PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

CONCEIÇÃO 63 – Orlando Tejo

Rua da Conceição, sessenta e três
(a artéria tem o ar de um cais comprido)
aqui, anos sem fim tenho vivido
buscando a infância azul que se desfez.

Talvez seja isso um sonho, mas talvez
este meu velho abrigo tenha sido
da mesma argila minha construído,
porque é a mesma a nossa palidez

Ele a mim se assemelha: é ermo e triste.
no jardim, no quintal, no chão, no teto
em tudo a mesma semelhança existe.

No tempo, entanto, aos céleres arrancos,
o seu telhado vai ficando preto
e os meus cabelos vão ficando brancos.

Colaboração de Pedro Malta

DEU NO JORNAL

O POVO QUE ELE FUDEU

Lula disse que, na cadeia, aliviava-se pensando que o povo estava mais fodido do que ele:

“Quando você está preso, que você tem que dominar seu ódio, tudo se resolvia em dizer: ‘O povo está mais fodido que eu’. Quando me dava um desespero, eu pensava que eu vivia melhor que 70% do povo brasileiro. Eu fazia meu café, fazia meu café de boa qualidade. Todo mundo gostava do meu café. Comia minha marmitinha de isopor, mas melhor que o povo estava comendo. O meu alívio era isso: o povo está fodido, esse governo está acabando com o povo.”

É isso mesmo?

O ex-presidiário sentia alívio ao pensar que estavam acabando com o povo?

* * *

É.

É isso mesmo.

Vindo desse pulha, toda cagada oral é possível.

Por mais incrível, abjeta, absurda, surrealista e escrota que ela seja.

A cabeça de Lapa de Corrupto é uma fossa fedorenta, poluída e entupida com o pior excremento que possa existir na natureza.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

MAIS UM

O ex-governador de Minas Fernando Pimentel, do PT, foi condenado pela Justiça Eleitoral de Belo Horizonte a 10 anos e 6 meses de prisão por tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Pimentel cometeu os crimes entre 2011 e 2014, quando foi ministro do Desenvolvimento durante o governo de Dilma Rousseff.

* * *

Mais um petralha tomando uma bimba no furico.

A fila aumenta a cada dia que passa.

Quando é que vai chegar a vez da Vaca Peidona?

Larápio das Alterosas, Lapa de Corruto e Vaca Peidona: um trio de bandidos vermêio-istrelados de alta patente

FALA, BÁRBARA !

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ENTERRADO VIVO?

Sempre afirmei que a defesa do ex-presidente Lula, feita de forma irracional por diversos políticos, tinha por objetivo primeiro salvar mandatos próprios. Em Pernambuco, por exemplo, dois candidatos a governo se esforçavam para mostrar a população que era o preferido do ex-presidente. Insisto em dizer que isso continua vivo na cabeça de cada um desses políticos. Sem o apelo de Lula eles não possuem votos suficientes. Gleisi desistiu do senado, embora a PF continuasse “fungando no seu cangote”, para obter 230 mil votos (pode? No Paraná?) e tentar garantir foro privilegiado. Muitos outros, como Lindbergh Farias, perderam o posto.

No meu entender Lula, hoje, se assemelha em tudo por tudo ao famoso Quincas Berro D´Água retratado genialmente por Jorge Amado. Um funcionário público que um dia passa a viver de farras e de cachaça e numa venda vê um copo que acreditava ser cachaça, mas quando vai tomar dá um berro “Águaaaaaaaa” e daí seu apelido. Morto, os amigos de farra chegam ao velório e acreditaram que ele estava sorrindo. Os caras pegam Quincas, defunto, e vão de bar em bar para uma noitada. Isso é Lula. Um morto-vivo carregado num andor por um grupo, bem reduzido, de pessoas que vivem no seu entorno acreditando no milagre da multiplicação dos votos. Pessoas com interesses próprios que fazem, cegamente, o que ele ordenar. Haddad, por exemplo, é o caixão deste Quincas.

Escuta-se, bem baixinho, as queixas de integrantes do PT às decisões de Lula. Nenhum tem coragem de falar publicamente sobre a necessidade de o partido reconhecer os erros porque isso não passa na cabeça de Lula que já declarou, após sua soltura, que o “PT não vai fazer autocrítica.”Ou seja, pedir desculpas e reorganizar as ideias, nem pensar! Para ele o PT não errou. Ele não errou. Os três tesoureiros presos não erraram. Dirceu, Palocci, Dilma e etc. não erraram. Quem errou foi Sérgio Moro. Foi a força tarefa da Lava Jato que desbaratou a quadrilha que roubava descaradamente este país. Quem errou foi o STF, acovardado, que levou 580 dias para lhe tirar da cadeia e está demorando muito a anular sua condenação para lhe capacitar a ser candidato em 2022.

O efeito Lula se dilui no tempo, muito disso devido ao discurso não renovado pela evolução. Antes valia a pena inflamar a massa prometendo combate a corrupção. Hoje, o partido está impregnado como o grande responsável pela corrupção no Brasil por dois grandes escândalos: mensalão e petrolão, pescado pela Lava Jato com o envolvimento de outros países da America Latina como Peru (cinco ex-presidentes presos e um suicídio), Paraguai (ex-presidente considerado foragido), Argentina (Cristina Kirchenner), e vai por aí. Era importante inflamar a massa com promessas de geração de empregos, mas como fazer isso agora se eles próprios geraram 13 milhões de desempregados no país? Não consigo entender como as pessoas esquecem os indicadores econômicos do governo Dilma! E o que mais me choca é ver professores de economia defender um desgoverno tão grande.

