DEU NO TWITTER

AUGUSTO NUNES

MUY AMIGO

José Dirceu informa que os problemas do país podem ser resolvidos com uma frota de retroescavadeiras

“Não fosse a ação do senador e ex-governador Cid Gomes, o governo federal e o ministro da Justiça, sem esquecer o falante chefe do GSI, nada teriam feito. Esses são os fatos, o restante é propaganda e luta política”.

José Dirceu, ministro da Casa Civil do governo Lula, condenado a mais de 30 anos de cadeia por ladroagem compulsiva, aconselhando os interessados em chamar a atenção do governo federal a avançarem com uma retroescavadeira sobre um grupo de policiais armados.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MAL DE AMOR – Ana Amélia

Toda pena de amor, por mais que doa,
no próprio amor encontra recompensa.
As lágrimas que causa a indiferença,
seca-as depressa uma palavra boa.

A mão que fere, o ferro que agrilhoa,
obstáculos não são que Amor não vença.
Amor transforma em luz a treva densa;
por um sorriso Amor tudo perdoa.

Ai de quem muito amar, não sendo amado,
e, depois de sofrer tanta amargura,
pela mão que o feriu não for curado…

Noutra parte há de, em vão, buscar ventura:
– fica-lhe o coração despedaçado,
que o mal de Amor só nesse Amor tem cura.

PERCIVAL PUGGINA

QUANDO SÓ SE FAZ POLÍTICA

O começo foi muito, muito difícil. Cansativo, mesmo. Exigia dedicação exclusiva e intensa. Não era moleza fazer política andando de ônibus, em cima de um Lada com pneus carecas, distribuir panfletos de dia e pichar muros à noite, vender distintivo e bandeirinha para arrumar dinheiro, fazer reunião para programar reunião para organizar reunião, imprimir propaganda em mimeógrafo, infiltrar-se nos seminários, nos jornais, nas escolas e nas universidades, conquistar os sindicatos, cativar um músico aqui, um escritor ali. Difícil!

Havia padres que cuidavam das paróquias e rezavam missa e padres que faziam política. Professores que davam aula e professores que faziam política. Jornalistas que relatavam fatos e jornalistas que faziam política. Juizes e promotores que operavam a justiça e outros que faziam política. Em quaisquer organizações da sociedade havia os que faziam as coisas acontecer e outros que só faziam política. Com tanta gente fazendo apenas política era inevitável que ela acabasse feita. De fato, ficou tão bem feita que o partido chegou ao poder. E aí, para espanto geral, deixou o governo de lado e continuou fazendo política.

Os companheiros trocaram os ônibus por aeronaves, abandonaram os Ladas e acorreram às concessionárias de veículos importados do maldito mundo capitalista. Substituíram os mimeógrafos pela policromia das máquinas rotativas e o papel reciclado pelo mais primoroso couché. Montaram uma estrutura capaz de cobrir o Brasil com propaganda em apenas vinte e quatro horas. E dê-lhe política. E veio o mensalão, e veio o petrolão. Fazer tanta política exigia muito dinheiro, exigia comprar os adversários.

De fato, olhando aquilo, os adversários chegaram à conclusão de que a política consistia em fazer política e que o sucesso dependia de só fazer política. E aderiram à fórmula: que se danem o país, o governo, as necessidades das pessoas, o bem comum. O negócio é fazer política! O país ficou muito mal, mas a política andava bem, pagava bem e – melhor de tudo – assegurava sucessivos mandatos.

Observando o comportamento do Congresso Nacional em relação a um presidente que se elegeu sem dinheiro e sem tempo de TV, que quer governar, que escolheu peritos nas respectivas áreas para compor o governo, pilotar a administração e pôr o país nos trilhos, ocorre-me formular a máxima que registro para a ponderação dos leitores: na política da nacional se pode contrariar o interesse de todos, contanto que não se contrarie interesse de quem faz política. Aí a casa cai.

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO JORNAL

DEMOCRACIA SEM POVO

Guilherme Fiuza

A resistência democrática perdeu a paciência e resolveu falar grosso. Ela exige que o presidente da República feche o Congresso Nacional.

Para de embromar, Bolsonaro. Nós da resistência democrática não aguentamos mais. Já tivemos que engolir Reforma da Previdência, Lei da Liberdade Econômica… Liberdade, companheiro? Tá de sacanagem com a nossa cara? Que porcaria de fascismo é esse?

