PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AS POMBAS – Raimundo Correia

Vai-se a primeira pomba despertada…
Vai-se outra mais… mais outra… enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada…

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada…

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem… Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais…

DEU NO JORNAL

É TUDO FALSO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi indiciado por corrupção em mais um inquérito da operação Lava Jato concluído pela Polícia Federal na segunda-feira (23).

Lula também foi acusado de lavagem de dinheiro pelo recebimento de 4 milhões de reais da Odebrecht repassado ao Instituto Lula, que segundo a Polícia, o dinheiro era propina disfarçado como doações.

Além do ex-presidente, o ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil Antonio Palocci e o presidente do instituto Lula, Paulo Okamotto, e Marcelo Odebrecht, que na época comandava a empresa, também foram indiciados.

* * *

Segundo o colunista fubânico Goiano, Lula está sendo injustiçado de novo.

Como das vezes anteriores.

A Polícia Federal brasileira, já está largamento comprovado, não apura nada certo.

É simplesmente absurdo imaginar que Lula seja capaz de lavar dinheiro ou de receber propina de empreiteira.

De lá do seu triplex, ou de lá do seu sítio de Atibaia, Lula dará uma dura resposta aos incompetentes caluniadores federais.

O impoluto Paulo Okamoto esta assessorando Lula na redação de um documento contundente, baixando o cacete na Polícia Federal e nos invejosos detratores do ex-presidente, um bando formado por reacionários e fascistas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

VALÉRIA BOSSI – BELO HORIZONTE-MG

Berto ,

desejo a você, á esposa e filhos queridos os melhores votos de natal e de fim de ano, e também para Chupicleide, Polodoro e toda a equipe incluindo Bartolomeu.

Agradecemos ter voltado para a editoria do JBF em detrimento de seus projetos pessoais.

Eu no fundo sabia que você não nos abandonaria, somos viciados e acho que você também, para nossa alegria.

Este espaço é muito importante, aprendemos demais, com a qualidade dos artigos de grandes pensadores como Adônis, Maurício, Marcelo e todos os outros , não dá para citar todos mas estão todos incluídos.

E não é só aprendizado, pois é um grande deleite, tem cultura de alto nível, pérolas verdadeiras como da Sônia Regina ( onde está ela ?) e José Ramos .

Temos inclusive nossa pimenta (da brava, de alta pungência) na pessoa do Goiano.

Parabéns Papa Berto, você conseguiu juntar de tudo um muito, e principalmente manter, o que em geral é mais difícil.

Desejo a você em dobro a alegria que nos proporciona e muita, mas muita saúde.

Meus votos são extensivos a todos os queridos amigos que se dão ao trabalho de pensar, elaborar e publicar aqui.

Vamos que vamos rumo a 2020, com coragem que é o que a vida exige.

Abraço apertado a todos.

R. Tô aqui ancho que só a peste com as suas palavras, minha querida doutora.

Chega fiquei se rindo-me pelos cantos!

É um privilégio ter uma criatura assim como você por aqui, leitora, doadora, incentivadora, divulgadora e um figura humana de grande coração.

Eu e todos os colaboradores desta gazeta escrota, junto com Bartolomeu, nosso competente hospedeiro, agradecemos do fundo do coração as suas generosas palavras.

Brigadão mesmo.

Este Editor inchando de vaidoso, Polodoro relinchando de satisfação e Chupicleide se rindo-se de dentes arreganhados, estamos todos felizes com suas apreciações.

Um beijão e tudo de bom pra você e pra todos que você ama!!!

Polodoro e Chupicleide felizes que só a peste 

ALEXANDRE GARCIA

A TORCIDA DO BRASIL

Muitos de meus amigos atravessaram meio mundo para ver o Flamengo jogar em Doha, no Oriente Médio. E torceram muito. E na semana passada, a polícia prendeu meia dúzia de torcedores, entre os que vandalizaram o Mineirão no dia do rebaixamento do Cruzeiro. Brasileiros que canalizam sua energia para o futebol, assim como milhões de outros torcedores que vivem em função de seus times favoritos. Que vibram, que sofrem, que conduzem suas relações na base de dar palpites, fazer sugestões, dar ideias, para que seu time seja o vencedor, o campeão, o triunfante.

