PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

TÉDIO – Florbela Espanca

Passo pálida e triste. Oiço dizer
“Que branca que ela é! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
Não tenho um gesto, ou um olhar sequer…

Que diga o mundo e a gente o que quiser!
– O que é que isso me faz?… o que me importa?…
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!

O que é que isso me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E é tudo sempre o mesmo, eternamente…
O mesmo lago plácido, dormente dias,
E os dias, sempre os mesmos, a correr…

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

AUGUSTO NUNES

DESPESA INÚTIL

Erika Kokay tenta justificar a bolada que é gasta para eleger gente como Erika Kokay

“Esses que dizem ‘Ah, mas não podemos ter recursos para o fundo eleitoral porque temos que ter recursos para a saúde e para a educação’, estão de acordo com Emenda Constitucional nº 95, que congelou os gastos com saúde e com educação. Estão de acordo que nós tenhamos tanta retirada de direitos”.

Erika Kokay, deputada federal pelo PT do Distrito Federal, tentando justificar por que defende o desvio de dinheiro destinado à saúde e à educação para patrocinar a eleição de gente como Erika Kokay.

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FALA, BÁRBARA !

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

DILEMA DA VIDA – ESTUDAR OU APRENDER

“Coroné” sonha em decidir as coisas do mundo ao seu redor

Queimadas foi, algum dia, o povoado onde vim ao mundo, parido por minha mãe e “parteirado” por minha Avó – essa, para mim, só não foi minha mãe. Foi quase tudo. Sempre a amei. Demasiadamente.

Pois, Queimadas ficava ali num conglomerado de nada, próximo e ao mesmo tempo distante (pelas dificuldades de acesso) de Pacatuba, Guaiúba, Chorozinho, Guarani, Horizonte. Era um povoado pertencente a Pacajus.

Joaquim Albano Nogueira, latifundiário que amava quem trabalhava, desde que trabalhasse para ele, era um homem bom, apolítico – e essa era a principal qualidade dele, vista dos tempos atuais – que nem sabia o total das posses. Tinha terras que nem conhecia. Mas tinha certeza que eram dele.

Homem rude, sem nenhum estudo formal, se vivesse nos dias atuais, provavelmente seria comparado a um Paulo Freire, “filósofo prático e autodidata que era”.

Certa vez, torando um pedaço de rapadura de coco com farinha seca, eu passava pelo alpendre da casa da fazenda, quando escutei dele, o que, dito hoje, seria um vaticínio digno dos maiores pensadores da humanidade. Se fosse uma criança e do sexo feminino, seria com certeza comparado à uma Greta Thunberg:

“As pessoas que mais estudam, são as que menos aprendem. Estão tão ocupadas, estudando, que não arrumam tempo para aprender nada.”

Seu Quincas – era como gostava der ser chamado pelos muitos empregados e familiares – tinha dinheiro de sobra. Tinha tanto, que nem conseguia contar. Gostava mais de quem “trabalhava” do de quem “estudava”.

Certa vez, deitado numa bela e alva rede armada no alpendre da fazenda, sem tirar as botas nem as esporas, enquanto fumava o cachimbo, soltou essa rude pérola: “tudo que eu tenho, foi Deus quem me deu, mas é fruto de muito trabalho. Se eu tivesse estudado, com certeza não teria trabalhado.”

E ainda emendou: “conheço um doutorzinho, homem muito sabido, estudado, se veste bem, come do bom e do melhor, mas de vez em quando viaja até três dias de onde mora, para vir aqui me pedir um dinheirinho emprestado. E é tão sabido, e aprendeu tanto, que aprendeu até nunca me pagar o que empresto.”

E aproveitou para concluir: “não são em nada diferentes de alguns prefeitinhos que, de vez em quando, vem aqui me pedir voto. Eu não sou dono de voto de ninguém, mas o que eles acabam levando mesmo é dinheiro emprestado. E é por isso que, em vez de estudar, eu prefiro mesmo é trabalhar. Mas não sou contra quem estuda – mas acho que quem estuda deveria pelo menos aprender alguma coisa.”

