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GEORGE MASCENA - SÓ SEI QUE FOI ASSIM

BANIDOS DE CUBA E SUCESSO NO MUNDO

Nos anos 50 Cuba era um dos países mais desenvolvidos da América Latina, o país tinha uma próspera indústria açucareira, de charuto, rum e café, tinha também a terceira maior renda percápita da América Latina, superava até a da Itália e Espanha. Havana foi a primeira cidade a ter telefone com discagem direta, sem necessidade de telefonista, o país era moderno e atraia muitos investimentos e turistas americanos.

La Sonora Matancera nos anos 50, com Célia Cruz como vocalista

A noite havaneira era de muita salsa, bolero e chá-chá-chá, entre muitos artistas que se destacavam na época, estavam Celia Cruz e Bienvenido Granda (Perfume de Gardenia), sucesso na Ilha de Fulgencio Batista e no mundo. Quando Fidel Castro entrou na ilha e o comunismo foi implantado, os dois cantores se transferiram para o México, solicitaram vistos provisórios para realização de shows, Bienvenido já em carreira solo e Célia como componente da Sonora Matanceira, ao expirar o visto, Célia não mais voltou, junto com parte da banda e posteriormente foi morar em Nova Iorque e Bienvenido foi para Colômbia, Venezuela e Brasil até retornar para o México onde residiu até morrer em 1983. Celia Cruz morou entre EUA e México até a morte em 2003, ambos com muito sucesso no continente, nunca mais retornaram a Cuba devido ao regime de Fidel. Na ilha, esses dois nomes foram praticamente esquecidos, La Sonora Matancera, grupo cubano em que ambos foram componentes em diferente épocas, não tocava seus sucessos, “la revolucion” não permitia que “traidores” da pátria fossem lembrados pelo povo cubano, e eles foram esquecidos pelas novas gerações.

Célia Cruz, a rainha da salsa, já no final da carreira

Pelo que li, Bienvenido Granda aceitou facilmente a vida longe do país natal, mas Celia Cruz nutria uma grande vontade de retornar a Cuba, mas nem na morte da sua mãe o governo permitiu a sua visita. Certa vez ela visitou a ilha, mas em uma parte que pertence aos Estados Unidos, a base aérea de Guantânamo. Esta base é dividida do território cubano apenas por uma cerca gradeada, e na visita, Célia colocou o braço entre a grade e apanhou um punhado de terra do lado cubano e o guardou até o final da sua vida em uma taça, pediu para que colocassem no seu caixão após a sua morte e assim foi feito.

Bienvenido Granda, o bigode que canta. Fez muito sucesso no serviço de som do Cine Alvorada nos anos 60 e 70 com ‘Angustia’, ‘Perfume de Gardenia’ e outros

Quando eu estive em Cuba em outubro de 2018, perguntei aos cubanos pelos dois famosos artistas, mas eles só balançavam a cabeça dizendo que não lembravam, pedi musicas aos grupos que cantavam em barzinhos e restaurantes porém os cantores que passavam nas mesas vendendo os CDs não os conheciam. Eu citava La Sonora Matancera ai todos conheciam, mas não recordavam desses dois ex-vocalistas da banda. Em uma das casas que eu fiquei hospedado, o proprietário era músico, tocava marimba em shows turísticos, perguntei se ele tocava muita música de Bienvenido e Celia Cruz, ele falou algo rápido que eu não entendi, mas percebi uma alteração no humor.

Compay Segundo em clip de Guantanamera, “hino” de Cuba:

Por fim estava visitando uma praça onde tinha a estátua de Tiradentes e um “solícito” cubano na faixa de 60 anos me explicou que ali eram estatuas dos libertadores da América, do Brasil além de Tiradentes tinha também José Bonifácio, e o cubano nos levou para fotografar. Depois ele se apresentou como sendo percussionista do Teatro Alicia Alonso, o principal do país, onde também dava aula de percussão, como estava diante de um especialista em música, perguntei por Bienvenido Granda e Celia Cruz, ele me disse que Celia Cruz morava no México (errou) e nos levou para um bar onde Bienvenido havia cantado, chegando no bar, ele nos mostrou fotos antigas, dos anos 70, de Raul Castro e Fidel tomando um mojito nesse bar com o cantor Compay Segundo, que também fez sucesso na ilha até a sua morte. Perguntei novamente por Bienvenido e ele fez uma cara feia e falou já mudando de tom: “não fales mais nisso”, não foi dessa vez que eu pude conversar sobre esses artistas.

