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MERECE UMA MEDALHA DAS ZISQUERDAS

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ENVELHECER – Bastos Tigre

Entra pela velhice com cuidado,
Pé ante pé, sem provocar rumores
Que despertem lembranças do passado,
Sonhos de glória, ilusões de amores.

Do que tiveres no pomar plantado,
Apanha os frutos e recolhe as flores
Mas lavra ainda e planta o teu eirado
Que outros virão colher quando te fores.

Não te seja a velhice enfermidade!
Alimenta no espírito a saúde!
Luta contra as tibiezas da vontade!

Que a neve caia! o teu ardor não mude!
Mantém-te jovem, pouco importa a idade!
Tem cada idade a sua juventude.

Colaboração de Pedro Malta

ALEXANDRE GARCIA

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

O CABARÉ PRESIDIDO POR TOFFOLI SOLTA MAIS UM

Condenado a 27 anos e três meses de prisão, o traficante Antônio Ilário Ferreira – conhecido como Rabicó e Coroa – foi solto por decisão de Marco Aurélio Mello.

O ministro determinou que Rabicó aguarde em liberdade o julgamento do último processo que o mantinha atrás das grades.

“Conforme dispõe o inciso LVII do artigo 5º da Constituição Federal, ‘ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória’, ou seja, a culpa surge após alcançada a preclusão maior”, destacou o ministro.

Autoridades da segurança pública do Rio estão em alerta porque para elas a libertação do criminoso pode ser o estopim de uma guerra no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde ele ainda chefia o tráfico de drogas.

Um antigo braço-direito de Rabicó matou um comparsa e mudou de facção. Os policiais temem que, solto, o traficante tente vingar a morte de seu colega e retomar o domínio da região.

* * *

Fiquem tranquilos: o colunista fubânico Goiano vai justificar e explicar tudo direitinho pra vocês.

Como ele costuma fazer com as decisões dos supremos togados que botam bandidos na rua.

Antes de começar a guerra e a matança no Salgueiro, Goiano irá detalhar a fundamentação jurídica para a libertação deste criminoso.

Do mesmo jeito que ele fez quando da libertação de Lula.

“Vai pra rua, Rabicó. Estás tão livre quanto Lula”

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UMA GRANDE PELEJA: PEDRO BANDEIRA E MANOEL XUDU

Pedro Bandeira e Manoel Xudu: dois grandes cantadores nordestinos

Pedro Bandeira

Colega Manoel Xudu
Abra o palco da cortina,
Se firme bem na cadeira
Erga o peito e se previna,
E diga como deixou
A cidade de Carpina.

Manoel Xudu

Vai bem minha Planaltina
De poetas um viveiro,
Situada entre Paudalho
Nazaré e Limoeiro,
E agora mandou seu vate
Vir visitar Juazeiro.

Pedro Bandeira

Mas você não é romeiro
Nem comprador de pequi,
Nem carola nem turista
Ninguém lhe esperava aqui,
Sem eu lhe dar carta branca
Pra entrar no Cariri.

Manoel Xudu

Eu vim porque conheci
Que havia necessidade,
De conhecer os colegas
Que moram nessa cidade,
E saber se o novo príncipe
Tem ou não autoridade.

Pedro Bandeira

Saiba que sou majestade
No reinado poesia,
Você pra cantar comigo
Precisa ter fidalguia,
Nobreza, brio e respeito
Honra e aristocracia.

Manoel Xudu

Há tempo que conhecia
A fama do meu amigo,
Porém eu sou dos poetas
Que nunca teme perigo,
Só digo que um cabra canta
Depois que cantar comigo.

Pedro Bandeira

Você está no meu abrigo
Se não quiser passar fome,
Respeite meu auditório
Meu cetro e meu cognome,
Minha esposa e minha filha
Minha plateia e meu nome.

Manoel Xudu

Acho bom que você tome
O conselho que lhe dou,
Estou no seu auditório
Mas seu escravo não sou,
Penetre em qualquer terreno
Que se eu puder também vou.

Pedro Bandeira

O sangue do meu avô
No meu sangue inda evapora,
Me dando ideia e talento
Entusiasmo e sonora,
Pra rebater desaforo
De repentista de fora.

Manoel Xudu

Com sua proposta agora,
Sei que o jeito que tem,
É eu lhe dar um acocho
Dos ossos virar xerém,
Que canto a vinte e dois anos
E nunca perdi pra ninguém.

Pedro Bandeira

Eu nunca perdi também
E agora vou lhe provar,
Que daqui a meia hora
Você começa a chorar,
Troca a viola em cachaça
E nunca mais fala em cantar.

