A PALAVRA DO EDITOR

Éramos muito inocentes no final de 2019. Achávamos que 2020 seria mais um ano de tentativas de sabotagem contra a agenda de reconstrução do Brasil – com aquele persistente número da resistência cenográfica contra o fascismo imaginário. A inocência acabou rapidinho com o raiar do fascismo sanitário – esse muito real e assustador, mas muito bem recebido pelos antifascistas.

Como fazer a retrospectiva de um ano que nem começou, barrado na entrada pela Seita da Terra Parada? O certo seria dizer ao prezado Sr. 2020: nada de retrospectiva. Volta ao início e faz o seu trabalho direito. Incluindo o ano letivo, roubado na mão grande pelos fiquemcasistas. Mas não adiantaria. Com toda certeza algum advogado de réu da Lava Jato entraria com um habeas corpus no STF e 2020 seria liberado na hora.

Sendo assim, vamos nos conformar e captar aleatoriamente no retrovisor cinco cenas desse ano bastardo – e se elas te parecerem surrealistas é sinal de que você ainda não perdeu o juízo por completo.

1. Após um mês dizendo todos os dias na televisão, em coletivas com horas de duração, que o isolamento total era a única salvação possível, o ministro da Saúde Henrique Mandetta deixa o cargo se abraçando, se beijando, cantando e dançando com assessores sem máscara em ambiente aglomerado. À luz da ciência, esse é o teste clínico sem “l” – realizado por meio de contraste entre hipócritas e trouxas. Deu positivo para ambos;

2. Seguindo os rigorosos protocolos da infectologia circense, o mesmo Mandetta repetiu o teste meses depois – dizendo para todo mundo se isolar enclausurado enquanto ele ia jogar uma sinuquinha sem máscara no boteco, que ninguém é de ferro. O teste foi um sucesso, confirmando o duplo positivo para hipócritas e trouxas – e comprovando tecnicamente que você pode ser um charlatão zombando da cara do povo sem pagar nada por isso se tiver a cobertura dos holofotes certos;

3. Sergio Moro, o herói da Lava Jato, mergulhou com tudo na ciência transformista de Henrique Mandetta e abandonou o cargo de ministro da Justiça no auge da crise. Foi um ato coerente, porque a dupla estava desempenhando o papel inovador de “ministros de oposição” – usando a pandemia para fazer política contra o governo ao qual serviam. Depois de assinar embaixo do lockdown totalitário e burro de Mandetta, Moro montou um circo para sair também – atirando e acusando o presidente da República de complacência com a corrupção. O ano de 2020 termina sem que as acusações graves de Sergio Moro tenham sido provadas, mas ele continua à vontade no seu novo personagem de surfista de tragédia;

4. Depois da saída ruidosa de Sergio Moro, indignado ao constatar que o governo não tinha caído, o governador de São Paulo, João Dória, telefonou para o ministro da Economia, Paulo Guedes, com um convite de elevado espírito público para que Guedes abandonasse o barco também. Não era possível que as coisas continuassem não dando certo no Brasil, nem mesmo um naufrágio tão bem planejado. Paulo Guedes agradeceu o patriotismo de João Dória, mas disse que não ia largar o leme numa hora daquelas. Ou seja: não se pode confiar em mais ninguém nem para uma traição honesta, perfumada e fundamentada na ciência;

5. Depois de mandar São Paulo voltar para o lockdown, João Dória viajou para passar as festas de fim de ano em Miami, onde não há lockdown. João Dória é o mesmo que quer vacinação obrigatória de toda a população afirmando que esta é a única chance de se voltar a viver em sociedade. Só está imune quem tem avião particular para pousar sob as palmeiras certas, para se aglomerar nas festas certas e cara de pau suficiente para se fantasiar de herói da vacina chinesa.

Saiu o habeas corpus do STF em favor do ano de 2020 – liberando-o de começar de novo. O jeito é encarar 2021 mesmo. Mas, atenção: ele só será uma bad trip surrealista conforme a retrospectiva acima se você permitir.

5 pensou em “2020, O ANO QUE NÃO COMEÇOU

  1. Vou comentar apenas um parágrafo de seu artigo, para não me alongar

    O Dória deu um tiro no pé, mas tinha toda uma equipe tratando da Saúde. E tem a vacina.

    Já o Jair Saliva mergulhou nas águas do Guarujá sem nem ligar para a Saúde, que está há quase um ano sem comando, sem equipe e sem perspectiva. Como o ministrinho é mudo (un pasito pra frente, Pazuello, un pasito prá trás), o RESPONSÁVEL é o Jair Saliva. E o que temos, aliás o que não temos:
    – vacinas (faltou antecipar compra como os EUA)
    – Seringas e Agulhas (quiseram revogar a lei do mercado, colocando no pregão preços abaixo dos praticados)
    – Plano Nacional de Imunização (fizeram um rascunho cheio de lacunas)

    Mas o RESPONSÁVEL não viajou para Miami, foi para o Guarujá nadar de braçada ao lado de seus cachorrinhos de cercadinho..

    Agora vamos ao que temos: a vacina do Dória (já temos 15 milhões de doses e o Butantam está fabricando a vacina) à espera da liberação pela Anvisa.

    E a Fiocruz? Só testou, não vai fabricar tão cedo.

    Quem está ganhando? É o estigmatizado Dória.

    Atenção cachorrinhos de cercadinho do Planalto: disse e repito, não moro em SP, e não votei no Dória. Não precisam ficar de rosto vermelho nem soltar fumaça pelo nariz. Nem ironizar, viu, Berto?

    🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬

    • Em tempo: o governo conseguiu importar 2 mi de vacinas da Oxford da Índia e a Fiocruz promete fabricar ainda neste primeiro semestre.

      Mas precisamos de 300 mi de doses para vacinar todos os brasileiros que querem ser vacinados.

      • Jair Saliva declarou agora a pouco que “o Brasil está quebrado e ele não pode fazer nada”.

        Se ele não pode fazer, quem poderá? Melhor ele pedir o boné por incompetência crônica.

        o Mourão que se prepare.

    • Francisco, que v. não mora em SP não precisa nem falar. Qualquer paulista sabe a diferença entre Praia Grande, onde JB foi recebido nos braços pelo povão e Guarujá, onde se hospedou.

      Não, v. não votou no Dória, mas o apoia claramente na ambição que ele tem por ser Presidente da República.

      As vacinas importadas pelo Dória vão ter que ser jogadas no lixo, pois não tem eficácia comprovada (nem a China a quis). A Anvisa não recebeu nenhum dado sobre a eficácia da vacina até agora.

      V. mostra suas limitações ao se expressar por emojis. Dá dó.

      • O Jair Saliva vai aguentar a pressão popular e política se não aprovar a vacina do Dória? Hoje só temos esta. Govdernadores e prefeitos irão ao STF para garantir a vacinação. E ele vai ter que baixar a cabeça.

        Na hora em que ele diz que o Brasil está quebtrado e ele não pode fazer nada, você ainda defende este presidente que só pensa em reeleição e nos filhinhos?

        Que não consegue nem comprar seringas, quanto mais vacinas?

        Sou limitadissimo, mas nunca serei cachorrinho de cercado do Planalto.

        👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌👌

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