PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O CÂNTICO DA TERRA – Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

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A PALAVRA DO EDITOR

BADALANDO NA MINHA TERRA

Semana passada fui a Palmares, minha terra de nascença, pra participar de um evento.

Foi o lançamento do livro “Assim Vejo o Mundo“, escrito por um amigo muito querido e especial, Reginaldo José de Oliveira, publicado pela nossa editora comum, a Bagaço. 

Eu sou uma das pessoas a quem ele dedicou este livro. Fiquei feliz que só a peste com esta gentileza.

Reginaldo, que tem no seu crédito mais dois outros títulos já publicados, é Coronel da reserva da PM de Pernambuco, homem de bem, sujeito de palavra e de caráter, e é por isso que o tenho em alta conta.

Ele foi comandante do 10º Batalhão da PM, sediado em Palmares. É a unidade que cuida da segurança em toda a região da Mata do Sul do estado de Pernambuco.

Reginaldo tornou-se uma lenda naquele recanto, pela rigor que aplicava no combate ao crime e à bandidagem. Nunca deu colher de chá pra marginal.

Até hoje é muito querido e respeitado pela população local.

Sendo um excelente piloto, foi Reginaldo quem criou o serviço de aviação da nossa PM pernambucana.

Foi também professor da Academia de Formação de Oficiais.

Ao chegar lá em Palmares, para minha surpresa, o dono da festa me convidou pra ficar ao lado dele no palco, num lugar que já estava reservado pra este Editor inxirido.

Num sei mesmo como foi que o palco aguentou o peso dos buchos de nós dois!!!

O lançamento foi num ponto central da cidade, a Praça Paulo Paranhos, exatamente no local onde existia o antigo mercado, em cujo telhado pousou a Besta Fubana, conforme relatado no meu romance.

Deitei falação, dei discurso, rememorei figuras queridas da nossa terra e fui aplaudido pelos meus queridos conterrâneos.

O dono da festa caiu na besteira de me dar brecha e eu aproveitei foi muito!

No final, respondi perguntas da plateia e ganhei a noite.

Foi ótimo. Levantou meu astral.

O melhor de tudo foi no final: a tietagem dos meus conterrâneos me deixou ancho que só a peste.

Liguei até pra Jessier Quirino pra dizer que eu parecia ele quando termina seus espetáculos, pelo tanto de gente querendo tirar retrato comigo, o tal do selfie.

Francamente, eu não imaginava que tinha tantos leitores na minha terra de nascença, tantos conterrâneos que haviam lido meus livros e que conheciam minha obra.

Fui apresentado ao Prof. Marconi Calazans e fiquei boquiaberto quando ele me informou que estava usando como tema de análise entre os seus alunos, jovens de baixa renda de uma escola pública, a minha novela A Serenata.

O professor sabia tudo sobre todos os meus títulos!

Fui entrevistado por um canal de televisão internético local e também dei uma rápida entrevista a um repórter da Rádio Cultura, a grande líder de audiência da cidade e de toda a toda a região.

E, para minha grande surpresa, no dia seguinte recebi da direção da emissora um áudio com a entrevista. Um brinde e tanto.

Este áudio que está aí no final da postagem.

Enfim, tive um presente de final de ano arretado.

Agradeço do fundo do coração a todos vocês aí do meu querido torrão de nascença pela calorosa recepção que me deram!!!

Um grande abraço desse menino da beira do Rio Una!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ADNA VASCONCELOS – GUARAPARI-ES

Editor Luiz Berto,

Em anexo segue um vídeo repleto de gente idiota!

Uma festival, uma multidão, um ajuntamento enorme.

Chegam a tropeçar uns nos outros.

Um bando de profetas que não acertam uma única previsão.

Iriam morrer de fome de se tentassem ganhar a vida adivinhando o futuro.

Publique por favor.

Feliz Ano Novo!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

MENINOS, EU VI!

A selfie da inocência – eu vi

Eu vi, um dia, o mar pegando fogo. Eu vi um navio carregado de óleo pegar fogo em alto mar, na Baía de São Marcos, em São Luís, e aquele marzão pegando fogo, fazendo a água ferver para cozinhar os peixes.

Meninos, eu vi. Vi, um dia, uma lagarta caminhar centenas de quilômetros, comendo e destruindo tudo, até atingir um campo de girassóis, e ali transmutar em casulo, e voar como uma borboleta multicolorida.

Meninos, eu vi. Vi faz tempo, um jumento subir em relinchos numa jumenta, desesperada pelo gozo, e, onze meses depois, pelo mesmo canal do prazer, expelir um burrego saltitante como se fosse de borracha.