Manoel Xudu

É mais fácil se esgotar
O mar com uma peneira,
Bala de aço esmagar-se
Em tronco de bananeira,
Do que Manoel Xudu
Temer a Pedro Bandeira.

Pedro Bandeira

É mais fácil uma caveira
Ter nojo dum urubu,
Uma cobra de veado
Se assombrar com um cururu,
Do que o príncipe dos versos
Respeitar Manoel Xudu.

Manoel Xudu

É mais fácil um canguçu
Correr com medo dum bode,
Menino enjeitar bolacha
Moleque enjeitar pagode
Do que eu correr com medo
Dum cantador sem bigode.

Pedro Bandeira

Nós sabemos que Deus pode
Manobrar tudo que é seu,
Transformar o gelo em fogo
Ressuscitar quem morreu,
Não pode é criar poeta
Pra cantar mais do que eu.

Manoel Xudu

Mas agora apareceu
Miguel Alencar Furtado,
Que é Juiz e deu um tema
Muito bem metrificado,
E vamos saber do tema
Quem canta mais inspirado.

* * *

Mote:

Vi a noite enlutando o horizonte,
Com saudade do dia que morreu.

Pedro Bandeira

Cinco e meio da tarde mais ou menos
Resolvi vê de Deus os espetáculos,
Transportei-me das baixas aos pináculos
Pra poder me inspirar olhando Vênus,
Comecei vislumbrar astros pequenos
O Cruzeiro do Sul resplandeceu,
Quando o rosto da lua apareceu
Eu estava na crista de um monte,
Vi à noite enlutando o horizonte
Com saudade do dia que morreu.

Manoel Xudu

Quando o sino tocava Ave–Maria
E o sol se escondia no ocaso,
De um voo transportei-me ao Parnaso
Num balão que eu fiz de poesia,
Uma estrela brilhava o sol morria
E a natura chegava ao apogeu,
Tive sede e um querubim me deu
Água pura tirada duma fonte,
Vi à noite enlutando o horizonte
Com saudade do dia que morreu.

Pedro Bandeira

Contemplei azul além do mar
Vi a treva envolvendo as ondas pardas,
As libélulas pousaram nas mostardas
E agripinas saíram do pomar,
Escutei uma musa solfejar
Uma musica crida por Orfeu,
Estendi-me nos braços de Morfeu
Reclinei no seu busto a minha fronte,
Vi à noite enlutando o horizonte
Com saudade do dia que morreu.

Manoel Xudu

Eu também me achava esmorecido
Numa tarde perdido no deserto,
Sem achar um amigo ali por perto
Que indicasse por onde eu tinha ido,
Quando o bravo leão deu um rugido
Que o bosque da serra estremeceu,
Mas o manto de Deus se estendeu
Parecendo a varanda de uma ponte,
Vi à noite enlutando o horizonte
Com saudade do dia que morreu.

* * *

Pedro Bandeira

Atendi ao pedido do Juiz
Mas a nossa polêmica continua,
Pra você minha volta vai ser crua
Encomende-se a Deus pra ser feliz,
Se é mesmo um poeta como diz
Mostre aqui sua personalidade,
Se vier com mentira e vaidade
Entra grande na luta e sai pequeno,
Nunca mais quer entrar no meu terreno
Sem primeiro pedir-me a liberdade.

Manoel Xudu

Eu não vim procurar inimizade
Com você seus irmãos e outros mais,
Mas se quer destruir o meu cartaz
É perdida de vez sua vontade,
Com poeta de toda qualidade
No Nordeste eu tenho combatido,
No Brasil o meu nome é conhecido
Desde o Norte ao Sul Leste e Oeste,
Quem meter-se comigo a fazer teste
Leva pau perde o jeito e sai vencido.

Pedro Bandeira

Vou coser sua boca e um ouvido
Dou-lhe um murro na cara estoura os pés,
Cantador do seu jeito eu dou em dez
Só enquanto mamãe troca um vestido,
Fuxiqueiro insultante e desconhecido
Atrasado sem luz e sem valor,
Decoreba perverso e traidor
Beberrão de latada e pé de serra,
Volte e digas chorando em sua terra
Que agora encontrou superior.

Manoel Xudu

Repentista se enche de pavor
Quando ouve meu verso e meu baião,
Sente logo tremer o coração
Gela o sangue, o rosto muda a cor,
Em martelo eu sou raio abrasador
Cantador sendo fraco eu dou em cem,
A pancada que dou é como o trem
Um gigante pra mim inda é pequeno,
Cascavel que eu pegar perde o veneno
Só me curvo a Deus e a mais ninguém.

