PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO DOS DEDOS QUE FALAM – Orlando Tejo

Que importa que foguetes cruzem marte
E bombas de hidrogênio acabem tudo,
Se aos meus dedos, teus dedos de veludo
Ensinam que o amor é também arte?

Não desejo mais nada além de amar-te
E em êxtase viver, absorto e mudo,
Sorvendo da ternura o conteúdo
Que antes te buscava em toda parte!

Esses dedos que afago entre meus dedos,
Que acaricio a desvendar segredos
De amor nestes momentos que nos prendem,

Têm qualquer coisa que escraviza e doma,
Porque teus dedos falam num idioma
Que só mesmo meus dedos compreendem!

Colaboração de Pedro Malta

A PALAVRA DO EDITOR

UM HORA E MEIA DE CONVERSA BESTA

O fato se assucedeu-se na última sexta-feira.

Fui convidado pra participar do programa Mesa de Bar, comandado pelo radialista pernambucano Wagner Gomes. 

Uma das maiores audiências da Rádio Jornal aqui do Recife.

O programa é transmitido a partir do Caldinho do Nenen, restaurante da zona sul que é um marco e uma referência da gastronomia nordestina.

Comigo estavam os poetas Chico Pedrosa e Zelito Nunes, dois amigos queridos, e também a célebre dupla de cantadores Antonio Lisboa e Edmilson Ferreira.

A íntegra do programa está aí embaixo. Peguei o vídeo no feicibuqui da rádio.

Mas vou logo avisando: só tem miolo-de-pote e conversa besta.

Quem tiver paciência, é só clicar e assistir.

Tem uns poucos minutos de silêncio logo no começo, mas depois o som volta ao normal.

DEU NO TWITTER

DEU NO JORNAL

QUATRO DÉCADAS DE TIRANIA

Paul Biya, presidente da República de Camarões, é quem está há mais tempo no cargo: 44 anos.

Em segundo lugar está um amigo de Lula, Teodoro Mbasogo, ditador da Guiné Equatorial, há 40 anos sem largar o osso.

* * *

Já que não podia criar uma ditadura igual à dos africanos, o sonho do PT aqui no Brasil era exercer 10 mandatos presidenciais de 4 anos cada um.

Num total de 40 anos.

Mas roubaram e mentiram tanto que o povo botou a quadrilha de Lula pra correr.

Sumiu-se. Escafedeu-se.

O PT desapareceu nos ares feito peido de aviador.

“Cumpanhero Teodoro Mbasogo, invés de tu me dá esse colá, eu queria mermo era que tu me insinasse o caminho pra ficar 40 ano cagando na cabeça da população; me insina que eu mando mais dinhêro do BNDES pra tu”

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

QUEM CUIDARÁ DAS NOSSAS CRIANÇAS, E LHES EMBALARÁ NAS REDES?

Pais vão ao trabalho e crianças ficam “soltas”

Empurrada pelas “necessidades” de consumo desnecessárias, semeadas pelas teorias do capitalismo, nas quatro ou cinco últimas décadas, a família atendeu o chamamento, e permitiu ser dividida ao meio, para correr em busca do nada. Mas que provocou o “status quo” que vivemos hoje, na prática. O desmoronamento familiar, e a proliferação da violência em todos os níveis sociais, são ventosas do capitalismo enganador.

As famílias dos dias atuais não se reúnem mais para o café matinal, para o almoço ou para o jantar. No máximo “se encontram” ao redor de mesas, entre churrasco e cerveja – mas, com a grande maioria dando total atenção aos telefones celulares. As conversas desapareceram.

Acreditando numa mentira, aquela mãe “do antigamente” que se dedicava à família aceitou sair de casa para algum tipo de trabalho, acreditando, também, que o que poderia ganhar pudesse ajudar na manutenção e melhoria do orçamento familiar. Pode até ser. Entretanto, ao “sair de casa” para fazer algo que não sabe e para o qual não está preparada, a mãe se expôs, largou os filhos à sanha dos predadores sociais. E a melhora financeira não saiu do zero.

