DEU NO JORNAL

COMBOIO FLUVIAL DE ANTAS VERMÊIAS-ISTRELADAS

Petistas comemoram aniversário de Lula com barqueata no Recife.

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O amontado de tabacudos embarcados passou aqui no fundo do apartamento onde moro, por onde corre serenamente o Rio Capibaribe.

A placa que pintei “Lula tá preso, babacas” dava pra ser lida nitidamente lá embaixo pelas antas vermêias.

Acendi 13 velas na intenção de que afundassem nas águas escuras e poluídas, para que ficassem todos lambuzados de lixo e de bosta.

Se não for atendido agora, espero ser atendido mais à frente.

No Oceano Atlântico, onde o Capibaribe despeja, e que está cheio do petróleo venezuelano.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ABRIGO CELESTE – Cruz e Sousa

Estrela triste a refletir na lama,
Raio de luz a cintilar na poeira,
Tens a graça sutil e feiticeira,
A doçura das curvas e da chama.

Do teu olhar um fluido se derrama
De tão suave, cândida maneira
Que és a sagrada pomba alvissareira
Que para o Amor toda a minh’alma chama.

Meu ser anseia por teu doce apoio,
Nos outros seres só encontra joio
Mas só no teu todo o divino trigo.

Sou como um cego sem bordão de arrimo
Que do teu ser, tateando, me aproximo
Como de um céu de carinhoso abrigo.

Colaboração de Pedro Malta

DEU NO JORNAL

STF, A VERGONHA E O MAL

José Maurício de Barcellos

Era ainda um estudante de direito quando, em meados da década de 1960, fui levado a frequentar o Supremo Tribunal Federal–STF pelas mãos dos meus velhos Mestres, todos conhecidíssimos dos gênios que lá pontificavam, os insignes juristas Orozimbo Nonato, Hahnemann Guimarães, Aliomar Balieiro, Adauto Lúcio Cardoso e outros que impressionaram e marcaram para sempre a alma e a carreira daquele jovem de vinte anos. A exemplar trajetória, a cultura, a erudição, a experiência, a honradez e o patriotismo daqueles homens que inundavam e preenchiam as salas, os salões e demais dependências do lindo Tribunal faziam daquela Corte o mais magnífico e transcendente templo do Direito e da Justiça. Para quem assim conheceu aquela instituição, constatar no que se transformou agora ou ver o povo nas ruas chamá-la de “vergonha nacional” é doído, é inaceitável. Dá vontade, como diria o grande dramaturgo Nelson Rodrigues: de “sentar no meio fio e chorar lágrimas de esguicho”.

Naquela época não passaria pela cabeça de ninguém que nossa Suprema Corte um dia poderia chegar a ter todos os seus ministros indicados por Presidentes da República, acusados, indiciados, condenados ou presos pela própria Justiça do País. Quem quer fosse do povo jamais imaginaria que alguns dos magistrados do STF tivessem uma trajetória de vida no mínimo vergonhosa e comprometida com o crime do colarinho branco; umbilicalmente ligada à corrupção na coisa pública ou “fundamentalistamente” veiculada às espúrias ideologias e o que é mais lamentável, publicamente prestigiados e incensados por um Judiciário de joelhos.

A maneira pela qual aquela instituição atua no momento e se comporta no cenário republicano do País revela que faliu completamente. Lamento muito. Com uma profunda tristeza lamento mesmo, mas acho que deve e pode ser salva e ao povo – de quem todo poder emana – cumpre resgatá-la e deve fazê-lo antes que cause ao Brasil um prejuízo maior do que este que vem dando causa aqui e quanto à imagem do País no exterior.

Sim, ao povo cabe resgatar a instituição das mãos de quem a desilustra no dia a dia e sem temor algum. Isto mesmo. Não deve assustar ninguém as soberbas e humilhantes detrações irrogadas contra nossa gente trabalhadora, melhor dizendo, contra, por exemplo, os bravos e honrados caminhoneiros do Brasil – que com o suor de seus rostos sustentam a abominosa Brasília dos príncipes e nababos da máquina governamental – quando são acusados de marginais digitais porque não querem mais tolerar ver a Pátria ultrajada pela presença na vida pública nacional de bandidos condenados.

