PERCIVAL PUGGINA

O QUE FOI ISSO, PRESIDENTE?

As duas casas do Congresso desenvolveram uma técnica notável para criar jabutis com requintes de engenharia genética. Durante muitos anos, esses jabutis foram desenvolvidos para introdução em medidas provisórias que entravam no parlamento redondas e saíam quadradas, bicudas. Seu uso mais comum envolvia concessão de benefícios atribuídos a quem por eles pudesse pagar bem. O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, era conhecido por sua dedicação a esses curiosos animaizinhos legislativos.

De uns tempos para cá, a ala do Congresso Nacional que sai correndo quando alguém grita “Pega ladrão!” tem se dedicado a incluir jabutis em medidas provisórias ou em projetos do governo, invertendo seu sentido e seu efeito. Em óbvia defesa do interesse próprio e flagrante choque com o desejo da sociedade, temas de segurança pública, de combate à impunidade, de dar efetividade à lei penal, produzem sudorese nervosa em muitos congressistas. Eles usam os jabutis para se autoprotegerem.

Foi assim que quando queríamos as 10 medidas contra a corrupção, o Congresso nos ofereceu uma lei de combate ao abuso de poder, na medida exata para restringir as atividades de persecução penal e constranger à inação delegados, promotores e magistrados.

Foi assim, também, que o pacote do ministro Sérgio Moro foi agraciado com vários jabutis. Entre eles, sem dúvida o mais saliente é o que cria a figura do juiz de garantias para acompanhar os procedimentos e impedir que sejam violadas as garantias constitucionais e legais do réu.

É uma norma de aplicação incompatível com as dificuldades fiscais do país. É mais uma conta salgada e vitalícia como costumam ser os gastos que vêm a débito do pagador de impostos. Quarenta por cento das 5,5 mil comarcas brasileiras têm apenas um juiz o que dá ideia do número de vagas que estarão sendo criadas e providas em curtíssimo prazo. Como não há magistrados com tempo ocioso, a rigor será necessário criar milhares de novas vagas só nas justiças estaduais. Para surpresa geral da nação, Bolsonaro não vetou.

Ao omitir-se perante um jabuti desse tamanho, verdadeira tartaruga marinha no meio dos demais, o presidente contrariou o ministro Sérgio Moro, que expressou seu desagrado. Ao mesmo tempo, está sendo aplaudido pela esquerda, pelo deputado psolista Marcelo Freixo, pelos advogados criminalistas, pelos garantistas e pelos historicamente lenientes com a criminalidade. Aplaudem-no todos que tremem quando a campainha soa às seis horas da manhã. Aplaudem-no, enfim, todos de quem o Presidente da República é o principal adversário.

O que foi isso, presidente? Nós, seus eleitores, agradeceremos se explicar as razões dessa decisão, poupando-nos de buscá-las e impedindo que ela sirva duplamente a seus inimigos – criando mais delays nos processos criminais e apontando contradições em sua conduta.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ESDRAS SERRANO – RECIFE-PE

Bom dia Berto

Espero que seu Natal tenha sido com muita paz e saúde.

R. Caro amigo, meu Natal foi não apenas com paz e saúde: foi também de muita alegria por ter um imenso círculo de amigos porretas, pessoas fantásticas e espíritos iluminados.

Só gente decente e do bem.

Cabras assim feito você, que mora na minha estima.

E aqui vai não um desejo, ou um voto, mas uma certeza:

Em 2020 a NE Segurança Privada, uma das maiores empresas do ramo aqui do Norte e Nordeste, vai crescer mais ainda e continuará sendo um símbolo desta área de serviço.

E quem quiser conhecer este magnífico empreendimento do nosso estimado leitor Esdras Serrano, membro fiel da comunidade fubânica, clique na imagem que está aí no final da postagem e dê um passeio pela sua página.

Vale a pena!

Meu caro: diga pra pra sua esposa que eu e Aline estamos mandando um grande abraço pra ela.

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A PALAVRA DO EDITOR

LIVROS DO COLUNISTA FUBÂNICO

Meu prezado amigo Marcos Mairton, colunista desta gazeta escrota, me mandou mensagem ontem pelo zap.

Ele informou que já despachou pelo correio os livro 100 Dúvidas de Português e Contos, Crônicas e Cordéis para leitores que se habilitaram a receber aqui pelo JBF.

São eles:

Felipe José Dias, João Francisco Kronka, José Claudino Primo, Maria de Fátima Fonseca e Gerson Antunes.

