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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

NADA SE PODE COMPARAR CONTIGO – Bocage

O ledo passarinho, que gorjeia
D’alma exprimindo a cândida ternura;
O rio transparente, que murmura,
E por entre pedrinhas serpenteia;

O Sol, que o céu diáfano passeia,
A Lua, que lhe deve a formosura,
O sorriso da Aurora, alegre e pura,
A rosa, que entre os Zéfiros ondeia;

A serena, amorosa Primavera,
O doce autor das glórias que consigo,
A Deusa das paixões e de Citera;

Quanto digo, meu bem, quanto não digo,
Tudo em tua presença degenera.
Nada se pode comparar contigo.

Colaboração de Pedro Malta

A PALAVRA DO EDITOR

ANIVERSÁRIO DE NOEL ROSA

No dia 11 de dezembro de 1910 nascia Noel de Medeiros Rosa, um carioca da gema.

Um dos mais autênticos cariocas de todos os tempos.

Noel Rosa é um dos meus ídolos.

Na verdade, em matéria de música ele é o meu maior ídolo.

A obra “Noel Rosa, Uma Biografia“, de João Máximo e Carlos Didier, publicada em 1990, é um dos meus livros de cabeceira.

Recomendo a leitura pra quem gosta do assunto.

E aviso logo: é um texto fascinante, que prende o leitor do começo até o final.

Na página Estante Virtual este livro poder ser encontrado.

Considero a letra da música Conversa de Botequim uma verdadeira obra-prima.

No vídeo abaixo, ele mesmo interpreta esta composição.

Na verdade, eu acho que tudo que Noel compôs são obras primas.

ALEXANDRE GARCIA

CORRUPÇÃO E NATAL

Dia 9 foi o Dia Mundial Anticorrupção. É a data em que, há 16 anos, o Brasil assinou a Convenção de Mérida, das Nações Unidas, comprometendo-se a combater a corrupção. Por ironia, 2003 era o primeiro ano de um período em que a corrupção foi “institucionalizada como forma de governo”, no dizer do Ministro do Supremo, Gilmar Mendes. Como a História dá voltas, nesse último dia 9, a data foi comemorada no plenário da Câmara dos Deputados, com uma homenagem ao Ministro Sérgio Moro, o homem que simbolizou o fim daquela triste era de corrupção. Uma época em que o partido no governo, a maior estatal e a maior das empreiteiras, centralizavam as atividades de uma teia que envolveu governantes, políticos, estatais e construtoras.

O coordenador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, diz que este ano foi o que mais apresentou resultados em recuperação de dinheiro roubado. Já são quase seis anos de investigações que projetaram o Brasil no mundo. A Petrobras, estados e municípios, receberam de volta recursos que haviam sido apropriados em ações desonestas. Durante este ano, foram apresentadas 27 ações contra poderosos, por crimes descobertos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. “A Lava-jato está longe de acabar e ainda está em crescimento” – tuitou Dallagnol.

Um dos diretores da Transparência Internacional, Rueben Lifuka, disse que se quisermos salvar o planeta, temos que combater a corrupção. A gente pode aproveitar a frase e dizer que para salvar o Brasil, precisamos combater a corrupção. E corrupção se combate dissuadindo os mal-intencionados, os fracos de caráter, com o poder da lei e da Justiça. Só que a lei ainda precisa ganhar mais força, para proteger os inocentes e não os criminosos. E a Justiça precisa pensar no direito que a sociedade tem de afastar de seu convívio os que a violentaram, violando as leis. Quanto aos criminosos, que se aproveitaram de seus direitos para lesar direitos alheios, não podem ter direito à liberdade depois da condenação.

Nossos mandatários, deputados e senadores, têm nas mãos a oportunidade de se afinar com a aspiração nacional de acabar com a impunidade e ganhar a segurança de não ser subtraído de seus bens e impostos. O pacote anticrime do Ministro Sérgio Moro ainda espera que o Senado corrija a desidratação feita na Câmara. E a prisão em segunda instância está nas mãos do Congresso, para alterar a Constituição naquilo que permitiu que o Supremo libertasse corruptos e homicidas recondenados.

O Legislativo esperar para o ano que vem é desconhecer a impaciência de eleitores e contribuintes e deixar um presente de Natal para aqueles que já estragaram tantos natais de vítimas brasileiras.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

BOTAFOGO NOS ARES

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, é o recordista absoluto de uso dos jatos da Força Aérea Brasileira (FAB), este ano, no total de 229 viagens e inacreditáveis 2.131 passageiros transportados. na nossa conta, claro.

Maia não é o único a aproveitar a regalia. O uso dos aviões da FAB é restrito ao vice-presidente da República, ministros de Estado e aos presidentes do Supremo, da Câmara e do Senado.

Os presidentes Dias Toffoli (STF) e Davi Alcolumbre (Senado) também aproveitam, mas números de Maia fazem o uso deles parecer irrisório.

* * *

Fui informado que Rodrigo Botafogo Maia, além de recordista em número de viagens, é também o recordista em consumo de combustível dos aviões da FAB.

Pelo tamanho de sua bunda e do seu bucho, que fazem o seu peso ficar em mais de 15 arrobas, Botafogo obriga as aeronaves oficiais a gastarem bem mais combustível com ele do que com outros passageiros.

Como os custos são sigilosos, por envolverem aeronaves militares, os políticos deitam, peidam e rolam, sem prestar conta do gasto a quem paga: nós outros, os contribuintes

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

O CORRUPTO FILHOTE DO CORRUPTO E O CHIFRUDO

Fábio Luís Lula da Silva não bebeu só da fonte da Oi.