Lembro de quando a Seleção se tornou tricampeão do mundo, na Copa do México, em 1970. Os vitoriosos foram recebidos no Palácio do Planalto pelo Presidente de República. E a vitória no futebol se tornou uma vitória do Brasil literal, o Brasil não um time de futebol, mas um time de “oitenta milhões em ação”, porque o entusiasmo do futebol foi canalizado para o país. E esse entusiasmo gerou o otimismo que decidiu investimento e criou emprego. E logo o país cresceu em ritmo chinês, e isso passou a ser chamado “milagre econômico” – um crescimento médio de 11,2 ao ano, durante três anos. Pleno emprego e plena produção.

Fico pensando se, sem prejuízo das emoções por nosso time, dirigirmos o entusiasmo para o time Brasil, formado por 210 milhões de torcedores. Se nosso otimismo exigir gols contra o adversário da corrupção, do assalto, do homicídio, das drogas, do engodo, da mentira e da impunidade. E passemos a exigir de todos nós que conquistemos vitórias no investimento, no emprego, no fortalecimento das leis anticrime, no fim da burocracia, contra o excesso de carga fiscal, com o fim de um time pesado e lento, que é o estado brasileiro. E exigir que no campo, o juiz do jogo seja justo e puna as faltas, principalmente as mais graves. Nosso cuidado de torcida evitaria as bolas-fora e exigiria cartão vermelho para os jogadores que, em nosso nome, estivessem se aproveitando para prejudicar o time em causa própria.

Não é utopia. Eu já vi isso nos anos 70. Agora já tempos uma base mais sólida para o reerguimento de anos de falta de ética e de administração que nos levou à maior recessão da História, de tal forma que ainda restam 12 milhões de desempregados. Se demonstramos entusiasmo com um time de futebol, que de retorno pode dar-nos, no máximo, alegrias, então podemos torcer pelo Brasil – time de que somos sócios perpétuos – com resultados que vão além de alegrias clubísticas. Podemos provocar bem-estar, emprego, mais riqueza, melhores salários, mais e melhor ensino, mais segurança e, sobretudo, um 2020 melhor. Feliz Ano-Novo!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

ELEIÇÕES E DESCONFIANÇA

Eu sempre digo que, em época de eleição, desconfiar primeiro do falatório de um político, é o caminho mais seguro para depois o cidadão não ficar chamando aquele sujeito que ele votou e foi eleito, de ladrão, corrupto e vagabundo. Digo isso pra “vassunces” como abertura daquilo que quero discutir: a caridade com chapéu alheio.

Aqui, na gloriosa Campo Grande/MS, a última vez que andei de ônibus a passagem estava em torno de R$ 4,25. Isso para fazer um trajeto que, em linha reta, dá, no máximo, 5 quilômetros. E ficava me perguntando porque era tão cara a passagem? Vamos igual a Jack, o estripador. Por partes

Há um conjunto de encargos, tributos, impostos e contribuições que incidem sobre a passagem e que elevam o valor da passagem, mas também há um conjunto de benesses que foi prometido e cumprido pelos políticos que elevam esse valor nos cornos da lua. Além da gratuidade para o idoso, temos aqui, a gratuidade para o estudante, não importando se este seja da Educação Básica, ou da Superior, se de escola pública, ou privada. A gratuidade é ampla. Além disso, não pagam passagem as pessoas com deficiência, policiais fardados, funcionários dos correios, presidentes de associações de moradores, e por aí vai.

As pessoas ainda não aprenderam que patrão, só é patrão em função de um detalhe simples: eles sabem fazer conta. E ao fazer essa conta, mandam a fatura para os demais botocudos que, não sendo organizados acabam pagando uma exorbitância, por uma caridade que não é caridade.

E aí, os curibocas ficam falando que é necessário dar acesso às pessoas à cultura, ao teatro, a eventos musicais, artísticos. Também concordo. Mas, não concordo quando esses mesmos curibocas veem com a lorota de que, para dar acesso, é necessário que alguns paguem apenas meia entrada. Ora, se tem alguém pagando a metade da entrada de um evento, certamente tem outro alguém pagando uma inteira e mais a outra metade que deixou de ser paga.

Ora, se considerarmos que a maioria das pessoas que vão a esses eventos podem pagar uma entrada inteira, por que essa “tara” pela meia entrada, pela gratuidade, pelo boca livre? Ora, não existe almoço grátis. Se eu estou comendo de graça, alguém está pagando pela minha boca livre.