Eu e Adeildo no bar onde Compay Segundo se apresentava

A PALAVRA DO EDITOR

PARA EMBELEZAR O NOSSO DOMINGO

Um presente da Editoria do JBF para os leitores fubânicos.

O cearense Alcimar Monteiro interpreta Riacho do Navio, uma composição da dupla de pernambucanos Luiz Gonzaga e Zé Dantas.

O acompanhamento é feito pela Orquestra Criança Cidadã, daqui do Recife.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

FREGUÊS DE BODEGA

Cesto com ovos de galinha caipira

Um amigo fraterno que viveu e morreu em Pindaré-Mirim, por anos foi o responsável pelo abastecimento da cidade, com pães. Início da madrugada, todos os dias, já levantava da cama e começa “bater a massa do trigo”. Quem não conheceu Paulo, e jamais comeu o pão que ele fazia, não nasceu em Pindaré-Mirim ou nunca acordou naquela cidade.

Pindaré-Mirim é um antigo município do Maranhão, cidade onde primeiro foi instalada neste Brasil, energia elétrica como força motriz. As demais cidades, onde antes de Pindaré-Mirim “chegou a energia elétrica”, são capitais dos estados.

Engenho Central “São Pedro” em Pindaré-Mirim no Maranhão

Mandado construir por um grupo de canavieiros da região, o Engenho Central São Pedro, aproveitando o leito do caudaloso rio Pindaré para transportar seus produtos no abastecimento das cidades vizinhas com o açúcar produzido no engenho, contratou a construção, instalação e funcionamento de uma linha férrea para fazer a ligação entre o Engenho e a Fazenda Santa Filomena, onde era produzida a cana-de-açúcar.

Após incompreensível abandono, o Engenho Central São Pedro foi totalmente restaurado no ano passado pelo Iphan, sendo transformando num Centro de Atividades para os moradores da cidade e ponto turístico onde abriga peças e valores da Cultura Popular do Maranhão.

Pois, dito isso e informado, num início de tarde qualquer, depois da sesta habitual, Paulo encostava a cadeira de macarrão plástico na varanda frontal da casa e, além de “esquentar os miolos” com um litro da cachaça Pitu, tinha e mantinha ao seu redor um selecionado grupo de pinguços para escutar suas prosas. Nenhum Pedro Bó no grupo que escutava, mas ninguém se ausentava, pois bebida de graça prende qualquer um.

Não faz tanto tempo assim, Paulo, numa prosa muito divertida sobre algumas figuras emblemáticas da cidade, contou que, certo dia alguém entrou no comércio de Pepeu (nome fictício!) procurando ovos de galinha caipira. Um cesto cheio de ovos estava sobre o balcão de madeira, ao lado de ossos, carne de porco e peixes salpresados. Pepeu apontou para o cesto e perguntou debochadamente:

– Ovos, é isso aí?

O freguês já ficou um pouco sem graça pelo deboche, mas continuou com as perguntas, passando também a escolher os ovos caipiras. Pegou um ovo, balançou ao lado do ouvido; separou. Pegou outro ovo, balançou novamente ao lado do ouvido, separou. Pegou o terceiro ovo, balançou ao lado do ouvido e, quando ia separar, foi interrompido por Pepeu, que gritou:

– Pare amigo! Pare! Você não quer comprar ovo! Você quer comprar é maracá! E, maracá eu não vendo. Quem vende é Zé Bimbim (nome fictício), o maior boieiro da cidade!

“Maracá” – instrumento de percussão usado no bumba-boi do Maranhão

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EM PERNAMBUCO, COMO NO RESTO DO BRASIL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral nasceu em 1/9/1886, em Capivari, SP. Pintora e protagonista do Movimento Modernista no Brasil, é reconhecida entre as grandes artistas do mundo. Filha de uma rica família de fazendeiros do 2º Império. sua mãe tocava piano e contava histórias dos romances que lia para as crianças e seu pai recitava versos em francês. Legítima representante da oligarquia, que passou por uma transformação radical na vida com a Semana de Arte Moderna, em 1922.

