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DE FURICO NA MÃO

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

CARTA PRO PAPAI NOEL

Querido Papai Noel: Eu sei que a sua vida não é fácil, atender aos pedidos de bilhões de crianças e fazer todas as entregas na mesma noite deve precisar de uma logística danada. Então eu não vou pedir tudo que eu gostaria, vou ficar só no mais importante, e que eu acredito que vai fazer um monte de gente feliz, não só eu.

Em primeiro lugar, Papai Noel, eu queria voto distrital, que nem os países ricos (eles não devem ser ricos à toa). De preferência com um congresso unicameral, sem senado, para acabar com essa trabalheira de votação aqui, votação lá, volta para cá, volta para lá porque alterou… Mas o importante é que cada lugar escolha o seu deputado e saiba quem ele é, para poder cobrar. Do jeito que é hoje, tem deputado que se elege com 0,1% dos votos. Esses deputados não representam o povo, representam panelinhas: panelinha dos sindicatos, panelinha das igrejas, panelinha das rádios, panelinha dos detrans, panelinha dos usineiros…

Se der pra atender esse pedido, Papai Noel, os outros pedidos você pode até repassar para eles, os deputados. Se eles quiserem, dá para resolver um monte de coisa.

Na educação, por exemplo. Precisa tirar da mão dos municípios, porque se a coitada da criança der o azar de morar numa cidade com prefeito ruim (e são muitas), o futuro dela acabou antes de começar. Tem um jeito bem simples: chama “voucher”. Pega o dinheiro que o governo gasta com educação, que é uns 50 bilhões por ano, e divide pelo número de crianças. Aí manda para cada uma um papelzinho dizendo que ela tem aquela quantia disponível para se matricular onde quiser. Se o prefeito quiser continuar tendo escolas municipais, tudo bem. Só que ele só vai receber a grana se a escola for boa, senão as crianças vão para outro lugar. (Se eu fosse prefeito, eu transformava cada escola numa cooperativa e doava para os funcionários, mas essa é outra história)

A saúde também dá para melhorar. Faz o governo parar de regulamentar e controlar os planos de saúde, e libera para cada um poder oferecer o plano que quiser. Para os chatos não gritarem muito, estipula que o preço tem que ser no máximo a metade dos planos atuais regulamentados pelo governo. Depois, pega o gasto da saúde, que é mais de 100 bilhões, e distribui pelo mesmo sistema de voucher, para cada um contratar o plano que quiser. Aproveita e acaba com a ANVISA, que só serve para deixar remédio mais caro e deixar os doentes esperando anos para poder comprar os remédios depois que são lançados lá fora. Afinal, quando o congresso passou por cima da ANVISA liberando na marra a fosfoetanolamina, todo mundo apoiou.

Na segurança pública, Papai Noel, eu acho que é mais fácil ainda. Faz um plebiscito para aprovar duas medidas: Primeira, acaba com qualquer progressão de pena para quem não é primário: da segunda condenação em diante, se foi condenado a cinco anos, vai ficar cinco anos preso, sem semi-aberto, semi-fechado, semi-domiciliar ou sei lá o quê. Segunda medida: crime de responsabilidade para governador que deixar faltar vaga em presídio. Constatou falta de vaga ou superlotação, perde o cargo e fica inelegível; assim não vai faltar vaga para cumprir a primeira medida.

Só tem um detalhe, Papai Noel. Tem que parar de botar gente na cadeia só porque era pobre e estava fumando maconha (se é rico todo mundo sabe que não acontece nada). Afinal, encher a cara de cachaça ou cerveja pode, não pode?. O sujeito não está incomodando ninguém, e se ele vai preso sou eu que pago. Esse papo de “guerra às drogas” não convence, não funcionou em nenhum lugar do mundo, é uma guerra impossível de ganhar e que só serve para produzir violência, corrupção e despesa. Cigarro dá câncer e vende no supermercado, então qual o argumento para dizer que maconha é crime?

Outra coisa que precisa muito, Papai Noel, é acabar com essa coisa de ter que pagar um conselho para poder trabalhar. Não precisa. Deixa cada brasileiro decidir o que é melhor para ele. Quem acha que é importante que o arquiteto, contador, corretor de imóveis, advogado ou médico seja filiado a um desses troços, procura um que seja. Se não, deixa cada um escolher o profissional que quiser de acordo com os critérios que quiser (afinal, o João de Deus não tinha CRM e um monte de gente consultava com ele).

