DEU NO TWITTER

CHARGE DO SPONHOLZ

CARLOS IVAN - ENQUANTO ISSO

INCONSEQUÊNCIA

Ser cidadão é cumprir deveres perante a nação e a sociedade. Usufruir de direitos garantidos pela legislação. Ser consciente dos atos praticados. Não exercer atividades com negligência. Evitar deslizes. Não enganar e nem prejudicar os outros.

Por isso é obrigação do cidadão escolher pelo voto os seus parlamentares e governos que sejam capazes de trabalhar com honestidade. Viver dentro da lei, respeitar o próximo e a natureza, passar adiante os conhecimentos. Zelar pelo patrimônio público é o mínimo que a sociedade espera das autoridades.

Independente de posição ou cargo, é dever do cidadão cumprir as obrigações determinadas por lei. No entanto, o que mais as autoridades cometem é o descumprimento de seus deveres.

No Brasil, país da impunidade, as regras do direito e das obrigações são constantemente desrespeitadas. Tanto pela sociedade, quanto pelos gestores. Por sinal, os gestores são os primeiros a descumprir as suas obrigações. Justamente por causa da omissão dos governantes, o país toma na jaca e fica por isso mesmo. Ninguém é responsabilizado pelo desleixo, descaso e incompetência. Teve gestor incompetente que passou oito anos no cargo, mas, usando de estratégia política, acabou eleito na última eleição.

Para constatar a realidade, basta dar uma voltinha por aí para encontrar 14 mil obras paradas. O custo da paralização das promessas é monstruoso. Soma mais de R$ 10 bilhões aos cofres da União, jogados no lixo, conforme levantamento de 2018.

O Tribunal de Contas da União (TCU) passou a régua e anotou em recente verificação verdadeiras anomalias. De 39 mil obras iniciadas, da competência de governos, federal, estadual e municipal, 14.403 encontram-se paradas ou inacabadas. Causando enormes prejuízos ao país.

Dentre as obras prometidas e deixadas de lado, existem escolas, creches, postos de saúde, edifícios administrativos, instalações esportivas, rodovias, ferrovias, portos e usinas. A Usina Termonuclear de Angra 3, que já consumiu mais de R$ 6 bilhões da Nação, parou no tempo e no espaço, desde 2015.

Na lista de paralização consta também o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, que desde 2015, desperdiçou mais de R$ 12 bilhões. A ampliação do quebra-mar do Porto de Salvador, na Bahia, que, apesar de ter gasto R$ 3 milhões, foi abandonado em 2017 e ninguém sabe o motivo do abandono. Até trechos das ferrovias Norte-Sul e de Integração Leste-Oeste foram esquecidos. O esquecimento vigora desde 2017 e 2018. Apesar de ter custado bom dinheiro do povo.

Boa parte das obras deixadas ao relento, fazem parte do PAC-Programa de Aceleração de Crescimento, instituído no ano de 2007. O PAC tinha boas intensões. Pretendia investir cerca de R$ 503 bilhões em infraestrutura, em áreas de habitação, saneamento, transporte urbano, aeroportos, energia e em recursos hídricos, num espaço de quatro anos.

Além disso, o PAC procurava estimular o investimento privado, forçar o investimento público e aprimorar a política fiscal. Todavia, por falta de acompanhamento e responsabilidade política, o PAC melou. Com razão.

Das dez maiores obras do PAC, somente duas foram concluídas, após nove anos de atividade. Do resto, algumas foram canceladas, outras permaneceram inacabadas e posteriormente abandonadas no meio da estrada. Durante esse tempo todo, se deterioram, peças enferrujam, trechos de barro desaparecem automaticamente. Por falta de compromisso social com o país.

A Refinaria Premium 1, no Maranhão, é outro exemplo. Com projetos de investimentos de R$ 41 bilhões, por ter sido abandonada na metade da construção, causou um baita prejuízo à Petrobrás, no valor de R$ 2,1 bilhões.

No Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, somente metade das moradias prometidas foram concluídas e entregues à população. Por causa dos constantes tiroteios na famosa favela, até o periférico deixa de funcionar, vez por outra. Por medida de segurança.

Está claro que dois temas são de fato de real interesse da sociedade brasileira. Democracia e cidadania. A Democracia é o regime ordenado pelo povo. Segundo a Constituição, ao pé da letra, a democracia representa a liberdade de direitos e a igualdade social. No entanto, a contaminação política tem violado os direitos constitucionais brasileiros.

