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AUGUSTO NUNES

FALTA CAMISA DE FORÇA

Dilma acha que Bolsonaro já ressuscitou o AI-5 e prepara uma versão piorada do Estado Novo

“Além das pautas neofascistas, a extrema direita defende a retirada de direitos e de garantias ao trabalho e à aposentadoria; as privatizações desnacionalizantes das empresas públicas e da educação universitária”.

Dilma Rousseff, garantindo com exemplos de hospício que o AI-5 foi ressuscitado por Jair Bolsonaro.

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A NOBREZA FAKE

Guilherme Fiuza

A reação exasperada do presidente Jair Bolsonaro, em vídeo, à notícia que o envolvia na investigação do assassinato de Marielle provocou outras reações exasperadas. Ainda antes da declaração do Ministério Público do Rio de que o porteiro havia mentido, vozes civilizadas clamaram por compostura no exercício da presidência da República. De fato, compostura é sempre bom.

Então vejamos como ela vai (a compostura). A melhor forma de aferir isso é observar os personagens que representam indiscutivelmente a civilidade, a educação e as boas maneiras – enfim, a compostura. Destacamos a seguir alguns dos expoentes do comportamento impecável e suas ações mais recentes:

Emmanuel Macron

Presidente da França, um dos principais centros da civilização ocidental, Macron atraiu para si as atenções internacionais nos últimos meses espalhando fake news sobre a Amazônia, incluindo premissas cientificamente absurdas e fotografias com datas falsas. Ele queria tentar isolar o Brasil diplomaticamente – com todas as consequências graves para o povo brasileiro – para fingir que estava combatendo o nazifascismo. Emanuel Macron é um hipócrita que não perde a linha.

Fernando Henrique Cardoso

Sociólogo, ex-presidente da República, nunca foi visto dizendo um palavrão em público. Sua ação mais notada nos últimos tempos foi um apelo na TV para que Sergio Moro, principal símbolo do combate à corrupção no Brasil, renunciasse ao cargo de ministro da Justiça – no qual vem anunciando a queda de absolutamente todos os índices de criminalidade. Fernando Henrique quis com isso alimentar uma das muitas crises artificiais criadas diuturnamente no Brasil contra Moro e Paulo Guedes para tentar desestabilizar o governo ao qual faz oposição sistemática, predisposta, conspiratória e burra – tentando inclusive fingir que o contingenciamento de verbas para educação significava um garrote obscurantista. É a compostura que passarinho não bebe.

João Dória

Empresário educado e articulado, atual governador de São Paulo, de estampa bem cuidada sem nenhum fio de cabelo desgarrado da maioria, tem se destacado por seus movimentos arrojados para conciliar Alexandre Frota e Fernando Henrique Cardoso em nome da resistência democrática e civilizatória. Eleito na chamada onda “bolsodória”, o governador passou a atacar o presidente no dia seguinte – valendo defender as girafas da Amazônia contra o incêndio fascista e fazer coro com a politicagem petista da OAB contra Sergio Moro. Está chocado com as maneiras rudes do presidente e levou Alexandre Frota para o PSDB como esperança de civilidade e gentileza.

Armínio Fraga

Economista brilhante, ex-presidente do Banco Central, ajudou a salvar o Plano Real de uma de suas piores crises. Homem altamente polido e atencioso, de sólida bagagem intelectual, tem usado suas credenciais para tentar sabotar o governo federal – insistindo em afirmar à imprensa nacional e estrangeira que o Brasil está vivendo um “retrocesso democrático”. A fundamentação da tese envolve uma mistura alegre e descontraída dos bordões supracitados – incluindo as fake news amazônicas e educacionais que arrebentaram nas paradas da resistência cenográfica em 2019. Armínio Fraga só desarma sua simpatia e urbanidade para fazer cara de nojo para a agenda reformista que ele sempre defendeu – mas que agora não serve mais. Com todo esse rigor e compostura, em 1999 ele teria deixado o Brasil valendo 1,99.

Faça você mesmo os verbetes dos demais lordes e ladies da nobreza nacional – esses que têm usado sem parcimônia sua sofisticação para tentar sabotar a reconstrução do país em nome da mais ordinária politicagem.

A moral da história – e bota moral nisso – é a seguinte: o homem comum votou exatamente contra essa afetação virtuosa que lhe passou a mão no traseiro (aguenta firme e sobe o som do churrasco) em nome da democracia – a democracia particular dos humanistas de butique. Assim que a compostura deixar de ser contrabando de cinismo, os modos no salão melhoram imediatamente. Façam essa experiência, senhoras e senhores, não vai doer nada.