Os primeiros estudos se deram nos tradicionais colégios de São Paulo e foram concluídos no Colégio Sacre-Coeur, em Barcelona. Casou-se, aos 20 anos com o médico André Teixeira Pinto, mas o casamento acabou no ano seguinte com o nascimento da única filha Dulce. Voltou a morar com os pais até 1917, quando mudou-se para a capital e passou a estudar pintura com Pedro Alexandrino Borges, conceituado pintor. Em 1920 foi viver em Paris, com a filha, e frequentou a Academia Julien e estuduu na Academia de Emile Renard. Manteve contato com a vanguarda artística europeia e aderiu ao modernismo com a volta ao Brasil, em 1922. Foi apresentada por Anita Malfatti a Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Pichia, que passaram a frequentar seu ateliê. Em seguida formaram o “Grupo dos Cinco”, que organizou a Semana de Arte Moderan, em 11-18 de fevereiro de 1922. No fim do ano, junto com Oswald de Andrade, embarcou para a Europa; coloca a filha num colégio interno e o casal passa a viajar pela Europa em lua de mel, estudos e contatos com artistas.

Passaram uma temporada em Paris e conheceu Constantin Brancuse, Blaise Cendrars, Erik Satie e Jean Cocteau entre outros. Aí frequentou diversas academias de pintura, mantendo contato com Picasso e amizade com Fernand Léger, o mestre do cubismo, que influenciou seu estilo. Já à vontade como artista e ciente do que “quer ser quando crescer”, escreve para os pais: “Sinto-me cada vez mais brasileira. Quero ser a pintora da minha terra. Como agradeço ter passado na fazenda a minha infância toda. As reminiscências desse tempo vão se tornando cada vez mais preciosas para mim. Quero ser, na arte, a caipirinha de São Paulo”. Em 1923 surge a primeira expressão de sua arte, no quando “A Negra”. O crítico Segio Milliet vê alí o prenúncio do movimento antropofágico, que surgiria 5 anos depois. O quadro impacta os artistas e intelectuais de Paris, com sua originadade e exuberância.

Em 1924, de volta à São Paulo, o casal fez uma viagem de “redescoberta do Brasil” junto com alguns modernistas e o poeta Blaise Cendrars. Era o que faltava para iniciar sua fase artística “Pau-Brasil”. São cores e temas tropicais; os bichos nacionais; a exuberância da fauna e da flora brasileira e simbolos da modernidade urbana (máquinas, trilhos etc.). Dois anos após, legalizou o casamento com Oswald e no mesmo ano realizou sua primeira exposição individual em Paris, na Galeria Percier. Em 1928, enquanto Oswald elaborava o “Manifesto Antropfágico”, ela pintou o “Abaporu”, quadro (de 85x73cm.) que tornou-se o símbolo do “Movimento Antropofágico” e hoje é sua obra mais conhecida e o quadro mais valioso da arte brasileira. O quadro foi um presente de aniversário ao marido, que, entusiasmado, viu ali um índio canibal. Ela, animada com a visão, procurou um dicionário de tupi-guarani e encontrou as palavras “aba” e “poru”, i.é, “homem que come carne humana”. Assim, foi batizado o quadro, que se tornou símbolo do Movimento Antropofágico, que “propunha a digestão de influências estrangeiras para que a arte nacional ganhasse uma feição mais brasileira”.

Em 1929, teve sua primeria exposição no Brasil, Rio de Janeiro. Não foi um ano favorável para as artes ou para qualquer coisa. A crise mundial 1929 abalou a economia e sua família perdeu a fazenda. Para piorar, no ano seguinte Oswald decide separar-se para casar com Patricia Galvão, a conhecida Pagu. Tais perdas deixaram-na bastante abalada, fazendo com que se entregasse ainda mais ao trabalho artístico. Em 1930 assumiu o cargo de conservadora da Pinacoteca de São Paulo, e deu inicio à organização da coleção do primeiro museu de arte paulista. Mas, não pode dar continuidiade, devido a queda de Julio Pretes e o advento da ditadura Vargas. Em 1931 vendeu alguns quadros e viajou pela União Soviética com o novo marido, o psiquiatra Osório César. Na volta, passou nova temporada em Paris e decidiu “assumir a causa social”, digamos assim para não complicar. Sem dinhiero, trabalhou como pintora de portas e paredes e conseguiu dinheiro para retornar ao Brasil.