A partir dessas situações, ou ela se prontifica às realizações de jornadas duplas (ou triplas, se resolver voltar à escola no período noturno – essa uma boa decisão), ou vai somar aos números manipulados pelos estudiosos do convencimento de que, o ter é melhor que o ser: capitalismo puro e perverso.

Vítimas de falácias (ainda que com excelente nível cultural e de informação), há mulheres que, equivocadamente, chamam essa saída de casa para o trabalho, de “empoderamento”. Pois sim!

Por conta disso, resolvemos “criar essas duas situações” tão corriqueiras e verdadeiras em meio aos nossos dias.

I

Cinco da manhã. A movimentação na casa de Doca e Domingos é intensa. No banheiro, Domingos toma o banho matinal no início da preparação para ir ao trabalho. Dominguinhos, toalha no ombro e escova na mão, espera sua vez de ir ao banheiro.

Na cozinha, Doca termina os preparativos para a primeira refeição (do marido e do filho) dos dois. Poucas frutas (apenas banana e mamão), beijus, café preto no bule, manteiga real – os dois sentam à mesa e se servem.

Doca, de abano numa da mãos, tenta esquentar o ferro a carvão colocado na janela. Precisa “passar o ferro” nas camisas de Domingos e Dominguinhos – um vai ao trabalho na fábrica de óleo, o outro vai à escola municipal com pouca estrutura e poucas aulas.

Café tomado, começa acontecer a rotina diária. Domingos prepara a bicicleta, abre o portão da casa e aguarda Dominguinhos, que vai ser levado de “carona” até a escola e, de lá, Domingos seguirá para o trabalho. Ao meio dia o trajeto da volta será o mesmo de cada dia.

Mesa posta para o almoço simples, família toda à mesa. Pouca conversa, mas a auréola do respeito se faz presente. Antes, a oração para agradecer a refeição, saúde, paz familiar e, principalmente, pela manutenção do trabalho que continuará alimentando a todos.

Domingos come rápido, pois quer fazer um pequeno reparo na bicicleta, antes de pegar o caminho para a fábrica. Dominguinhos faz a assepsia, e vai descansar um pouco, antes de cuidar do “dever de casa” da escola, que será fiscalizado pela mãe, Doca.

Louça usada lavada. Casa limpa e o início da preparação do jantar. Enquanto Doca escuta a novela nas ondas do rádio, Dominguinhos conclui o “dever escolar de casa” e pede para brincar um pouco com os amigos da rua. Doca consente, mas avisa que estará vigiando.

Crianças do passado aproveitavam momentos de lazer

Cinco horas da tarde. O movimento na cozinha é nenhum. A movimentação na rua, na frente da casa é a mesma de todas as tardes. Doca, sentada na cadeira de balanço, remenda as camisas de Domingos, e Dominguinhos brinca feliz, com os amigos.

Passam anos. Domingos ganha aposentadoria. Após de um dia de afazeres domésticos, duas cadeiras de balanço estão à frente da casa. Doca e Domingos conversam e esperam a chegada de Dominguinhos da faculdade. Último período de Medicina.

Chega 24 de dezembro. Véspera de Natal. Mesa posta para a ceia. Castanhas, rabanadas, nozes, vinho, um pernil suíno bem assado. Amigos da família e familiares começam chegar. Dominguinhos chega com a esposa, e a ceia começa ser servida. Família feliz!

II

Sete horas da manhã. A movimentação na cozinha e no banheiro da casa de Caroline e Hugo é intensa. No banheiro, Hugo toma banho, iniciando os preparativos para ir ao trabalho. Huguinho, toalha e escova na mão espera sua vez, dedilhando o celular.

Na cozinha, Caroline inicia os preparativos para a primeira refeição (dela, do marido e do filho) da família. Frutas (morangos, bananas e mamão), torradas, café na garrafa térmica – os dois sentam à mesa e se servem. Huguinho continua no banho, e no celular.

Caroline, não se preocupa com a roupa do marido, Hugo; ou do filho, Huguinho. Tampouco se preocupa com lanche, pois a escola fornece merenda escolar. Assim, inicia a preparação para trabalhar – Vendedora de loja, com salário comissionado pelo que vende.