É tudo de uma gravidade extrema. É inadmissível uma Corte Suprema na qual um ex Procurador Geral da República confessa que queria assassinar um Mandarim da Corte por conta de rixa partidária, ou seja, a mando do PT da “Anta Guerrilheira” e objetivando impedir a ascensão de um Ministro comparsa do PSDB do calhorda FHC. Desnudando o vergonhoso episódio: é no fundo tudo oriundo de briga de quadrilhas travestidas de agremiações políticas. É duro engolir um STF que se contrapõem ao combate aos corruptos, ao narcotráfico e ao crime organizado; que legisla despudoradamente para impor derrotas ao executivo que não quer mais aceitar ser chantageado pela abjeta classe política nacional; que seguidamente tenta reinstalar o clima de roubalheira que dizimou milhões e milhões de brasileiros. Um tribunal desse tipo tem que ser de alguma maneira colocado em um regime, antes que a Nação Verde e Amarela acabe desmoralizada perante o “Concerto das Nações Livres e Civilizadas”

Agora justifico com detalhes o que quero falar. Pelo território livre da rede mundial dos computadores já transita um vídeo com um comentário do colunista internacional da agência Bloomberg LP, Mac Margolis, que escancara para o mundo o seguinte: Supremo Tribunal Federal está fora de controle. A economia é prejudicada por juízes de celebridades e um tribunal sobrecarregado que não pode emitir decisões duradouras. Com juízes da alta corte advogando para prisioneiros e realizando ativismo judicial em nome da corrupção, o Brasil paga um alto preço. Gilmar Mendes lidera a lista de juízes criminosos que operam no Brasil contra a lei e a ordem. Confiram tudo clicando aqui.

Perceba meu caro leitor, não se trata da opinião de um jornalista qualquer da extrema imprensa. Mac Margolis é um correspondente de longa data da Newsweek, que há muito cobre os acontecimentos no Brasil e na América Latina, com vários livros publicados. Ele já contribuiu para The Economist, The Washington Post, The Christian Science Monitor e até é consultor internacional do Estadão. Por sua vez o Bloomberg não é um pasquim idiota. A Bloomberg L.P. é uma empresa de tecnologia e de dados para o mercado financeiro e uma agência de notícias operacional em todo o mundo com sede em Nova York. A empresa fundada em 1982, com mais de 18.500 pessoas em todo o mundo e com escritórios em mais de 173 países, distribui informação econômica, financeira e informatizado, que a colocam como um dos principais provedores mundiais de informação para o mercado financeiro, com terminais de informações presentes em quase 100% dos bancos, fundos de investimentos, corretoras e seguradoras no mundo.

Ouçamos o que disse o analista para o mundo financeiro. “Ninguém nega que as economias da América Latina estão sofrendo, com o crescimento regional previsto para atingir apenas metade da média global no próximo ano. E há pouca discussão sobre uma grande razão para tal queda. A ausência de regras claras e um sistema jurídico confiável desencorajam o investimento e o gerenciamento eficaz dos negócios. Então, por que o mais alto tribunal do Brasil está revendo uma pedra angular do código penal do país, por conta de uma ação que pode libertar milhares de criminosos condenados, desencadear discórdia partidária e lançar uma nuvem sobre a ação anticorrupção que livrou o cargo público de boots grátis? (…) A pergunta no Supremo Tribunal Federal parece prosaica: quando um criminoso condenado deve ir para a prisão? A lei atual diz que o tribunal pode prender qualquer réu cuja condenação seja mantida em recurso. É um padrão razoável para uma terra em que ricos infratores contratam advogados inteligentes para espancar os tribunais com mandatos e moções, em um esforço para manter-se fora da prisão indefinidamente.” Tudo isso não faria sentido senão direcionado para soltar o ex-presidente Lula – que traria de volta um tempo de roubalheira desenfreada (digo eu) – pelo que “a pior maneira de lidar com esta situação é a alta corte do país mudar as regras legais para todos e ao sabor dos interesses de seus Juízes.”, diz o analista.

Indo fundo nas consequências. Todo esforço da equipe econômica do governo atual para captação dos trilhões de dólares em investimentos estrangeiros sem os quais continuaremos patinando no lodaçal em que a esquerdalha nos atirou – que segundo as análises mais abalizadas não têm outro lugar para aportar nos tempos de agora senão no Brasil – está efetivamente prejudicado pela farra dos “Mandarins Solta Bandidos” que inconsequentemente nos insultam e nos desafiam diariamente gritando a pleno pulmões que não estão ali para fazer a vontade de todos nós, justos os que pagam seus salários milionários. Ah. Cambada!

A rigor, nem estou muito atarantado em razão da expectativa da nova decisão do STF relativa à possibilidade da prisão dos vermelhos e da bandidagem em geral depois de condenados em segunda instância. Espero que aqueles “capas pretas” saibam o que estão fazendo porque depois – estou convencido e esperançoso – haverá muito choro e ranger de dentes. Acabou-se o tempo que o povo era covardemente ofendido e ficava por isto mesmo.