DEU NO JORNAL

ESQUECERAM DE BOTAR O JBF

Levantamento nacional exclusivo do Paraná Pesquisa para o site Diário do Poder perguntou a 2.222 brasileiros se de uma maneira geral diria que confiam na imprensa, ou seja, na mídia.

Os números impressionam:

60,4% afirmam que não confiam; 35,3% dizem confiar e 4,3% dos entrevistados ficaram em cima do muro.

* * *

Num sei mesmo a razão dos leitores brasileiros não confiarem na Folha, na Veja, no Estadão, no Globo

Que coisa estranha.

Se essa tal pesquisa tivesse incluído um item pro Jornal da Besta Fubana ser avaliado, o índice de confiança no que aqui é publicado chegaria a 113%.

Tudo quanto é leitor acredita nas mentiras postadas nesta gazeta escrota. 

“Eu só solto meus bandidos queridos depois de ler o JBF. Leio todos os dias!!!”

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Princesa Isabel

Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, em 29/7/1846. Filha de Dom Pedro II e Teresa Cristina, governou o Brasil em três ocasiões, enquanto o pai viajava pelo mundo. Estava sendo preparada para reger o País, com a morte dos dois irmãos em 1847 e 1850. Na terceira vez (1888) em que ocupou a trono, proclamou a Lei Áurea, livrando o Brasil da condição de ser o único pais do mundo ocidental a manter o sistema escravocrata.

Aos 4 nos foi proclamada sucessora do pai, e aos 14 prestou juramento como herdeira do trono. Aprendeu a ler e escrever aos 8 anos e passou a necessitar de um “aio” (tutor). Luisa Margarida de Barros, a Condessa de Barral, foi a escolhida por Dom Pedro, em 1856. Sua “aia” tinha 40 anos, era charmosa, vivaz e logo conquistou-a, tornado-se um modelo para a jovem princesa. Junto com sua irmã Lepoldina, teve uma educação ampla, democrática e rigorosa. Estudavam de 8 a 9 horas por dia línguas, história, química, geografia, dança e piano. Na fase adulta, era fluente em francês, inglês e alemão. Um dos legados que ela herdou foi a “falta de racismo”. Tanto o pai como a mãe eram desprovidos do preconceito de cor e a “raça” nunca teve papel preponderante em sua vida social ou relações políticas. Conta-se que no baile imperial, na Ilha Fiscal, em 9/11/1889, seu amigo André Rebouças foi recusado por uma dama convidada para dançar. Observando o constrangimento de toda a Corte Imperial, D. Pedro II pediu à Princesa Isabel para intervir. Ela caminhou altiva pelo meio do salão sob o olhar estarrecido da plateia e pegou o “Negão” pra dançar.

Em 1864 a família real passou a procurar um marido para a filha na casa real francesa e encontraram Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, filho do Duque de Nemours. O casamento se deu em 15/10/1864, numa grande festa no Largo de Paço, aberta ao público. O casal ficou instalado no atual palácio Guanabara e passou a promover concorridos saraus culturais visando melhorar a vida social do Rio de Janeiro. Em 1871, quando assume e regência do Império, promulgou a Lei do Ventre Livre. A partir dai, o recém-nascido negro não será mais escravo. Assim, tem inicio a oposição ferrenha que ela passou a sofrer dos senhores de engenho e da elite escravocrata.

Tal oposição foi intensificada a partir de 1876 com a segunda regência. Os grupos republicanos, positivistas e anticlericais promoveram uma campanha de detração da Princesa e de seu marido. Fêz-se de tudo para impedir que o casal mais tarde subisse ao trono. Em certos circulos dizia-se que “precisamos fazer a república enquanto o velho está vivo, senão a filha dará cabo de nós”. De qualquer modo, o movimento abolicionista tomou corpo, sendo que em algumas províncias, como São Paulo, quase já não haviam escravos. Pará, Amazonas e Ceará haviam libertado os escravos desde 1884. A oposição, segundo alguns historiadores, foi reforçada devido ao fato dela ter planos de implantar uma espécie de reforma agrária distribuindo terras aos negros para que dela tirassem seu sustento. Em 1888, na 3ª Regência, ela provocou a queda do gabinete Cotegipe e promoveu João Alfredo Corrêa de Oliveira à presidência do Conselho Imperial para conseguir seu intento.