Café tomado, começa a rotina diária. Hugo arruma a mochila, e aguarda o ônibus da empresa. Huguinho, ainda no quarto, com o celular, sem ter certeza se terá aulas naquele dia. Caroline caminha para pegar o ônibus, sem dar a devida atenção à Huguinho.

Não há mesa posta para o almoço, por que ninguém almoça em casa. Sem conversa, sem a auréola do respeito presente. Todos fora de casa. A família está dispersa, sem reunião e os problemas do dia sem solução. Também não há como conceituar isso de “família”.

Hugo come rápido no restaurante do trabalho. Joga dominó no tempo que resta para o horário do almoço. Poderia ler um livro, haja vista que vai à escola de noite. Huguinho, longe de casa, passa o horário de descanso dedilhando o celular. Caroline vai ao shopping.

Jovem “largado” pelos pais chega em casa para o Natal

Em casa, a louça do café está por lavar. Casa desarrumada e não há jantar. Quando todos estiverem em casa, será pedida uma pizza e refrigerantes. Hugo demora chegar, Caroline, só Deus sabe onde anda. Huguinho com os amigos de comportamentos duvidosos.

Vinte e duas horas. Todos já em casa, cada um com o celular. Ninguém conversa. Na rua, na frente da casa, tudo como nos outros dias. Caroline não demonstra interesse em saber se Huguinho fez o dever de casa. Joga no celular, enquanto Hugo fala com um amigo.

Passam anos. Hugo é demitido do trabalho e está desempregado. Caroline fez bobagem, se envolveu com o patrão. Foz demitida após aprontar um barraco durante o expediente da loja onde trabalhava. Huguinho, teve problemas na escola, onde nunca aprendeu nada.

Chega 24 de dezembro. Véspera de Natal. Não há mesa posta para a ceia. Nem castanhas, rabanadas, vinho. Sem dinheiro, Hugo se nega a sair de casa. Huguinho, cumprindo prisão por tráfico de drogas, vai passar o Natal em casa, usando tornozeleira eletrônica.

DEU NO JORNAL

SÓ TEM ABESTALHADOS NO JUDICIÁRIO

“Moro induziu o Judiciário ao erro”, afirma advogado de Lula

Cristiano Zanin Martins acusa ex-juiz de perseguição e confia que ex-presidente irá recuperar os direitos políticos

* * *

Bicho ardiloso que só a porra é este tal de Moro:

“Induziu o Judiciário ao erro”.

Em todas as instâncias!!!

Tá cá mulesta!!!

Êita bando de juízes, desembargadores e ministros ingênuos, que se deixaram induzir ao erro por Moro.

Francamente, eu chega se mijei-me todinho de tanto se rir-se-me com esta cagada oral do advogado de Lapa de Corrupto.

Cagada que é apoiada sem restrições pelo colunista fubânico Goiano.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Estimado editor Luiz Berto:

Segue um breve recado musical do genial compositor, Vital Farias, nascido no sítio Pedra d’Água, município de Taperoá, estado da Paraíba, ao chefão da ORCRIM, Luiz Inácio Lula da Silva, solto por seis bandidos que mandam no Supremo Tribunal de Favores.

Autor da visionária “Saga da Amazônia”, Vital Farias foi um dos primeiros compositores da Nação Nordestina a tirar o cu fora quando percebeu que Lula era (e é) um bandido, marginal, delinquente, criminoso, corrupto, lavador de dinheiro, ocultador de ativos financeiros e bens patrimoniais…

TERRORISTA!

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Julia Lopes de Almeida

Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida nasceu em 24/9/1862, no Rio de Janeiro. Escritora, dramaturga, jornalista, cronista, abolicionista e feminista, participou das primeiras reuniões para a fundação da ABL-Academia Brasileira de Letras, mas não pode integrá-la pelo fato de ser mulher, não obstante sua grande e importante produção literária, além de pioneira da literatura infantil. Filha do médico Valentim José da Silveira Lopes e de Adelina Pereira Lopes, teve papel destacado no jornalismo centrado nos temas: República, abolição dos escravos, emancipação da mulher e direitos civis.

