PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MARIETA – Castro Alves

Como o gênio da noite, que desata
o véu de rendas sobre a espada nua,
ela solta os cabelos… Bate a lua
nas alvas dobras de um lençol de prata.

O seio virginal que a mão recata,
embalde o prende a mão… cresce, flutua…
Sonha a moça ao relento… Além da rua
preludia um violão na serenata.

Furtivos passos morrem no lajedo…
Resvala a escada do balcão discreta…
Matam lábios os beijos em segredo…

Afoga-me os suspiros, Marieta!
Ó Surpresa! ó palor! ó pranto! ó medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta!

Colaboração de Pedro Malta

AUGUSTO NUNES

ME ENGANA QUE EU GOSTO

Lula finge não saber que pode voltar para a gaiola a qualquer momento

“Tomei a atitude de ir para cadeia para provar que aqueles que estavam me acusando eram mentirosos. E, graças a Deus, aos poucos estamos provando que tudo aquilo que a gente falava, está acontecendo na verdade”.

Lula, durante a visita ao Quilombo do Campinho, no Rio de Janeiro, jurando que foi para a cadeia porque quis (não por ter sido condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro), que saiu porque quis (não pela malandragem endossada por seis ministros do Supremo) e fingindo ignorar que pode voltar a qualquer momento para a gaiola.

CHARGE DO SPONHOLZ

EVENTOS, ESPETÁCULOS E BABADOS

É HOJE! PARA OS LEITORES DO RECIFE – OPERA BASTIÃO E BASTIANA

Wolfgang Amadeus Mozart tinha apenas 12 anos quando compôs Bastião e Bastiana (Bastien und Bastienne). Era o ano de 1768 e nela, que é uma das primeiras óperas do compositor austríaco, já era possível identificar a caracterização de cada personagem, através dos recursos musicais estabelecidos por ele.

A versão desta obra da Academia de Ópera e Repertório e Sinfonieta UFPE – com produção da Gárgula e apoio do Funcultura – será apresentada nos próximos dias 6, 7 e 8 de dezembro no Teatro de Santa Isabel. Nos dias 5 e 6 as apresentações serão à tarde e para escolas. A apresentação será iniciada com a sinfonia n°17, também de Mozart.

O enredo trata das desventuras de Bastiana, uma jovem camponesa que pensa que seu amado, Bastião, a deixou por estar interessado por outra dama. Desesperada, com a ideia de reconquistar seu grande amor, recorre à ajuda do Mago Colá. A trama se desenvolve em torno dos hilários conselhos dados pelo mago, tanto para Bastiana quanto para Bastião.

A peça é de grande simplicidade, marcada por uma unidade melódica que se estabelece de maneira natural. Uma obra cujo despojamento e concisão estão associados a uma grande fluência e dinamismo. A montagem desta temporada contará com legendas e será cantada em português, com tradução do alemão pelo maestro Wendell Kettle.

Elenco
Bastiana: Aryma Nascimento
Bastião: Elias Marques
Mago Colas: Anderson Rodrigues

Grupos artísticos – Academia de Ópera e Repertório e Sinfonieta UFPE

Direção Cênica, Musical e Regência: Wendell Kettle
Cenário Figurinos e Direção de Arte: Marcondes Lima
Produção Executiva: Jéssica Soares

PERCIVAL PUGGINA

A IMPUNIDADE DOS “FIDALGOS”

Quando leio a Lei de Abuso de Autoridade, recheada de subjetividade e desapreço à persecução penal, tenho, sempre, a impressão de “ouvir” o texto na voz de Renan Calheiros. É uma lei feita para inibir o trabalho de quem combate o crime. Aliás, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal dão a impressão de não terem aprendido a lição das urnas e das ruas que clamam por um basta à impunidade.

A impunidade é um mal histórico entre nós. Notadamente quando os crimes são praticados pela elite, pelos de alta linhagem, pela nobreza. Era assim nas Ordenações Filipinas, que vigoraram de 1603 a 1831, mas provieram de uma cultura que influenciou negativamente durante quatro séculos a persecução penal no Brasil. Creio que em nenhum outro lugar do mundo se aplicou com tamanha largueza e se repete com tanta frequência a frase de Orwell em A Revolução dos Bichos: “Os animais são todos iguais, mas uns são mais iguais do que os outros”.