Peço a cada um que, por favor, informe aqui pra gente assim que receberem seus volumes.

Uma coisa eu garanto: vocês vão gostar da leitura!

E quem quiser dar um passeio na página dele, é só clicar aqui .

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SÓ NO RECIFE MESMO: O ONIPRESENTE DA GLOBO

CHARGE DO SPONHOLZ

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MOTES, GRANDES GLOSAS E UM FOLHETO DE ABC

Moacir Laurentino e Sebastião da Silva glosando o mote:

A poeira da estrada
Apagou o nome dela.

Sebastião da Silva

Eu passeei com meu bem
Pelo cantinho da sorte,
Já cruzei de Sul a Norte,
De Leste a Oeste também
E o destino ingrato vem
Nos deixa dores, sequela,
E hoje da minha bela
Tenho lembrança e mais nada.
A poeira da estrada
Apagou o nome dela.

Moacir Laurentino

O antigo casarão
Do meu amor verdadeiro,
Que eu abracei no terreiro,
Lhe dei aperto de mão,
Hoje só tem solidão,
A tristeza e a sequela,
Está velhinha a cancela,
Pendida e escancarada.
A poeira da estrada
Apagou o nome dela.

Sebastião da Silva

Naquele belo recanto,
Que foi nossa moradia,
Onde havia Cantoria,
Muita festa em todo canto,
Houve novena de santo,
No altar e na capela,
Só tem o santo e a vela,
Onde a missa era rezada.
A poeira da estrada
Apagou o nome dela.

Moacir Laurentino

A mulher que me amou,
Que me queimou como brasa,
Eu fui visitar a casa
E tudo se divisou,
A saudade ela deixou,
A sua saia amarela,
O resto de uma chinela
E uma blusa remendada.
A poeira da estrada
Apagou o nome dela.

Sebastião da Silva

Naquela nossa casinha,
Que tinha na encruzilhada,
Bem na beira da estrada,
A casa era dela e minha,
Lá o nome dela tinha,
Desenhado na janela,
Mas hoje não estou com ela
E a casa já está fechada.
A poeira da estrada
Apagou o nome dela.

* * *

Geraldo Amâncio glosando o mote:

Pra que tanto tesouro acumulado
Se ninguém leva nada no caixão.

Não adianta um pecador enganar
E nessa vida viver da fase crítica
Entre luta, entre roubo, entre política
Pra depois nesse mundo ele enricar
Que se a gente também for comparar
Desde um rico para um pobre cristão
Para Deus vale mais quem pede um pão
Do que um presidente ou deputado
Pra que tanto tesouro acumulado
Se ninguém leva nada no caixão.

* * *

Bob Motta glosando o mote:

Quer ver cachaça o que faz?
Não beba e preste atenção…

Chama cachorro de cacho,
chama mestre de aprendiz,
militar de militriz,
e nunca sossega o facho.
Bêbado de cima abaixo,
anda nu na multidão,
caga em cima do balcão,
não deixa ninguém em paz,
Quer ver cachaça o que faz?
Não beba e preste atenção…

* * *

Rafael Neto glosando o mote:

Me afoguei na maré da sedução
Quando o barco do amor perdeu o rumo.

Já cruzei muitos mares caudalosos,
Porém nesse eu quase perco a vida.
Nesse barco a passagem é só de ida
Nos prazeres dos mares ondulosos,
Meus desejos carnais são poderosos
Pra tirar minha vida do seu prumo,
E pra viver ou morrer eu mesmo assumo,
Que o culpado de tudo é a paixão.
Me afoguei na maré da sedução
Quando o barco do amor perdeu o rumo.

* * *

ABC PARA LEMBRAR RAULZITO E GONZAGÃO – Rouxinol do Rinaré

Amigos que apreciam
Meus cordéis, peço atenção
Pois vou falar de dois mitos
Saudosos dessa nação
No ABC pra lembrar
Raulzito e Gonzagão.

Baião é ritmo dançante
Do nordeste brasileiro
Se originou da toada
Do popular violeiro
E imortalizou Luiz
Nosso maior sanfoneiro.

Cantando, Luiz Gonzaga,
Resgatou nosso nordeste
Tocou baião, polca e xote,
Com o baião passou no teste
Engrandeceu nosso chão
Como um bom “cabra da peste”.

Declarou Luiz Gonzaga:
– Após a minha partida
Eu quero enfim ser lembrado
Como quem cantou a lida
Do sertanejo e amou
Toda essa gente sofrida.