Aqui, envolta com a causa social e ligada aos intelectuis de esquerda, foi presa, acusada de subversão. Em 1933, inicia uma fase de temática social, demonstrada nos quadros “Operários” e “Segunda Classe”. Inicia, também, novo relacionamento com o escritor Luis Martins, com quem se casou após serparar-se de Osório. A partir dos anos 1940, passou a consolidar seu estilo com base em fases anteriores. Participou das 1ª e 2ª Bienais de São Paulo e ganhou uma retrospectiva no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1960. Em seguida, foi tema de uma sala especial na Bienal de São Paulo de 1963 e no ano seguinte, apresentou-se na 32ª Bienal de Veneza. Sua apreciação pelos críticos sempre foi superlativa. Para Joaquim Inojosa “se a música da nossa raça -índole e costumes- deve sua divulgação lá fora a Villa-Lobos, a pintura renderá esta homenagem a Tarsila do Amaral”. Mário da Silva Brito, achava “Tarsila, um capítulo da história da pintura brasileira. Um monumento criativo do modernismo. Uma vida dentro da arte”.

Em 1966, já separada de Luis Martins, passou a sentir dores na coluna, submeteu-se a uma cirurgia e, devido a erro médico, ficou paralítica, tendo que se virar como cadeirante. Pouco depois, ficou desesperada com a morte da única filha e passou a se interessar pelo espiritismo. Com o dinheiro obtido com a venda dos quadros, ajudou a instituição mantida por Chico Xavier, de quem tornou-se amiga; trocaram correspondência e visitas. Faleceu em 17/1/1973, aos 84 anos, e foi sepultada no Cemitério da Consolação.

Duas alentadas biografias contam sua trajetória. Uma foi realizada por sua prima Aracy Amaral – Tarsila: sua obra e seu tempo -, resultado da pesquisa de tese de doutorado, publicada em 1975. Outra foi escrita por Nádia Battela Gotlib –Tarsila do Amaral, a modernista -, lançada em 2003 pela Editora SENAC , um livro de arte. Ambos contam com várias reedições. Sua memória ficou foi preservada, também, na peça teatral Tarsila, escrita por Adelaide Amaral, encenada em 2003 e publicada em livro em 2004. Foi homenageada, em 2008, pela União Astronômica Internacional com seu nome dado a uma cratera do planeta Mercúrio. No mesmo ano, foi lançado o Catálogo Raisonné Tarsila do Amaral, contemplando toda sua obra em 3 volumes, realizado pela Base 7 Projetos Culturais e publicado numa parceria entre a Petrobrás e a Pinacoteca do Estado do Estado de São Paulo. Toda sua obra pode ser vista, também, em seu site oficial (clique aqui para acessar)

Agora, em 2022, com o centenário da Semana de Arte Moderna, São Paulo é devedor de um tributo especial a sua grande artista. Imagino que os “responsáves” pela Cultura estão atentos, pensando e, talvez, já fazendo o que deve ser feito no Centenário do Movimento Modernista, planejado e realizado pelo “Grupo dos Cinco”(Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Pichia), onde 40% eram mulheres: Tarsila do Amaral e Anita Malfatti. Sua indusão agora no Memorial marca o início das devidas comemorações que certamente virâo.

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ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

PRECATÓRIOS

Posso afirmar, sem medo nenhum de errar, que o governo brasileiro é A MAIOR USINA DE PRIVILÉGIOS de toda a história da humanidade! Todo nós temos consciência bem clara disso. O país inteiro caiu na situação reinante em Pernambuco, ao longo do século XIX, e bem descrita nos versinhos populares relembrados por Gilberto Freire: “Aqui em Pernambuco, / Está tudo muito parado. / Ou você é Cavalcanti, / Ou você é cavalgado”!

A prova maior de que estamos todos sendo cavalgados é o fato de toda a nossa juventude, de forma bem coerente e não desejando ser transformada em cavalgadura, estar direcionando todos os seus esforços a fim de conseguir ser aceita neste imenso e perene “Baile da Ilha Fiscal” praticado pelo governo. É uma septicemia generalizada de nosso tecido social. Só nos falta, agora, tomar vergonha na cara e agir para sustar esta infâmia.

Nem as opulentas cortes francesas dos reis Luíses da França; nem o serralho de concubinas dos Paxás muçulmanos de Constantinopla; nem as opulentas cortes dos marajás indianos; nem a cúria papal nos tempos áureos dos Bórgias na idade média; nem o ápice do luxo e riqueza da corte dos Habsburgos na Áustria; nenhum desses exemplos máximos de espoliação de toda uma população em benefício de uma casta de privilegiados, nenhum desses exemplos chega nem aos pés do imenso volume de iniquidades praticado de forma corriqueira e diária pelo nosso sistema de governo em todas as suas instâncias, cada uma a seu modo próprio.