Minha aflição é no sentido de que este pobre Brasil, que sustenta à tripa forra esta classe nojenta de chupins desta Nação sofrida e sofredora, tenha que continuar perdendo com a presença em nosso meio desses nababos e privilegiados; desta gente infame e debochada que zomba da miséria em que seus verdadeiros patrões foram atirados pelas mãos de cada um daqueles maganos.

A verdade é que se, em julgamento de mérito, tivesse que optar pela vida de um Mandarim daquele ou pela a do mais humilde e desgraçado da favela, dos morros ou dos guetos, salvaria qualquer um destes sem pestanejar, porque é justo com estes que se pode construir uma grande Nação igualitária, rica, livre e soberana. Os dos outros tipos são dispensáveis.

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PERCIVAL PUGGINA

O SÍNODO, ANCHIETA E A VISÃO DE HISTÓRIA

Em diferentes lugares do passado, muitas coisas se perderam no nosso país. Uma delas foi a visão de história. Perdeu-se a linha do tempo, a noção de continuidade e, com isso, a própria identidade. A ignorância deu origem ao palpite. A profunda ideologização das últimas décadas abriu vaga, posto de trabalho, carteira assinada e ascensão funcional à avalanche dos enganadores, peritos na grande ciência do ensinar errado. Não é fácil. Ensinar errado e ocultar o que é sabido exige treino.

Observo, em muitas manifestações, percebidas como valiosamente indigenistas, um remorso comunitário ao qual muitas pessoas se entregam como se fossem motivadas por imposições de ordem moral. Seria o inesgotável remorso dos ocidentais. A penitência de uma civilização. A autoflagelação de uma cultura superior. Afinal, por que diabos decidiram promover o não solicitado povoamento de um suposto e intacto paraíso terrestre indígena brasileiro? Pronto, está feito o serviço. É apenas mais uma página da longa lista de culpas históricas imputadas ao léu e sem réu. Mas gerando titulares de remotos créditos sociais resgatáveis no tempo presente.

Em todos esses casos – e são muitos – como já escrevi em artigo anterior, conviria ter certezas que me parecem ausentes, como ausentes estão nos problemas do povoamento e da evangelização do Brasil: a) certeza de não estarmos acusando, julgando e condenando antepassados a quem não concedemos direito de defesa; b) certeza de não estarmos colocando gestos de resgate a serviço de interesses ideológicos e políticos pelos quais, mais tarde, alguém terá que pedir perdão por nós; e c) certeza de não estarmos incorrendo em anacronismo, ou seja, avaliando a conduta dos povoadores de quinhentos anos atrás, com critérios atuais.

Apenas 250 anos nos separam do clássico Dei delliti e dele pene, com o qual Cesare Beccaria apontou a desproporção entre delitos e penas no sistema judicial de seu tempo. Foi por influência desse livro que a Revolução Francesa introduziu a guilhotina, mais misericordiosa para corte de cabeças do que a machadada. Diante desses fatos quase recentes podemos reprovar os portugueses por não haverem trazido a bordo antropólogos, sociólogos, ambientalistas e epidemiologistas?

As releituras e narrativas que a dominante visão de história costuma desenrolar, me levam a indagar: há sentido em desfiar o infindável rosário de mortificações temporãs sobre as quais se poderia cogitar até mesmo na leitura da Bíblia, ou percorrendo os olhos sobre a história de qualquer povo, incluídos os próprios indígenas? Não, não há. Deve ter arrefecido muito o apreço ao batismo e à salvação para que a evangelização de um continente ande suscitando tanto remorso, adaptação e modulação (como talvez propusesse Dias Toffili).

Se for para pedir perdão, por que não o fazerem também, como lembrava Sandra Cavalcanti em artigo publicado há alguns anos, os médicos que substituíram os curandeiros, as famílias novas que não aceitaram mais matar velhos e crianças aleijadas e os cozinheiros europeus que retiraram do cardápio ameríndio os assados de bispos e desafetos?

Não parece adequado subordinar-se o não solicitado Sínodo da Amazônia a uma ótica reducionista que, ao explicar todos os fenômenos históricos como conflitos entre oprimidos e opressores, se põe a serviço de uma ideologia pagã. Entre São José de Anchieta e o cardeal Cláudio Hummes eu fico com o santo das Canárias.

CHARGE DO SPONHOLZ

DEU NO JORNAL

A PALAVRA DE UM SAFADO

Bomba nas redes sociais trecho do livro “Curso de Direito Constitucional“, de Gilmar Mendes e Paulo Gustavo Gonet Branco, em defesa da prisão após condenação dos meliantes em segunda instância.

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Gilmar Boca-de-Buceta é, entre outros, uma das grandes vergonhas da Suprema Bosta Federal.