E, o que mais me irrita é que aqueles que defendem a gratuidade, a meia isso, meia aquilo, são justamente aqueles que podem pagar uma inteira, mas como defender o bom, o belo e o justo é algo que não se contradiz, o privilégio vai se acumulando. E, o “seu” mané Preá, pedreiro, semi-alfabetizado, com uma renca de dez filhos, favelados, acaba pagando, quando sobra dinheiro para isso, uma inteira para si e para os filhos, para que aqueles que podem pagar uma inteira, só paguem a metade. E você argumentar que, se não houvesse esse tipo de safadeza de gratuidade, de meia isso, meia aquilo, o preço seria mais baixo para todos, não convence esse “exército de Brancaleone” do belo, bom e justo.

E essa minha cisma vale também para a passagem de ônibus. Tire essas gratuidades todas e o preço cai drasticamente. Deixe o poder público de ser guloso com essa infinidade de impostos e garanto que todos poderiam andar de ônibus, sem pesar no bolso de ninguém.

Mas voltando à vaca fria do primeiro parágrafo, tudo isso é resultado das ditas campanhas eleitorais, quando políticos saem prometendo gratuidade para isso, para aquilo e meio preço para isso e para aquilo. Lembrem-se: não existe almoço grátis. Quando alguém chegar até você e fazer esse tipo de promessa, desconfie sempre. Será o melhor caminho para você não desperdiçar palavras belas como ladrão, corrupto e vagabundo, para uma gentinha que não merece esses elogios.

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CINISMO ATROZ DE UM FALSO HERÓI DO POVO ESPOLIADO

José Nêumanne

Ao traçar em tese acadêmica a saga da família Pessoa – Política e Parentela na Paraíba -, Linda Lewin, professora da Universidade de Berkeley, na Califórnia, observou que todos os governadores do Estado descendiam de constituintes de 1823. O conflito de 1930, com “epitacistas” cindidos entre João Pessoa e Zé Pereira, os tiroteios na campanha de José de Américo contra Argemiro de Figueiredo e a polarização da esquerda contra a direita desde 1950 não mudaram essa realidade: as disputas paraibanas não saíam das fronteiras da oligarquia estadual.

Nascido na capital do Estado e sem conexões genealógicas com latifundiários, juízes e bacharéis poderosos, Ricardo Coutinho é dado como o primeiro exemplar de outro tipo de oligarquia, surgida depois da queda da ditadura militar e da promulgação da Constituição vigente, a sindical. Egresso dos movimentos estudantis de esquerda, presidiu o Sindicato dos Farmacêuticos do Estado e fundou outro, dos Servidores Estaduais. Daí sua aproximação com o Partido dos Trabalhadores (PT), que durou pouco, mas o suficiente para marcar seu estilo autocrático e mandão. Ao contrário dos outros militantes, não se filiou a nenhuma das tendências em que a sigla de Lula se dividiu, mas fundou e comandou com pulso de ferro o coletivo Ricardo Coutinho. Nela foi eleito vereador em João Pessoa e duas vezes deputado estadual. Seu personalismo intransigente o isolou dos grupos dominantes no PT e filiou-se ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), fundado por Miguel Arraes, para disputar a prefeitura da capital.

A boa fama adquirida nas gestões municipais e, posteriormente, em mais duas estaduais tornou-o independente em relação aos dois ex-governadores que então polarizavam as disputas, o emedebista José Maranhão e o tucano Cássio Cunha Lima. A fama de competente e probo fez dele uma espécie de chefão paraibano, levando à vitória para o Palácio da Redenção um desconhecido, João Azevêdo. Nas sombras manteve-se o chefão da Orcrim Ricardo Coutinho.

Líder inconteste da esquerda nordestina, chegou ao ponto de convidar Lula e Dilma para a farsa da inauguração da fictícia transposição do Rio São Francisco em Monteiro (PB). Parecia distante da hecatombe do PT após as explosões do mensalão e do petrolão. Até ficar claro que a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) não se submetiam às suas ordens, que não admitiam desobediência, nem a seu carisma de feioso sedutor.

