FALA, BÁRBARA !

EVENTOS, ESPETÁCULOS E BABADOS

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

PROGRAMA DE ÍNDIO

A mais nova polêmica envolvendo o presidente Jair Messias Bolsonaro diz respeito a um vídeo que ele teria compartilhado em suas relações privadas referente à convocação que está sendo feita para uma manifestação popular no dia 15 de março deste 2020.

A alegação do próprio presidente de que se trata de material compartilhado em círculo fechado não pesaria a seu favor, uma vez que, caso a convocação seja, efetivamente, “contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal”, isso constituiria uma afronta ao sistema democrático, na medida em que existe expressiva corrente, engrossando a manifestação, que pretende coisas como intervenção militar, extinção do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e fechamento do STF: isso se chama ditadura.

Mas, vamos e convenhamos, não parece existir da parte do presidente o apoio explícito a tais inconveniências, ainda que no seu passado como deputado federal, há uns vinte anos, ele tenha afirmado que se fosse o presidente da república sem dúvida fecharia o Congresso Nacional (o vídeo é facilmente localizado para quem o queira ver na Internet).

Teria mudado o homem? Vamos dar-lhe o benefício da dúvida.

Mas, infelizmente, o benefício da dúvida não deve afetar aos que irão à manifestação e cujas declarações, atualíssimas, não deixam dúvida de que marcharão, sim, para estimular Jair Messias Bolsonaro a adotar providências drásticas e antidemocráticas para impedir que, nas palavras do Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, o Congresso Nacional chantageie o Poder Executivo na votação do Orçamento Anual.

Como percebemos, a embrulhada gira em torno da destinação de algo em torno de trinta bilhões de reais para os congressistas destinarem ao financiamento de obras ou projetos públicos nas suas bases.

Há regras para isso e a aplicação dos recursos é fiscalizada.

Os órgãos principais de fiscalização são os Tribunais de Conta, estaduais, municipais e da União.

Também é possível enviar denúncias para outros órgãos de controle, como o Ministério Público e a Polícia Federal.

Enfim, o dinheiro das emendas parlamentares constitui investimento do Estado e uma boa parcela deve ser aplicada na saúde.

Todos os anos essa verba é incluída na LOA – Lei Orçamentária Anual, e deve vir girando por volta da metade desse valor nos anos recentes.

O Poder Executivo está achando muito, trinta bilhões de reais, mas a questão é que desde 2015 os parlamentares detêm o poder de determinar o quanto pretendem investir em projetos sociais em suas áreas de atuação.

Então, as perguntas que me faço:

– Por qual finalidade as pessoas se manifestarão?

– Sairão às ruas para impedir que os parlamentares disponham de boas somas de dinheiro público para aplicar em obras e projetos em suas cidades?

– Terão enlouquecido?

– Ou simplesmente não sabem exatamente do que se trata?

Se é simplesmente para “apoiar o Bolsonaro”, devo manifestar minha surpresa de que um presidente da república necessite de manifestações populares para poder governar, até que me expliquem exatamente como a manifestação proporcionará essa ajuda.

Eu pensava ter encerrado aqui, mas uma amiga com a qual eu conversava sobre o assunto me enviou, após tomar conhecimento de comentários que eu postei para ela, a seguinte mensagem:

“Mas não são os próprios parlamentares que devem gerir esse dinheiro. É o poder executivo que faz isso. É ingenuidade acreditar que há fiscalização. Eles gastam como for mais conveniente. Em obras pra cativar eleitores, em campanha para se reelegeram e em auto investimento, pois ninguém é de ferro. A gente se esqueceu que anteriormente esses dinheiros eram trocados por votos no parlamento. Quanto a fechar o congresso, já teriam fechado, se fosse esse o objetivo. Bastava um cabo e um soldado. E olha que há vários generais no Planalto. Não adianta chiar. Acabou a roubalheira.”

Táoquei, fecho de ouro. Agora dou por entendido: a manifestação é para que o Poder Executivo tome os trinta bilhões de reais para ele aplicar, porque o Congresso aplica mal, lhufas de fiscalização, e o povo saindo às ruas os parlamentares vão botar o galho dentro e entregar a grana para o presidente.

Pois, que vão, dia quinze é domingo, nem tem nada que preste na tv, não deixa de ser um programa.

Depois me contem.

DEU NO JORNAL

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

DUAS CANTORIAS COM GERALDO AMÂNCIO

O poeta cantador cearense Geraldo Amâncio, nascido no Sítio Malhada de Areia, município do Cedro, Ceará,  em Cedro 29/Abr/1946, é verbete no Dicionário Cravo Albim da MPB. Lá consta o seguinte:

Cantor. Violeiro. Poeta. Escritor. Nascido em um sítio, em Cedro, no Ceará, até os 17 anos de idade trabalhou na roça. Cursou faculdade de História em Fortaleza (CE).

Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor de três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pareira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao som da viola”, na TV Diário, em Fortaleza (CE).

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Poetas repentistas Geraldo Amâncio e Valdir Teles

Poetas repentistas Geraldo Amâncio e Antônio Jocélio

DEU NO JORNAL

UM DISCURSO EM DILMUNHOL

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Teve um monte de gente de votou nessa Vaca Peidona.

Minha vizinha descerebrada, aqui do edifício onde moro, usava até uma camiseta com o fucinho de Dilma.

Não estou inventando: foi isso mesmo que aconteceu.

Teve gente que votou nela pra presidente!!!

Inclusive o Ceguinho Teimoso aqui do JBF.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!

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CHARGE DO SPONHOLZ

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

AUGUSTO NUNES

O ÁGUIA DE HAIA E O PAVÃO DE TATUÍ

O doutor Celso de Mello não se considera gente como a gente. Primeiro, porque não é apenas um ministro do Supremo Tribunal Federal. É O DECANO, título conferido ao mais antigo integrante do time da toga. Soa bem. Sobretudo, rima com o subdialeto falado por Celso de Mello: juridiquês castiço. Trata-se de um filhote disforme do português que torna majestoso o mais mambembe botequim.

Em homenagem aos viventes comuns, o decano às vezes solta um “Supremo Tribunal Federal”. Em momentos especialmente generosos, até se permite um “STF”. Mas o que Celso de Mello saboreia com prazer afrodisíaco são três expressões sinônimas: “Pretório Excelso”, “Colenda Corte e “Egrégio Tribunal”. Pretório era a denominação de um tipo de fortificação romana. Excelso quer dizer “sublime”. “Colendo” significa “respeitável, venerando”. E egrégio quer dizer “insigne, nobre, eminente”.

Aliás, o afetivo “eminente” precede os nomes dos colegas de STF ou juristas que menciona em seus votos de dimensões sempre amazônicas. Uma sumidade dessas não poderia deixar de emitir seu parecer no assombroso besteirol gerado pelo vídeo que Jair Bolsonaro soltou num grupo de WhatsApp.

A conclamação para o ato contra o STF e o Congresso, decidiu nosso Rui Barbosa em compota, “revela a face sombria de um presidente (…) que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso despreço e de inaceitável degradação do princípio democrático”.

No fim do ano, a aposentadoria compulsória devolverá Celso de Mello à cidade paulista onde nasceu. Mas não precisa dizer mais nada para justificar o cognome que conquistou com palavrórios desse calibre: cem anos depois do Águia de Haia, o Brasil tem de conformar-se com o Pavão de Tatuí.