ALEXANDRE GARCIA

APOIADORES DO CRIME

Como todos sabemos, o Ministro da Justiça, ex-juiz Sérgio Moro, enviou ao Congresso uma série de propostas de mudanças na lei, para combater principalmente os crimes de corrupção e os atentados graves contra a vida. A esse conjunto, chamou-se Pacote Anti-Crime. É resultado dos compromissos firmados em campanha e aprovados por quase 58 milhões de eleitores. O Pacote muda a estrutura vigente de impunidade favorecedora do crime, que foi se ampliando na gestão de alguns ministros da Justiça, nos governos FHC, Lula e Dilma, sob o pretexto de direitos humanos. Na verdade, o resultado foi a ampliação da proteção a corruptos, traficantes, assaltantes e homicidas.

A maioria dos brasileiros saudou a iniciativa do governo, pois não aguenta a escravidão pelo medo, pela insegurança. Não aguenta ficar atrás das grades para se proteger dos que deveriam estar atrás das grades; não aguenta pagar impostos e não ter bons serviços públicos, porque a corrupção levou o que era para o hospital, para a escola, para a segurança. Agora, a maioria encheu-se de esperança, imaginando que o Congresso avalizaria imediatamente medidas que, endurecendo contra os criminosos de todos os níveis e idades, tiraria de circulação os bandidos e desestimularia os mal-intencionados.

A surpresa é que a reação em favor dos bandidos veio logo, e de representantes do povo. Criaram uma Comissão Especial, que tratou de enfraquecer a proposta, enquanto de fora, vieram os eternos defensores dos direitos dos que agridem os direitos de outros humanos. A Comissão Arns de Direitos Humanos, por exemplo, acaba de divulgar uma nota em que afirma que o Pacote “ao contrário de proteger a vida, estimula a sua destruição” – está falando da vida de bandidos armados. E, em outro trecho: “é uma ilusão entender-se que leis mais punitivas, repressão policial de maior intensidade e prisões indiscriminadas são modos de meio de se combater o crime. O crime se combate com o combate às suas causas e não agindo nos seus efeitos”.

Ora, vamos experimentar a sugestão: tire-se a polícia, amoleça-se ainda mais as leis, não se prenda e ponham-se psicólogos e psicanalistas para agir nas causas de caráter, e veja o que dá. Dá exatamente o que resultou de leis lenientes, impunidade, constrangimento ao policial, direitos humanos de bandidos. O resultado, todos conhecemos, com a ousadia de corruptos, traficantes e assaltantes. Pior que tudo é a torcida de muitos em favor do crime. Essa torcida faz supor que quem defende corrupto está se defendendo; quem defende traficante, está defendendo seu abastecedor. E há um terceiro torcedor contra o pacote anti-crime; aquele que quer que o governo frustre a maioria, não conseguindo mudar a doce vida dos criminosos. Mas a maioria quer a paz da lei.

CHARGE DO SPONHOLZ

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURO PEREIRA – ITAPEVA-SP

Caro Berto, boa tarde.

O vídeo, que envio no anexo, retrata com fidelidade ímpar o quanto o político de esquerda pode ser corrupto, canalha e mau caráter.

O governador do seu estado, Paulo Câmara, é a esquerda em estado puro!

R. Paulo Oião, governador de Pernambuco que não teve meu voto, é tão safado que foi até visitar Lula na cadeia.

Dito isto, não se precisa dizer mais nada.

E vamos ao vídeo que você nos mandou.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

O FUTURO É HOJE

-Josimar você não tem vergonha? Só faltava essa, casar com a filha de sua terceira esposa, sua enteada, uma menina, mais nova que você quase 40 anos. Não tem vergonha? Hoje ela está com 18 anos, novinha bonita, atraente, os homens gostam da juventude, mas quando você chegar aos 70 anos ela ainda estará no auge dos 30 anos. Será uma ponta do tamanho de um bonde.

Repreendia Virgínia, irmã de Josimar, solteirona, invicta, ligada à Igreja, autêntica filha de Maria, cheia de preconceitos e dogmas. Reza todos os dias pela alma de Josimar, seu único irmão, seu último parente, mas fica estarrecida com sua vida de mulherengo incorrigível.