O tumor principal deste câncer, que se espalhou em metástase por todo o nosso tecido social, é o legislativo. O foco de onde emana toda esta podridão são as duas casas federais – Câmara e Senado, se estendendo pelas assembleias estaduais e pelas câmaras de vereadores de forma ubíqua. A malversação de recursos públicos, as remunerações e mordomias, extravagantes e injustificáveis, a corrupção subjacente a todos os atos diretivos emanados destas casas, o cinismo deslavado e o descaramento total tornaram-se a regra predominante. O que era para ser uma casa de honrados e nobres representantes da população, converteu-se em valhacoutos de facínoras e canalhas de altíssima estirpe. Mas como chegamos a este estágio tão abjeto de degradação? Eu explico:

O processo seletivo para chegar a fazer parte desta confraria de vermes nauseabundos, teúdos e manteúdos em verbas bilionárias, se dá através de um longo e penoso processo. Nesta seleção, verifica-se em cada candidato a capacidade e a disposição para vender a própria mãe fatiada, tal qual picanha argentina, simplesmente a fim de manter o poder e os privilégios que foram por si conquistados. São estes que, após sucessivas seleções partidárias, seleções estas realizadas pelos facínoras de mais alto coturno em cada agremiação, são apontados à população para escolha. Ao final, só resta à população a opção entre este canalha ou aquele outro canalha. Ao fim, os sobreviventes, os melhor aquinhoados com os dons da empulhação e da mentira, assemelham-se todos a aquelas bactérias de altíssima resistência aos antibióticos – os Staphylococcus aureus. Os seus longos embates contra a moralidade e a decência torna-os todos altamente resistentes a qualquer tratamento para eliminá-los da vida pública e para enquadrá-los nas leis que propugnam pela correção nos atos públicos.

Podemos compará-los, sem nenhum exagero, a uma terrível gonorreia institucional de dificílima cura em nosso país. São esses vermes que, sempre legislando em causa própria, criaram a legislação mais maluca de todo o planeta. Somos o único país do mundo em que o juiz é quem fica sob ameaça de ser preso se “abusar da autoridade”, quer dizer: O juiz vai preso se ousar julgar algum dos celerados e prendê-lo. Depois, mesmo tendo sido julgado e condenado, o meliante só poderá ir preso depois de inúmeras repetições do mesmo julgamento e após incontáveis recursos e apelações. Significa dizer que ninguém irá preso nesta cloaca esquecida por Deus, pelo menos enquanto tiver dinheiro para pagar bons advogados, todos eles normalmente parentes ou associados dos semideuses das infames cortes “superiores”.

A “Pedra Angular” seguinte da hecatombe nacional é o judiciário! A natureza malévola para a população fica consubstanciada nos ápices de canalhice e de cafajestice protagonizados pelos “urubus” do Supremo Tribunal Federal. Hoje, para qualquer brasileiro com um mínimo de informação e decência, o STF se transformou no símbolo maior de tudo o que significa patifaria, cinismo, arrogância, prepotência, cara de pau, patrocínio de interesses escusos, acobertamento e proteção de banditismo deslavado, brutal incompetência e intervencionismos injustificáveis, corrupção, e por aí segue. Agora, como toque final da imensa cadeia de canalhices abjetas já praticadas, e mancomunados com os biltres do congresso nacional, pretendem perpetuar a patifaria através da limitação a três indicados pela gangue para que o presidente possa escolher quem será o próximo membro do “Olimpo” judiciário brasileiro. Se as perspectivas de moralização já eram ínfimas, com essa “jogada” fica praticamente impossível qualquer esperança de que algo decente possa sair dessa estrutura de poder nojenta.

