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ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

DENTRO DE TI

Existir fora de ti
é quase igual que não ser.
Melhor fora não querer
teu amor que andar assi.

Nada esperar, ou esquecer
o tudo que és para mi;
que desde quando te vi
minha vida é um desviver.

Nada ter e não sonhar;
ou ser só… o teu olhar!
ser mais tu mesma do que eu!

Que, a viver qual vivo aqui,
antes fora um sonho teu:
vivera dentro de ti.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PAULO CARVALHO – RECIFE-PE

Sobre a condução da educação do Brasil e os constantes maus resultados no exame do PISA:

Em 1988, o estudante brasileiro não sabia matemática.

Em 1998, o estudante brasileiro não sabia matemática e também ciências.

Em 2008, o estudante brasileiro não sabia matemática, ciências e também português.

Em 2018, o estudante brasileiro não sabia matemática, ciências, português e também se é menino ou menina.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

O CÚMULO DO RÍDICULO

É sempre engraçado, se não fosse trágico, observar a reação das pessoas que se opõem a atual governo. Buscam desmerecer, inclusive, até mesmo aqueles que trabalharam juntos, que estudaram juntos, que foram amigos e agora por uma opção política passaram a ser vistos como inimigos ferrenhos. Como se as pessoas não tivessem vontades próprias ou como se elas são importantes apenas quando atendem nossos anseios.

Recentemente, Roberto Carlos registrou num show a presença do Ministro Sérgio Moro e bastou isso para no dia seguinte, um repórter Marcelo Bortolotti, da revista Época, do grupo Globo, publicasse uma matéria dizendo que Roberto tinha relações com a ditadura e que havia, inclusive, sido premiado com a concessão de uma rádio. Achei, simplesmente, incrível. Roberto Carlos é contratado pela Rede Globo, ganhava uma grana por mês para ter exclusividade com Rede Globo e o Bortolotti vem com essa. A Rede Globo conseguiu a concessão dela pelas boas relações com o Vaticano?

Roberto Marinho foi um árduo defensor do Regime Militar e visitava, digamos assim, a “cozinha do poder”. Paulo Francis, no Pasquim, escreveu em 1971 um artigo cujo título era Um homem chamado porcaria se referindo a Roberto Marinho. O auditor Romero Machado, publicou em 1988 um livro chamado Afundação Roberto Marinho, no qual relata as proezas da Rede Globo, do então VPO – Vice Presidente Operacional, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, e fica nítida a forma de crescimento do grupo mediante relações escusas com o poder.

Chico Anysio se apresentou, no Palácio do Planalto (eu disse no Palácio do Planalto), para o presidente João Figueiredo, exatamente aquele do “senão eu prendo e arrebento”.

Isso desmereceu a careira ou a crítica ácida que ele fazia aos governos? Isso fez dele um cretino? Não me recordo na época, 1979, de nenhum protesto de artistas ou de boicote a Chico por esse show. Ninguém do Grupo Globo emitiu uma nota de repúdio, sequer. Nem Jô Soares que sempre foi muito crítico ao regime militar.

Por conta do apoio da Rede Globo ao regime militar, Chico Buarque tinha restrições ao canal embora Marieta Severo, então sua esposa, fosse uma atriz de destaque nas novelas globais. Em 1986, ele aceitou apresentar um programa, Chico e Caetano, uma vez por mês, entre abril e dezembro daquele ano. A simbiose entre Globo e regime militar era de “unha e carne”, mas o que surpreende é profissionais da Rede Globo que denunciaram torturas, como Miriam Leitão, e outros que trabalharam lá como Franklin Martins, envolvido no seqüestro do embaixador americano que libertou da cadeia, dentre outros, José Dirceu, fingir que não sabiam a posição da Rede Globo, ou seja, estas pessoas perseguidas profissionais de uma empresa que apoiou seus perseguidores. Nunca vi Miriam Leitão criticar isso, pelo contrário vi a entrevista que ela fez a Bolsonaro e vi apenas uma repetidora de informações que chegavam pelo ponto eletrônico.

Cabe lembrar que nobres artistas colocaram Wilson Simonal no rol dos delatores e me recordo de uma entrevista de Caetano Veloso no programa de Jô Soares, no qual ele sugeriu ter sido entregue por Simonal. Elis Regina foi criticada pela participação nas olimpíadas do exército no governo Médici. De modo igual, nos dias atuais, ninguém pode fazer um comentário elogioso sobre o governo, sobre a política econômica, sem que seja chamado de imbecil, idiota, ou, nas palavras do presidente da OAB, “eleitores de Bolsonaro tem desvio de caráter”. Complicado isso, não?

