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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A UM DESEMBARGADOR QUE PRENDEU UM INOCENTE E SOLTOU UM LADRÃO – Gregório de Matos

Senhor Doutor, muito bem-vindo seja
A esta mofina e mísera cidade,
Sua justiça agora e equidade,
E letras com que a todos causa inveja.

Seja muito bem-vindo, porque veja
O maior disparate e iniquidade,
Que se tem feito em uma e outra idade
Desde que há tribunais e quem os reja.

Que me há de suceder nestas montanhas
Com um ministro em leis tão pouco visto,
Como previsto em trampas e maranhas?

É ministro de império, mero e misto,
Tão Pilatos no corpo e nas entranhas,
Que solta a um Barrabás e prende a um Cristo.

Colaboração de Pedro Malta

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CHARGE DO SPONHOLZ

FALA, BÁRBARA !

CHARGE DO SPONHOLZ

ALEXANDRE GARCIA

A PALAVRA DO EDITOR

FECHANDO O DIA

São 5 da tarde.

O dia hoje foi cheio.

Fui pro interior, onde participei do Festival Literário de Catende, e voltei do interior.

Tô um caco!!!

Vou me refazer, vou descansar e prometo que amanhã, quinta-feira, esta gazeta escrota será atualizada normalmente.

Abraços pra vocês todos e até lá!

ALEXANDRE GARCIA

ENTRE O SAMBA E TANGO

A Argentina que elegeu novo presidente pode ser um país distante para a maioria dos brasileiros, mas não para gaúchos, como eu. Na minha geração, o “Tico-Tico” não chegava à minha cidade, mas o “Billiken” vinha de trem. Ainda criança, eu me deliciava com as aventuras de Ocalito y Tumbita, e da Família Conejín. Ficava mais fácil ouvir a Rádio El Mundo, porque a Rádio Nacional chegava mal. Passei a infância lendo e ouvindo em espanhol as notícias sobre Perón. O “Tico-Tico” já desapareceu, mas o Billiken e a Argentina continuam vivos e atuantes. Cobri, pelo Jornal do Brasil, a morte de Perón e os anos de governo de sua viúva e vice-presidente, Isabelita – e chegaram a me confundir com o noivo “de la Señora”. Meus novos quadrinhos eram de Mafalda, do genial Quino, e do “Inodoro Pereyra, el renegau”. Todo gaúcho é também um gaucho, o pampa nos une.

Toda essa introdução foi necessária para mostrar que mesmo convivendo bem com a Argentina, é difícil entender os argentinos, porque tampouco eles se entendem. A maior revolução argentina foi no meio do século 19, sob o governo de Sarmiento. Foi um salto no ensino e uma transformação. Não é por nada que eles ganharam cinco prêmios Nobel. Temos nenhum. Essa é a causa do milagre que é a grandeza do país, a despeito pequenez de muitos de seus políticos. O caudilho General Perón separou os argentinos em peronistas e não-peronistas. Outro general, Galtieri ainda conseguiu uni-los na invasão das ilhas Malvinas, mas foi um fiasco.

Aqui no Brasil, os jornais dizem que a esquerda voltou ao poder. O peronismo não é esquerda nem direita; é populismo. Peron e Vargas são ideologicamente parecidos. Nacionalistas e populistas, com ações que podem ser rotuladas ora de direita, ora de esquerda, mas são apenas marcas de fantasia. O que aconteceu é que Cristina Kirchner, a vice, agora ganhou a imunidade do Senado tal como aqui o Supremo busca imunidade para quem tem dinheiro para continuar apelando depois de confirmada a condenação. Brasil e Argentina foram rivais por quatro séculos. Depois de Sarney e Alfonsín abrirem as respectivas centrais nucleares, foi embora a desconfiança.

Bolsonaro palpitou na campanha argentina apoiando Macri e criticando Fernandez. O argentino se meteu em assuntos internos do Brasil apoiando o Lula Livre ao visitar Lula. Agora o brasileiro se recusa a cumprimentar o vitorioso porque o argentino afirmou que a prisão de Lula é injusta, intrometendo-se no Judiciário brasileiro. Durante a guerra, que cobri, perguntei ao Presidente Figueiredo porque estava ajudando com peças a Força Aérea Argentina contra a Inglaterra. Ele me respondeu que a Argentina jamais deixaria de ser nossa vizinha e que a ilha inglesa está a 10 mil quilômetros. É um determinismo geográfico; estamos destinados a nos relacionar com o vizinho. Também é um determinismo econômico; estamos próximos demais para não negociarmos uns com os outros. A gente precisa entender o tango e suas tragédias, para entender os argentinos. E eles entender o espírito lúdico do samba, para nos aceitarem. É mais prático acertar.