Quer reformar? Tudo bem. Mas mete um decreto! Manda os militares dizerem no grito que mudou a lei e fim de papo. Aí vocês vêm e discutem tudo democraticamente com o parlamento… Vocês acham que ninguém tá vendo? Vocês acham que um insulto desses vai passar batido pra nós, vigilantes incansáveis da patrulha democrática? Como fica a imagem do Brasil lá fora? Quem vai respeitar um autoritarismo que respeita as instituições – e ainda por cima permite que todo mundo fale o que bem entende?

A ONU, o Macron e as ONGs já estão de saco cheio de falar de girafa. Você quer que a gente viva de quê, Bolsonaro? Você acha que o nosso estoque de fake news é infinito? Pensa que notícia falsa cai do céu? Não é assim não, companheiro. Isso dá trabalho. Se coloca no lugar de uma Cassandra cansada de guerra que precisa dar dez piruetas intelectuais e mandar ver no rebolado jornalístico pra dizer que você está montando um ataque ao Congresso Nacional? Como a gente pode fazer o nosso trabalho em paz com um autoritarismo frouxo desses que nos obriga a falar tudo por ele?

Basta. Chega. Não dá mais. O escândalo eleitoral por si só já seria suficiente pra encerrar a nossa tolerância com esse governo. Qual era o certo pra uma candidatura fascista? Botar as milícias pra obrigar o povo a votar no candidato fascista, correto? Então olha o absurdo: deixaram a população votar por ela mesma! Pela própria consciência! Diante dessa falta de manipulação escandalosa a gente foi obrigado a inventar uma milícia de WhatsApp e anunciar que a eleição de 2018 foi o Golpe das Tias. Olha o papelão que esse fascismo inoperante nos obrigou a fazer logo de saída. Brincadeira.

Tudo bem, deixamos o governo tomar posse. Demos um voto de confiança ao fascismo – com fé de que ele não ficaria no marasmo e logo sairia arrebentando as minorias e todo mundo que não fosse branco hétero. Outro vexame: a violência caiu em todas as faixas da sociedade no primeiro ano de governo. Vocês têm ideia do tamanho desse trauma? Por acaso calculam quantos humanistas de butique tiveram que se sacrificar fazendo cara de paisagem, cerceados no seu trabalho de contar história triste e fermentar o inimigo imaginário? Chega de dourar a pílula: o nome disso é censura!

Mas o Bolsonaro não quis saber e continuou afrontando as leis – mantendo no cargo todos os ministros que a imprensa demitiu, o que configura flagrante crime de responsabilidade contra o direito à conspiração. Como disseram os maias, molons, moluscos e parasitas associados: quem vai parar esse fascista? Ou melhor: quem vai trocá-lo por um fascista de verdade fantasiado de democrata, materializando enfim o fetiche da resistência de boa aparência?

É grave a crise. Os progressistas de auditório estão reunidos neste momento numa junta supraparasitária para decidir quem vai de madrugada pichar umas suásticas no Congresso – de forma que os vassalos do Lula no STF possam dar uma liminar aos liberalóides proibindo manifestações populares. Eles garantem que assim a democracia no Brasil estará salva.

CHARGE DO SPONHOLZ

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

DE COMO CRISTINA, BELA, RECATA E DO LAR, TRANSFORMOU-SE NA DONA DA NOITE

Era uma vez em Maceió, uma jovem, bela, recatada e do lar, marido de tradicional família do açúcar alagoano. Cristina, aluna do Colégio Santíssimo Sacramento, aprendeu costurar, cozinhar, ser rainha da casa. Pai evangélico, a filha saía à rua, às festas, só acompanhada dos irmãos, assim, sua virgindade permaneceu invicta até o casamento. Sua beleza e sensualidade exuberantes chamavam atenção . Numa festa de Carnaval conheceu Antônio Alfredo, mancebo de família rica, estudante de Direito em Coimbra, bonito, másculo, o xodó das mulheres, passava férias na cidade.

Antônio Alfredo encantou-se com Cristina, a bela, iniciaram namoro de portão de casa, horário e vigilância rígidos. Dentro de dois anos casaram-se, apesar da resistência dos pais do noivo, não era bem querer a entrada de uma filha do pastor na família. Antônio, advogado das empresas familiares, se impôs, casou-se, com direito à Lua de Mel na Europa.

Três anos se passaram, o casal bonito chamava atenção. Antônio não queria filho, Cristina frustrada. O ritmo de amor na cama diminuiu, às vezes mais de três meses sem um carinho. Em conversa com a prima Sofia, Cristina ouviu com atenção o relato das peripécias sexuais da prima na cama com o marido. Cristina, ingênua, encantou-se com os detalhes contados, ascendeu uma fogueira em suas entranhas, quase adormecidas.