Pedro Bandeira

Otacílio Batista canta bem
Lourival é o rei do trocadilho,
Zé Faustino morreu deixou seu filho
Clodomiro não perde pra ninguém,
Dr. Dimas um título também tem
Pinto velho é o rei do Pajeú,
Louro Branco e Moacir no Iguatu
Os Irmãos Bernardino se deleitam,
Todos esses poetas me respeitam
Quanto mais uma égua como tu.

DEU NO JORNAL

UMA COISA TEM LIGAÇÃO DIRETA COM A OUTRA

O Prêmio Ranking dos Políticos listou 30 deputados e 5 senadores com melhores desempenhos considerando votações, presença e gastos da cota parlamentar.

E uma curiosidade salta aos olhos:

Nenhum é do PT.

* * *

Isto não é bem uma curiosidade.

Isto é um fato já esperado.

Uma consequência direta.

Se é parlamentar do PT, integrante de um bando comandando por Lapa de Corrupto, não pode ter um desempenho decente.

É só observar, por exemplo, o comportamento dos canalhas Paulo Pimenta, Maria do Rosário e Gleisi Hoffmann.

Que são conhecido na lista de propinas da Odebrecht, respectivamente, pelos  codinomes de Montanha, Solução e Amante.

PERCIVAL PUGGINA

O ESTRANHO VOTO DE TOFFOLI

Tenho certeza de que a atenção com que acompanhei o voto de Toffoli na questão das investigações que usassem relatório do ex-COAF e da Receita Federal, superou a prestada pela maior parte de seus pares.

Da atual composição do STF nada de bom se pode esperar, como os fatos vêm demonstrando. Por isso, meu temor de que também nesse conjunto importante de atribuições, sem as quais se suprimem meios do combate ao crime organizado e o terrorismo, o Supremo se mantivesse na trilha errada da leniência e da impunidade. Pergunto: não fora esse o rumo seguido por Dias Toffoli quando chamou a si todos os documentos produzidos e mandou sustar as investigações sobre Flávio Bolsonaro e, também, as que talvez incluíssem ou tangenciassem a ele, Toffoli? Que outra jogada de mestre poderia sair dali, no voto do Presidente da corte? Então, olho na tela da TV.

De início chamou-me a atenção o tom sisudo com que lia suas páginas. Em longas pausas, seu cenho franzido se voltava a seus pares. Talvez lhe parecesse que aquele olhar sério desse testemunho de sua seriedade. No entanto, o ministro obviamente estava se explicando, fazendo uma vigorosa defesa dos direitos que poderiam ser maculados sempre que os dados não fossem submetidos a rigorosos controles (provavelmente como estavam ou estariam quando recolhidos por ele).

E o ministro falou, falou, falou, um dia inteiro, até que não lhe restasse, se não, um fio de voz. Periodicamente combatia uma imprecisa “lenda urbana” que deveria ser entendida como sinônimo de assacadilha a respeito das idas e vindas de sua conduta no caso. No final, o voto ficou tão confuso quanto os fatos nele narrados e os instáveis fundamentos utilizados. O olhar, sisudo, em prolongados silêncios, seguia seu roteiro pelas duas fileiras de poltronas onde sentam os ministros. Misteriosa sisudez, como que a mandar recados com a expressão facial…

É coisa sabida que o ministro não tem socorro de muitas luzes. Chegou à presidência por força do rodízio rotineiro. Seu desempenho no cargo está marcado por providências tomadas com forte viés autoritário. Valendo-se da maioria de ocasião formada quando ele próprio inverteu sua opinião sobre a questão, afrontou a nação pondo em pauta a prisão após condenação em segunda instância. Foi ele que mandou apreender a edição da revista Crusoé e do site O Antagonista após publicarem matéria que o atingia. Foi ele que instaurou um tribunal de exceção para o qual contou com a colaboração do ministro Alexandre de Moraes.

Em 20 de novembro, coube-lhe proferir o voto com menos pé e ainda menos cabeça de que se tem notícia. A frase do colega Roberto Barroso (“tem de chamar um professor de javanês”) e a resposta de Edson Fachin ao repórter que lhe pediu opinião sobre o voto que ouvira (“Tem uma pergunta mais fácil?”), sintetizam um dos dias mais desperdiçados no ano judiciário.

DEU NO JORNAL

TEMPO PERDIDO

O STF tirou Lula da cadeia, mas ele continua preso ao passado.

