AUGUSTO NUNES

DRÁCULA AMNÉSICO

Humberto Costa finge ter esquecido a fortuna torrada em 13 anos pelos petistas que voaram nas asas da FABTur

“O PT entrou com uma ação na Justiça contra o ex-secretário executivo da Casa Civil para que ele faça o ressarcimento aos cofres públicos dos custos da viagem com duas assessoras, de Davos para Nova Délhi, pela FAB. Só o combustível custou R$ 700 mil”.

Humberto Costa, senador do PT de Pernambuco, conhecido pelo codinome Drácula no Departamento de Propinas da Odebrecht, ao criticar no Twitter a viagem num avião da FAB feita por Vicente Santino, demitido por Jair Bolsonaro, obrigando os brasileiros decentes a calcular quantos bilhões de reais seriam recuperados caso fosse devolvido aos cofres públicos o que os viajantes petistas torraram em viagens imorais nos 13 anos de Lula e Dilma.

PENINHA - DICA MUSICAL

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

A CÉU ABERTO

Eu sei que muita gente vai atirar pedra em mim, vai me criticar por este texto, mas, seguindo a lição do saudoso Vicente Mateus “quem sai na chuva é pra se queimar”, é da profissão e de praxe. Acontece que eu não consigo ficar de boca fechada e nem guardar meus pensamentos para mim mesmo, principalmente quando o assunto é brasilidade.

Conheci Brasília quando tinha vinte e um ano e fiquei encantado com a monumentalidade, com o desenho da cidade, com suas esculturas a céu aberto. Aliás, Brasília é, em si, uma obra de arte. Mas também, é uma prova inconteste de um crime cometido contra a nação e um monumento ao deboche. Uma prova inconteste de um crime que fica a céu aberto para quem quiser ver.

Nessa minha primeira ida a Brasília fiquei hospedado na casa de um amigo. Na noite em que resolvemos comer uma pizza foi uma verdadeira viagem que fizemos para chegar ao local. No caminho quase pedi para voltar e fazer as malas e seguir a viagem. Esse meu amigo morava, e não sei se ainda mora no chamado “Plano Piloto”. Só se for piloto de avião, porque as coisas ficam mais fáceis se pegar um avião para ir de um local a outro naquele deserto de humanidade.

Pensada para ser uma cidade “sem classes distintas”, a Brasília da realidade se distingue pela diferença de cargos e de carros que se usam para ir de um local a outro. Quanto mais nome o cargo tiver, maior e mais luxuoso será o carro utilizado pelo dito cujo. E esse tal olha, com ar de superioridade para qualquer curiboca que ousar andar pelas superquadras do Plano Piloto. Eis ali vai um “argh” cidadão pagador de imposto – na verdade, o otário que sustenta com o suor de seu rosto toda aquela ostentação estéril e improdutiva.

Brasília é um monumento à improdutividade, ao parasitismo e um valhacouto adequado, planejada e construída para que alguns poucos espertalhões tramassem as piores aleivosias contra a nação, sem serem incomodados pelos botocudos que os sustentam, e ao seu estilo de vida nababesco. Houvesse a capital permanecido no Rio de Janeiro garanto que nem vinte por cento das safadezas ali praticadas seriam cometidas.

Não gosto do Rio de janeiro. Acho-a uma cidade que “veve” de uma falsa sensação de superioridade, desde que não se olhe para os morros. Mas, ao menos ali tem vida. Ali as pessoas interagem com pessoas e, ainda que as relações sejam superficiais, ainda se comunica vida. Brasília, ao contrário. É a capital avessa à vida, avessa a companheirismo. Uma das coisas mais imperdoáveis de Brasília é o fato dela não ter esquina. E, sem esquina, não existe boteco. Isso mesmo. Boteco, ou botequim. Aquelas biroscas em que se vende bebidas, refrigerantes e salgados de procedência duvidosa, mas que enchem de vida uma cidade.

Pensada por Juscelino e colocada no meio do nada, a real intenção de Brasília foi tirar o povo de perto das decisões governamentais. Tentem colocar alguns milhões de cidadãos na esplanada dos Ministérios. Quem olhar de vida vai ver um grande vazio. Como se não houvesse ninguém. E isso acalma aqueles que estão lá apenas lutando pelos seus próprios privilégios e interesses. Diferentemente, o Rio de Janeiro, no Palácio do Catete, qualquer manifestação entulha as ruas de povo e bota medo nas inutilidades que trabalham na administração pública.

Brasília é um crime a céu aberto cometido contra o Brasil. Ainda que até hoje se cante a lorota de que foi para desenvolver o oeste do país que a capital foi mudada para o meio do nada. Brasília fica longe de tudo. A capital mais perto está a quatrocentos quilômetros dela. Brasília com seus arcos monumentais com suas esculturas em concreto armado. Com seus prédios de linhas delicadas deveria ser um monumento á criatividade e à genialidade humana e à arte moderna. Todavia, cada vez que eu olho para aquelas ruas deserta de homens, para aquelas praças vazias de vida e de cheia de interesses escusos que tramam e trabalham para o progresso de nossa pobreza, sinto-me cada vez mais convencido de que Brasília é a prova viva e material de um crime cometido a mais de sessenta anos contra o Brasil. Chamada por Aldous Huxley de “Capital da Esperança”, o tempo provou o seu contrário. É só um monumento à morte por inanição de um país que ainda sonha em ser gigante, mas com a prova de um crime atado em seu tornozelo.