Papai Noel, eu também queria que fosse proibido colocar lombadas, tartarugas e coisas parecidas no meio da rua. A gente compra um carro, paga um monte de imposto, e daí o governo usa o meu dinheiro para estragar o meu carro de propósito? É muita sacanagem, Papai Noel. Além disso, governo que coloca lombada está confessando que acredita que todos devem pagar pelos erros de alguns.

Papai Noel, eu tenho um último pedido que é um pouco mais difícil. Eu queria que todos os brasileiros gostassem de estudar e tivessem o sonho de ganhar dinheiro trabalhando, não vivendo de seguro-desemprego, bolsa-família ou emprego público. Será que dá ou está acima dos seus poderes, Papai Noel?

Encerro essa cartinha com muita esperança, Papai Noel. Eu fui um bom menino o ano todo, não fiz malcriação, não matei passarinho, não quebrei vidraça jogando bola, não fiz xixi na cama e sempre fui muito estudioso, mesmo já tendo saído da escola faz uns trinta anos. Atende meus pedidos, Papai Noel !

DEU NO JORNAL

PREOCUPAÇÃO PRESIDENCIAL

A CNI, que encomendou ao Ibope uma pesquisa sobre Bolsonaro, revelou que a aprovação do presidente nas indústrias de construção, transformação e extrativa é de 69%, 67% e 62%, respectivamente.

* * *

Já na Indústria de Difamação, mantida pelas zisquerdas banânicas, o índice de aprovação de Bolsonaro é de 0%.

O presidente tá preocupado que só a porra com a sua rejeição no meio dessa turma.

“Tô fudido! Sem o apoio das zisquerdas não consigo dormir, nem governar”

AUGUSTO NUNES

UM MONUMENTO À SORDIDEZ

 

Capturadas pela Polícia Federal, as conversas da dupla no aplicativo Telegram revelam que Gregorio Duvivier e Walter Delgatti Neto nasceram um para o outro. “Feliz de conhecer o hacker”, festejou o humorista na manhã de 14 de julho, ao receber o primeiro recado do chefe da quadrilha que estuprara o sigilo de mensagens atribuídas a Sergio Moro e procuradores federais engajados na Operação Lava Jato. Em seguida, cumprimentou Delgatti pelo crime praticado em parceria com Glenn Greenwald, receptador do material roubado. “Você vai mudar o destino do país”, derramou-se Duvivier. Algumas dezenas de palavras depois, o tom íntimo do diálogo digital lembrava um reencontro de amigos de infância.

“Tem algo da Globo?, pergunta Duvivier. Animado com o recado seguinte — “Peguei bastante” —, quer saber os nomes das vítimas. Decepcionado com a informação de que o único alvo fora William Bonner, o comediante trucida valores morais, códigos éticos e a língua portuguesa com apenas oito palavras: “Cara os chefões da Globo vale pegar hein”. A risada eletrônica que encerra a resposta informa que Delgatti acha a ideia divertida: “Me fala nomes kkkk”. A conversa é retomada com a Lista de Duvivier. Começa com Carlos Schroder, diretor-geral da Globo, e Ali Kamel, diretor de jornalismo da rede de televisão em que o comediante frequentemente se apresenta.

Tão agressivo nos discursos de palanqueiro do PT, tão atrevido ao invocar o direito de ofender a religiosidade alheia, o Duvivier beligerante sumiu assim que a Polícia Federal apreendeu o palavrório sórdido. Entrou em cena o pusilânime pronto para a rendição desonrosa. “Ele entregou espontaneamente todas as mensagens trocadas com o hacker, com o objetivo de cooperar com as investigações”, disse o advogado Augusto de Arruda Botelho. Ao declamar sua versão no depoimento à PF, o humorista confirmou que certas demonstrações de covardia requerem mais coragem do que atos de bravura em combate que rendem medalhas e condecorações.

Segundo o advogado, “Gregorio explicou detalhadamente que, aleatoriamente, mencionou uma série de nomes, em uma conversa informal, sem qualquer intenção ou interesse de que tais nomes de fato fossem interceptados ou muito menos investigados”. As “menções aleatórias, fruto de mera curiosidade”, não incluíram alguma professora de matemática que o perseguia, ou a namorada com quem dividiu o primeiro beijo, ou o vizinho que lhe confiscava o sono ouvindo música sertaneja no último volume. Sem saber por que, o depoente foi logo pensando nos diretores da Globo, no governador Wilson Witzel, no juiz Marcelo Bretas, responsável pelas ações da Lava Jato no Rio, além de outros inimigos do tempo presente. É muito cinismo e pouca vergonha.