Dois magistrados infensos a seu poder e a sua fama de herói do povo demoliram sua biografia e seu charme: o desembargador Ricardo Vital e o titular da 1.ª Vara Criminal Federal da Paraíba, Adilson Fabrício Gomes da Silva, reduzindo sua glória inoxidável a cinzas políticas.

A pá de cal foi jogada por cinco delatores premiados que protagonizaram uma reportagem do Fantástico, da Globo, no domingo. (Clique aqui para ver a matéria). O empresário Daniel Gomes – que confessou haver pago propinas no valor de R$ 134,2 milhões, por superfaturamento bilionário nas áreas de saúde e educação de um Estado paupérrimo – entregou à PF e ao MPF oito anos de gravações. A série começou em 2010 e acompanhou os dois mandatos de Ricardo até o fim, em 2018. Policiais e procuradores assistiram a mais de mil horas de reuniões e pedidos de propina. A defesa considera as gravações inverossímeis porque as quantias citadas são “estratosféricas”. De fato, os valores lembram os que levaram o ex-governador do Rio Sérgio Cabral à condenação a 267 anos de cadeia. Mas é difícil aceitar essa desculpa amarela como argumento de defesa.

O choque supremo foi dado por sua secretária de Administração Livânia Farias, que confessou ter-lhe entregado na residência oficial R$ 4 milhões em caixas de dinheiro vivo. Foi ela que forneceu o detalhe mais pitoresco aos investigadores, ao contar que interrompia a agenda oficial do chefe usando uma senha, “trouxe mangas de Sousa”, cidade natal dela.

Ivan Burity, Maria Laura Farias e Leandro Nunes confirmaram, em delações premiadas, essas narrativas. E ninguém percebe esforço nenhum do tido como destinatário dessas propinas para disfarçar que o assunto tratado era mesmo moeda corrente. Muitos dos áudios revelados pela PF e pelo MPF foram feitos em 2017, terceiro ano de atividade da Operação Lava Jato, o que por si só dá ideia do risco.

Em entrevista ao UOL, Coutinho deu-se ao luxo de defender seu líder máximo, o também ex-sindicalista Lula da Silva, e execrar a Lava Jato e o ministro da Justiça, Sergio Moro. Condenado por 9 a 0 em três instâncias, o petista também não se fez de rogado ao se pronunciar publicamente a respeito de “exageros no mandado de prisão”. No que foi seguido, é claro, pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que acusa a operação de “mais um exagero daqueles que têm sido praxe de setores do Judiciário, envolvendo show midiático e interesses políticos”.

Ricardo Coutinho e Lula: dois aliados na corrupção

O mandado de prisão de Coutinho não foi executado de pronto porque ele se manteve foragido no exterior até ser encerrado o ano judicial. Desembarcou em Natal na sexta 20, de madrugada, e apresentou-se na Penitenciária de Segurança Média Juiz Adolfo Hitler Cantalice, na Mangabeira, em João Pessoa, no sábado 21, às 3 horas. À tarde foi solto por decisão monocrática do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Napoleão Maia. O plantão natalino está por conta do presidente da Corte, José Otávio de Noronha, mas este se disse impedido, pois seus filhos advogam para Coriolano, irmão de Ricardo. Com Félix Fisher doente e Francisco Falcão e Laurita Vaz ausentes, o caso foi entregue ao ministro que já concedeu dois habeas corpus ao socialista: um, de cassação do mandato extinto há quase um ano e ainda pendente de julgamento do plenário. Como de hábito.

Ou seja, se há juízes na Paraíba, usando a célebre frase dita pelo moleiro ao rei da Prússia, não se pode dizer o mesmo das altas Cortes de Brasília. Não é?

DEU NO JORNAL

AGUARDANDO CONFIRMAÇÃO

Esta semana, o Brasil ultrapassou pela primeira vez, quase em segredo, a produção de 3 milhões de barris diários de petróleo.

Em 2006, candidato à reeleição, Lula trombeteou a “autossuficiência” na produção nacional com 1,9 milhão de barris/dia.

* * *

Eu só vou acreditar nesta notícia aí de cima se Ceguinho Teimoso confirmar o que está escrito nela.

Ceguinho é especialista em futucar coisas na internet e fazer detalhadas pesquisa.

Dados, comparações, números, frases e desimportâncias de altíssima relevância são a paixão do nosso estimado fubânico luleiro.

Aguardemos o pronunciamento dele.

ALEXANDRE GARCIA