Óleo de bacalhau o pior remédio do mundo – eu vi

Meninos, eu vi. Vi, certo um dia, um homem chorando copiosamente e em desespero, por ver um dos seis filhos morrendo de fome e de sede, na terrível seca de 1957 que assolou o meu Ceará.

Meninos, eu vi. Vi e ainda me lembro, de minha Avó sentada no chão, numa tarde de domingo, me catando lêndeas e me dando cafunés – daqueles que estalavam o dedo! – enquanto eu sonhava com a maravilhosa sonata dos pássaros maviosos.

Meninos, eu vi. Vi, faz muito tempo, uma galinha das mais queridas criadas pela Vovó, botar um ovo de perua – fora “galada” por um peru tarado! – e de tanto fazer força, acabou morrendo “entalada” pelo furico.

Meninos, eu vi. Vi, certo dia, meu bom e trabalhador Avô conversando com um burro na capoeira, se lamentando da seca que levou a água que eles bebiam, matando tudo e, em lágrimas, beijando a cabeça do animal que, minutos depois morreria de sede.

Meninos, eu vi. Vi, juro que vi, como observador anônimo em Palmares, Luiz Berto ganhar três vezes seguidas na roleta do Cu-Trancado. Essa roleta, precisa ser muito amigo do dono, ou policial dos brabos para conseguir ganhar.

Meninos, eu vi. Vi e não faz tanto tempo, o nosso querido colunista Goiano, defensor peremptório de Lula da Silva, todo enrolado num belo cachecol russo, sentado na calçada da adega parisiense Le Comptoir, sorvendo taças e mais taças do bordeaux Château Bolzan.

Pinguim sobre geladeira Frigidaire – eu vi

Meninos, eu vi. Vi, juro que vi, Chupicleide se mijar-se da cabeça aos pés de tanta alegria, ao receber de Luiz Berto os salários atrasados dos meses de julho, agosto, setembro e outubro, graças às doações dos fanáticos e embevecidos leitores desta gazeta escrota.

Meninos, eu vi. Vi chegar a hora da despedida de tantos amigos feitos aqui neste ano de 2019, esperando merecer a atenção desses mesmos e de mais amigos, na leitura desta porcaria de coluna, para que Polodoro continue arrebentando “a coisa” de Xolinha. Um maravilhoso 2020 para os que aqui comparecem. Paz, alegria e saúde para todos e para as famílias.

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JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Paulo Freire

Paulo Reglus Neves Freire nasceu no Recife, PE, em 19/9/1921. Advogado, escritor, filósofo e educador. Idealizador do movimento “Pedagogia Crítica”, é também o Patrono da Educação Brasileira e um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial. Graduado pela Faculdade de Direito do Recife, em 1947, e oriundo de uma família de classe média, vivenciou a pobreza e a fome na infância durante a depressão de 1929, uma experiência que o levaria a se preocupar com os mais pobres e o ajudou a construir seu revolucionário método de alfabetização.

Casou-se, em 1944, com a professora primária Elza Maia Costa Oliveira, com quem teve cinco filhos. Após a morte de sua primeira esposa, casou-se com Ana Maria Araújo Freire, uma ex-aluna. Foi professor de Língua Portuguesa do Colégio Oswaldo Cruz e diretor do setor de Educação e Cultura do SESI (Serviço Social da Indústria) de 1947-1954 e superintendente do mesmo de 1954-1957. Ao lado de outros educadores e pessoas interessadas na educação escolarizada, fundou o Instituto Capibaribe.

Sua filosofia educacional expressou-se primeiramente em 1958 na sua tese de concurso para a universidade do Recife, e, mais tarde, como professor de História e Filosofia da Educação daquela universidade, bem como em suas primeiras experiências de alfabetização, como a de Angicos (RN), em 1963. Ensinou 300 adultos a ler e a escrever em 45 dias. A partir daí, criou um método inovador de alfabetização, adotado primeiramente em Pernambuco. Seu projeto educacional estava vinculado ao nacionalismo desenvolvimentista do governo João Goulart.

A metodologia por ele desenvolvida foi muito utilizada no Brasil em campanhas de alfabetização e, por isso, ele foi acusado de subverter a ordem instituída, sendo preso após o Golpe Militar de 1964. Depois de 72 dias de reclusão, foi convencido a deixar o país. Exilou-se primeiro no Chile, onde desenvolveu alguns programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária (ICIRA). Foi aí que escreveu sua obra mais conhecida: Pedagogia do oprimido (1968). Trata-se do terceiro livro mais citado mundialmente nas área das Ciências Sociais, conforme uma pesquisa da London School of Economics, segundo dados do Google Acadêmico. Outras obras: Educação como prática da liberdade (1967), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995) e Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa (1997).