O que deveria ser um depoimento foi uma piada sussurrada por um humorista apavorado. Foi também uma prova de que medo de cadeia cura insolência.

DEU NO JORNAL

DECRETO FASCISTA

O presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto que extingue 14.227 cargos efetivos vagos e que vierem a vagar dos quadros de pessoal da administração pública federal.

O ato também proíbe a abertura de concurso público e o provimento de vagas adicionais.

* * *

Um decreto cruel e desumano, que vai aumentar o desemprego.

Desemprego que, segundo Ceguinho Teimoso, havia sido totalmente extinto nos governos do PT.

Isto é coisa mesmo de governo fascista.

ALTAMIR PINHEIRO - SEGUNDA SEM LEI

O PODEROSO CHEFÃO DE MARLON BRANDO E AL PACINO

No ano de 1972, estreava o filme “O Poderoso Chefão” (“The Godfather”). Baseado no livro homônimo de Mario Puzo, de 1969, o filme foi dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por um elenco de peso, que incluía Marlon Brando, James Cann, Robert Duvall, Diane Keaton, e o jovem Al Pacino. O Poderoso Chefão é um filme baseado em várias histórias diferentes, semelhantes às trajetórias de muitos mafiosos italianos que enriqueceram nos Estados Unidos. Os historiadores afirmam que o personagem de Vito Corleone, por exemplo, foi inspirado em mais de um criminoso, como o siciliano Lucky Luciano, o chefe mais respeitado da “comissão” dos mafiosos. Frase do Poderoso Chefão: “AMIGOS E NEGÓCIOS: ÁGUA E AZEITE”.

O diretor Francis Ford Coppola acreditava fielmente que apenas dois atores no mundo poderiam interpretar Vito Corleone: os atores Laurence Olivier e Marlon Brando. Coppola chegava a chamar o segundo de “meu herói”, para total desagrado da Paramount, que acreditava (com razão) que o ator poderia causar problemas durante as filmagens. Apesar do enorme talento, Marlon Brando sempre teve fama de preguiçoso, excêntrico e pouco profissional. Coppola conseguiu convencer os produtores do estúdio a escolher Brando para o papel de Vito Corleone. “HOMENS REALMENTE GRANDES NÃO NASCEM GRANDES, TORNAM-SE GRANDES”.

A voz rouca e marcante do personagem criado por Brando foi inspirada no sotaque do mafioso Frank Costello, após o ator ouvir o gângster depor em uma comissão do FBI. Outra curiosidade da filmagem é que Marlon Brando colocava algodão nos cantos da boca para ficar com a aparência de um cachorro “buldogue”. Outro fato curioso foi que apesar de retratar o cotidiano de famílias mafiosas de Nova York, as palavras “máfia” e “Cosa Nostra” não são ditas durante o filme. Isso porque uma entidade de direitos civis dos ítalo-americanos fez um acordo com o estúdio, pedindo para que os termos não fossem usados, pois poderia denegrir a imagem dos italianos. “MANTENHA SEUS AMIGOS POR PERTO, SEUS INIMIGOS MAIS AINDA”.

Muitos telespectadores acreditam que o “chefão” do filme é Don Corleone, interpretado por Marlon Brando, quando na verdade se pararmos para pensar, o filho dele, Michael, é quem é o verdadeiro chefão!!! Afinal de contas, Michael(Al Pacino) simplesmente exterminou todos aqueles que traziam problemas à sua família, incluindo um chefe de polícia corrupto, um traficante que tramou contra a vida de seu pai, todos os rivais mafiosos e até o seu cunhado traidor. É muito se comparado ao velho Don, que teve uma série de problemas, foi baleado, via a filha sendo espancada pelo genro, perdeu o filho mais velho em um atentado e foi desafiado por outros mafiosos… “EU TE DEI LIBERDADE, MAS A ENSINEI NUNCA DESONRAR SUA FAMÍLIA”.

