CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

ESPERANÇA EM 2020

Ano passado enviei uma mensagem de ano novo aos amigos com textos otimistas e humorados de autor anônimo. Complementei a mensagem com algumas frases por mim inventadas. Recebi várias respostas, foi do agrado geral. Nesse ano repito a mensagem adicionada de um complemento especial cheio de humor e malícia escrito especialmente por Chico Buarque de Holanda, segue a mensagem:

Amigo, no próximo ano:

Se existir guerra, que seja de travesseiro.
Se for pra prende, que seja o cabelo.
Se existir fome, que seja de amor.
Se for pra atirar, que seja o pau no gato-t-ó-tó
Se for para esquentar, que seja no sol.
Se for para atacar, que seja pelas pontas.
Se for para enganar, que seja o estômago.
Se for para armar, que arme um circo.
Se for para chorar, que seja de alegria.
Se for para assaltar, que seja a geladeira.
Se for para mentir, que seja a idade.
Se for para algemar, que se algeme na cama.
Se for para roubar, que seja um beijo.
Se for para afogar, afogue o ganso.
Se for para perder, que seja o medo.
Se for para brigar, que briguem as aranhas.
Se for para doer, que doa de saudade.
Se for para cair, que caia na gandaia.
Se for para morrer, que morra de amores.
Se for para violar, que viole um pinho.
Se for para tomar, que tome um vinho.
Se for para queimar, que queime um fumo.
Se for para garfar, que garfe um macarrone.
Se for para enforcar, que enforque a aula
Se for para ser feliz, que seja o tempo todo.

Recebi vários agradecimentos, entre eles um especial do meu querido escritor Ignácio Loyola Brandão, agora imortal da Academia Brasileira de Letras:

“Carlito, meu amigo.

Mandei para dezenas de pessoas seu texto de bom ano. Um sucesso sem precedentes. Maria Medeiros, atriz portuguesa que mora na França e é uma pessoa incrível, maravilhou-se. Mas a melhor resposta foi a do Chico Buarque. Ele agradeceu e complementou com um lado malicioso.

Se for pra cheirar que seja a flor.
Se for pra fumar que seja a cobra.
Se for pra picar que seja a mula.
Abraços. Ignácio”.

Pronto, agora sou parceiro de Chico Buarque em mensagem de ano novo. Em 2020 não esqueçam esse recado para adocicar a vida.

Um excelente ano novo, cheio de esperança. Essa que nunca morre.

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SE OFERECENDO-ME À GLOBO

O relatório da Polícia Federal que indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por receber propina disfarçada de doações para o Instituto Lula aponta que a empresa Lils Palestras e Eventos LTDA, de propriedade do petista, recebeu R$ 450.132,41 da Infoglobo Comunicação e Participações em outubro de 2013.

De acordo com o relatório, o repasse da empresa do Grupo Globo corresponde a apenas 1,6% dos mais de R$ 28 milhões verificados no registro de movimentações bancárias em favor da companhia do ex-presidente entre julho de 2011 e janeiro de 2016.

* * *

Mais de R$ 28 milhões…

Chega se assuspirei-me ao digitar esta cifra.

Se o Grupo Globo quiser, eu faço palestras por um preço bem menor que este pixuleco recebido por Lula.

Bem menor mesmo!

Por um centésimo deste cachê, eu falo merda sem parar por mais de duas horas.

Podem acreditar que ganho de Lapa de Corrupto em besteirol, mentiradas, demagogia e embromação de trouxas.

E ainda tem mais: o contratante pode escolher minha roupa.

Tanto posso ir vestido de presidente, com faixa presidencial e tudo, como também posso ir trajado de Babachola, o Pai de Santo mais conhecido por Papa-Cu aqui no bairro da Casa Forte.

Estou às ordens!!!

JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

O MUNDO VIRTUAL

Recebi, neste final de ano, correspondência de uma associação beneficente pedindo ajuda material para mantê-la em atividade. Ao enviar o ajutório o contribuidor ficaria habilitado a acender uma vela que o credenciaria a pedir uma indulgência ao santo protetor da entidade.

O fato inusitado nesse processo consistia em não haver deslocamento para atiçar o lume, porque esse seria ligado por um simples toque de celular do doador, não importando a distância que o separasse do círio eletrônico.

Facilitar a vida do indivíduo é a tônica do momento. E já sentimos a mudança comportamental decorrente de novos procedimentos e costumes inseridos no nosso cotidiano. Num primeiro instante apareceu o computador e, em seguida, a internet. Criados como artifícios corporativos esses elementos em duas décadas assumiram a condição de acessórios particulares indispensáveis.

Aliados à telefonia celular, eles interagiram e se aproveitaram da boa receptividade de quem os possuía. À medida que a união umbilical com essas engenhocas eletrônicas se consolidava, nós nos transformávamos em miseráveis dependentes de uma virtualidade incurável.

Imaginar o espanto de quem viu a carroça ser substituída pelo carro ou com o movimento do trem sobre trilhos; de constatar a voz humana percorrendo um fio de cobre ou visualizando um avião suspenso no ar nos daria a proporção exata do sentimento que nos incomoda hoje.

A velocidade das mudanças nos deixa desnorteados e num permanente estado de perplexidade, digerindo a latente sensação de ansiedade quanto ao desfecho de tudo isso.

Geração de economia e ganho de tempo são os combustíveis dos motores que deflagram essas mudanças chamadas progresso. Algumas condutas até então indissociáveis do nosso dia a dia estão perdendo a utilidade e sumindo sem que percebamos. Tudo em nome do menor custo e da agilidade que requer a adequação aos novos tempos.

Um exemplo é o cheque – o dinheiro de plástico tomou o seu lugar. Outra vítima é o telefone fixo – em nome da praticidade está amargando o desuso. O livro também consta desse rol, pois em breve será motivo de curiosidade nos acervos de bibliotecas centenárias ou relíquias de abnegados defensores da leitura no papel.

O cheiro da tinta nas letras do jornal impresso já foi substituído pela luminosidade irritante projetadas em telas de computadores. Os Correios contam os dias para o sumiço definitivo de atividades que o caracterizaram por um terço de milênio. Cartas e telegramas foram substituídas por e-mails e por contatos de viva voz.

Das múltiplas perdas registradas pelo avanço do progresso, a da privacidade é a que mais denota preocupação. A exposição de parcela da humanidade nas redes sociais causa desassossego. Pelo caminhar das inovações nem os mais primitivos comportamentos individuais ficarão longe do alcance da bisbilhotice.

No século XIX as locomotivas, o telégrafo e o telefone encolheram o mundo. No século XX a televisão, o avião e a informática o globalizaram. Na atualidade, a internet e a telefonia celular puseram-no na era da nanotecnologia. E nós, os incomodados com a rapidez do progresso, fazer o quê? Nada! Somente aguardar silente as surpresas tecnológicas programadas para 2020.

PENINHA - DICA MUSICAL