Na infância mudou-se com a família para uma fazenda em Campinas (SP), onde viveu dos 7 aos 23 anos; foi incentivada pelo pai a escrever e teve suas primeiras crônicas publicadas na “Gazeta de Campinas”. Em 1884, passou a escrever regularmente, durante 30 anos, no jornal carioca “O Paíz” e em 1886 publicou, junto com a irmã, seu primeiro livro: Contos infantis, adotado nas escolas de todo o País por mais de 20 anos. No mesmo ano partiu para Lisboa e casou com o poeta e jornalista Francisco Filinto de Almeida. Incentivada pelo marido, publicou o livro de contos: Traços e iluminuras. Numa época em que era raro a mulher escritora, ela teve a sorte de receber incentivos do pai e do marido para exercer este ofício.

Retornou ao Brasil, em 1888, e lançou seu primeiro romance: Memórias de Marta, no ano seguinte. Vivendo em São Paulo, passa a colaborar regularmente com outros jornais e revistas: “Jornal do Commércio”, “A Semana”, “Ilustração Brasileira” e “Tribuna Liberal”. Na literatura, seu estilo é marcado por influências do realismo e naturalismo francês, notadamente pelos contos de Guy de Maupassant e romances de Émile Zola. Seu marido era diretor do jornal “A Província de São Paulo” e em seguida foi eleito deputado federal. Em 1891, publicou em folhetim na “Gazeta de Notícias”, o romance A família Medeiros, publicado em livro no ano seguinte. O romance teve a edição esgotada em 3 meses, e foi elogiado pela crítica Lúcia Miguel Pereira.

Em 1893 o casal passou a residir no Rio de Janeiro; constroem uma mansão em Santa Tereza, onde mantém o “Salão Verde”, frequentado por artistas e intelectuais; criam os (5) filhos e ela intensifica a atividade de cronista e escritora com diversos livros publicados, dentre os quais o romance A falência (1901), considerado sua obra mais relevante. Em 1896 participou de diversas reuniões com os intelectuais cariocas, com o objetivo de criar uma academia de letras. No ano seguinte foi criada a ABL-Academia Brasileira de Letras, cuja cadeira nº 3 deveria ser ocupada por ela. Porém, seguindo a tradição de não permitir mulher, foi ocupada pelo marido, que os cariocas passaram a chamar de “acadêmico consorte”.

Em 2017, num ciclo de palestras realizado pela ABL, foi reconhecida a injustiça cometida e ela foi incluída entre os autores que poderiam ter entrado na instituição. Em 1908 e 1912 recebeu os prêmios “Exposição Nacional” e da Companhia Dramática Nacional, com as peças A herança e Quem não perdoa, respectivamente. Em seguida realizou uma grande viagem, com toda a família, pela Europa e foi homenageada, em 1914, com um jantar no Mac-Mahon Hotel, ao qual compareceu a intelectualidade parisiense e muitos brasileiros. A viagem deveria continuar, mas a eclosão da II Guerra Mundial fez com que voltassem ao Brasil. A rotina de cronista prossegue junto com a publicação de livros, que chegou a mais de 40 títulos. Em 1922 foi convidada pelo Consejo Nacional de Mujeres de Argentina, em Buenos Aires para dar palestras e na volta, participou do I Congresso Feminino do Brasil, no Rio de Janeiro.

Em 1924, sua filha, Margarida, foi contemplada pela Escola de Belas Artes (RJ) com uma bolsa de estudos, obrigando-a a ficar 4 anos estudando em Paris. No ano seguinte, ela vende a mansão de Santa Teresa, aplica o dinheiro em ações e todos passam a viver em Paris junto com a filha. Na Europa, passou a conhecer melhor alguns países ao mesmo tempo em que escreve e publica alguns de seus livros em francês. Os filhos, já adultos, seguem suas vidas e o casal retorna ao Brasil em 1931. Sua filha Lucia, que vivia com o marido na África, adoeceu e levou-a a viajar até lá, em 1934, para trazê-la junto com os netos e genro, visando um tratamento melhor no Brasil. Por uma ironia do destino, ela preocupada com a saúde da filha, 8 dias após chegar da África, pegou uma febre amarela com complicações renais e linfáticas, e veio a falecer em 30/5/1934. Junto com a missa de 30 dias, foi publicado seu último romance “Pássaro tonto”