A Lei Áurea foi votada e teve sua asssinatura, em 13/5/1888. O Conde d”Eu hesitou: ”Não assine. Isto será o fim da monarquia”. Mas, ela foi firme: “Se não o fizer agora, talvez nunca mais tenhamos uma oportunidade tão propícia. O negro precisa de liberdade, assim como eu preciso satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moral e socialmente aos demais países civilizados”. No dia da aclamação, ela assistia a grande festa do povo em frente ao palácio. Na sacada, junto ao barão de Cotegipe, perguntou-lhe: “Então, Senhor Barão, o que V.Excia. acha da lei que acabo de assinar?” A resposta foi sincera: “Redimistes, sim, Alteza, uma raça, mas perdestes vosso trono”.

Dom Pedro em Milão, doente, recebeu a notícia em 22 de maio e mandou passar-lhe um telegrama: ”Princesa Imperial. Grande satisfação para meu coração e graças a Deus pela abolição da escravidão. Feliciitação para todos vós e todos os brasileiros”. O Papa Leão XIII enviou-lhe a “Rosa de Ouro”, a maior distinção que os Pontífices davam aos chefes de Estado. A comenda foi festejada com toda magnificência na capela imperial, em 28/9/1888, comandada pelo Núncio Apostólico. Enquanto isso, a campanha contra a monarquia se agigantava, agora atacando o ‘velho gagá”, e espalhando o boato que a “Princesa e o Conde d’Eu vão se tornar tiranos aqui” e outras calúnias. O estopim que provocou o golpe, ocasionando a proclamação da República, foi o fato de D Pedro ter dito, dois meses antes, a alguns amigos que abdicaria no dia de seu aniversário, em 2 de dezembro, e passaria o trono para a Princesa Isabel.

Em 15/11/1888, os militares no Rio de Janeiro, representando 1/3 do Exército, tendo o Marechal Deodoro da Fonseca à frente, proclamaram a República num golpe de estado, A familia imperial foi embarcada na calada da noite, rumo ao exílio, evitando, assim, alguma reação popular. Dom Pedro II faleceu em 4/12/1891, em Paris e foi sepultado com honras de Chefe de Estado. A Princesa Isabel e o marido foram morar num bairro elegante da cidade e passou a levar uma “vida de rainha”, tal seu prestigio junto aos franceses. Ficou amiga de Santos Dumont, que por lá fazia seus experimentos aeronáuticos. Recebeu e ajudou diversos políticos brasileiros dando conselhos na solução dos problemas nacionais.

Durante o periodo em que viveu em Paris até seu falecimento, em 14/11/1921, representou o Brasil na França no melhor estilo. Aqui, o presidente Epitáio Pessoa decretou 3 dias de luto nacional. Em 1953 seu corpo foi transladado para o Brasil e em 13/5/1971, ela e o marido foram transferidos para o Mausoléu da Catedtral de Petrópolis, onde se encontram sepultados. Entre suas biografias, vale citar: Isabel, a redentora dos escravos, de Robert Daibert Jr.; A história de Isabel (2015), de Regina Echeverria; Princesa Isabel do Brasil (2005), de Roderick j. Barman; Castelo de papel: uma história de Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil e Gastão de Orléans, conde d’Eu (2013), de Mary del Priore.

Saiba mais sobre a Princesa Isabel através do Instituo Cultural D. Isabel no site www.idisabel.org.br

A PALAVRA DO EDITOR

ENTRE O FURICO E O PRIQUITO

Eu estava fazendo minhas palavrinhas cruzadas diárias na Revista A Recreativa, a melhor que existe na praça, relaxando e esfriando a cuca, quando precisei fazer uma consulta.

Pra tirar uma dúvida sobre o significado de uma palavra

Fui lá no Dicionário inFormal e procurei “cueta”.

Encontrei não apenas o significado da palavra como, mais ainda, uma frase servindo de exemplo de como o termo poderia ser usado.

Vejam:

Quem não estiver acreditando, clique aqui e confira.

Aprenderam???

O JBF também é cultura!!!