Abaixo deles, e seguindo fielmente o exemplo dos calhordas enfatuados do STF, segue-se uma extensíssima pletora de “Aspones”. São milhões de cargos de Juízes, desembargadores, auditores, corregedores, procuradores, defensores, assessores, promotores, auxiliares administrativos, oficiais de justiça, chefes de “Junta”, e inúmeros mais que a feérica imaginação desses canalhas criou e nos fez manter sempre a “pão de ló”. Toda essa imensa multidão é sempre regiamente remunerada, muito acima daquilo que receberiam em qualquer organização privada, dessas que são extorquidas quotidianamente de todas as formas pela mesmíssima estrutura governamental, além de terem direito a constantes férias, recessos, licenças remuneradas, viagens de estudo com gordas diárias, no Brasil e no exterior, além de outras formas mil de mimos e agrados. Tudo isso para não produzirem ABSOLUTAMENTE PORRA NENHUMA que possa ser considerado como sendo minimamente decente. Os processos se arrastam inexoravelmente por anos a fio, alguns por décadas, já tendo havido caso em que passaram de um século para serem concluídos.

Cada parecer solicitado a uma defensoria, ou procuradoria, é caso para seis meses ou um ano. Uma citação por Oficial de Justiça? Caso para mais seis meses ou outro ano. Carta precatória para outra comarca? Joga a solução da lide para as calendas de março. Quer dizer: Para o dia de São Nunca. O juiz emitir uma sentença? Dessas que irão sofrer dezenas de impugnações e recursos? É caso para seis meses ou um ano. E assim, decorrem-se os anos sem que absolutamente nada aconteça. E a população? Que se EXPLODA!!!!! Os vermes parasitas permanecem sendo regiamente remunerados, com todas as mordomias e remunerações sendo pagas absolutamente em dia. Por que é que deverão se importar? Dizem sempre como o Doutor Pangloss: ESTE É O MELHOR DOS MUNDOS POSSÍVEIS! Para eles! Não para as multidões de otários que os sustentam.

Quando essa multidão de parasitas é questionada a respeito dos pífios resultados apresentados, especialmente quando comparados com o custo astronômico que representam, a linha de defesa é sempre a mesma: EU SOU CONCURSADO! FAÇO TUDO DENTRO DA LEI! Não se recordam que estas leis que os acoberta foram todas defecadas por aquela mesma multidão de patifes mencionada no item anterior, sempre de forma totalmente irresponsável pois não se trata nunca de botar o fiofó deles na reta para bancar a esbórnia. É sempre o nosso!

Para completar a nossa desgraça, a base maior de toda essa hecatombe nacional é a imensa multidão de vorazes calhordas do Poder Executivo. A sua predominância se dá pelo próprio tamanho: São milhares e milhares de Ministérios, agências reguladoras, secretarias, repartições, empresas estatais, departamentos, seções e subseções, todas devidamente aparelhadas com dezenas, ou até mesmo centenas dos indefectíveis “Aspones”, todos regiamente remunerados naturalmente. Para que cada uma destas “células” do aparato estatal possa funcionar a contento, deve estar munida de um setor administrativo, responsável pelo ordenamento da sempre presente e imensa burocracia, assim como toda uma pletora de órgãos que assegurarão que seu funcionamento se dê dentro dos padrões legais.

São setores como Procuradoria, Ouvidoria, Corregedoria, Controladoria, além de um monte de outras assessorias menos cotadas. Ao final, o que poderia ser resolvido com a contratação de uma simples Consultoria “Ad-Hoc”, passa a se constituir em mais um dos milhares de tentáculos desta “Hidra de Lerna” moderna. Esta, ao contrário daquela que Hércules enfrentou, e que tinha “apenas” sete cabeças, se espraia em todos os mínimos recônditos da nossa nação, sempre drenando seus parcos recursos a fim de manter devidamente satisfeitos os usufrutuários lá alocados, perpetuando assim a ignomínia e a falência de uma nação amordaçada e acorrentada nos mínimos detalhes e que deveria e poderia ser uma das mais pujantes do mundo.

Logo abaixo, situam-se as miríades de governadores, secretários, prefeitos, vereadores, juntamente com toda uma multidão imensa de aspones. O caso destes é um pouco pior pois estes, além de sangrarem o erário com todas as “vantagens” e proventos que abocanham, possuem ainda a capacidade de agir de forma total e absolutamente irresponsável com os recursos públicos. É aí que se revela com pujança o caráter totalitário desta estrutura maldita em que o gestor possui poder absoluto e responsabilidade nenhuma. Por conta de todos os trambiques praticados contra fornecedores e a população é que surge a figura do famigerado “PRECATÓRIO”.

