com 3.500 salas (centralizadas nas metrópoles), o que representa um número de 60 mil habitantes por sala de exibição. O índice brasileiro é inferior ao dos Estados Unidos, França, Austrália, Espanha, Alemanha, Portugal, México, Rússia, China, Japão, Argentina, Colômbia e Chile. Por exemplo, para alcançar o índice francês seriam necessárias 20 mil novas salas. Para igualar ao índice mexicano seria necessário a construção de 10 mil salas, ao passo que para equiparar o índice argentino seriam necessárias 2 mil inaugurações de novas salas.

Prendendo-se exclusivamente à capital de Pernambuco, Recife, relatamos aqui o que nos informam os historiadores do cinema pernambucano, André Santa Rosa, Mikhaela Araújo e Samantha Oliveira, quando nos dizem que a cidade do Recife sempre foi polo cultural e abriga diversas formas de expressão de arte. Não obstante, a arte do cinema ganhou espaço em meados de 1920, quando produções regionais caíram no gosto do público. Com o passar do tempo, o número de cinemas foi aumentando e chegou a aproximadamente 55 unidades. Quem não se lembra da “loucura” do público que assistiu aos filmes Spaghetti western, Faroeste espaguete ou Faroeste Macarrônico estrelados pelos ídolos Franco Nero (Django) e Giuliano Gemma (Ringo) no final da década de 1970. Tubarão (1975), Apocalypse Now (1979) e as famosas pornochanchadas, entre elas, o fenômeno de público A Dama do Lotação em cinemas como o Moderno ou Veneza da capital. Todas essas películas ora citadas e mais outras também foram sucesso de público nos cinemas Glória, Veneza, Eldorado e no Cine Theatro Jardim da cidade de Garanhuns(PE).

Cine Guarany, Triunfo-PE

Passa-se o tempo e com a mudança de hábitos da classe média e da sociedade em geral, que se distanciaram do centro, além do advento da televisão, os cinemas do centro do Recife começaram a entrar em decadência. A qualidade da programação foi caindo, e a pornochanchada invadiu as telas. Esses cinemas começaram a ser esvaziados no mesmo período em que a vida pública na cidade começou a mudar. Além disso, os cinemas eram controlados por empresas, que em certo momento, decidiram vendê-los, fenômeno que aconteceu com muita velocidade. Depois desse boom de vendas e fechamentos de cinemas, sobraram apenas três: o São Luiz, o Veneza e o Moderno, todos localizados no centro. Um dos únicos que ainda sobrevivem é o famoso e tradicional Cinema São Luiz. Quanto à cidade de Garanhuns, só resta mesmo o Cine Eldorado.

Debruçando-me somente sobre uma área territorial onde este escriba se esconde há bastante tempo, não tem como não sentir saudades de doces lembranças que hoje transformo em matéria-prima para um novo acalanto ou conforto ao me lembrar de monumentais prédios feitos de tijolo, pedra e cal como aquele de nome pomposo que era o Cine Real da cidade de Cacimbinhas(AL), como também o do cinema Rio Branco da cidade de Arcoverde – PE. (fundado no ano de 1917), Cine Theatro Jardim de Garanhuns, Cine Brasília de Bom Conselho, Cine Teatro Guarany da cidade de Triunfo(PE) – Que é uma elegância e perfume francês no ar -, Cine Teatro Apollo de Palmares(PE) – o mais antigo do interior de Pernambuco – , Cine Palácio da cidade de Palmeira dos Índios(AL), Cines Moderno, Trianon, Veneza e São Luiz de Recife.

Cine Rio Branco, Arcoverde-PE

Complementando a reminiscência cinematográfica, o texto depara-se com a cidade de Floresta dos Leões. Hoje, Carpina, capital da Mata-Norte da bonita região de cana-de-açúcar do Estado de Pernambuco – Terra do colunista fubânico e estudioso de cinema Cícero Tavares, lá, havia o Cine Gruta Azul, mas com o modernismo transformou-se no CENTERPLEX, com Três salas de cinema, com tecnologia 3D, no Shopping Center Carpina, onde neste ano de 2020, no final de novembro irá promover o 3º Festival de Cinema de Carpina(CINECAR). Portanto, casas tradicionais como essas que se alimentavam da arte cinematográfica embalaram meus sonhos e de minha geração inteira por esse Pernambuco, Nordeste e Brasil afora.

Dos antigos cinemas interioranos sobraram apenas detalhes soltos e traços vagos, resquícios de um aglomerado de pessoas em que assistir às fitas de faroeste ou de Sansão, Hércules e Maciste era ao mesmo tempo um entretenimento e por que não dizer, um cerimonioso ritual… A história desses lugares hoje se esconde embaixo de novas fachadas ou por trás de portas que não se abrem mais. É uma pena que essas portas não mais se escancarem para as disputadas matinês de outrora que nos faz viajar no tempo e se alimentar dessa saudosa relembrança, costumeiramente aos domingos. Mas, tudo isso vem um certo conformismo com essa tal teoria da evolução que sofre suas devidas alterações pela ação do tempo que é implacável. Fazer o quê?!?!?! E por falar em matinês aos domingos, vem a nossa memória a canção bem aprimorada daquele bom poeta: Eu me lembro com saudade das Jovens tardes de domingo, Tantas alegrias, Velhos tempos, Belos dias…

Cine Teatro Apolo, Palmares-PE