Certa noite, depois do banho, vestiu minúscula lingerie preta, divina. Antônio ao deitar disse apenas cansado, deitou-se, virou-se para o lado. Ela não admitiu ter se preparado e o marido, sequer notou. Abraçou -o, atacou com volúpia, mãos e bocas entornaram o corpo másculo. Antônio levantou-se, olhou para esposa, repreendeu, “quem faz isso é prostituta, quem lhe ensinou? Você quer ser rapariga? “. Foi dormir em outro quarto.

Cristina chorou, seus instintos desejavam aqueles carinhos ensinados pela prima. Ela se perguntava, era uma tarada? Custou a dormir. Antônio jamais voltou a falar sobre o acontecimento daquela noite.

O casal gostava de passar fim de semana no bucólico sítio da família em Bica da Pedra, beirando a lagoa Mundaú. Certo domingo Cristina teve que retornar à Maceió mais cedo, o motorista foi levá-la. Perto da noite ele pegaria Antônio. Deixou o marido cheio do uísque deitado na rede. Vinte minutos de viagem sentiu a falta da bolsa, naquela época não havia telefone no sítio, resolveu voltar. Ao entrar na casa não havia vestígio do marido, apanhou a bolsa em cima da mesa, de repente ouviu barulho em seu quarto. Ao abrir a porta, um choque inesperado, a cena mais horripilante permaneceu na memória para o resto da vida: O belo Antônio, nu, abraçado ao filho do morador. Cristina soltou um grito de horror, correu, entrou no carro, chorando até chegar em sua casa.

Era noite quando Cristina parou de chorar, tomou um banho, olhou-se no espelho, achou-se bonita. Colocou um belo vestido, pegou um taxi em direção ao Zinga Bar em Riacho Doce, avistou alguns conhecidos, sentou-se à mesa com amigas, a partir dessa noite, escandalizou a província saindo com homens solteiros e casados. Cristina e Antônio tornaram-se comentários em todas as esquinas, bares e lares da cidade.

Certo dia, sem avisar, Cristina viajou ao Rio de Janeiro. Amou a balada carioca dos anos 60/70. Bonita, fez sucesso entre artistas, políticos, desocupados. Arranjou um emprego para se sustentar, expediente a partir do meio dia numa repartição pública. Ela caiu nas noitadas cariocas. A nova vida tornou-a uma boêmia. Fez sucesso, os homens faziam fila esperando sua vez. Até que certo dia um senador se apaixonou, deu-lhe apartamento, joias, um emprego no Senado, letra O, em troca da exclusividade. Os anos passaram, teve dois filhos com o Senador. Hoje, mora em Copacabana, nenhum vizinho sabe a origem, o segredo daquela bela setentona, “viúva” e rica. Da janela de seu apartamento, Cristina olha o mar azul, relembrando sua juventude, bela, recata e do lar. Quando dá saudades vai rever o sítio da Bica da Pedra na lagoa Mundaú.

COMENTÁRIO SELECIONADO

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS CURVAS NAS ESTRADAS DA VIDA

As curvas perigosas da vida

A caminhada tem sido longa até aqui – e as estradas cheias de curvas, algumas surgindo intempestivamente, molhadas e, por isso, derrapantes. A atenção precisa ser redobrada.

Há perigo em cada esquina, e o sinal está fechado pra nós. Melhor esperar “esverdear”, até que a nova estação seja a primavera, onde as folhas amarelecem, e algumas pétalas se desfolham com o leve tocar do vento.

Assim, poderemos seguir para atravessar, e continuar a caminhada na direção do porvir, agradecendo cada sol poente para criar forças e enfrentar o novo sol nascente – do amanhã.

“Corrijo num segundo
Não posso parar
Eu prefiro as curvas da estrada de santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar
As curvas se acabam
E na estrada de santos não vou mais passar
Não, não vou mais passar”

Cuidado com as curvas que podem estar molhadas

O amanhecer chega, e a cada dia traz um perigo novo. Antes, tempos atrás, o cheiro próprio do caminho servia de bússola – a simples a necessária umidade facilitava o caminhar, pois todas as curvas eram conhecida. Reais. Apenas o tamanho da estrada era diferente.

E o novo perigo foi provocado pelo desmatamento. Tá tudo diferente e o olhar cada curva de frente, causa uma sensação de perigo. As curvas se agigantam e a gente nem pode mais pretender se guiar pelo cheiro – aquele, o inconfundível.

Cuidado com as curvas. As curvas na estrada da vida, além de sinuosas, são também perigosas.