CHARGE DO SPONHOLZ

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O CÂNTICO DA TERRA – Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

J.R.GUZZO

UM OUTRO BRASIL

O fato mais importante da década para o Brasil foi a explosão na cena nacional de um moço nascido no norte do Paraná, formado numa faculdade de direito da cidade de Maringá e desvinculado de corpo e alma do grande circuito São Paulo-Brasília-Rio de Janeiro de celebridades jurídicas, reais ou imaginárias. Seu nome, como todo o Brasil e boa parte do mundo sabe hoje, é Sérgio Moro – um típico “juizinho do interior”, como foi definido na ocasião pelo ex-presidente Lula e sua corte imperial. Todo mundo se lembra: eles simplesmente não entenderam nada quando Moro começou a chamá-lo, como um cidadão normal, para prestar contas à Justiça sobre o que tinha feito em seus tempos de poder e glória. Onde já se viu uma coisa dessas? O titular de uma modesta Vara Criminal de Curitiba, com pouco mais de 40 anos de idade, querendo interrogar, processar e talvez até condenar “o maior líder político” da história do Brasil? Pois é. Era isso mesmo. E o mundo inteiro sabe o que aconteceu depois.

Sérgio Moro mudou a realidade do Brasil como ninguém mais, nestes últimos dez anos – ou 50, ou sabe-se lá quantos. Condenou e botou na cadeia por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, pela primeira vez na história, um ex-presidente da República. Comandou a maior operação judicial contra a corrupção jamais realizada no Brasil. Não só a maior: a primeira feita para valer em 500 anos, a mais bem-sucedida em termos de resultados concretos e a mais transformadora da vida pública que o País já conheceu. Moro, no comando da Lava Jato, conseguiu mostrar a todos, na prática, que a impunidade das castas mais ricas, poderosas e atrasadas da sociedade brasileira não tinha de ser eterna – podia ser quebrada, e foi. O governo paralelo que as empreiteiras de obras sempre exerceram no Brasil, mais importante que qualquer governo constituído, foi simplesmente riscado do mapa. Em suma: a Lava Jato virou uma nação inteira de ponta-cabeça. Havia um Brasil antes de Moro. Há um outro depois dele.

Exagero? Pergunte à Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa ou OAS se mudou ou não alguma coisa importante em suas vidas. A mesma pergunta pode ser feita às dezenas de políticos processados e presos, a empresários piratas que durante décadas saquearam o Tesouro Nacional e aos monarcas absolutos que reinavam nas diretorias das empresas estatais: e aí, pessoal, tudo bem com vocês? Dá para ver se houve ou não mudança, também, quando se constata que a ação de Moro levou milhões de brasileiros para as ruas, num inédito movimento de massas contra a corrupção. Varreu do poder um partido, um sistema e milhares de militantes políticos que mandaram no Brasil durante mais de 13 anos. Fez uma presidente ser deposta do cargo por fraude contábil.

Moro e o seu time fizeram muito mais que condenar 385 magnatas, aplicar 3.000 anos de penas de prisão e recuperar para o erário, até agora, R$ 4,5 bilhões em dinheiro roubado. É bom notar, também, que em toda a Lava Jato não há um único trabalhador punido. Não há nenhum inocente na prisão, agora ou desde que a operação começou, em 2014. Não há, enfim, uma única ilegalidade em nada do que Moro fez – tomou centenas de decisões e três tipos de tribunais superiores a ele examinaram com microscópio tudo o que fez, sem encontrar nada de errado até hoje em sua conduta moral. Acusou-se Moro, até no STF, de colocar em risco “a democracia”. Bobagem. O que acaba com democracia é golpe militar, e não juiz criminal que põe ladrão na cadeia. Nenhum país do mundo, até hoje, virou ditadura por punir a corrupção dentro da lei.

Sérgio Moro deu ao Brasil uma chance de ser um país civilizado. É muito.

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PERCIVAL PUGGINA

NO PÉ DE ABRAHAM WEINTRAUB

Décadas de uma Educação que prioriza o alinhamento com a visão esquerdista da história, da sociedade, da economia e da política colocou o Brasil no underground dos indicadores internacionais de qualidade. Aliás, no caso brasileiro, o indicador é de ruindade.