O mal do país é esquecer que a autoridade, em qualquer cargo ou posição, tem de prestar contas ao povo de seus atos. É dever constitucional. Todavia, como não é cobrada, as anomalias se avolumam. Os prejuízos crescem. A insatisfação aumenta. O irresponsável que iniciou a obra não é punido, se não presta conta e o povo, abestado, aceita a irresponsabilidade.

Um fato é claro. O que está em jogo no ato de governar, no Brasil, é somente a armação de palanque eleitoral. O engodo. Gravar na memória do indivíduo o nome do político como verdadeiro líder para garantir votos no futuro. Qualidade que muitos gestores não possuem.

Por conta disso, o Brasil está infestado de políticos sacanas que não fazem outra coisa, senão exigir respeito, enquanto, descaradamente, desrespeita a ética e a sinceridade do cidadão que um dia acreditou na hombridade do falso político.

AUGUSTO NUNES

NA ESTRATOSFERA

Dilma informa em dilmês que está no momento em visita a um dos anéis de Saturno

“Três anos depois do Golpe de 2016, que feriu a democracia e desprezou o voto de 54,5 milhões de brasileiros que me elegeram presidente em 2014, a verdade – mesmo a conta-gotas – insiste em vir à tona, desvelando o jogo sujo e mostrando o papel de agentes públicos na corrosão institucional que assola desde então o país”.

Dilma Rousseff, ao discorrer em artigo publicado no site do PT a mais recente revelação do The Intercept, que acusa os procuradores da Lava Jato de recusarem uma suposta delação prejudicial a Michel Temer, mostrando que o único neurônio que tem na cabeça está no momento passeando num dos anéis de Saturno.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Josué de Castro

Josué Apolônio de Castro nasceu no Recife em 05/09/1908. Médico, nutrólogo, geógrafo, sociólogo, professor, político, escritor e autoridade mundial no combate à fome. Seus primeiros estudos se deram em casa com sua mãe professora e continuados no Instituto Carneiro Leão e Ginásio Pernambucano. Durante a infância, morava próximo dos mangues, uma região de mocambos habitada por retirantes e infestada de caranguejos. Foi seu primeiro contato com o problema da fome vista de perto.

Ainda jovem, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi estudar na Faculdade Nacional de Medicina. Não obstante o interesse pela psiquiatria, foi levado a se especializar em Nutrição. Aos 21 anos retornou ao Recife e montou sua clínica. Pouco depois foi contratado numa fábrica para examinar trabalhadores com problemas de saúde indefinidos e acusados de indolência. Numa conversa com os patrões expôs o diagnóstico: “Sei o que meus clientes têm. Mas não posso curá-los porque sou médico e não diretor daqui. A doença dessa gente é fome”. Foi demitido do emprego e passou a encarar a dimensão social da doença, que era ocultada por preconceitos sociais e climáticos.

Sua preocupação social foi aguçada com a Revolução de 30, colocando a política brasileira em estado de ebulição. Por esta época, passou a realizar pesquisas sociais sobre os problemas da alimentação em bairros operários do Recife. Tais estudos levaram-no a ver a fome como uma catástrofe social e não uma consequência das condições físicas, climáticas e étnicas, como alguns estudos afirmavam. Sua conclusão foi que o desnível social resultava de uma estrutura econômica e social imposta no período colonial e mantida nos períodos imperial e republicano. Em 1932 tornou-se professor livre-docente da Faculdade de Medicina de Recife, com a tese “O problema fisiológico na alimentação”. No mesmo ano orientou a realização de uma pesquisa pioneira no Brasil, relacionando a produtividade com a alimentação do trabalhador.

A pesquisa resultou na publicação de seu primeiro livro, em 1935: “Condições de vida das classes operárias do Recife” e serviu como base posterior para a formulação do salário-mínimo. No mesmo ano casou-se com sua ex-aluna Glace Rego Pinto e foi morar no Rio de Janeiro. Após breve período de dificuldades financeiras, passou a lecionar Antropologia na Universidade do Distrito Federal, organizada por Anísio Teixeira. Paralelo a atividade docente, passou a escrever com regularidade e publicou o livro “Alimentação e raça”, em 1936. Embora não fosse filiado à ALN-Aliança Libertadora Nacional, publicou vários artigos em jornais ligados ao partido. Em 1937, publicou o livro “A alimentação brasileira à luz da geografia humana”, causando grande expectativa no meio acadêmico e político-social. Ao todo chegou a publicar 30 livros, incluindo literatura –Festa das letras -, publicado junto com Cecília Meireles, em 1939.