A Movile Internet Móvel injetou milhões na fracassada “Nuvem de Livros”, espécie de biblioteca virtual da Gol Mobile, de Jonas Suassuna – sócio de Lulinha.

A novidade é que a Operação Mapa da Mina descobriu que o grosso desse dinheiro saiu dos cofres públicos.

Precisamente da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), do qual o então ministro das Telecomunicações, Paulo Bernardo Silva, era conselheiro de administração.

Assinado em maio de 2014, o contrato de financiamento a fundo perdido estava vinculado à criação de aplicativos de conteúdo nacional.

Um ano antes, o mesmo Paulo Bernardo havia emitido portaria nº 87 que eliminava PIS/Pasep e Cofins sobre a receita da venda de smartphones que apresentassem, vejam só, um pacote mínimo de aplicativos desenvolvidos no Brasil.

O MPF descobriu que, após a medida, os repasses da Movile para a Gol Mobile saltaram de pouco mais de R$ 150 mil para R$ 1,5 milhão – mesmo com um volume de acessos inexpressivo à tal Nuvem de Livros.

Os investigadores também descobriram que Fabrício Bloise Rocha, sócio-fundador da Movile, se reuniu com Suassuna na sede do grupo Gol um dia após a primeira liberação do contrato da Finep.

Na quebra de sigilo da Gol, apurou-se que a empresa de Suassuna recebeu da empresa de aplicações móveis um total de R$ 40 milhões, entre 2014 e 2016.

* * *

Paulo Bernardo…

Vocês se lembram dele, num é?

Pois é. É aquele mesmo: o corno da Gleisi

O chifrudo que foi Ministro do Planejamento de Lula e Ministro das Comunicações de Dilma.

É por conta das gaias que ele levou da mulher que Gleisi tem o codinome de “Amante” na lista de propinas da Odebrecht.

A corrente corrupcional petralha tem elos que se casam admiravelmente.

Eu falei “se casam”???

Vôte!!!

Pelo que apurou esta gazeta escrota, o casal foi desfeito por ordem de Lula.

Velhos tempos: “Um beijinho no meu chifrudinho querido”

PERCIVAL PUGGINA

MÃOS LAVADAS EM ÁGUA SUJA

Passa longe de mim o discurso ingênuo lastreado na suposição de que possa haver convergência no atual quadro político brasileiro. Basta assistir uma sessão da Câmara dos Deputados para perceber o quanto é ingênuo esse discurso.

Nas eleições do ano passado, o eleitorado deu giro de 180 graus no conjunto de suas opiniões sobre a situação nacional. Durante 25 anos, a direita ficou sem partido e sem voz. Essencialmente antipetista, renasceu vigorosa nas redes sociais após os achados da Lava Jato e se identificou com o discurso conservador de Bolsonaro. Era evidente, e o tempo veio oferecer prova, que o combate da grande imprensa ao candidato antes e durante o período eleitoral não iria amainar após a eleição. Os gigantes da comunicação não iriam se dar por vencidos e, menos ainda, reconhecer que erraram em suas avaliações sobre o que viria a ser um governo do capitão. Como ficam tais veículos se o governo for bem sucedido? O que dirão “lá em casa?”

Isso explica muita coisa. Mas não explica suficientemente tudo. Veja, leitor, o que está acontecendo ante as mais recentes decisões do STF, notadamente na invencionice processual de “que o delatado fala por último nas alegações finais do processo” e na deliberação que, na prática, acabou com a prisão após condenação em segunda instância. Ambas aconteceram num país que saiu das urnas com a tarefa de acabar com a cultura da impunidade, com a insegurança e com a corrupção. Lugar de bandido é na cadeia. A sociedade sabe que muitos crimes contra ela praticados não ocorreriam se os criminosos estivessem neutralizados, contidos onde lhes sobram motivos para estar: atrás das grades.

Enquanto o STF toma decisões das quais até Deus duvida, o Congresso Nacional vem na contramão da vontade social, surdo à voz das ruas, atropelando os urgentes anseios da sociedade. Legisla velozmente em causa própria, aprova leis que inibem a persecução penal e revela total inapetência ante o cardápio legislativo que o governo e a sociedade lhe propõem. Seus dois presidentes, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre respondem às iniciativas moralizadoras balançando a chave do arquivo – destino prometido a todas que possam colocá-los em risco.

Quadro de terror. Bandidos sendo soltos, chefes de quadrilha, corruptos e corruptores, festejando a liberdade e a leniência do Congresso. Insensibilidade do STF, que se desdobra beneficiando a cultura da impunidade.

Voltemos, então, às primeiras linhas deste artigo. O que faz a grande imprensa perante fatos tão graves? Lava as mãos em água suja? Qual a opinião de tais veículos sobre a desconsideração dos poderes à vontade de seus leitores, fregueses da indústria da informação? Que opinião têm sobre a conduta de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre? Onde sumiram os adjetivos que lhes seriam corretamente aplicáveis? Onde as urgentes matérias para constranger o Centrão e seu chefe Arthur Lira, réu perante o STF? Nada! Que jornalismo é esse, surdo à sociedade, que só tem opinião ácida e desmedida sobre o presidente da República?

Se pequena parcela do esforço que dedicam para atacá-lo fosse usada com o intuito de colocar o país nos eixos da decência e do efetivo combate à impunidade, o povo, o público, os leitores, os aplaudiriam e não precisariam sair às ruas para expor os fatos do alto de um carro de som.