Na reunião do PT, ele citou os seguintes candidatos para 2020:

Em São Paulo, Marta Suplicy; no Rio de Janeiro, Benedita da Silva; em Belo Horizonte, Patrus Ananias; em Porto Alegre, Tarso Genro e Olívio Dutra.

* * *

Prestar atenção ao que Lula fala é um tempo tão perdido quanto ler a defesa que o colunista Goiano faz dele.

É igual dar conselho doido e ensinar bom caminho pra rapariga: pura perda de tempo.

Taqui um exemplo irrefutável: 

Comentário feito hoje por Goiano aqui no JBF:

“Às vezes é preferível tomar um chute bem no meio do saco do que ler tanta bobajada: terrorismo? ladrão? assassino? corno? Só mesmo na cabeça de bosta dos seguidores do presidente Jair Messias Bolsonaro e de suas ideias burras, retrógradas e ignorantes, só faltando agora que os comentários a seu dele respeito comecem a aparecer em Inglês para gáudio de Trump. Quem não viu as provas de que Lula, um dos melhores presidentes que já tivemos, foi julgado de maneira irregular é mais cego do que o cu de um gambá e devia ser expulso do grupo seleto de leitores do Jornal da Besta Fubana, o que requeiro, e ir ler porcarias como O Antagonista e parar de me encher a porra do saco aqui, porra.”

É mole ou querem mais?

Goiano escreveu isto e assinou embaixo.

Vou repetir:

Levar isto a sério é igual dar conselho a doido: pura perda de tempo.

AUGUSTO NUNES

A GLOBO NOTICIA EM SURDINA A IMPLOSÃO DA MENTIRA QUE DIVULGOU COM ESTARDALHAÇO

Globo, jornalismo sem compromisso com a verdade

Os primeiros segundos do Jornal Nacional de 29 de outubro incorporaram o presidente da República ao elenco dos envolvidos na trama que resultou na execução de Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes. Em dois depoimentos à polícia civil do Rio, informou o apresentador, o porteiro do condomínio onde vivia Jair Bolsonaro contara que, no dia da morte da vereadora, um dos assassinos estacionou seu carro na entrada e pediu autorização para visitar a casa do então deputado federal.

De acordo com o depoente, a entrada foi liberada pelo interfone por “seu Jair. Ao notar que o visitante rumara diretamente para o endereço do segundo acusado pelo assassinato, o porteiro ligou de novo para “seu Jair”, que renovou a autorização. A segunda notícia lida pelos apresentadores colidiu frontalmente com a primeira: fotos e anotações colhidas pelos repórteres da Globo constataram que Bolsonaro passara aquele dia em Brasília, e estava no Congresso quando o porteiro imaginava conversar com “seu Jair”.

Constatado o irremovível impedimento geográfico, um editor sensato teria poupado os espectadores da invencionice insustentável. “Falso testemunho de porteiro tenta envolver Bolsonaro no caso Marielle”, teria informado o JN. O protagonista da história mal contada, evidentemente, não era Bolsonaro. Era o funcionário do condomínio que declamara duas vezes uma fantasia tão crível quanto um álibi de Lula.

Escrevi 124 reportagens principais da revista Veja. Jamais desperdicei títulos ou parágrafo iniciais com inverdades. Diretor de redação de quatro jornais e três revistas, monitorei a montagem de quase 10.000 primeiras páginas e capas. Nunca permiti que qualquer mentira virasse manchete. Escapei de naufrágios superlativos por saber que a soberba é uma parceira perversa, que desaconselha a partilha de decisões com tripulantes experientes.

Se me coubesse a palavra final, suspenderia a publicação da reportagem até decifrar o estranho comportamento do porteiro. O diretor de Jornalismo da Globo achou que merecia outra nota 100. Ou achava até esta terça-feira, quando se conheceu o teor do novo depoimento prestado pelo errático guardião do condomínio. Agora ouvido pela Polícia Federal, o informante garantiu que não aconteceu nada do que jurou ter acontecido em dois interrogatórios.

Naquele dia, nenhum visitante pediu autorização para dirigir-se à casa de Bolsonaro. Não houve conversa alguma com “seu Jair”. As anotações no livro de registros certamente foram ditadas pelo cansaço mental. Tudo somado, o depoimento avisa que o Jornal Nacional assustou o Brasil amparado numa fantasia costurada para instalar o presidente na cena do crime.

Atropelada pela certeza de que iludira a plateia, a Globo consultou a cartilha do jornalismo sem compromisso com a verdade. E registrou em surdina, com a discrição de uma carmelita descalça, a implosão da mentira que noticiou com o estardalhaço de quem torce para que aconteça o que lhe convém.