O tema da Educação se inclui entre aqueles que me tiram o sono porque frustra meu desejo de ver o Brasil ingressando num patamar superior a esse em que se desdobrou minha vida. No viver aprendi que, em sociedades livres, o progresso social, político e econômico ocorre na razão direta da riqueza e das virtudes de seu patrimônio humano.

A imprensa está “pegando no pé” do ministro Abraham Weintraub. Tudo se passa e muita coisa é dita como se o ministro carregasse as culpas pelo péssimo desempenho da Educação em nosso país, onde raras e pontuais exceções são exatamente isso – pontuais e raras exceções. A quem não sabe, informo:

1) os dados do PISA, recém-divulgados, se referem ao ano de 2018 e o ministro nada tem a ver com eles, portanto;

2) a melhoria dos indicadores ocorrerá no tempo e é tão necessária quanto lenta será.

Acusa-se o ministro de ter excessivas preocupações ideológicas. Quem não as tem, contemplando o que acontece na Educação nacional? O pensamento freireano, o construtivismo, o marxismo e o esquerdismo permanecem como referências pedagógicas e foram sacralizados na concessão do título de patrono a Paulo Freire. Como haver futuro para nossa Educação se a imensa maioria dos professores crê estar num bom caminho, e que as dificuldades são todas financeiras? Mais dinheiro será, mesmo, o combustível para o foguete que nos levará ao topo?

Em 2015 gravei um vídeo sobre esse tema (o vídeo está no final desta postagem). Com quase 400 mil visualizações, ele colheu perto de 2 mil comentários cuja maioria relata experiências que comprovam a doutrinação. São evidências da falta de pluralismo e do esquerdismo que se fez hegemônico. Chegou-se a isso através do bem conhecido processo de tomada de posições nos centro de decisão (motivo, aliás, da revolta contra a gestão de Weintraub). Transcrevo, a seguir, alguns desses testemunhos:

– Sou professor há 35 anos e esperei, todos os dias de minha vida, por alguém que não concordasse com Paulo Freire. Sempre fui discriminado por divergir dele. Hoje posso morrer em paz. Paulo Freire nunca foi um educador. Parabéns professor pela postagem deste vídeo.

– Sr. Percival, estou com 73 anos de idade, aposentado, resolvi ocupar meu tempo fazendo licenciatura em matemática, estou em um instituto federal. Outro dia, após ouvir muita lengalenga sobre Paulo Freire, pedi à professora que me indicasse um país desenvolvido e/ou com boa classificação no PISA que tenha utilizado ou que utilize o Método Paulo Freire, não obtive resposta e para agravar argumentou que nosso baixo nível se dá por culpa das elites políticas, intelectuais e empresariais que impedem sua aplicação.

– Sou Pedagogo, discordo de Paulo Freire e já estou começando a sofrer represálias.

– Puggina! Lindo e triste vídeo… Sou uma professora de Sociologia e História que não segue livros… Que não tem voz em meio a tanta doutrinação dentro da escola. Mas dou o meu recado e vou na contramão. Amo o meu país e ainda espero por mudanças… Um abraço fraterno!

– Experimente criticar Paulo Freire em qualquer curso de licenciatura no Brasil e você vai ser comido vivo. É impressionante como o discurso manso e democrático some e eles mostram sua verdadeira natureza intransigente (já aconteceu comigo).

– Ótima reflexão Professor. E como futuro professor que serei, que pedagogias utilizarei se não as conheço, se elas não me foram apresentadas? Procuro muito metodologias que fogem do socioconstrutivismo, mas está difícil.

– Comentário perfeito. Sou historiador. Fiquei fora de instituições por sempre discordar do lixo. Não raro, os sequelados e patrulheiros levantam-se, em palestras e cursos meus, e vão embora. É um prazer quando ocorre. Meus compromissos são com a História, a seriedade, a verdade. Não com besteiróis ideológicos.