A saga do mafioso Don Corleone no submundo dos anos 40/50. Cenas clássicas (a cabeça do cavalo de raça na cama luxuosa do produtor de cinema é antológica. Até porque, o filme teve ao todo 18 assassinatos, contando com a morte do cavalo de Woltz), interpretações marcantes e trilha sonora esplendorosa de Nino Rota. Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator. Brando, que recusou o prêmio Levou também o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama, Diretor e Ator em Drama. A saga dos Corleone se estendeu em “O Poderoso Chefão Parte 2 (1974) e “O Poderoso Chefão Parte 3 (1990). “EU DIRIJO UM NEGÓCIO. PRECISO SER RÍGIDO DE VEZ EM QUANDO”.

Em Nova York, ambiente em que ocorre o filme, existia de fato o regime das “cinco famílias mafiosas”, instaurado pelo mafioso Charles “Lucky” Luciano, após vencer uma guerra pelo controle das atividades ilegais na cidade. Todas as organizações e famílias mafiosas eram subalternas às cinco grandes famílias da máfia italiana: Bonanno, Gambino, Genovese, Lucchese e Profaci (posteriormente Colombo). No filme “O Poderoso Chefão”, as famílias são Tattaglia, Stracci, Barzini e Cuneo, além, claro, dos Corleone, o clã mais respeitado na trama. “DEIXE QUE SEUS AMIGOS SUBESTIMEM SUAS QUALIDADES E QUE SEUS INIMIGOS SUPERESTIMEM SEUS DEFEITOS”.

Para época, o filme foi de uma perfeição inigualável, principalmente na cena em que Sonny (James Cann) espanca Carlo (Gianni Russo) foi tão real que o segundo ficou com duas costelas fraturadas de verdade. Outra cena de pagar o ingresso foi a morte de Sonny Corleone tornando-se na cena mais cara que se produziu no filme. Todo o sangue falso, os tiros e as centenas de furos por todos os lados da cabine e carro custaram mais de 100 mil dólares. O filme concorreu a 11 estatuetas no Oscar de 1973, e faturou 3: Melhor Ator (Marlon Brando), Melhor Roteiro e Melhor Filme. Três dos cinco indicados a Ator Coadjuvante naquela cerimônia haviam estrelado “O Poderoso Chefão”: Al Pacino, James Cann e Robert Duvall. “TEMOS SINDICATOS, CASSINOS, ISSO É BOM. MAS OS NARCÓTICOS SÃO O FUTURO”.

Não é à toa que “O Poderoso Chefão” é um clássico. A obra-prima de Francis Ford Coppola é uma aula de cinema em quase todos os quesitos, inclusive na direção de arte. Assim como a cor, cada categoria da produção de O Poderoso Chefão, tem algo a dizer. Direção de Arte, figurino, roteiro, edição, direção, atuação, fotografia, tudo isso é um espetáculo à parte. É o típico filme pensado e manipulado milimetricamente em todos os aspectos. Até hoje não se consegue entender o porquê de Al Pacino não ter ganhado o Oscar em nenhuma das ocasiões em que fez o Michael Corleone?!?!?! Talvez, uma das maiores injustiças da história da Academia… Só o seu olhar reflete tudo o que ele sente e pensa. Simplesmente fantástico!!! “NÃO FAZ DIFERENÇA PARA MIM O QUE UM HOMEM FAZ PARA VIVER”.

Al Pacino foi indicado ao Oscar, mas o que era para ser motivo de felicidade, apenas deixou o então jovem ator revoltado: ele foi indicado na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, enquanto Marlon Brando, que apareceu menos tempo em cena, foi indicado a Melhor Ator. Em resposta à Academia, Al Pacino boicotou a cerimônia. Em 1973, Marlon Brando, vencedor do Oscar de Melhor Ator por sua atuação em “O Poderoso Chefão”, promoveu um boicote drástico para a história da Academia. O ator simplesmente “DEU O CANO” na premiação em protesto à forma como índios americanos eram tratados nos Estados Unidos. O ator enviou a índia ativista e atriz Sacheen Littlefeather para rejeitar oficialmente a estatueta e ainda ler um discurso na cerimônia. A cara de Roger Moore e Liv Ullmann, encarregados de entregar o prêmio, é impagável diante da recusa de Sacheen em aceitar a estatueta. “NÃO ODEIE SEUS INIMIGOS. ISSO AFETA SEU RACIOCÍNIO”.