Nesta época foi criada a Universidade do Brasil, onde passou a ocupar a Cátedra de Geografia Humana, defendendo a tese sobre “Fatores de localização da cidade do Recife”. Em 1938 foi convidado pelo governo italiano para realizar conferências nas universidades de Roma e Nápoles sobre a temática “Os problemas de aclimatação humana nos trópicos”. A partir daí, passou a ficar famoso como nutrólogo, sociólogo, geógrafo etc. De 1940 em diante participou de todos os projetos governamentais ligados à alimentação; coordenou a implantação dos primeiros restaurantes populares; dirigiu as pesquisas do Instituto de Tecnologia Alimentar e criou a revista Arquivos Brasileiros de Nutrologia. No mesmo ano, passou a trabalhar no Serviço de Alimentação e de Previdência Social (SAPS), e fundou a Sociedade Brasileira de Alimentação. Em 1944 foi criado o Instituto Técnico de Alimentação, cuja direção ficou a seu cargo. Foi convidado oficial de vários países para estudar os problemas de alimentação e nutrição: Argentina (1942), Estados Unidos (1943), República Dominicana e México (1945) e França (1947).

Em 1946 publicou “Geografia da fome”, causando impacto no meio politico. Enfatizou as origens socioeconômicas da tragédia e denunciou as explicações deterministas desse quadro. No mesmo ano, fundou e dirigiu o Instituto de Nutrição da Universidade do Brasil. Cinco anos após lançou “Geopolítica da fome”, causando impacto ainda maior, passando a analisar o problema em escala mundial. Os dois livros foram publicados em vários países e contribuiu para que, em 1951, assumisse a presidência do Conselho Executivo da FAO-Food and Agricultural Organization (1952-56) e membro da Comissão Nacional de Política Agrária, criada por Vargas em 1951. Dois anos depois, foi nomeado vice-presidente da Comissão Nacional de Bem-estar Social. Naquele ano, ele fora ainda candidato de Vargas, que voltara ao poder pelo voto, a Ministro da Agricultura. Porém, foi impedido pelo PSD-Partido Social Democrático. Uma de suas facetas pouco conhecida é o gosto pelo cinema. Na época em que dirigia a FAO, em Roma, seus escritos interessaram os cineastas Roberto Rosselini e Cesare Zavattini a fazer filmes baseados na geografia e geopolítica da fome. Tal interesse resultou no filme “O Drama das secas”, dirigido por Rodolfo Nanni, em 1958.

Convidado a entrar na Política, ingressou no PTB-Partido Trabalhista Brasileiro e foi o Deputado Federal (1954-58 e 1958-62) mais votado em todo o Nordeste. Em seguida, foi embaixador do Brasil na Conferência Internacional de Desenvolvimento, da ONU, em Genebra e na reunião da FAO, em Roma. Como Deputado, apresentou os projetos de regulamentação da profissão de nutricionista e de reforma agrária. Com o Golpe de 1964, foi destituído do cargo de embaixador do Brasil junto a ONU. Sem condições de voltar à pátria, estabeleceu-se em Paris e foi acolhido pelo governo francês, designado professor do Centro Universitário de Vincennes, lecionando também na Universidade de Paris. Ministrou aulas de pós-graduação no Instituto de Altos Estudos para a América Latina; chefiou o Centro Internacional de Desenvolvimento, atuando sobretudo na África; presidiu o Comitê para a Constituição dos Povos e foi vice-presidente da Associação Parlamentar Mundial. Nesta fase, além da influência sobre os estudantes de todo o mundo que convergiam para estudar em Paris, canalizou esforços para a solução dos problemas da Paz. Aí viveu os 10 últimos anos, onde faleceu em 24/09/1974 e foi sepultado no Rio de Janeiro.