O fato é que a lei tem sido usada para beneficiar quem é rico. As conversas gravadas entre Alexandre de Moraes e Alexandre Victor do TJ-MG mostram claramente de que lado a bandeira balança. Alexandre de Moraes como secretário de Segurança de São Paulo atuando como advogado, fato proibido, falando com ministros do STF para enterrar um processo contra Alexandre Victor. Simplesmente, nojento.

Em relação a Roberto, o STF errou na decisão da liberação da biografia não autorizada. Alegaram que se tratava de uma pessoa pública e Roberto é popular, não público. Público é quem ocupa cargos públicos, recebendo ou não, remuneração com recursos. Roberto tem todo o direito de não permitir que externem coisas de vida pessoal. Nem isso eles são capazes de entender.

DEU NO JORNAL

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

CIENTISTAS DO CLIMA

O mundo está apinhado de cientistas célebres muitos dos quais se notabilizaram não apenas pelos aprofundados trabalhos científicos alusivos ao clima da terra, mas, também, pelo esforço diuturno em alertar e preceituar medidas em prol das mudanças climáticas. Esses cientistas, pautados pela sobriedade, portanto, avessos a atitudes ruidosas, são verdadeiros apóstolos da sapiência climática a quem a humanidade convém escutar.

Agora exsurge a holmiense Greta Tthunberg, menina sem banco de faculdade (inclusive porque ainda cheira a leite materno e prepara-se para o batismo), arrastando atrás de si séquitos de louvaminheiros, inclusive da mídia mundial, que lhes fazem honras, dispostos a aceitar e abonar qualquer coisa que profira acerca do clima da terra. Inflada da importância que confere si e a compenetração de quem, pueril, acredita ser a mensageira que carrega a luz da salvação do clima, Greta se acha a legítima preceptora das mais acertadas lições de como os povos e governos devem agir para solver os problemas climáticos do planeta.

Que o modismo não tenha o condão de ofuscar o primado da ciência muito menos turvar os eminentes cientistas do clima, cujo pecado tem sido o augusto sacrifício em prol do refrescamento da Terra.

Não passam de sensaboria os encômios arrimados em causas acanhadas. Demais, conviria ao segmento midiático, demarcado pelo vezo de perlar estátuas, averiguar se algumas delas tem, ou não, os pés de barro.

PERCIVAL PUGGINA

O MUNDO SEGUNDO GRETA

Confesso-me impressionado com o poder da máquina publicitária montada em torno do ambientalismo. De repente, como se tivessem recebido uma revelação espiritual, pessoas de quem se espera discernimento reverenciam uma adolescente de 16 anos que fala sobre um apocalíptico fim do mundo. Com frêmitos de ira, chicoteia supostos vendilhões do planeta expulsando do templo da mãe terra qualquer um que ouse acender um lampião de querosene.

Ela mesma, para dar exemplo, perdeu 21 dias de aula viajando de Lisboa a Nova Iorque a bordo de um veleiro. Verdadeira multidão de repórteres a aguardava. Parecia uma tribo de selvagens de i-phone recebendo a visita de uma navegadora vinda do passado. Com Greta, chegava a redenção daquela turma motorizada. Com ela, retomavam-se as Grandes Navegações e os sete mares se fariam coloridos pelos velames da nova versão pop da marinha mercante. Milhões de toneladas de alimentos embarcadas em tonéis. Uma nova logística para a humanidade. Alelulia!

“How dare you!”. Essa expressão – “Como vocês se atrevem!” – saída da boca de uma adolescente, impressionou o mundo mesmo que não esteja muito claro de onde lhe vêm as credenciais se não do discurso decorado. O mundo é muito impressionável. Greta tem uma autoridade autorreferida, produto de um pânico implantado, endossado por uma mídia pronta para abraçar qualquer tese que sirva aos grandes negócios da agenda ambientalista e/ou aos interesses políticos da esquerda. A inimizade dessa imprensa com o progresso, com o desenvolvimento econômico e com a geração de empregos é mais do que declarada. Contudo, na ausência da trinca – progresso, desenvolvimento e empregos –, sobrevêm miséria e fome.

Com efeito, miséria e fome são males que frequentam o fim da estrada para as dezenas de experiências esquerdistas ao longo de um século inteiro. E eu não vejo como não esperar por ambos num cenário econômico movido a vento, onde os aeroportos (1), politicamente incorretos, todos, precisam esvaziar-se. O aplaudido antagonismo com a livre iniciativa deveria disparar, isto sim, um sinal de alerta, em direção inversa, a toda a humanidade. O ser humano não é ecológico. Nem os índios o são plenamente. Ao contrário da exclamação de Greta, nós é que deveríamos interpelar seus apoiadores: “How dare you!”. Não a utilizem para tais fins!