Por isso a Operação Lava Jato recebeu tanto destaque e admiração da opinião pública nacional e internacional. De repente, o Brasil passou a punir os bandidos da elite, os de colarinho branco! Crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha haviam feito sumir bilhões de reais em recursos públicos. Os autores desses crimes passaram a responder por eles e, mesmo defendidos pelos mais dispendiosos escritórios de advocacia do país, foram sendo condenados e presos.

Fora do âmbito da Lava Jato, porém, a cultura da impunidade persiste firme sobre suas raízes históricas. Vem daí a reação do STF e do Congresso Nacional. Aliás, já há algum tempo, essa cultura transbordou as elites e se estendeu sobre as mais variadas classes sociais. Por assim dizer, “democratizou-se”.

Nos cursos de Direito, propagou-se um arrazoado ideológico que, removido o entulho meramente retórico, fica assim: 1) o rico não é preso, então, o preso é preso porque é pobre; 2) o pobre é vítima do rico opressor; 3) construir penitenciárias, manter alguém preso, é atender desejos de vingança da sociedade opressora. Nesse lero-lero, quem está preso deveria estar solto e quem está solto deveria estar preso. Você e eu, leitor, estamos apenas aguardando em liberdade a citação para nosso julgamento político-ideológico…

As urnas de 2018 deram um recado forte às instituições nacionais. É visível o fato de que elas estão desprezando esse recado que precisa ser reativado com a pressão das ruas e das redes sociais sobre congressistas e ministros do STF. É preciso expô-los e deixá-los ao desabrigo com suas convicções de conveniência.

DEU NO JORNAL

É SÓ O COMEÇO

“Os petistas estão preocupados com o volume de vaias que Lula vem recebendo em locais públicos”, diz Ascânio Seleme, de O Globo.

“São mais vaias que aplausos, quando o palanque não é oficial.”

* * *

A preocupação da canalha petista é bem fundamentada.

As vaias são apenas a primeira fase.

Depois vem as ovadas e, em seguida, os pinicos cheios de bosta.

O demagogo Lapa de Corrupto não entende porque as pessoas que raciocinam detestam ele.

Resta pra ele, de consolo, a admiração incondicional e cega do colunista fubânico Goiano.

“Protege eu dos fascista dereitista reacionaro, Goiano”

DEU NO JORNAL

CHORANDO PELO LADRÃO

Guilherme Fiuza

O pacote anticrime de Sergio Moro foi aprovado na Câmara dos Deputados e o Brasil reagiu fazendo o que melhor sabe fazer: chorar. Teve o choro de alegria triunfal dos parasitas, delinquentes de boa aparência e ex-liberais com cara de nojo que saíram avisando ao mundo que Sergio Moro “perdeu”. E teve o choro profissional dos que vivem de alardear que a Lava Jato está morrendo. Enfim, foi uma choradeira.

Em seus cinco anos de vida, a Lava Jato já morreu 58 vezes e meia, o que dá mais de 10 mortes por ano – sempre nos braços comovidos dos que dizem amá-la. É muito sofrimento. Essas viúvas justiceiras, que estão aí fazendo coro com a bandidagem e dizendo que Sergio Moro “perdeu”, passaram o ano de 2019 avisando dia sim e outro também que o mesmo Moro ia pular fora do governo, ia abortar a missão de ministro da Justiça porque estava isolado, desgastado, indisposto, traído, decepcionado, deprimido, demissionário e talvez à beira do suicídio.

Eles não erram nunca.

O dramalhão está comovente, mas vamos dar uma segurada no vale de lágrimas com uma notícia não tão emocionante, e um pouco desagradável: Sergio Moro venceu. O pacote anticrime é o início de uma ampla reforma legislativa para combater o crime de forma mais eficaz – e a largada foi dada. Como já dito, as cassandras previam que Moro nem se sustentaria no cargo, muito menos proporia avanços na lei, e se por um acaso remoto chegasse a esse ponto seria devidamente neutralizado e engolido pelas raposas do Congresso, etc. Sabem tudo.

De fato os Maias, Alcolumbres e parasitas associados tentaram de tudo para fritar Sergio Moro – e as viúvas lamuriantes bailavam entre manchetes encomendadas noticiando o derretimento do ex-juiz. Nenhum desses – nem os sabotadores, nem os que se dizem a favor – sabe de quem estão falando. Moro é hoje o maior símbolo da lei no país, da justiça para todos, e o seu senso de estratégia para usar essa imensa força política torna todos os demais citados crianças de escola.