A partir da década de 1980, vem sendo demonstrado certo interesse pela sua produção literária, com análises e reedições de suas obras. Em 1987, a IMESP-Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, republicou seu livro A mensageira (1897), onde consta: “. Os povos mais fortes, mais práticos, mais ativos, e mais felizes são aqueles onde a mulher não figura como mero objeto de ornamento; em que são guiadas para as vicissitudes da vida com uma profissão que as ampare num dia de luta, e uma boa dose de noções e conhecimentos sólidos que lhe aperfeiçoem as qualidades morais. Uma mãe instruída, disciplinada, bem conhecedora dos seus deveres, marcará, funda, indestrutivelmente, no espírito do seu filho, o sentimento da ordem, do estudo e do trabalho, de que tanto carecemos.”.

Em 2016, a Biblioteca Nacional reuniu suas crônicas publicadas em “O Paiz” e publicou Dois dedos de prosa: o cotidiano de Júlia Lopes de Almeida. Em 2019 foi lançada a coletânea de contos de terror Medo imortal, incluído alguns contos de sua autoria. Tendo em vista sua condição de uma das pioneiras na defesa da emancipação das mulheres, bem que merecia alguma homenagem do Movimento Feminista.

DEU NO JORNAL

CARÊNCIA DE BIMBA

Uma blogueira de São Paulo teve que ser protegida pelo deputado Daniel Silveira para não ser presa por ordem da deputada Maria do Rosário, que encenou uma agressão que não houve.

A deputada gaúcha, sempre à beira de um ataque de nervos, protagonizou outro vexame na Câmara, após ser confrontada pela blogueira.

O vídeo abaixo registra a falta de compostura de Maria do Rosário.

* * *

Além de padecer da doença mental de ser petista, esta acanalhada vive tendo ataques histéricos por conta da falta imensa que sente de levar pajaraca na bacurinha e no furico.

A idiota fica doidinha porque ninguém tem coragem (e bimba…) pra enrabá-la.

É preciso dispor de muita bravura e valentia pra enfrentar uma lobisomem dessas na cama.

Vôte!!!

ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

SABER ENVELHECER

“Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade”!

Bastos Tigre

Há já algum tempo, dentre as inúmeras e incontáveis baboseiras que me enviaram através da Internet, chegou-me uma mensagem que considerei tão interessante que guardei a sua essência cuidadosamente.

Dizia a mesma que todos nós, que estamos tendo o privilégio de enveredar pela maturidade, deveríamos lutar para ter:

• Idade de 60,
• Corpinho de 50,
• Cabeça de 40,
• Disposição de 30, e
• Sonhos de 20.

Dentre todas estas sábias recomendações, as únicas que consegui atingir foram a primeira e a última.

Isto porque ter um corpinho de 50 está bastante difícil, especialmente considerando que acho um saco ficar me exercitando indefinidamente, muito especialmente quando ainda existem tantas coisas maravilhosas que eu quero conhecer e fazer antes de morrer.

Depois, ter uma cabeça de 40 também me é muito difícil, especialmente levando em consideração que sempre fui um jovem com características de velho:

Individualista, misantropo, rabugento e sem a mínima paciência para ficar andando em patotas e conversando interminavelmente a respeito das mesmas besteiras.

Quanto à disposição de 30, esta é ainda mais difícil, já que a minha disposição para os exercícios é muito pequena e que tenho grande apreço pela glutonaria e pela bebedeira.

Quanto à idade de 60, considero-a apenas uma fatalidade, especialmente sabendo que a alternativa é muito pior. Basta relembrar a quantidade imensa de bons amigos que já foram devidamente ceifados, a seu tempo, pela malvada Caetana.

Uma das principais características de nosso tempo é a existência de verdadeiras multidões de seres humanos sem alma. O que eu denomino de “Alma” seria, num sentido mais corriqueiro, aquilo que se costumava chamar de “Vida Interior”. A maioria das pessoas vive em um eterno frenesi para atender a todas as mensagens que lhes chegam através de incontáveis grupos virtuais dos quais participa, para atender a todas as mensagens eletrônicas que lhes são enviadas diariamente, para estar sabendo dos últimos buchichos correntes entre a “galera”, para curtir os últimos lançamentos musicais de músicas que parecem mais ter sido compostas por alunos da APAE ou do Instituto Pestallozzi, e por aí vai. Ao se deitar, à noite, talvez sejam incapazes de detalhar o que fizeram durante todo um dia extremamente “ocupado” e estressante.