Entre os prêmios e condecorações que recebeu, constam: Prêmio Pandiá Calógeras (1937), Professor Honoris Causa da Universidade de San Domingos e de San Marcos (1950), Prêmio Franklin D. Roosevelt, da Academia de Ciências Políticas dos EUA (1952), Prêmio Internacional da Paz (1954), Oficial de Honra, do governo francês (1955), Grã-Cruz in memoriam, da Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura (2006). Foi ainda indicado ao Prêmio Nobel da Paz nos anos de 1953, 1963, 1964 e 1965. Sua memória e legado são mantidos no “Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro”, fundado em 1979, no Recife. Em 1987 sua família incorporou todo seu acervo documental e biblioteca ao Centro, colocados à disposição do público e pesquisadores. Trata-se de um expressivo acervo de informações referentes aos problemas da fome e do subdesenvolvimento. Para acessar, bata clicar aqui.

Josué de Castro: cidadão do mundo

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

LICEU DO CEARÁ – 176 ANOS DE MUITA QUALIDADE

Liceu do Ceará chega aos 176 anos de existência

Fundado no dia 19 de outubro de 1843, o Liceu do Ceará é a quarta mais antiga instituição de ensino público do Brasil, país que já atingiu 519 anos desde a descoberta no dia 22 de abril de 1500.

De acordo com o livro “O Liceu do Ceará em Cem Anos”, do autor Hugo Vitor, a escola é a 4ª mais antiga do País, fundada no ano de 1843. A instituição foi criada pelo Marechal José Maria da Silva Bitencourt, que era “engenheiro militar e foi o 13º presidente do Ceará e Comandante das Armas”, e dessa fundação como legado, os muitos diretores que por ali passaram, mantiveram apenas a rigidez disciplinar para professores e alunos. Sem viadagens, sem baitolagens – aluno com “brinquinho” na orelha, não entra. Tem todo o direito de ser gay, mas vai ser gay fora do colégio.

Ainda hoje, usando a linguagem sem verniz, “o Liceu do Ceará é uma escola onde a frescura e a viadagem não entram”. É uma escola para macho. Disciplina rígida, sem aderir às frescuras atuais que permeiam na educação brasileira, o Liceu do Ceará é o principal formador de mais de 70% dos profissionais renomados do Ceará.

O primeiro diretor da escola foi o padre Thomaz Pompeu de Souza Brasil. Já o primeiro prédio do Liceu foi inaugurado em 1894, no Centro de Fortaleza, e lá permaneceu até 1937, quando se mudou para o seu atual endereço, na Rua Liberato Barroso, no bairro Jacarecanga. O diretor mais longevo e admirado por sua rigidez direcional, sem deixar de ser justo, foi Boanerges Cysne de Farias Sabóia. Admirado e respeitado até pelos mais “peraltas” alunos.

Professor Boanerges Cysne de Farias Sabóia com sua espoa – ele foi o mais longevo Diretor do Liceu do Ceará

Rigidez e disciplina suportáveis – Quem ler hoje nas redes sociais os pais que perderam o controle e o domínio sobre os filhos protestarem contra “escolas públicas com orientação militar” – sem que a matrícula de quem quer que seja venha ser algo obrigatório – reclamar da qualidade da escolarização apenas para
se parecerem “contra o Governo”, não tem a menor ideia de que um dia (e até hoje é assim!) foi a disciplina implantada no Liceu do Ceará.

Aluno que agride professor, no Liceu do Ceará, nunca foi “suspenso”. Sempre foi “expulso” e os pais nunca compareceram “armados de revólver” para reclamar isso ou aquilo. Dentro do colégio, a disciplina sempre foi rígida – sem ser “militarizada”.

Estudei no Liceu por 7 longos anos. Ali estudei Canto Orfeônico (Música), Latim, Desenho e até “Esperanto”, sem nunca ter sabido qual a utilidade dessa matéria. A média para “aprovação”, era 7. Quem ao final do ano, após as provas escritas e orais não alcançasse a média 7, estava “reprovado” e “c´est fini”!

Foto 3 – Veja a disciplina durante um café da manhã numa data comemorativa

A maioria que concluía o Terceiro Ano Científico (ou Clássico) no Liceu do Ceará, quase nunca era “reprovada” no Vestibular para qualquer universidade – por que, quem concluía, sabia o que fora ensinado. Estava preparado para enfrentar o Vestibular.

Por isso, nenhum pai saía de casa para agredir Professor, pois sabia que aquela rigidez tinha um objetivo: o aprendizado, sem frescuras, sem qualiragens.