– Sou professor de escola pública e sinto o efeito devastador de Paulo Freire e toda a massa esquerdista. é muito triste e cansativo.

– Comecei uma licenciatura e o que vejo é que eu tenho que dar sempre crédito ao “libertário”. As perguntas das provas me obrigam a concordar com Paulo Freire. Questionei e fui atacado e quase reprovado. Contem comigo pra desmistificar essa fraude libertária.

– Sou professor e infelizmente posso comprovar que esse tumor ainda prolifera.

– Isso é verdade. Sou estudante do ultimo ano de Pedagogia e só rasgam elogio a Paulo Freire, e eu não posso nem dar minha opinião na sala!

– Na escola sempre me foi ensinado: a culpa é do sistema! Hoje, como professor que estudou em escola pública, vejo a pedagogia ser trabalhada para massacrar o aluno e justificar que sua condição não é melhor por causa do sistema…

No referido vídeo há conteúdo para horas de leitura de testemunhos análogos a esses. A imprensa, que ao longo de décadas não se importou com a doutrinação nem com a ruindade do ensino brasileiro, agora se volta contra o ministro que viu o problema e está agindo contra ele.

* * *

PAULO FREIRE E A DESGRAÇA DA EDUCAÇÃO

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A PALAVRA DO EDITOR

BADALANDO NA MINHA TERRA

Semana passada fui a Palmares, minha terra de nascença, pra participar de um evento.

Foi o lançamento do livro “Assim Vejo o Mundo“, escrito por um amigo muito querido e especial, Reginaldo José de Oliveira, publicado pela nossa editora comum, a Bagaço. 

Eu sou uma das pessoas a quem ele dedicou este livro. Fiquei feliz que só a peste com esta gentileza.

Reginaldo, que tem no seu crédito mais dois outros títulos já publicados, é Coronel da reserva da PM de Pernambuco, homem de bem, sujeito de palavra e de caráter, e é por isso que o tenho em alta conta.

Ele foi comandante do 10º Batalhão da PM, sediado em Palmares. É a unidade que cuida da segurança em toda a região da Mata do Sul do estado de Pernambuco.

Reginaldo tornou-se uma lenda naquele recanto, pela rigor que aplicava no combate ao crime e à bandidagem. Nunca deu colher de chá pra marginal.

Até hoje é muito querido e respeitado pela população local.

Sendo um excelente piloto, foi Reginaldo quem criou o serviço de aviação da nossa PM pernambucana.

Foi também professor da Academia de Formação de Oficiais.

Ao chegar lá em Palmares, para minha surpresa, o dono da festa me convidou pra ficar ao lado dele no palco, num lugar que já estava reservado pra este Editor inxirido.

Num sei mesmo como foi que o palco aguentou o peso dos buchos de nós dois!!!

O lançamento foi num ponto central da cidade, a Praça Paulo Paranhos, exatamente no local onde existia o antigo mercado, em cujo telhado pousou a Besta Fubana, conforme relatado no meu romance.

Deitei falação, dei discurso, rememorei figuras queridas da nossa terra e fui aplaudido pelos meus queridos conterrâneos.

O dono da festa caiu na besteira de me dar brecha e eu aproveitei foi muito!

No final, respondi perguntas da plateia e ganhei a noite.

Foi ótimo. Levantou meu astral.

O melhor de tudo foi no final: a tietagem dos meus conterrâneos me deixou ancho que só a peste.

Liguei até pra Jessier Quirino pra dizer que eu parecia ele quando termina seus espetáculos, pelo tanto de gente querendo tirar retrato comigo, o tal do selfie.

Francamente, eu não imaginava que tinha tantos leitores na minha terra de nascença, tantos conterrâneos que haviam lido meus livros e que conheciam minha obra.

Fui apresentado ao Prof. Marconi Calazans e fiquei boquiaberto quando ele me informou que estava usando como tema de análise entre os seus alunos, jovens de baixa renda de uma escola pública, a minha novela A Serenata.

O professor sabia tudo sobre todos os meus títulos!

Fui entrevistado por um canal de televisão internético local e também dei uma rápida entrevista a um repórter da Rádio Cultura, a grande líder de audiência da cidade e de toda a toda a região.