A seguir ouça a bela canção original do filme o poderoso Chefão intitulada Speak Softly Love (Fale Suavemente, Amor), com letra de Larry Kusik e música de Nino Rota. Pois, em se tratando de máfias e gângsteres O Poderoso Chefão não é uma simples película cinematográfica, mas uma obra de arte. Que trilha sonora… Que filme… Que família… Que história…

DEU NO JORNAL

ESCLARECIMENTO IMPORTANTE

A Polícia Civil do Mato Grosso do Sul descobriu, na madrugada deste domingo (22), um túnel que daria acesso a Central de Órgãos Regionais do Banco do Brasil, no bairro de Monte Castelo, no Mato Grosso do Sul.

De acordo com a Delegacia Especializada de Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), a operação, denominada Hórus, que teve início há pelo menos seis meses se encerrou com dois homens mortos e sete presos.

* * *

Embora tenha sido uma ação planejada para roubar dinheiro de um banco público, é importante esclarecer que entre os sete ladrões que foram presos e os dois que tiveram o CPF cancelado não havia nenhum filiado ao PT.

Foi o que apurou a Editoria do JBF.

XICO COM X, BIZERRA COM I

URSINHO DE OLHAR TRISTE

O ursinho Paul, de olhar triste e com o nome bordado em sua roupa azul clara, repousava solitário na cadeira 17-A do avião. Alguma criança o esquecera ali. Na pressa para descer ao chegar em seu destino, provavelmente a mãe da criança esquecera o bichinho na poltrona. Seu pequeno dono talvez dormisse àquela hora e só sentiria sua falta na esteira da bagagem, no interior do aeroporto quando acordasse. Tarde demais. Com o ursinho na mão, olhei para um lado e para o outro na esperança de encontrar seu dono por ali. Nada. Nenhuma criança estava por perto. No avião, feito um ‘abestalhado’, mas cheio de boas intenções, fui do início ao fim do corredor procurando pela criança que pudesse ser dona do ursinho Paul. Perguntava, aflito, a todas as crianças embarcadas, se por acaso era uma delas a dona do ursinho. Em vão. Uma mãe se antecipou ao filho e respondeu um ‘não’ tão antipático que quase me arrependo de ter tentado ser bom. Quando já no meu destino e sem nada a fazer, desci e levei Paul para casa. Ainda hoje o tenho. Lembro sempre de um outro ursinho, este de minha Mariana, que nunca foi por ela esquecido em nossas viagens de avião. Este nunca me pareceu triste. Seu nome, esqueci, mas não era Paul.

Toda a série FORROBOXOTE, Livros e Discos, disponível para compra no site Forroboxote. – Link BODEGA. Entregas para todo o Brasil.

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FERNANDO A. GONÇALVES - COMPANHEIROS DE VIDA

UM NATAL PORRETA PARA TODOS

Nas proximidades do nascimento do Menino Amado, desejo ardentemente que o Natal 2019 nos proporcione instantes de reflexão capazes de favorecer um caminhar ainda mais dignamente resoluto na direção do ômega chardiniano. Sem medo de ser feliz, sob hipótese alguma.

Aproveito os votos aqui enviados para todos aqueles que nos fizeram bem, também para aqueles que não nos estimam, para ressaltar um livro-gigante que me proporcionou um bem extraordinário este ano:

EM BUSCA DE SENTIDO: UM PSICÓLOGO NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO, Viktor Emil Frankl, 46ª. edição, São Leopoldo RS – Sinodal / Petrópolis RJ – Vozes, 2019, 184 p.

Um livro que descreve a experiência vivenciada pelo autor num campo de extermínio nazista, que o levou à descoberta da logoterapia. Como prisioneiro num campo de concentração durante longo tempo testemunhou seres humanos serem tratados de modo pior que animais. Um campo de concentração nazista que assassinou seu pai, sua mãe, a esposa e um irmão. Uma experiência revelada em livro para que jamais tal anormalidade volte a acontecer.

Permitam-me os leitores que descreva a trajetória do autor do livro que me fez ser mais humano:

Viktor Emil Frankl (1905 – 1997) é reconhecido como um dos maiores psiquiatras da história, criador de um método terapêutico baseado na busca pelo sentido da vida. Em 26 de março de 1905, Frankl nascia em uma família austríaca judia e já contava com duas irmãs. Os pais eram funcionários públicos e a família tinha uma vida confortável. Até que veio a Primeira Guerra Mundial e, como muitas outras famílias judias, a de Frankl também mergulhou na pobreza, dependendo inclusive de esmolas para sobreviver.

