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A NOBREZA FAKE

Guilherme Fiuza

A reação exasperada do presidente Jair Bolsonaro, em vídeo, à notícia que o envolvia na investigação do assassinato de Marielle provocou outras reações exasperadas. Ainda antes da declaração do Ministério Público do Rio de que o porteiro havia mentido, vozes civilizadas clamaram por compostura no exercício da presidência da República. De fato, compostura é sempre bom.

Então vejamos como ela vai (a compostura). A melhor forma de aferir isso é observar os personagens que representam indiscutivelmente a civilidade, a educação e as boas maneiras – enfim, a compostura. Destacamos a seguir alguns dos expoentes do comportamento impecável e suas ações mais recentes:

Emmanuel Macron

Presidente da França, um dos principais centros da civilização ocidental, Macron atraiu para si as atenções internacionais nos últimos meses espalhando fake news sobre a Amazônia, incluindo premissas cientificamente absurdas e fotografias com datas falsas. Ele queria tentar isolar o Brasil diplomaticamente – com todas as consequências graves para o povo brasileiro – para fingir que estava combatendo o nazifascismo. Emanuel Macron é um hipócrita que não perde a linha.

Fernando Henrique Cardoso

Sociólogo, ex-presidente da República, nunca foi visto dizendo um palavrão em público. Sua ação mais notada nos últimos tempos foi um apelo na TV para que Sergio Moro, principal símbolo do combate à corrupção no Brasil, renunciasse ao cargo de ministro da Justiça – no qual vem anunciando a queda de absolutamente todos os índices de criminalidade. Fernando Henrique quis com isso alimentar uma das muitas crises artificiais criadas diuturnamente no Brasil contra Moro e Paulo Guedes para tentar desestabilizar o governo ao qual faz oposição sistemática, predisposta, conspiratória e burra – tentando inclusive fingir que o contingenciamento de verbas para educação significava um garrote obscurantista. É a compostura que passarinho não bebe.

João Dória

Empresário educado e articulado, atual governador de São Paulo, de estampa bem cuidada sem nenhum fio de cabelo desgarrado da maioria, tem se destacado por seus movimentos arrojados para conciliar Alexandre Frota e Fernando Henrique Cardoso em nome da resistência democrática e civilizatória. Eleito na chamada onda “bolsodória”, o governador passou a atacar o presidente no dia seguinte – valendo defender as girafas da Amazônia contra o incêndio fascista e fazer coro com a politicagem petista da OAB contra Sergio Moro. Está chocado com as maneiras rudes do presidente e levou Alexandre Frota para o PSDB como esperança de civilidade e gentileza.

Armínio Fraga

Economista brilhante, ex-presidente do Banco Central, ajudou a salvar o Plano Real de uma de suas piores crises. Homem altamente polido e atencioso, de sólida bagagem intelectual, tem usado suas credenciais para tentar sabotar o governo federal – insistindo em afirmar à imprensa nacional e estrangeira que o Brasil está vivendo um “retrocesso democrático”. A fundamentação da tese envolve uma mistura alegre e descontraída dos bordões supracitados – incluindo as fake news amazônicas e educacionais que arrebentaram nas paradas da resistência cenográfica em 2019. Armínio Fraga só desarma sua simpatia e urbanidade para fazer cara de nojo para a agenda reformista que ele sempre defendeu – mas que agora não serve mais. Com todo esse rigor e compostura, em 1999 ele teria deixado o Brasil valendo 1,99.

Faça você mesmo os verbetes dos demais lordes e ladies da nobreza nacional – esses que têm usado sem parcimônia sua sofisticação para tentar sabotar a reconstrução do país em nome da mais ordinária politicagem.

A moral da história – e bota moral nisso – é a seguinte: o homem comum votou exatamente contra essa afetação virtuosa que lhe passou a mão no traseiro (aguenta firme e sobe o som do churrasco) em nome da democracia – a democracia particular dos humanistas de butique. Assim que a compostura deixar de ser contrabando de cinismo, os modos no salão melhoram imediatamente. Façam essa experiência, senhoras e senhores, não vai doer nada.

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COM A PALAVRA AS ZISQUERDAS DEMOCRÁTICAS E ANTI-FASCISTAS

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O “ADEUS” DE TERESA – Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa…

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos… sec’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
…Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — “Voltarei! … descansa! …”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei… era o palácio em festa! …
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! … Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa! …

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

Colaboração de Pedro Malta

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PENSANDO, MATUTANDO…

A Polícia Rodoviária Federal no Paraná passará a usar um carro Dodge Challenger RT no patrulhamento.

No Twitter, Jair Bolsonaro afirmou que o veículo foi apreendido em uma operação contra o narcotráfico e cedido para a PRF.

“Com agora Lei 13886/19, que AGILIZA a venda e a utilização dos bens apreendidos do tráfico e permite imediato uso do dinheiro decorrente, veremos muito mais casos como este.”, escreveu o presidente.

* * *

Depois que li esta notícia, eu fiquei aqui pensando, matutando…

Quando o sítio e o triplex forem apreendidos, passarão a ser patrimônio público em benefício dos contribuintes.

Igual a esse carro aí da foto, que foi destinado à Polícia Rodoviária Federal.

Aí eu iria passar férias no Guarujá no verão.

Ou assar churrasco em Atibaia nos finais de semana.

“Pode vim praqui pro sítio, cumpanhero editô. Já tá tudo pago”

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

ESPINHEIRA DANADA

Comentário sobre a postagem O PROJETO DE UM BRASIL VITORIANO

Beradero:

Não temais nobre Goiano.

A furunfência, o deboche, o êxtase orgástico e a gaiatice estão garantidas.

Nada de épocas vitorianas!

Nada para mais o desbunde, o esculacho, o hedonismo.

Respiramos!

Graças ao nosso presidente que não renega o avanço da tecnologia.

Elegeu-se com as redes sociais.

Para espanto e desespero da grande mídia.

O que ocorre é o desmame da bezerrada de gravata de quem falava Duduca e Dalvan. (Espinheira, já ouviu?)

E cabe todos no trem do avanço, da liberdade e do sucesso.

A não ser que não queiras embarcar.

É direito seu, mas ficaremos tristes perder um talento tão precioso.

* * *