E, para minha grande surpresa, no dia seguinte recebi da direção da emissora um áudio com a entrevista. Um brinde e tanto.

Este áudio que está aí no final da postagem.

Enfim, tive um presente de final de ano arretado.

Agradeço do fundo do coração a todos vocês aí do meu querido torrão de nascença pela calorosa recepção que me deram!!!

Um grande abraço desse menino da beira do Rio Una!

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADNA VASCONCELOS – GUARAPARI-ES

Editor Luiz Berto,

Em anexo segue um vídeo repleto de gente idiota!

Uma festival, uma multidão, um ajuntamento enorme.

Chegam a tropeçar uns nos outros.

Um bando de profetas que não acertam uma única previsão.

Iriam morrer de fome de se tentassem ganhar a vida adivinhando o futuro.

Publique por favor.

Feliz Ano Novo!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MENINOS, EU VI!

A selfie da inocência – eu vi

Eu vi, um dia, o mar pegando fogo. Eu vi um navio carregado de óleo pegar fogo em alto mar, na Baía de São Marcos, em São Luís, e aquele marzão pegando fogo, fazendo a água ferver para cozinhar os peixes.

Meninos, eu vi. Vi, um dia, uma lagarta caminhar centenas de quilômetros, comendo e destruindo tudo, até atingir um campo de girassóis, e ali transmutar em casulo, e voar como uma borboleta multicolorida.

Meninos, eu vi. Vi faz tempo, um jumento subir em relinchos numa jumenta, desesperada pelo gozo, e, onze meses depois, pelo mesmo canal do prazer, expelir um burrego saltitante como se fosse de borracha.

Óleo de bacalhau o pior remédio do mundo – eu vi

Meninos, eu vi. Vi, certo um dia, um homem chorando copiosamente e em desespero, por ver um dos seis filhos morrendo de fome e de sede, na terrível seca de 1957 que assolou o meu Ceará.

Meninos, eu vi. Vi e ainda me lembro, de minha Avó sentada no chão, numa tarde de domingo, me catando lêndeas e me dando cafunés – daqueles que estalavam o dedo! – enquanto eu sonhava com a maravilhosa sonata dos pássaros maviosos.

Meninos, eu vi. Vi, faz muito tempo, uma galinha das mais queridas criadas pela Vovó, botar um ovo de perua – fora “galada” por um peru tarado! – e de tanto fazer força, acabou morrendo “entalada” pelo furico.

Meninos, eu vi. Vi, certo dia, meu bom e trabalhador Avô conversando com um burro na capoeira, se lamentando da seca que levou a água que eles bebiam, matando tudo e, em lágrimas, beijando a cabeça do animal que, minutos depois morreria de sede.

Meninos, eu vi. Vi, juro que vi, como observador anônimo em Palmares, Luiz Berto ganhar três vezes seguidas na roleta do Cu-Trancado. Essa roleta, precisa ser muito amigo do dono, ou policial dos brabos para conseguir ganhar.

Meninos, eu vi. Vi e não faz tanto tempo, o nosso querido colunista Goiano, defensor peremptório de Lula da Silva, todo enrolado num belo cachecol russo, sentado na calçada da adega parisiense Le Comptoir, sorvendo taças e mais taças do bordeaux Château Bolzan.

Pinguim sobre geladeira Frigidaire – eu vi

Meninos, eu vi. Vi, juro que vi, Chupicleide se mijar-se da cabeça aos pés de tanta alegria, ao receber de Luiz Berto os salários atrasados dos meses de julho, agosto, setembro e outubro, graças às doações dos fanáticos e embevecidos leitores desta gazeta escrota.

Meninos, eu vi. Vi chegar a hora da despedida de tantos amigos feitos aqui neste ano de 2019, esperando merecer a atenção desses mesmos e de mais amigos, na leitura desta porcaria de coluna, para que Polodoro continue arrebentando “a coisa” de Xolinha. Um maravilhoso 2020 para os que aqui comparecem. Paz, alegria e saúde para todos e para as famílias.