Há alguns anos quando o irmão casou-se a primeira vez, Virgínia comemorou. Afinal o mano querido sairia da vida pecaminosa de solteiro, cheio de raparigas e amantes. Foi difícil para Josimar acostumar-se com a vida de casado. Nas sextas-feiras, ao meio dia, saía direto para o Bar do Pontal, ponto de encontro de suas amizades, inclusive algumas garotas suspeitas. Mesmo com o nascimento de seu filho, Josimar continuou sua vida de boêmio. O casamento durou cinco anos, a separação foi até um alívio para esposa. Josimar nunca deixou faltar nada na casa da ex-mulher e do filho. Ele tem um bom emprego, uma sinecura federal, aparece uma vez por semana, é um tremendo funcionário boa vida.

Certa vez apareceu uma prima da Bahia, toda frajola, morena da cor de melaço, encantou nosso herói, saiu com ele várias vezes, ficava nas preliminares, mas nada do jogo principal. Marta, a baiana, dizia que ali só entrava casando. Muita cantada, muita lábia gasta pelo boêmio, porém Marta resistiu bravamente. Quem não resistiu foi Josimar terminou casando-se na Igreja de São Joaquim na cidade baixa de Salvador, com uma alegre recepção na casa dos primos. Sua família e amigos viajaram para Bahia num ônibus fretado. Quem mais ficou alegre foi Virgínia pensando que a prima consertaria a vida do irmão mulherengo. Nos primeiros meses o casal vivia de mãos dadas em lua-de-mel, aparecia em todos os lugares, enamorados. Os amigos comentavam: quem diria? Como uma mulher pode transformar um homem.

Certo dia chegou um recado de Brasília do deputado mandando Josimar resolver uma questão em Delmiro Gouveia, sertão alagoano. Ele não é advogado, mas tem conversa convincente, sabe defender pertinentemente seus pontos de vista, mesmo que esteja errado. No sertão ele resolveu a questão mais cedo que pensava e retornou ao lar pensando na baiana do rabo grande, sua digníssima esposa. Ao entrar no apartamento ouviu um barulho estranho, no quarto deparou-se com uma imagem que até hoje está fixada em sua mente e em sua alma. A bela Marta deitada na cama com um dos funcionários do prédio. Deu-lhe uma dor no coração, saiu do apartamento, foi para um bar encher a cara de cachaça. Terminou o casamento com um chifre enorme que ainda hoje dói. Prometeu nunca mais casar na sua vida, dedicar-se apenas às raparigas.

Anos depois conheceu, por intermédio da irmã, Mariluce, uma viúva, madura, bonita coroa, com uma filha de 16 anos, Maria da Penha. Josimar se encantou, estava cansado da vida de solteirão, os amigos casados, ele já não conseguia uma conversa adequada à sua idade nas noitadas cheias de jovem. Com certo tempo acertou formalmente e casou-se pela terceira vez. Mãe e filha foram viver no apartamento de três quartos de Josimar. Ele ficou feliz com seu novo casamento e deu-se às maravilhas com Maria da Penha, dizia que a enteada era a filha que não teve.

Matriculou e custeou a moça na Faculdade de Direito. Quando podiam viajavam os três. Maria da Penha tinha o padrasto como confidente sobre seus namorados. Josimar dava-lhe vestidos, perfumes, até um carro seminovo a enteada ganhou. Mariluce ficava com ciúmes pelo tratamento dado à sua filha, achava que ela também merecia. O tempo foi passando até que estourou a bomba. Josimar apaixonado por Maria da Penha deixou a mulher e foi viver com a enteada, um escândalo. Ele está feliz da vida. Nem liga para as espinafrações que a querida irmã Virgínia lhe dirige, ao encontrá-lo. Responde à irmã.

– O Futuro é Hoje.

ESTA HISTÓRIA ESTÁ INSERIDA NO LIVRO “CONTOS LEVEMENTE ERÓTICOS” QUE SERÁ LANÇADO NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, DIA 25 OUTUBRO ÀS 19 HORAS NA COBERTURA DO EDIFÍCIO EMPRESARIAL DELMANN RUA SAMPAIO MARQUES 25 – MACEIÓ – PAJUÇARA.

A PALAVRA DO EDITOR

NOS ARES

Hoje, sábado, estou embarcando pra Brasília.