DEU NO JORNAL

O BRASIL NO LIXO

Faveco Corrêa

O voto da Ministra Rosa Weber praticamente selou o destino de nossa Nação: o lixo. Seremos definitivamente o paraíso dos bandidos e corruptos, agora legalmente protegidos pelo manto da impunidade estendido pelo Supremo Tribunal Federal. A amiga de Dilma cumpriu sua promessa.

Não precisa bola de cristal para prever os votos de Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, que serão acompanhados, para nossa surpresa e estupefação, pelo decano Celso de Mello, que assim vai encerrar melancolicamente sua carreira na mais alta corte, execrado pela opinião pública como os outros integrantes da banda podre do Supremo, à qual acaba de se juntar.

Seremos o único país entre os 196 que fazem parte das ONU onde bandido condenado não vai para a cadeia.

Depois do manto da impunidade vem o tapete vermelho, cor muito adequada para encaminhar para a rua e para nosso convívio, com pompa e circunstância, grandes criminosos de carteirinha como Lula, o chefe da quadrilha, que terá no seu séquito, José Dirceu como porta bandeira, milhares de outros meliantes que serão abonados por esta revoltante decisão.

E com isso cai por terra a nossa esperança de transformar o Brasil em um país decente, como vinha tentando a Lava Jato, agora definitivamente sepultada para regozijo dos meliantes poderosos e cheios do dinheiro que roubaram e que, portanto, podem contratar os Kakay da vida e outros advogados famosos para apresentarem recursos e mais recursos, chicanas jurídicas para empurrar com a barriga os processos levando os crimes cometidos à prescrição.

Achei bizarro, para dizer o mínimo, o Presidente do STF tentando nos convencer, como disse na abertura dos trabalhos na semana passada, que o julgamento que se iniciava não tinha nada de pessoal, não tinha nada a ver com o Lula. Todos sabemos que estavam só esperando a hora oportuna para dar o bote e libertar a jararaca. Uma hipocrisia do tipo me engana que eu gosto, como se toda a sociedade que lhes paga os altos salários e as mordomias, fosse composta por um bando de energúmenos e imbecis alienados, entre eles os doutos desembargadores do TRF-4 e os Ministros do STJ que confirmaram as sentenças. Ficou provado que eles não entendem nada de direito.

O povo que se prepare e se proteja: vamos ter céu de tempestade, com raios e chuva de canivete por todos os lados. O demiurgo de Garanhuns já prometeu, em alto e bom som, nas entrevistas que deu, na suíte cinco estrelas que dispõe na Polícia Federal de Curitiba, que ele, o “pacificador” que inventou o “nós e eles”, vai percorrer o Brasil de Norte a Sul, de Leste a Oeste, já que dinheiro não lhe falta para estas viagens, tentando mais uma vez arregimentar em torno de suas falácias o exército de rotos e esfarrapados, a Armada Brancaleone que ele prometeu proteger e que acabou jogando mais fundo no poço da miséria. O Brasil é ou não é um dos campeões mundiais da desigualdade, que recrudesceu durante o império petista?

Esse sofisma de que a maioria dos Ministros do STF estão protegendo a Constituição decretando que criminosos condenados só podem ser presos depois da sentença transitar em julgado percorrendo todas as instâncias da justiça é papo para boi dormir. Sabe quando serão presos? Nunca.

Esse acesso virtuoso de proteção literal da Carta Magna é uma erupção recente. Não havia nada disso quando votaram, por quatro vezes, a favor da permissão da prisão dos condenados em segunda instância.

A Constituição era diferente naquela época?

E o Gilmar Mendes, ferrenho defensor da prisão em segunda instância, por que será que virou a casaca? Um mistério.

O fato é que o personagem mais odiado pela opinião pública se transformou em dono do Supremo. Arrasta consigo a consciência de vários de seus colegas que terminam por concordar com suas teses, por mais esdrúxulas que sejam. Como ele faz o que bem entende, virou dono do Brasil, E brevemente o será de Portugal, onde reside e tem grandes interesses empresariais.

Se o voto que estão dando for mesmo em defesa da Constituição, o professor Modesto Carvalhosa está coberto de razão: só uma nova Carta Magna salvará o Brasil.

É uma pena que este episódio lamentável esteja acontecendo justamente agora, quando o país dá seus primeiros passos no rumo do equilíbrio fiscal e da modernidade. A reforma da previdência é um marco aplaudido por todos, aqui e no exterior. Depois dela virão a reforma tributária e a administrativa, entre outras, além da colocação em prática do ambicioso e necessário programa de privatizações. É o Brasil reconquistando sua credibilidade. Credibilidade que o Supremo Tribunal Federal está apunhalando pelas costas.

Afinal, quem vai acreditar num país onde criminoso condenado não vai para a cadeia?