Enquanto fazia o ensino médio, em meados de 1920, Frankl já se interessava por filosofia e psicologia. Aos dezesseis anos de idade, deu a sua primeira palestra, chamada Sobre o Sentido da Vida, na cidade onde morava. Já naquela época, o jovem tinha algumas ideias sobre o que à frente se transformaria na técnica de psicoterapia que se baseia na busca do sentido da vida, a logoterapia.

Enquanto cursava medicina, Viktor sempre esteve envolvido em questões políticas: foi membro do Partido de Jovens Trabalhadores Comunistas no ensino médio e chegou a ser presidente da mesma organização em 1924. Seu envolvimento político repercute na sua determinação de permanecer em terras austríacas mesmo com a invasão alemã na Segunda Guerra.

Viktor tinha um interesse genuíno pelo campo da psicologia e muito talento. Depois de escrever o seu trabalho de conclusão do ensino médio, Sobre a Psicologia do Pensamento Filosófico (1923), ele começa a se corresponder com o então famoso psicanalista Sigmund Freud, que não só gostou do que leu, como encoraja o jovem a continuar escrevendo. Já como graduando em medicina, Viktor publica o seu primeiro artigo científico na revista International Journal of Individual Psychology, aos dezenove anos de idade.

Enquanto fazia a faculdade de medicina, Viktor Frankl desenvolvia projetos paralelos, como falas de prevenção ao suicídio para jovens estudantes. Suas ideias em relação à vida e aos valores humanos é o que o impulsiona a fazer ligações entre a filosofia e a psicologia e em 1926 ele fala pela primeira vez, em um congresso, sobre a logoterapia, a terapia focada em buscar o sentido da vida.

Em meados dos anos 1930, quando Viktor tinha apenas vinte e cinco anos de idade, já começava a ser notado pela comunidade acadêmica e médica como um homem à frente de sua época. Convidado a apresentar trabalhos por toda a Europa, Frankl faz residência em psiquiatria e neurologia e em 1930 assume a responsabilidade por uma ala conhecida como Pavilhão do Suicídio num hospital psiquiátrico em Viena.

Em 1938, Viktor já atendia em seu próprio consultório de neurologia e psiquiatria, era reconhecido como um profissional que criou uma nova forma de tratamento terapêutico, baseado em preencher o vazio existencial com um sentido e já se relacionava com a enfermeira Tilly Grosser, que trabalhava no hospital onde ele atendia. Em março de 1938 as tropas nazistas fazem a anexação político-militar da Áustria. A família de Frankl, judia, está ameaçada. Mesmo tendo visto para viver nos EUA, o médico decide ficar no país. Salva milhares de judeus da morte recusando-se a recomendar eutanásia aos pacientes com doenças mentais.

Nessa época, o anti-judaísmo atinge a família de Viktor Frankl. Sua recém-esposa Tilly Grosser é obrigada a abortar seu primeiro filho pelas tropas nazistas. Os pais e a irmã de Viktor são enviados para campos de concentração diferentes, bem como ele e a esposa. Todos morrem: o pai de exaustão e a mãe enviada às câmaras de gás. A irmã sobrevive refugiada na Itália e Viktor passa três anos sob condições terríveis, que depois tornaram-se mensagens de esperança em seu livro Em Busca de Sentido (1946).

Em 1945 acaba a Segunda Guerra e Viktor é libertado. Ele sobreviveu a três anos de trabalho forçado em condições miseráveis e ainda assim conseguiu roubar alguns papéis e escrever as ideias principais de sua obra-prima, escrita em nove dias e lançada já em 1946.

Os anos seguintes foram de total recuperação: Frankl casou-se novamente, teve uma filha, conseguiu o seu título de doutor em filosofia, tornou-se professor da Universidade de Viena, fundador e presidente da Sociedade Austríaca de Medicina Psicoterapêutica. Recebeu também mais de 25 títulos honorários por suas ideias e trajetória e escreveu diversos livros. A logoterapia tornou-se um método de tratamento estudado e respeito pela comunidade científica e acadêmica, sendo considerada a terceira escola da terapia vienense, depois de Sigmund Freud e Alfred Adler.

Uma frase de Viktor Frankl bem resume sua linha de pensamento: “Nós podemos descobrir o significado da vida de três diferentes maneiras: fazendo alguma coisa, experimentando o amor, e sofrendo.”

Um Feliz Natal bem porreta para todos, independentemente de raça, credo, etnia, escolaridade, classe social e gênero. Que o Menino Amado nos abençoe cada vez mais intensamente !!