Ele sabia perfeitamente que o pacote iria levar mordidas e tabefes. E que isso seria só o começo da guerra. Na cabeça dos vendedores de angústia e fracasso, Moro iria aterrissar no parlamento com uma varinha de condão e moralizar tudo num fim de semana. Se não for assim, não serve – o mal venceu, o governo fez acordo com os corruptos (o fetiche máximo das cassandras) e o herói da Lava Jato foi amaciado. Eles não têm ideia do que foi (e é) a Operação Lava Jato.

A quantidade de rasteiras que atingiram a força tarefa antes dela se tornar a operação de justiça mais vitoriosa da história levaria essa gente que chora ao desespero. Jamais serão capazes de entender que a cada embate – seja qual for seu resultado imediato – Sergio Moro e sua missão só se fortalecem, sujeitando os parasitas ao seu jogo e multiplicando seu capital político com o engajamento cada vez maior da população. Ah, mas não aprovou a prisão em segunda instância… Ah, mas desidrataram o pacote…

Desidratado está o discernimento dessas pessoas que dizem apoiar a missão de Moro (o resto está só mentindo, como sempre). Sim, o pacote aprovado tem avanços valiosos, como o fim da progressão de regime para líderes de organizações criminosas, entre outros – mas tudo é muito pouco para os arautos da facilidade. A prisão preventiva está dificultada? Que esteja entre os pontos para se brigar no Senado – mas um mandado bem fundamentado continua suficiente para prender preventivamente. E para quem ficar obcecado com as brechas propícias à má fé, o melhor é nem sair de casa.

Vale um lembrete para o coral da lamúria: quando o STF liberou a prisão em segunda instância, a Lava Jato já tinha estourado a quadrilha do PT. Como pode? Eles não podiam prender após condenação em segunda instância? Eles não tinham o pacote anticrime intacto e embrulhado em papel de cetim dourado?

Não. O que eles tinham por todos os lados era essa mesma fracassomania de agora, que adora anunciar a derrota do mocinho e a vitória do bandido (isso ajuda à beça, vocês não têm noção) e que disse até o último instante que Sergio Moro não ia prender Lula, porque… Sei lá, porque cornetar é de graça e tem uns trouxas que aplaudem.

O que aconteceu você sabe. E é o mesmo que está acontecendo agora. Enquanto os chorões choram, Moro coordena a redução de todos os índices de criminalidade no país e avança com seu arrastão legalista – em sintonia com a Lava Jato que anuncia mais de 4 bilhões de reais já recuperados dos quadrilheiros. Economizem as lágrimas porque está só começando.

DEU NO JORNAL

MERECIA UMA PENA MAIS GROSSA E MAIS COMPRIDA

Ao defender a atuação de Sergio Moro nas ações contra Lula, a PGR também registrou que o ex-juiz da Lava Jato aplicou ao petista pena “significativamente abaixo da média” no caso do triplex.

“A pena imposta ao paciente pelo ex-Juiz Federal corresponde a 76% da pena aplicada a casos idênticos, o que é evidência de que não houve qualquer perseguição ou tratamento prejudicial contra o paciente”, afirma a manifestação.

O parecer aponta que Moro atendeu a numerosos pedido de Lula durante o processo e negou vários do Ministério Público.

* * *

Concordo com a PGR: a pena aplicada a Lapa de Corrupto foi pra lá de baixa.

Bem pequena mesmo.

No meu entender, e deixando a modéstia de lado, lanço mão dos meus vastos conhecimentos jurídicos pra afirmar que o proprietário da organização criminosa conhecida pela sigla de PT, tinha mesmo era que levar uma pica no olho do fopa.

Uma pajaraca mais ou menos assim do tamanho da que o nosso estimado jegue Polodoro enfia na sua amada égua Carminha.

A sugestão está dada pros magistrados que em breve futuro irão julgar os processos de Lapa de Corrupto que estão na fila.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

XICO BIZERRA – JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE

Meu Papa,

ontem foi a Final do Festival Nacional do Frevo 2019, no Teatro Luiz Lacerda (Parque Dona Lindu).