Palavra de Gilmar, escrita ou falada, é igual peito em homem: num serve pra nada.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

O TREM QUE TRAZIA – E O ÔNIBUS QUE LEVAVA

O trem avistado desde a Estação Barracão

Quando chegava o mês de dezembro, os alunos que compunham a série do curso ginasial se alvoroçavam. Uns, vibravam de alegria pela aproximação das provas finais do ano letivo e o início das férias escolares, outros, que haviam estudado pouco ou quase nada aprendiam, ficavam apavorados com possíveis reprovações. Provas escritas e orais, exigiam o somatório da média 5. Abaixo disso, era “reprovação consumada” e a certeza da repetição de tudo no ano seguinte. Nunca repeti e sempre alcancei nota acima da média. Mas, muito longe de ser “top” entre os melhores alunos da classe.

A última prova oral do ano letivo, tinha ares de verdadeiro “chute na bunda” e, em seguida, pernas para que te quero.

Neste exato momento, quando estou escrevendo este texto (dia 25 de outubro de 2019), me veio à lembrança uma dúvida: não lembro se, naquele tempo o meu pai se dirigia ao colégio “para renovar a matrícula”, como é feito hoje. A “rematrícula” era automática, diferente das muitas inovações imprestáveis dos dias atuais.

No dia seguinte era fazer a pequena mala de madeira forrada e coberta com papel parede, colocar a escova de dentes, o creme dental Eucalol, a baladeira, o pião e o bornal de carregar pedras, uma latinha de Vick Vaporub e uma “roupa de ir à missa aos domingos”, comprar o bilhete do trem e esperar aquele maravilhoso apito da partida. Os trilhos, mesmo existindo algumas paradas programadas ou desvios, só levavam à um destino: a Estação de Barracão, lugar que jamais será apagado da memória de muita gente.

Estação Barracão em abandono após anos de utilização

Quando a máquina que conduzia os oito vagões de carga e passageiros se aproximava da estação, longe ainda, mas na última curva antes dos duzentos metros de reta, muitos punham as cabeças para fora das janelas na tentativa de identificar a parentada que, atônita, esperava na estação. Acenos mil, beijos muitos.

A alegria da chegada era transformada naquele “ruge-ruge” de abraços e encontros com bagagens e fardos de encomendas para esse ou para aquele. Um momento ímpar de alegria e contentamento pelo reencontro – ainda que por apenas dois meses das férias escolares.

Hoje, lembro bem, a ansiedade que enfrentávamos quando faltavam três ou quatro dias para o início das férias, fazia a demora parecer um século – e era diferente, também, com a duração dos dois meses de férias que, parecia ser menos de uma semana.

Baladeiras, passarinhos, banhos no açude, assar castanhas de caju, defecar trepado na mangueira ou cajueiro, tudo contava pontos naquela curta vivência das férias. Quando menos esperávamos, faltava menos de uma semana para o final daquele período marcante.

As aulas recomeçavam sempre numa segunda-feira (por que????) e, no sábado já tínhamos que estar de volta em casa para a preparação da volta às aulas: cortar o cabelo, provar e aprovar o fardamento se fosse novo, e encapar os livros e cadernos novos.

A sexta-feira, ainda no interior, era estafante e cansava mais que os quase dois meses de brincadeiras. Caminhar até o rodovia para tomar o ônibus que levava de volta à casa.

O ônibus da volta das férias era um verdadeiro luxo

Sem muita reclamação, a rotina das aulas no início do ano não mostrava diferença. Só mesmo nas caras dos professores, ou nas matérias que mudavam a cada ano. Química e Física só estudávamos a partir da terceira série ginasial e no científico. Antes, era Ciências Naturais. Cada final de mês, provas escritas. Provas orais só no final de cada ano, sempre após as provas escritas. E assim, aparentemente, tudo era igual até o final do ano. Exceção às férias do meio do ano, sempre em julho.

A ÚLTIMA: Minha santa Avó não era puta. É, puta, aquela que “renova o óleo masculino num cabaré” ou intramuros de quatro paredes. Mas, também não tinha nenhuma aproximação com a agora Santa Dulce dos Pobres. Mulher liberal e liberada antes mesmo do nascimento de Leila Diniz. E minha falecida e santa Avó tinha uma característica que, quiçá nunca tivesse sido só dela – ela, vovó, nunca usou calcinha, tampouco calçola. E, tirada da cabeça dela, tinha uma explicação para esse comportamento:

– “Calcinha ou calçola é algo que “guarda”. E por que diabos a gente tem que guardar alguma coisa que gosta e sente prazer em dar?”

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RELEMBRANDO O ASSASSINATO COMETIDO PELO PT