O fundamento de sua prática didática encontra-se na crença de que o educando assimilaria o objeto de estudo fazendo uso de uma prática dialética com a realidade, em contraposição à por ele denominada educação bancária, tecnicista e alienante: o educando criaria sua própria educação, fazendo ele próprio o caminho, e não seguindo um já previamente construído; libertando-se de chavões alienantes, o educando seguiria e criaria o rumo do seu aprendizado. Este método de alfabetização dialético, se diferenciou do “vanguardismo” dos intelectuais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático.

Em 1969, trabalhou como professor na Universidade de Harvard, em estreita colaboração com numerosos grupos engajados em novas experiências educacionais. Durante os dez anos seguintes, foi Consultor Especial do Departamento de Educação do Conselho Mundial das Igrejas, em Genebra. Nesse período, deu consultoria educacional junto a vários governos do Terceiro Mundo, principalmente na África. Em 1980, depois de 16 anos de exílio, retornou ao Brasil para “reaprender” seu país. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Na política, integrou o Partido dos Trabalhadores e foi Secretário de Educação da Prefeitura Municipal de São Paulo na gestão de Luiza Erundina (1989-1992). Durante seu mandato, fez um grande esforço na implementação de movimentos de alfabetização, de revisão curricular e empenhou-se na recuperação salarial dos professores.

Em 1991 foi criado o IPF-Instituto Paulo Freire com a finalidade de reunir pessoas e instituições que, movidas pelos mesmos sonhos de uma educação humanizadora e transformadora, pudessem aprofundar suas reflexões, melhorar suas práticas e se fortalecer na luta pela construção de “um outro mundo possível”. Atualmente vem desenvolvendo uma série de projetos educacionais além de manter e divulgar o legado de seu criador, conforme pode ser visto no site Instituto Paulo Freire. Foi reconhecido mundialmente pela sua prática educativa através de numerosas homenagens. É cidadão honorário de várias cidades no Brasil e no exterior; recebeu o título de doutor Honoris Causa de 35 universidades em todo o mundo, além das premiações: Prêmio Rei Balduíno para o Desenvolvimento (Bélgica, 1980); Prêmio UNESCO da Educação para a Paz (1986) e Prêmio Andres Belloda da Organização dos Estados Americanos, como Educador do Continente (1992). Em 13/4/2012 foi sancionada a lei 12.612, nomeando-o “Patrono da Educação Brasileira”. Faleceu em 2/5/1997. As críticas ao seu método de alfabetização e filosofia pedagógica vêm sendo contaminadas pela polarização ideológica intensificada a partir de 2018.

Recentemente foram publicadas duas biografias visando dirimir dúvidas sobre seu legado e esclarecer sobre suas reais contribuições à pedagogia: Paulo Freire mais do que nunca: uma biografia filosófica (2019), de Walter Kohan e O educador: um perfil de Paulo Freire (2019), de Sergio Haddad. Aos interessados num relato mais completo de seus trabalhos vida e concepções filosóficas, temos a biografia Paulo Freire: uma história de vida (2017), de Ana Maria Araújo Freire.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

LEITOR DESISTE…

Comentário sobre a postagem RELEMBRANDO CHURCHIL

Pablo Lopes:

Neste momento, enquanto enfrento o exíguo teclado do iPhone, observo em minha estante os dois volumes de “Memórias da Segunda Guerra”, de Churchill, as quais li duas vezes suas mais de mil páginas.

Pensei em recomendar sua leitura ao herói da esquerda nacional, Lula da Silva, na esperança de que este se tornasse mais culto e humilde.

Mas desisti; afinal o demiurgo de Caetés não sabe o que é humildade e abomina a cultura e, ainda que assim não o fosse, de nada adiantaria minha recomendação pois o apedeuta não sabe ler.

Deixei pra lá…

* * *

“ATÉ PRA LER EU SOU PREGUIÇOSO”

ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

DICOTOMIAS

Desde quando iniciei meu primeiros passos no entendimento do mundo, epifania esta iniciada há já algumas muitas décadas, um aspecto que sempre me fascinou foi a enorme tendência que a maioria das pessoas possui a supersimplificar qualquer assunto que lhes seja apresentado, sempre os reduzindo a uma explicação extremamente simplória, óbvia, clara e cristalina e…ao final, totalmente errada!