Na categoria FREVO CANÇÃO o resultado foi o seguinte:

FREVO CANÇÃO:

1º – O ÚLTIMO RAIO DA LUA, de Xico Bizerra e João Magalhães Neto, Interpretado por Edinho Queirós, Arranjo de Flávio Lima

2º  – ME LEVE PRO CÉU, de Getúlio Cavalcante

3° – CACOFÔNICO, de Jota Michiles

Aproveito para agradecer a todos que torceram e enviaram vibrações positivas para o nosso Frevo.

Gratidão, sempre.

Xico Bizerra, Edinho Queirós e João Magalhães Neto

R. É como eu vivo dizendo: só tem cabra malassombrado aqui nesta gazeta escrota!!!

Parabéns, meu caro amigo, Cardeal da Igreja Sertaneja e colunista fubânico, por este Primeiro Lugar que sua música em parceria com João Magalhães ganhou no Festival Nacional do Frevo.

Eu já esperava que fosse assim.

Um compositor talentoso feito você merece todos os prêmios do mundo.

Grande abraço e as felicitações deste Editor e de todos os nossos leitores!!!

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O SER HUMANO E A SUA DECREPITUDE

A evolução teorizada por Charles Darwin não está dando certo

Durante muitos anos, os livros e as escolas ensinaram que, “segundo Charles Darwin, a espécie humana nada mais seria que uma espécie em evolução.” Ainda hoje, afirma-se que o homem (espécie) teve como ancestrais, milhares de anos-luz atrás, o macaco.

Hoje, percebe-se que, se isso tem algum fundo de verdade, a evolução está numa “cadeia circular”, haja vista que o homem (espécie) no dia a dia, vem demonstrando que está “involuindo” e, célere, está se transformando em animal. Está voltando a ser o que um dia pode ter sido.

Isso por que, os fatos do dia a dia, nos levam a imaginar isso. As ações de violência praticadas pelo homem, não nos asseguram que, um dia, ele foi animal e continua evoluindo. Cada dia o homem é mais animal. Suas atitudes nada têm com atitudes de um ser humano.

Nem mesmo a “tecnologia” confirma a evolução humana

Mas, Darwin sempre afirmou nas suas teorias que, embora não possuísse elementos comprobatórios, nunca teve dúvidas que a espécie humana descende do macaco.

E aí vem à mente aqueles momentos cômicos da Escolinha do Professor Raimundo, programa veiculado pela TV Globo sob o comando de Chico Anysio, onde o personagem Pedro Pedreira, interpretado por Francisco Milani, com certeza afirmaria: “há controvérsias”!

E o próprio Pedro Pedreira perguntaria: “há algum registro de um macaco que tenha entrado numa jaula, depois de passar meses comendo bananas e macacas, tenha fugido da gaiola, depois de se transformar num homem”?

Ora, se não tem, “não me venha com chorumelas”!

Desconcertado, o “Professor Raimundo” não terá outra alternativa, diante dos fatos que a mídia mostra todos os dias, a não ser concordar com Pedro Pedreira.

Pedro Pedreira – “não me venha com chorumelas”

E o que contradiz tudo isso, factualmente?

Ora, na semana que passou, a televisão mostrou em seguidos dias, as ações de “seres humanos” que ainda vivem em dúvidas se descendem do macaco ou não, travestidos de policiais, agentes oficiais do Estado, com atitudes nada humanas, agredindo com chutes violentos, “um macaco” que estava caído no chão e indefeso.

É, a vítima caída no chão e continuamente agredida, só podia ser um macaco, com raiva, tamanha era a violência com que o “agente do Estado” desferia violentos chutes, e transmitia, naquele instante, a contradição à teoria de Charles Darwin.

Pergunta-se: o que é que um “humano” como aquele tem dentro da cabeça? O que o leva a fazer aquilo com um semelhante?

Noutra imagem, um outro “ser humano” desfere cassetetadas em quem por ele passa, enquanto ri, descaradamente.

Imaginemos qual pode ser a reação “daquele pedaço de não se sabe o que”, quando olhar noutra oportunidade aquelas imagens.

Seria o caso de voltarmos à Escolinha do Professor Raimundo, agora para relembrar outro personagem: Sandoval Quaresma, conhecedor de tudo, que sabia tudo, que respondia tudo, até que, na última resposta “faiava”, e concluía:

– “Mas eu estava indo tão bem”!

Sandoval Quaresma estava indo muito bem – mas “faiou”