Muito mais realista do que o discurso que lhe ensinaram, longe do qual, sem a prévia redação ela já deu sinal de ficar sem conteúdo, é saber que os próprios navios da ONG Greenpeace se movem a óleo diesel e que, portanto, essa histeria contra combustíveis fósseis tem boa dose de hipocrisia. Faz o que eu digo, não faz o que eu faço.

(1) Há, na Suécia, um movimento com o intuito de criar constrangimento ético a quem viaja de avião. Chama-se “Vergonha de voar” (em sueco flygskam)…

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

SEVERINO BIL E A CABRITA MIMOSA

Severino Bil era um adolescente bem-afeiçoado, corpanzil escultural, apesar de filho de neta de escrava. Sua atividade era pastorar as cabritas do avô materno nos canaviais de Lagoa do Carro, distrito de Carpina, Pernambuco. No colégio estadual do distrito onde estudava era cobiçado pelas meninas que viam nele um galã de cinema, um Jemes Dean, um Marlon Brando, mas ele nunca dava atenção a elas, pôs não tinha a malícia de sacar as pretensões astuciosas das adolescentes assanhadas, que ficavam toda molhada só em imaginá-lo pelado na frente delas.

Olhos azuis, cabelos pretos e lisos, rosto afilado, Severino Bil puxou à genética do pai de origem alemã, que deixou a mãe assim que soube que ela estava prenha dele, depois de uma convivência amancebada de mais de dois anos, morando num barraco de dois vãos que ficava nos fundos do sítio Padre Cícero Romão Batista do avô materno, seu Zé de Maria.

Quando completou dezessete anos aí é que o adolescente despertava suspiros alucinados nas alunas do Colégio Joaquim Nabuco mesmo!, principalmente na professora balzaquiana Chiquinha, cabaço absoluto, que, segundo ela às colegas de profissão, todo dia sonhava com o rapagão com ela na posição meia nove!…

– Minhas meninas, dizia Chiquinha às colegas professoras na hora dos intervalos das aulas, é impressionante o poder de sedução que aquele adolescente exerce em mim! Que Olhos! Que boca! Vocês acreditam que todo dia eu sonho com aquele safadinho me comendo? Ao passo que as colegas, ouvindo tais confissões indecentes de Chiquinha, arregalavam os olhos e a censuravam, mas desejando o mesmo para elas:

– Mas, Chiquinha, isso é pecado capital! Quem já se viu uma educadora feito tu teres tesão por um adolescente que é teu aluno, mulher? Deus te castiga, visse?…

Como resposta às surpresas das colegas, Chiquinha respondia com todas as forças da paixão e desejos avassaladores:

– Minhas meninas, se vocês imaginassem os sonhos eróticos que tenho com aquele adolescente, as posições com que ele me pega, as sacanagens que ele me faz nos sonhos, vocês não diziam isso!… Desconfio que Deus não se preocupe com isso não!…

Depois dessa conversa com as colegas em classe, Chiquinha nunca mais quis tocar no assunto referente ao adolescente nem as colegas perguntavam.

É que, segundo as más línguas, Chiquinha resolveu visitá-lo no sítio do avô materno no período de férias escolares com pretexto de conhecer a família e matar a saudade da paixão avassaladora que a devorava nos sonhos eróticos com ele.

Quando chegou ao sítio Padre Cícero Romão Batista encontrou Dona Maria das Dores, mãe de Severino Bill e perguntou onde estava o rapaz e esta respondeu, apontando para o canavial: “Está lá em guentão dentro do canavial pastorando as cabritas do avô.”

Ansiosa, Chiquinha, pede licença a Dona Maria Das Dores e adentra ao mato, indo ao encontro de Severino Bill, enquanto as professoras que vieram com ela ficaram com a mãe do adolescente no alpendre da casa grande, conversando.

Para sua surpresa e decepção, Chiquinha, quando adentra no mato para descobrir o local onde está Severino Bil pastorando as cabritas ouve um sussurro, um fungado, um “ai mimosa, ui mimosa”. Para sua decepção e nojo, era Severino Bill pastorando a cabrinha Mimosa por trás e a chamando de “minha doce cabritinha!”

A decepção da professora Chiquinha foi tão grande, tão avassaladora com a cena a que assistiu que ela saiu correndo em desabalada carreira por dentro do canavial que até hoje se a procura nas imediações e não se a encontra, passados mais de quarenta anos do flagra do “hidden love” entre Severino Bill e a cabrita Mimosa.

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