A rigor, precatório é uma mensagem de um juiz a outra entidade, informando de uma sentença judicial. No Brasil, a quantidade de estelionatos praticados por toda esta multidão de patifes é tão grande que virou sinônimo de obrigação financeira a ser honrada pelo estado por força de sentença judicial passada em julgado. O volume dessas obrigações pendentes é desconhecido. Levantamento de 2017 já estimava acima dos R$ 140 BILHÕES. Hoje, ninguém sabe quanto é. Nunca nenhum desses milhares de patifes teve de sofrer as consequências da sua patifaria.

Como acabar com toda esta putrefação? Só vejo uma solução, mesmo que de realização altamente improvável: UMA REVOLUÇÃO SANGRENTA E EM QUE SERÃO DEGOLADOS MILHARES DE CANALHAS!

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CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

DESEMPREGO

Toda vez que alguém pronuncia a palavra desemprego, o termo arrepia os cabelos, dá um frio na barriga, desperta aquela vontade de correr pro banheiro para se aliviar, principalmente quando o assunto se relaciona ao Brasil.

A grosso modo, a palavra desocupação já diz tudo. Significa que boa parte da população, em idade ativa, não trabalha. Apesar de andar, andar à procura de vagas, dificilmente consegue vaga. É admitido. Na maioria das vezes, a cara sobra. Retorna pra casa de mão abanando, completamente decepcionado, desiludido com os destinos do país.

O desemprego é um dos piores males de países subdesenvolvidos. O que causa desemprego é a deficiência econômica de muitas economias pobres, desarrumadas, que não encontram saída para amparar a população que, permanentemente, cresce e necessita de renda para sobreviver.

A carência de vagas no trabalho é decorrente de vários fatores. No campo tecnológico, o desemprego é fruto da falta de qualificação da mão de obra. Muita gente despreparada é substituída pela máquina, atualmente robôs, que, graças a programas de informática atualizados, realizam a maioria das tarefas de produção com eficiência, menos tempo e menor custo.

No âmbito estrutural, o desemprego é definido como o resultado da ausência de tecnologia. Então, para acionar a produção, o único recurso das economias encolhidas é se valer da mão de obra braçal, sem qualificação. Sem técnicas de engenharia.

O outro fator que alimenta o desemprego decorre de fenômeno conjuntural. A carência de investimentos provoca baixa remuneração na praça, enquanto encarece o custo de fabricação e de vida.

No Brasil, a cantilena do desemprego é acrescida, além da péssima qualificação profissional, pelo nível educacional ruim, o trabalho informal, sem garantia alguma, e da ainda enorme concentração rural.

Por isso, o país fechou 2019 com a taxa de 11,9% de desempregados. A taxa corresponde a 12,6% de pessoas ociosas, contra 41,4%, de participantes do mercado informal, cujo número altamente desencorajador, atinge o patamar de 38,8 milhões de brasileiros.

No quadro geral, o IBGE montou o seguinte esquema. Empregado com carteira assinada no setor privado, 33 milhões de pessoas. Empregado sem carteira no setor privado, quase 12 milhões de aventureiros. Por conta própria, ultrapassa 24 milhões. Empregado do setor público, mais de 11 milhões. Trabalhador doméstico, número superior a 6 milhões. Empregador mais de 4 milhões.

O impressionante é o setor industrial, anteriormente um baluarte na geração de vagas, ultimamente não tem correspondido às expectativas. Apesar dos dados colhidos recentemente, denotar a confirmação de pequena recuperação nos últimos meses. Embora o rendimento ter se mantido lá embaixo.

Combalido pela queda na arrecadação previdenciária e na comprovação de queda no item que se arrasta desde 2017. Antes, 65,3% dos trabalhadores contribuíam para a área previdenciária. Atualmente, o número de contribuintes baixou para 62,4% das pessoas ocupadas. Daí a necessidade da Reforma da Previdência. Bastante combatida pela oposição nos debates no Congresso.

Infelizmente, o Nordeste figura como a região mais castigada pelo desemprego. Alta taxa de desempregados e baixa escala de renda.

Não há mistério e nem magia para combater o desemprego. A receita mais indicada é o país permanecer lutando por investimento na infraestrutura econômica, social e produtiva. De modo a gerar emprego, estimular a recuperação da renda e fomentar o mercado consumidor.

Uma coisa é certa. O desenvolvimento econômico de modo geral e, especialmente no Brasil, tem o dom de promover o bem-estar social e melhor qualidade de vida. Situação bem diversa da experimentada em 2014, quando a econômica travou geral. Empurrou o país pro fundo do abismo econômico.