Eu quero que não esqueçam
Que cantei sempre o sertão
Os padres, os cangaceiros,
O covarde, o valentão,
As secas, os animais,
E as aves de arribação…

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

J.R.GUZZO

LUCRO É COISA DE RICO. COISA DE POBRE É PREJUÍZO

As estatais vão dar um lucro. Em 2015, último ano do governo de esquerda Lula-Dilma prejuízo foi de R$ 35 bilhões

O Brasil é realmente um país onde as coisas vivem de cabeça para baixo boa parte do tempo, ou talvez a maior parte do tempo.

Pelo que qualquer cientista social, formador de opinião ou pensador de universidade dirá, todas as vezes que você perguntar, governos de esquerda se preocupam em atender os interesses das populações mais pobres, que são a maioria. Já os governos de direita, vice-versa e ao contrário, gostam dos ricos – e, por isso mesmo, se preocupam em atender os interesses do “1%” mais rico da população. Esse célebre 1% do qual se ouve falar o tempo todo, mas que também pode ser 2% ou, vá lá, até uns 5% ou 10%, na melhor das hipóteses.

Imagina-se, então, que nos governos de esquerda as empresas estatais, que precisam existir porque o povo precisa ter empresas, deveriam dar lucro – e esse lucro seria distribuído aos pobres. Nos governos de direita, pelo mesmo raciocínio, as estatais não deveriam nem existir, e se existissem deveriam dar prejuízo, porque o povo não tem nada de ficar recebendo lucro de coisa nenhuma. Lucro é coisa de rico. Coisa de pobre é prejuízo.

Por que raios, então, as empresas estatais brasileiras dão prejuízo nos “governos dos pobres” e dão lucro nos “governos dos ricos”? Vai saber.

Por razões que nunca foram explicadas direito, alguém por aqui ligou o polo negativo no lugar onde fica o polo positivo, ou fez o inverso, e o resultado é que as coisas vivem com sinal trocado no país. Estamos passando, justo agora, por um desses grandes momentos da “contradição inerente aos fenômenos”, ou da “lei da unidade nos contrários”, no dialeto marxista à brasileira.

Em 2019, primeiro ano do governo de direita de Jair Bolsonaro, as estatais vão dar um lucro recorde na história – R$ 52 bilhões só nos primeiros nove meses, o que pode acabar perto dos R$ 70 bi até o final de dezembro. Em 2015, último ano do governo de esquerda Lula-Dilma, as mesmíssimas estatais deram um prejuízo de R$ 35 bilhões. Será preciso dizer mais alguma coisa?

O PT – o grande partido estatista do Brasil junto com os seus serviçais do Psol, PCdoB, etc. – é o inimigo número 1 da privatização, como todos estamos cansados de saber. Se desse, tudo o que serve para produzir alguma coisa deveria pertencer ao “Estado” – talvez não tanto quanto em Cuba, onde até charrete puxada a burro é estatal, mas o mais parecido com isso que os seus teóricos conseguissem imaginar.

No papel, tudo é “patrimônio popular” e pertence “ao povo”. Na prática, é tudo propriedade privada dos que mandam no governo – e aí a gente acaba vendo que na verdade não existe contradição absolutamente nenhuma nessa história toda. Uns roubam. Outros trabalham. As estatais, nos governos Lula-Dilma, foram roubadas dia e noite. Só podiam mesmo dar prejuízo. Agora seus diretores trabalham, em vez de roubar. O lucro apareceu já no primeiro ano.

Não que “o povo” vá ver um tostão furado de todos esses bilhões que entrarão em 2019 – o povo nem passa do saguão de entrada das estatais, mesmo porque os seguranças não deixam. Mas os pobres (além dos médios e dos ricos) não vão mais pagar, ao contrário de 2015, pelo prejuízo com o dinheiro dos seus impostos, que têm de tirar do bolso a cada vez que acendem a luz de casa ou compram um quilo de mandioca. Faz uma imensa diferença.

A PALAVRA DO EDITOR

AVACALHOU A LUA

A megalomania de Lapa de Corrupto teve o merecido reconhecimento e repercussão.

William Bonner, porta-voz global, elevou à condição de “Lua” o proprietário do PT, condenado em todas as instâncias por corrupção e lavagem de dinheiro.

E indiciado esta semana pela Polícia Federal por novas ladroagens que foram descobertas e investigadas.

O ato falho de Bonner foi uma desmoralização sem tamanho pro belo satélite natural da Terra.