Ao ouvirem algum argumento de peso da parte de um especialista que se debruçou sobre o assunto por largos períodos de tempo, e com o qual não concordam, pois o mesmo não se enquadra em seus simplórios esquemas mentais, tornam-se agressivos e aumentam o nível de decibéis em proporção à fraqueza dos seus pífios argumentos, se exaltam, se zangam, e por aí segue a brutal exposição de ignorância crassa. Estou fora!

Este tipo de pessoa é aquele que se torna especialista em qualquer assunto após ouvir, por meros cinco minutos, uma explanação de quem entenda profundamente do mesmo. A partir daí os debates com este tipo de gente, se é que podem ser chamados assim, deixam celeremente a condição de diálogo (raciocínio a dois – dia logos) e transformam-se rapidamente em mero bate-boca, onde ninguém ouve mais ninguém e a grande preocupação é apenas a de ganhar aquela discussão no grito.

A marca registrada dessas toscas visões do mundo é a sua divisão bipolar entre extremos incomunicáveis e diametralmente opostos. O mundo, segundo estes, segue fielmente a teoria das duas alternativas, sempre! Todas as questões do mundo se resumem a simples dilemas. Ou é isto, ou é aquilo! Nada na alma lhes diz mais que as suas ingênuas e pífias suposições a respeito de como as coisas são e se comportam. Não há nuanças; não há sutilezas; não há fenômenos com múltiplas causas; não há interação de fatores; não há uma causação circular e tautológica; nada disso. A análise toda é sempre PRETO NO BRANCO! E estamos conversados.

A paz mental que esta “santa” ignorância dá aos embrutecidos indivíduos por ela acometidos é algo absolutamente enternecedor. É tanto que se torna digna de inveja por parte daqueles que evoluíram um pouco mais nas sendas do raciocínio e que conseguem vislumbrar as fímbrias dos imensos e majestosos princípios, regras e mistérios que estão contidos nos mais prosaicos dos aspectos de nossa “simples” realidade cotidiana.

Essa tendência incrível e inevitável ao dilema, ou isto ou aquilo, iniciou-se com a velha religião de Maniqueu, na Pérsia, com os Maniqueístas, onde a cosmogonia preconizava uma divisão básica entre o “bem” e o “mal”, visão esta grandemente absorvida pelo cristianismo.

Quem conferiu tinturas de sapiência a este raciocínio raso e rasteiro foi um tal de Hegel, santo padroeiro dos comunas, com sua distorção brutal da dialética aristotélica. O que para Aristóteles significava um embate interno entre diferentes visões do mundo, sempre dentro do cérebro do filósofo, quando este comparava ideias como forma para alcançar patamares mais altos e mais ricos de conhecimento; após a distorção Hegeliana passou a ser um mero bate-boca entre diferentes opiniões, ganhando a discussão quem gritasse mais alto ou se utilizasse melhor de falácias e sofismas. Para Aristóteles, este tipo de embate verbal era mera “Erística”, e não dialética.

Depois da divisão entre a direita e a esquerda verificada na Assembleia parisiense quando da Revolução Francesa de 1789, juntamente com o desdobramento da “Dialética” Hegeliana feito por Karl Marx, aí foi que multidões de energúmenos (apud Jair Bolsonaro) aprofundaram uma visão do mundo cada vez mais dicotômica.

Hoje, por conta disso, qualquer debate que tente fugir da armadilha dos dilemas tende inexoravelmente ao fracasso. Limita-se a mero bate-boca entre polos antagônicos e irreconciliáveis por definição. A saber:

1º Dilema – Direita X Esquerda

Hoje, a gestão pública se acha visceralmente fracionada entre aqueles que consideram a velha filosofia do “Devo não nego, pago quando E SE puder, cuja epítome é a Argentina peronista, sempre visando distribuir com os mais pobres um dinheiro que não tem, a fim de reduzir as desigualdades e “resgatar” supostas “dívidas sociais” que ninguém sabe exatamente quem foi que assumiu, juntamente com a histeria ambientalista, a defesa incondicional de toda e qualquer aberração sexual, a abertura total para qualquer forma de libertinagem mais absoluta e para qualquer escatologia teratológica; contra aqueles que desejam um Estado mínimo, estancar a roubalheira e o desperdício, enxugar a máquina estatal, vender tudo o que puder ser vendido e que não seja função do Estado, reduzir as inúmeras mamatas, muito especialmente a das aposentadorias “especiais” e as mordomias, reduzir os juros, desvalorizar a moeda, reduzir a dívida maldita a valores minimamente administráveis e, “last but not the least”, reforçar os valores da moralidade, da família, do respeito aos mais velhos, à pátria, etc…

2º Dilema – Liberal X Conservador

É extremamente interessante observar como estes termos invertem periodicamente o seu sentido, a depender apenas de tempo e lugar e, principalmente, dos interesses manipulativos escusos que se encontram por trás destas fábricas de chavões e “Palavras de Ordem”. O liberal, que nos Estados Unidos é considerado como sendo esquerdista, no Brasil passou a ser o suprassumo do capitalista selvagem. Enquanto isto, o conservador, que para eles seria o capitalista radical e tradicionalista, por estas bandas passou a ser o tradicionalista. O papel assumido pelas esquerdas por aqui passou a ser de libertinagem total, ou seja: do esculhambador de tudo.