Vou lá pra comemorar o aniversário de Lúcia, uma irmã muito querida, a caçula do nosso trio.

Estarei de volta amanhã, domingo.

Os viciados fubânicos podem ficar tranquilos: as postagens de hoje e amanhã já estão todas agendadas.

Acabei de enviar uma mensagem pra Gilmar Boca-de-Priquito, leitor desta gazeta escrota, perguntando se poderia conceder uma entrevista pro JBF enquanto eu estiver na capital federal.

Vou aproveitar e pedir pra ele soltar meu amigo Mané Rabo-Fino, cachacista e ladrão de bode que está preso na cadeia de Palmares.

Espero que ele me atenda.

JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

VERNÁCULO

Não falo outro idioma além do Português. Entendo, razoavelmente, alguns deles pelo pouco aprendido no ginasial e pelo hábito de assistir a filmes sem legendas. Apoio-me na opinião de poliglotas que classificam a linguagem de Camões como uma das mais complexas de aprender, dentre as de origem latina.

No Português, algumas palavras possuem vários significados ou nomina variadas situações ou objetos. Enquanto o Espanhol dispõe de 95 mil palavras catalogadas, o Francês conta com 135 mil e o Inglês 290 mil, na língua portuguesa, se visitarmos o dicionário Aurélio Online, encontraremos 435 mil verbetes selecionados.

Diz-se que um aluno de ensino médio domina 600 palavras, uma pessoa simples cerca de mil, uma de cultura mediana de 3 a 4 mil, enquanto uma muito culta de 4 a 5 mil vocábulos. Porém, na comunicação diária usamos pouquíssimas das palavras contidas nos dicionários.

Algumas expressões da nossa língua, por suas complexidades e sentidos, são intraduzíveis para outros idiomas. Tomemos como exemplos os vocábulos saudade, apaixonar e xodó. Todavia, o que encanta no estudo do Português são palavras com o mesmo significado utilizáveis sem modificar a interpretação do texto. No caso, os sinônimos.

E por falar em sinônimo, nunca esqueci de um fato surrealista, dentre alguns outros que contemplaram a minha vida estudantil. Na época, com 13 anos de idade, eu cursava o ginasial numa escola particular de orientação religiosa. Minha turma abrigava um moleque, de mesma idade que a minha, tido como o melhor aluno da classe pela inteligência que possuía, fator esse que não inibia a sua extraordinária imodéstia.

A nossa professora de Português estipulou, como trabalho escolar, uma dissertação que retratasse as férias semestrais de cada aluno, do ano em tela. O texto seria entregue no retorna às aulas, e substituiria a prova mensal de Português.

Ai daquele que faltasse com o compromisso. Desculpas esfarrapadas não colavam. Ou assumíamos a responsabilidade com os deveres escolares ou seríamos reprovados. Com as redações em mãos, a professora dita uma orientação inesperada: cada aluno leria a sua dissertação para a turma, obedecendo a critérios determinados.

Assim foi feito e o previsível ocorreu: o nosso sabichão apresentou um trabalho esmerado e repleto de palavras que não conhecíamos, porém, bem aceito pela professora e aplaudido pela classe. Fui um dos últimos a ler minha redação.

No intervalo da aula encontrei o geniozinho sendo paparicado por alguns colegas e, logicamente, autopromovendo o seu escrito. Aproximei-me para lhe parabenizar e aproveitei para saber se havia gostado da minha dissertação. Inflado de presunção ele respondeu: Para um beócio como você, ficou excelente!

Desconfiado com o teor do elogio, pedi à professora que me dissesse o significado de beócio. Antes ela me perguntou o porquê da indagação. De pronto, expliquei-lhe a conversa tida com o sabe-tudo. Deixe isso de lado! – foi a sua resposta.

Em casa, no pequeno dicionário disponível, esclareci a dúvida tomado por um misto de surpresa, revolta e impotência. Beócio, era o mesmo que dizer boçal, estúpido, bronco, imbecil, ignorante entre outros adjetivos depreciativos.

Hoje, o falecido colega descansa em paz, espero que entre palermas como ele. Quanto a mim, apeguei-me de vez ao léxico, um professor inteligente e humilde sem qualquer traço característico dos beócios nem de seus sinônimos.

PENINHA - DICA MUSICAL