Durante meus muitos anos de atividade acadêmica, ensinando em cursos superiores de engenharia e de administração, costumava fazer a seguinte pergunta aos alunos logo no primeiro dia de aula:

Quem de vocês possui, em casa, um lugarzinho tranquilo, totalmente isolado de barulhos e ruídos externos, onde exista uma mesinha de trabalho, uma cadeira confortável e uma estante com livros? Um local feito para a simples prática de estudar e meditar?

A resposta foi sempre e inexoravelmente a mesma: NINGUÉM!

A coisa toda se inicia diante do simples fato de que a maioria das pessoas não se sente bem consigo mesma. Por este simples motivo, todas elas odeiam a solidão. Andam sempre em bandos cacarejantes de nulidades e irrelevâncias. Daí a necessidade de ter permanentemente uma televisão ligada no ambiente, mesmo que ninguém a esteja assistindo, um som ligado nas alturas logo ao entrar no carro, ou até mesmo um “headphone” permanentemente nos ouvidos. Tudo isso só para ter sempre uma fonte de barulhos que lhe impeça de se voltar para dentro de si mesmo.

A consequência deste imenso vazio interior nos salta à vista: Taxas de suicídio rampante entre os jovens, altíssimos níveis de depressão entre os mais velhos, multidões de pessoas perdidas e vivendo vidas melancólicas, na condição magistralmente descrita por Fernando Pessoa: “Vivem porque a vida dura! Nada na alma lhes diz mais que a lição de raiz de ter por vida a sepultura”!

Quem primeiro constatou o papel e a importância fundamental de se ter “Um sentido para a Vida” foi o psicólogo Viktor Frankl, talvez o grande injustiçado dentre os estudiosos da alma e da Psiquê humana. Suas obras são verdadeiramente fundamentais para qualquer ser humano que queira entender um pouco melhor algumas características fundamentais de nossa vida.

É exatamente aí que entra o último item da lista com que comecei esta conversa: Ter sonhos de um jovem de 20 anos! Esta parte, para mim, sempre foi extremamente fácil. Sempre fui um grande sonhador. Meu horizonte temporal sempre esteve ajustado para algumas décadas à frente. Por isso, fico profundamente impressionado com a total ausência de sonhos que constato nos “Walking Deads” com quem travo conhecimento. Seu horizonte temporal, se jovem, se limita ao planejamento da balada do próximo final de semana ou, no máximo, uma viagem que farão a uma praia um pouco mais distante daí a alguns dias.

Já o caso dos mais idosos é mais grave ainda! Basta você perguntar – Como vai? – Para que estes digam que não vão nada bem e comecem a fazer uma descrição meticulosa e detalhada de todas as doenças e males que os aflige, muito especialmente aqueles aspectos mais escatológicos e tenebrosos das ditas doenças. São pessoas que, quando à mesa, ao lhes ser oferecido um delicioso prato de qualquer comida mais condimentada, passam a descrever detalhada e interminavelmente o mau funcionamento das suas funções intestinais, mesmo os aspectos mais teratológicos e nojentos.

VADE RETRO, SATANÁS!!!

Manter o bom humor e o otimismo, mesmo depois de ter sido cooptado para vítima das lamúrias de uma pessoa como esta, é praticamente impossível. Tem que ter uma tesão para a vida digna de ator de filmes pornô.

Por falar em assuntos brochantes, minha paciência para aturar a imensa multidão de canalhas encastelados no congresso, no judiciário, assim como em todas as instâncias e meandros do mastodonte governamental já se esgotou há muito tempo.

Minha impressão é que as nossas gloriosas forças armadas devem estar fazendo treinamento assim atualmente:

Para mim, esta seria a ÚNICA explicação possível para o fato de não terem fechado ainda e prendido o congresso inteiro, o STF todinho, os corruptos do TCU, os desembargadores ladrões da Bahia, e uma lista imensa de canalhas e patifes que infelicitam esta espoliada nação há décadas.