3º Dilema – Democrata X Fascista

Outra transliteração extremamente interessante. Todos os partidos fascistas se autodenominavam socialistas. Depois da Guerra Civil da Espanha, em que os comunistas foram dizimados pelas forças monarquistas de Franco, apoiadas pelos “socialistas” de Mussolini e de Hitler, tornou-se praxe apodar todo e qualquer opositor dos comunas de…FASCISTA, quando estes se autodenominavam sempre de socialistas e, portanto, primo irmão dos comunas.

4º Dilema – Miscelânea

O medo vence a esperança, o individual vence o coletivo, o preconceito vence a razão, o desalento vence o sonho, e por aí segue. O padrão é exatamente o mesmo. Segundo estes, não podemos ter uma esperança cautelosa. Ou um, ou outro! O interesse individual, ao ser atendido, não pode ser positivo para o coletivo. Ou se está sonhando, ou é um desalentado. Ter alguns conceitos antagônicos ao chavão “politicamente correto”, mesmo que fortemente embasado em evidências empíricas, (negro não ganha Nobel – Negro é bom em esportes, homossexualidade é pecado condenado pela minha religião, etc.) leva o indivíduo a ser imediatamente tachado de “preconceituoso”.

5º Dilema – Opressores X Oprimidos

Fui réu assumido do fato de nunca ter lido nada da lavra de Paulo Freire e de não gostar das ideias do mesmo.

Realmente, é a mais pura verdade: NÃO LI E NÃO GOSTEI!

Do pouco que já tinha ouvido sobre esta figura, sempre achei suas ideias(?) um desastre. Assim, para sanar esta inexcusável lacuna na minha formação humanista, armei-me de toda a paciência possível e imaginável e me dediquei a ler de cabo a rabo a obra intitulada “Pedagogia do Oprimido”, considerada basilar no pensamento dele.

Se eu já não gostava, agora não suporto nem ouvir falar o nome. Tudo o que posso dizer é que é um DESASTRE!

A obra, na realidade, é muito mais um tratado sobre a formação de guerrilhas revolucionárias com base nos mais pobres de uma sociedade, os supostos OPRIMIDOS, que qualquer coisa ligada à pura e simples pedagogia. Todas as suas páginas são dedicadas a desancar impiedosamente supostos “OPRESSORES”, sem que em momento algum seja explicitado quem sejam estes famigerados agentes malignos da perpetuação da miséria humana. Suas referências bibliográficas mais importantes vão de Georg Lukács, escritor marxista húngaro e autor de um detalhamento das ideias de Lenin a respeito da ascensão de uma ditadura do proletariado baseada no campesinato e no operariado urbano, passando pelo próprio Marx e, como não podia faltar, o velho Hegel, autor da dialética pós aristotélica acima mencionada.

Para mim, hoje, no Brasil, o grande opressor é o nosso governo, totalmente entupido de canalhas e ladravazes do mais alto coturno, sempre à espreita de qualquer oportunidade para esfolar o otário do cidadão e de se locupletar às custas de multidões de oprimidos. Os exemplos abundam:

• Produzimos a energia elétrica mais barata do mundo na fonte de produção e, ao mesmo tempo, a mais cara do mundo para o consumidor final. A diferença serve para cobrir as imensas roubalheiras estatais.

• Todos os bens de consumo custam em nosso país o dobro daquilo que costumam custar em países com governos um pouco menos canalhas que o nosso.

• O governo se apropria de aproximadamente metade de toda a riqueza atualmente produzida em nosso país e, o que dá em retorno ao cidadão, é absolutamente deplorável. Digno de país africano.

• Somos cidadãos outorgados! Precisamos de beneplácito estatal para tudo e somos fiscalizados em tudo. Se eu quiser estacionar em vaga de idoso, tenho primeiramente que ser “autorizado” pelo aparato estatal. Só serei considerado idoso se eles me “concederem” esta condição. Haja saco!