CHARGE DO SPONHOLZ

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

REGRESSO AO LAR – Guerra Junqueiro

Ai, há quantos anos que eu parti chorando
Deste meu saudoso, carinhoso lar!…
Foi há vinte?…há trinta? Nem eu sei já quando!…
Minha velha ama, que me estás fitando,
Canta-me cantigas para eu me lembrar!…

Dei a volta ao mundo, dei a volta à Vida…
Só achei enganos, decepções, pesar…
Oh! a ingénua alma tão desiludida!…
Minha velha ama, com a voz dorida,
Canta-me cantigas de me adormentar!…

Trago d’amargura o coração desfeito…
Vê que fundas mágoas no embaciado olhar!
Nunca eu saíra do meu ninho estreito!…
Minha velha ama que me deste o peito,
Canta-me cantigas para me embalar!…

Pôs-me Deus outrora no frouxel do ninho
Pedrarias d’astros, gemas de luar…
Tudo me roubaram, vê, pelo caminho!…
Minha velha ama, sou um pobrezinho…
Canta-me cantigas de fazer chorar!

Como antigamente, no regaço amado,
(Venho morto, morto!…) deixa-me deitar!
Ai, o teu menino como está mudado!
Minha velha ama, como está mudado!
Canta-lhe cantigas de dormir, sonhar!…

Cante-me cantigas, manso, muito manso…
Tristes, muito tristes, como à noite o mar…
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh’alma durma, tenha paz, descanso,
Quando a Morte, em breve, ma vier buscar!…

Colaboração de Pedro Malta

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

ATRAVESSANDO AS PAREDES

Lá pelos mil novecentos e quarenta e três, Marcel Aymé escreveu um conto que tem sido considerado o precursor do realismo fantástico.

Trata-se de O Passa-Paredes, ambientado em Paris, que conta a história de um cabra safado que adquiriu a capacidade de atravessar estruturas sólidas e que, nessa condição, passou por dentro de portas, paredes e cofres-fortes, assaltou um banco e tornou-se figura central do noticiário jornalístico da época.

Não li o livro, ainda, me contaram que ele teve um probleminha e perdeu os poderes justamente no meio da passagem por uma parede, ficando preso ali, meio dentro, meio fora.

Talvez estivesse vindo ou indo de seus encontros amorosos, pois consta que as mulheres suspiravam por ele, por recebê-lo em seus aposentos pudicos da bèlle époque.

Pensei que isso fosse só lenda, quando, descendo as sinuosas ruas de Montmartre, encontro a parede onde o cara ficou atravessado!

Sim, lá está ele! Como tenho bom coração, achei que poderia tirá-lo de lá, segurei-lhe a mão e puxei, mas… nada! Ele está preso e bem preso à parede.

Abandonei-o lá, meio para dentro, meio para fora, penalizado com sua situação.

Alguns dias depois, recebi a notícia de que uma mulher desvendou o segredo dele, de passar por dentro das paredes – uma palavra especial, ou alguma poção poderosa? – e que sofreu o mesmo destino: ficou agarrada pelo meio.

As autoridades afirmam que ela também fez uns assaltos e que fugia pelo caminho inverso ao do passa-paredes anterior.

E concluíram que por algum motivo, aquela parede, aquela única parede onde os dois ficaram presos, tem a capacidade de desfazer o encanto.

Porém, diferentemente do Passa-Paredes original, essa mulher deixou escrita a fórmula para adquirir o poder de atravessar as paredes: estava em um papel preso debaixo do seu pé, que vi e retirei.

Dizia assim : L’amour traverse le mur.

É falar a frase e enfiar o pé na parede.

Experimentei, deu certo. Já atravessei várias em Paris.

Brasil, me aguarde!

Só espero não ficar também agarrado pelo meio dentro de uns tijolaços aí quando eu for ver o Lula.

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A PALAVRA DO EDITOR

NA ESTRADA

Quando esta postagem for ao ar, eu já estarei na estrada, rumo a Palmares, minha terra de nascença.

O programa lá vai ser o dia todo, com várias entrevistas, gravações de programas, visitas à Casa da Cultura, à Prefeitura e à Biblioteca Municipal.

Às oito da noite a maratona será coroada com uma palestra no Rotary Club local.

Vou falar sobre meus livros, as besteiras que escrevo e a influência de Palmares na minha modesta obra.

De modo que o expediente hoje por aqui funcionará em marcha lenta, mesmo já tendo sido solucionado o desmantelo da hospedagem, que deixou esta gazeta escrota fora do ar por várias horas.

Estarei de volta amanhã de manhã, sexta-feira, e o expediente voltará ao normal.

Conto com a compreensão de todos vocês!!!

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CÍCERO TAVARES – RECIFE-PE

Você não imagina a falta que o Jornal da Besta Fubana me faz!

É uma abstinência psicológica tão da porra que dá vontade de acessar só o site do PLANALTO para ler as leis e suas importâncias no ordenamento jurídico brasileiro por causa de alguns trabalhos que tenho de elaborar para Virgínia Portella, minha esposa, que vive 24 horas cuidando da mãe, que está senil, com o mal do alemão e outras mazelas da velhice.

Principalmente agora que deixei de acessar “Veja”, “IG”, “Folha de São Paulo”, “O Globo”, “Época”, “Estadão”, “UOL”, “Jornal do Commercio e essas caralhadas todos, que não servem para porra alguma com as suas rabugices…

Depois do Jornal da Besta Fubana o que ainda me conforta são O Antagonista e a revista Crusoé, porque senão eu iria só ler os livros de Carl Sangan, Érico Veríssimo, Luiz Berto, Graciliano Ramos, Frederico Pernambucano de Mello, Hemillo Borba Filho e outros…

Por isso, diga-me amigo do coração, qual a previsão da volta!

Forte abraço com ótimo final de semana para o nobre amigo e família!

R. Meu caro colunista fubânico, depois de uma babada de ovo feito esta, confesso que fiquei ancho que só a peste.

É uma puxada de saco pra arrombar!!!

Ainda bem que estou respondendo sua carta num momento em que esta gazeta escrota já voltou aos ares.

Bartolomeu, o competente técnico que cuida do JBF, providenciou tudo e estamos em nova hospedaria.

Nesta quinta-feira vou passar o dia em Palmares, numa programa bem intenso e puxado.

E a edição de hoje já está toda pronta, graças ao recurso de deixar postagens agendadas.

Vou acompanhar pelo celular e espero que tudo funcione a contento.

Tenha calma, respire fundo, tome um copo de água com açúcar, bata nos peitos três vezes ao mesmo tempo que grita “Xô, Satanás”

PENINHA - DICA MUSICAL