Além de disso, as preferências de votos do PT sempre ficaram em torno dos 33% – 35% e a costura para vitória agregava gregos e troianos. De Renan Calheiros, que levava parte do MDB (Henrique Alves, Jucá, etc.) para o governo, até Pedro Correia, que levava o PP. No resto ficavam os partidos de esquerda menores que elegem representantes graças ao coeficiente eleitoral. Resta a Lula procurar abrigos nesses partidos e se aliar novamente com Renan, Valdemar da Costa Neto, Roberto Jefferson, para citar alguns e ir para rua falar em combate a corrupção. Terá coragem?

Provavelmente, porque por um projeto de poder ele se aliou a Paulo Maluf. A guerra declarada com Ciro Gomes vai produzir das duas uma: o PDT se alia ao PT e Ciro busca outro caminho para sua peregrinação ou PDT busca inovar num discurso que nunca fez e Ciro fica em 3º ou 4º lugar na disputa eleitoral. Ele promete que em 2022 será sua última disputa. Isso é um sinal de que o discurso da esquerda não tem mais crédito. Não acredito que ninguém de esquerda seja capaz de obter votos da maioria desse país.

O resumo da ópera é simples: Lula, como líder, já não tem mais esse reconhecimento. Os aplausos recebidos de alguns políticos internacionais vieram pelo que ele foi e não pelo que é. As pessoas que estão a sua volta já perceberam que o caixão de Quincas é bem pesado e, dentro em breve, estarão acendendo vela para outro defunto. Cabe a ele decidir o momento de parar.

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

IDIOMA NOVO: TOFFOLÊS

Josias de Souza

Relator do caso sobre o compartilhamento de dados sigilosos dos órgãos de controle, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, alcançou uma proeza rara. Pronunciou um dos mais longos votos da centenária história da Corte —mais de quatro horas de pregação. E não foi compreendido nem pelos companheiros de toga. Toffoli expressou-se num idioma muito parecido com o português, só que muito mais confuso: o toffolês.

Quem conseguiu ouvir toda a explanação de Toffoli sem cochilar ficou com a impressão de que ele votou a favor da imposição de condições para o compartilhamento de dados sigilosos sem autorização judicial.

O ex-Coaf, rebatizado de UIF, não poderia entregar aos investigadores senão dados genéricos. Detalhamentos, só com autorização judicial. A continuidade dos inquéritos congelados desde julho —o de Flávio Bolsonaro e outras 935 investigações— ficaria condicionada a uma análise caso a caso.

As restrições seriam ainda maiores para a Receita Federal. Após apalpar os dados enviados pelo Fisco, o Ministério Público seria obrigado a comunicar imediatamente a abertura de uma investigação ao juiz, que supervisionaria o inquérito.

As explicações soaram claras como a gema. Munidos de todas as informações transmitidas por Toffoli, os repórteres tiraram suas próprias confusões. E foram constrangidos a cercar o orador no início da noite para pedir-lhe que trocasse em miúdos o voto que começara a ler no expediente da manhã.

“Em relação ao Coaf, pode sim compartilhar informações”, declarou Toffoli. “Mas ele é uma unidade de inteligência. O que ele compartilha não pode ser usado como prova. É um meio de obtenção de prova.” Ora, ora, ora. Então, não haveria nada de novo sob o Sol, pois a coisa já funciona exatamente assim.

Mais tarde, em novo esforço de tradução do toffolês para o português, o gabinete de Toffoli informou que, no caso do Coaf, não há novas limitações. Como assim? Considerando-se que os relatórios produzidos pelo órgão não incluem documentos detalhados, poderiam continuar circulando no formato atual.

Se é assim, por que diabos o descongelamento do inquérito contra Flávio Bolsonaro e os outros 935 dependeriam de análises posteriores? Nada foi dito sobre esse paradoxo.

No voto, Toffoli dissera que o Ministério Público não poderia, em hipótese nenhuma, “encomendar relatórios” ao Coaf. Na tradução do gabinete, procuradores e promotores podem requisitar complementos de informações recebidas do Coaf.

Toffoli repetiu várias vezes a expressão “lenda urbana”. Fez isso, por exemplo, ao assegurar que o julgamento iniciado nesta quarta não tem nada a ver com Flávio Bolsonaro.

O relator reiterou a doutrina Saci-Pererê ao sustentar que a liminar que concedera em julho, a pedido da defesa do primogênito de Jair Bolsonaro, havia paralisado “poucos processos”. Faltou explicar por que considera o congelamento de 935 inquéritos pouca coisa.

Alguns ministros esforçaram-se para reprimir um sorriso interior enquanto ouviam Toffoli. Com a ironia em riste, um dos colegas de presidente do Supremo referiu-se ao voto dele como “uma grande homenagem ao Dia da Consciência Negra.”.

Num flerte com o politicamente incorreto, o ministro declarou: “O voto do relator foi um autêntico samba do crioulo doido”.

Vivo, Sérgio Porto, o magistral criador do samba, discordaria. Seu crioulo entoou: “Joaquim José / Que também é / Da Silva Xavier / Queria ser dono do mundo / E se elegeu Pedro II”. Não dizia coisa com coisa. Mas era taxativo.

Dias Toffoli, por gelatinoso, terá de explicar-se novamente diante dos seus pares nesta quinta-feira, pois vários deles foram dormir ruminando dúvidas sobre o voto de dimensões amazônicas.

DEU NO JORNAL

CHARGE DO SPONHOLZ