Era terminantemente proibido a qualquer aluno de qualquer série, vestir o uniforme do colégio fora do horário de aulas. Quem fosse flagrado usando a calça (cáqui, com duas listas azuis em cada perna) com o objetivo de pagar meia passagem nos transportes coletivos ou nos cinemas, era punido.

Os “bedéis” – funcionários que fiscalizavam as possíveis indisciplinas de alunos pelas ruas nas saídas dos horários de aulas – eram temidos e respeitados.

Outros tempos!

Parabéns ao Liceu do Ceará pelos 176 anos de excelentes serviços prestados à escolarização do Ceará e do Brasil.

DEU NO JORNAL

EQUINOS BANÂNICOS

70% dos brasileiros apoiam a prisão em segunda instância, segundo a pesquisa da FSB.

Só 21% são contrários.

Mas Gilmar Mendes, o dono do Supremo, não está interessado em sua opinião.

* * *

Puta merda: 21%.

É jumento que só a porra pastando nesta terra.

ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

HARRY HALLER

Profundamente solitário desde a mais tenra infância, o sentimento de inadequação ao mundo que nos cerca sempre me acompanhou durante toda minha vida. Desde o início até os dias presentes.

O nome que as pessoas davam (e dão) a esse tipo de gente variou muito ao longo desses anos todos (“Misfit”, “Outsider”, “freak”, “runaway”, e por aí segue), mas o conceito sempre foi o mesmo: pessoas que, ao contrário da maioria, preferem visceralmente a solidão à balbúrdia de incontáveis vozes balbuciando platitudes e imbecilidades. Pessoas para as quais o termo idiota (idios = o mesmo) se aplica com perfeição à maioria absoluta das pessoas que o cercam.

Assim, desde cedo preferi a companhia dos livros à das pessoas. Só assim me punha em contato com pessoas iluminadas de outras eras e lugares. Pessoas com as quais, de outra forma, eu muito dificilmente teria contato.

Logo me dei conta de fazer parte de uma confraria especialíssima daquelas raras pessoas para as quais, ao contrário de todo o restante da humanidade, a busca pela sensação de “belongness” não fazia nenhum sentido. Pessoas marcadas com o “sinal de Caim”, segundo as palavras de Herman Hesse.

Por falar nele, a grande descoberta da adolescência, além de músicas absolutamente maravilhosas, foi a leitura do livro “O Lobo da Estepe”. Para aqueles que tiverem interesse em conhecer esta obra magistral, basta clicar na imagem abaixo: 

Daí para a frente, a trilha musical de minha vida se desdobra. Primeiro, os Beatles:

NOWHERE MAN

Em seguida, as pungentes canções de Paul Simon e Art Garfunquel:

THE BRIDGE OVER TROUBLED WATERS

De todas, creio que a grande “descoberta” tenha sido a belíssima poesia de Jim Croce, precocemente falecido, exatamente quando conquistava corações e mentes de toda uma geração.

I GOT A NAME – Jim Croce

Junto com o “menestrel maldito”, Bobby Dilan, com sua descrição perfeita da minha estranha psicologia.

IT AIN´T ME, BABY

No meio do caminho, a “descoberta” das sublimes músicas de Charles Aznavour.

JE N’AI RIEN OUBLIÉ

E agora, já na reta final, o grande Paulinho da Viola expressa de maneira soberba o sentimento que me domina.

NOVOS RUMOS

ALLWAYS LONELINESS

As I´ve mentioned thousands of times…
I´m ALONE!
Deeply and miserably… Alone!
From the moment I was born, to the moment I will die… Alone!
The bigger is the crowd, the deeper is my loneliness.
No matter how hard I try,
Pretending and cheating myself that I have something in common
With this ugly people that surrounds me.
The maximum of sympathy I can reach,
Even using all the strength of my mightier will power,
Is to stand their bad smell of cheap perfumes,
Is to bear poker face to their bad manners and ugly faces,
Is to stay idle in front of paroxysms of stupidity,
Is to keep my mouth shut
And stay quiet without saying a word.

Teresina – Piauí
11/07/2009

P.S. Peço desculpas a todos os colegas fubânicos que não falam ou entendem inglês ou francês por ter escrito esta crônica quase toda nestas línguas. É um desabafo intimista para o qual espero contar com a compreensão de todos. Tentei encontrar as músicas legendadas, mas infelizmente, não as encontrei todas. Bom domingo!

PENINHA - DICA MUSICAL