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COM A PALAVRA AS ZISQUERDAS DEMOCRÁTICAS E ANTI-FASCISTAS

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O “ADEUS” DE TERESA – Castro Alves

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus…
E amamos juntos… E depois na sala
“Adeus” eu disse-lhe a tremer co’a fala…

E ela, corando, murmurou-me: “adeus.”

Uma noite… entreabriu-se um reposteiro…
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus…
Era eu… Era a pálida Teresa!
“Adeus” lhe disse conservando-a presa…

E ela entre beijos murmurou-me: “adeus!”

Passaram tempos… sec’los de delírio
Prazeres divinais… gozos do Empíreo…
…Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse — “Voltarei! … descansa! …”
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: “adeus!”

Quando voltei… era o palácio em festa! …
E a voz d’Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei! … Ela me olhou branca… surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa! …

E ela arquejando murmurou-me: “adeus!”

Colaboração de Pedro Malta

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PERCIVAL PUGGINA

OS PARTIDOS DAS SOMBRAS

Há em nosso país um excesso de partidos políticos. Eles são em número muitas vezes superior às disponibilidades num leque ideológico e ao de minorias cobrando representação. Partidos de mais, ideias de menos – eis aí uma das muitas idiossincrasias que embaraçam as deliberações políticas no Brasil. Qualquer pessoa que assista a uma sessão deliberativa da Câmara dos Deputados perceberá, por certo, o tempo consumido por 25 bancadas diferentes, com prerrogativas regimentais, em repetitivas manifestações! Esse número, é bom saber, pode aumentar muito porque existem outras sete legendas sem representação parlamentar, e mais 71 coletando filiados para cumprir formalidades e obter registro.

Não podemos esquecer, porém, da existência dos poderosos partidos das sombras. Eles não têm sigla nem número, não aparecem nas listas de votação, mas desenvolvem ações que servem a interesses partidários. Sua ação política é valiosíssima para aqueles a quem servem por vias indiretas e influencia fortemente a vida nacional.

Refiro-me, por exemplo, ao que se poderia chamar partido do Estado. Ele age silenciosamente no interior do imenso aparelho estatal, com foco na defesa dos interesses corporativos. Identificam-se, por isso, com todos os partidos estatistas; sentem-se protegidos quando eles ocupam o poder, o que os leva a uma fidelidade exemplar. O rombo de R$ 48 bilhões (1) aberto durante as gestões petistas nos fundos de pensão das estatais (Petros, Previ, Funcef, Postalis), obrigando assistidos, contribuidores e patrocinadores a aportes adicionais ao longo das próximas décadas não foi suficiente para suscitar a mais tênue recriminação no interior do partido do Estado!

Funciona também, poderoso, o partido das Igrejas. Um deles tem sua atuação centralizada na CNBB e o outro nas evangélicas. Enquanto este último assume sua condição política e adota legendas inteiras, aquela nega fazer o que faz, embora faça à vista de todos através de suas pastorais, CEBs, documentos, cartilhas e Teologia da Libertação. É um jogo bem ensaiado. Graças a esse ensaio e longa tradição, você nunca ouviu a CNBB criticar o PT, nem o PT criticar a CNBB, embora as posições do PT e partidos de esquerda sobre temas atinentes diretamente à moral cristã devessem sugerir um aberto antagonismo. Sempre que se trata desse assunto, é bom lembrar que a Conferência congrega os bispos com atribuições de órgão de serviço, mas não se confunde com a instituição Igreja Católica Apostólica Romana.

Partidos das sombras têm a ver com o poder político real. Dispõem de permanência e vitalidade próprias. Uma ampla visão dessa realidade foi proporcionada pelo partido da mídia logo após a posse do governo eleito em 2018. Os primeiros dois ou três meses de 2019, enquanto os partidos de oposição, destacadamente o PT, se aprumavam da fragorosa derrota imposta pelas urnas, coube quase exclusivamente ao partido da mídia agir como porta-voz da oposição, sem conceder ao vencedor um único minuto para desfrutar a vitória.

O que mais impressiona nesses e noutros partidos das sombras é a pretensão, assumida por quase todos, de agir sem que sejam seus movimentos identificados pela sociedade.

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